<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171</id><updated>2012-02-12T01:46:11.117-02:00</updated><category term='VILA POTIRA'/><category term='CRÔNICA POLÍTICA'/><category term='Natal'/><category term='Reflexões'/><title type='text'>Usina Elmond</title><subtitle type='html'>Usina de criações de Pliuno Elmond.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>49</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-7537831801289155833</id><published>2010-09-19T12:11:00.000-03:00</published><updated>2010-09-19T12:21:18.272-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÔNICA POLÍTICA'/><title type='text'>Você já escolheu seu deputado?</title><content type='html'>Você já deve ter ouvido essa pergunta algumas vezes; contudo, talvez seja a escolha mais difícil para a maioria das pessoas, principalmente porque há um verdadeiro menosprezo institucional para esta questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos sabemos que precisamos votar; todavia, nem sempre sabemos para que estamos votando. A lei obriga as pessoas em determinada faixa etária a votarem com risco até de ter o direito de ir e vir suspenso por causa das obrigações eleitorais; no entanto, não há lei que obrigue as pessoas a saberem as funções de cada um dos nossos representantes, nos quais somos obrigados a votar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa República é formada por três poderes: o Executivo, que executa as leis; o Legislativo, que elabora as leis; e o Judiciário, que fiscaliza as leis. Apesar de serem três poderes oficiais, a população brasileira pode escolher apenas dois: o Executivo, cuja campanha é extremamente cara e abrangente; e o Legislativo, cuja campanha é bastante peculiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poderes supracitados estão organizados nos níveis administrativos federal, estadual e municipal. No nível executivo, o presidente exerce o poder executivo federal; o governador, estadual; o prefeito, municipal. No nível legislativo, os deputados federais e senadores exercem o poder legislativo federal; os deputados estaduais, estadual; e os vereadores, municipal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aqui, não há novidade nenhuma. Em todo caso, é muito mais fácil para qualquer eleitor com algum grau de conhecimento e consciência política saber que estamos em eleições federais e estaduais – ou seja, não há eleição para prefeito nem para vereador neste ano. Assim, se alguém promete fazer algum tipo de obra ou investimento na localidade, tal promessa pode ser falsa, pois o tal candidato, se eleito, terá outras obrigações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começo de conversa, quem faz obra é o poder EXECUTIVO – ou seja, prefeitos, governadores e presidente da República. Vereadores, deputados e senadores podem, no máximo, solicitar a realização de uma obra ou outra, desde que o orçamento votado no legislativo permita – somente nesse ponto é possível o vereador, o deputado ou o senador solicitar (e não fazer) a bendita obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os candidatos ao poder executivo possuem grande exposição na mídia. Isso vai desde a propaganda eleitoral gratuita, que passa tanto no horário reservado para isso quanto em intervalos comerciais, até à promoção de debates e entrevistas promovidas pelas emissoras de rádio e televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos candidatos ao poder legislativo, o que resta? É dada tanta importância ao poder executivo que pouquíssimos se lembram de dar atenção ao poder legislativo. Você já viu algum debate entre candidatos a deputado ou a senador? E que importância eles têm? Por quê é preciso olhar para eles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu havia falado no início deste texto, nossa República é dividida em três poderes, e nós, eleitores, só podemos votar para dois: Executivo e Legislativo. Assim, se damos muita importância ao Executivo e nos esquecemos do Legislativo, certamente algo vai sair errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Legislativo, grosso modo, elabora as leis e organiza o orçamento. Quando o Legislativo não está em harmonia com o Executivo, nada funciona direito, ou seja, não são votadas leis nem é organizado um orçamento que coaduna com a proposta do Executivo – ou seja, as promessas e propostas divulgadas antes das eleições podem não ser cumpridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você já deve ter ouvido falar em mensalões e tráfico de influência, não é mesmo? Essas coisas só acontecem porque algo não funciona harmonicamente. Tudo bem que quem é corrupto vai querer dinheiro de qualquer forma; todavia, quando há harmonia entre o executivo e o legislativo, tais práticas, em tese, não tenderiam a acontecer por causa da concordância de posições entre o executivo e o legislativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boa escolha do executivo também requer uma boa escolha para o legislativo. Nem sempre aquele vereador, deputado ou senador que promete a obra na sua rua é o legislador mais adequado ou está de acordo com o executivo. Aliás, o legislativo pode impedir determinados abusos do poder executivo; todavia, é importante que haja harmonia entre os dois poderes para não necessitar chegar a extremos, como o denuncismo que costumamos ver em épocas eleitorais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomando o rumo do texto, enquanto damos ampla divulgação aos candidatos do executivo, há uma grande confusão e verdadeira esculhambação sobre os candidatos ao legislativo, especialmente no âmbito federal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto no âmbito estadual precisamos escolher deputados estaduais, no âmbito federal precisamos escolher deputados federais e senadores, ou seja, legisladores de dois níveis distintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teoricamente, o deputado federal é o representante do povo e o senador é o representante do poder executivo estadual, ou seja, do governador – no entanto, em vez de ele ser indicado pelo governador, ele é escolhido pela população. E o senador tem outras funções que um deputado federal não possui: entrevistar ministros, diplomatas e outros funcionários que estão diretamente ligados ao poder executivo federal. Ou seja, o senador tem o poder, inclusive, de vetar a indicação de alguém para exercer algum cargo importante – inclusive no poder judiciário, como a indicação de juízes para o Supremo Tribunal Federal, para o Supremo Tribunal de Justiça e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, tanto o deputado estadual quanto o deputado federal exercem aquelas funções de legisladores e de organizadores do orçamento. Se você quer que o candidato ao executivo (presidente e governador) tenha sucesso, então seria importante você votar em candidatos que pertençam ao mesmo partido ou à mesma coligação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante, na hora do voto é ter coerência. Infelizmente, os candidatos a deputado e a senador não ajudam muito a esclarecer sobre as funções que eles vão exercer – muito pelo contrário, alguns ajudam a confundir mais, inventando personagens ou dizendo que fizeram isso ou que vão fazer aquilo quando sabem que não podem fazer nada além de votar leis e organizar o orçamento. E tal confusão é reforçada pela própria instituição do horário gratuito, que reserva pouquíssimos segundos para a propaganda de um deputado e vários minutos para senador e candidatos ao executivo. Além disso, a imprensa não abre espaço para que os candidatos coloquem suas propostas e possam esclarecer a população sobre o trabalho que pretendem realizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os candidatos ao legislativo não deveriam ser expostos como uma espécie de caderno de classificados eletrônico, que só serve para fazer volume ao jornal e, depois, servir para limpar cocô de cachorro ou vidros. Se as pessoas votassem em partidos, poderia haver o voto em lista; no entanto, a nossa tradição é personalista, ou seja, nós votamos em pessoas. Por mais que a legislação diga que o mandato pertença ao partido, nós votamos em pessoas, não em partidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerrando esse longo post, não vejo uma solução muito grande para os candidatos ao legislativo atualmente a não ser a propaganda de casa em casa, de boca em boca. Infelizmente, o poder legislativo é bastante desvalorizado por todos os lados, apesar da grande importância que ele tem nas vidas de todos. É preciso repensar a propaganda política para o legislativo, pois somente com um legislativo saudável é possível promover a mudança necessária à vida política brasileira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-7537831801289155833?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/7537831801289155833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=7537831801289155833' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/7537831801289155833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/7537831801289155833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2010/09/voce-ja-escolheu-seu-deputado.html' title='Você já escolheu seu deputado?'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-9024077489388167718</id><published>2010-08-07T23:14:00.001-03:00</published><updated>2010-08-07T23:19:56.657-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÔNICA POLÍTICA'/><title type='text'>Crimes e castigos: quando a violência comum atinge famosos</title><content type='html'>É impressionante a mobilização da imprensa brasileira diante de determinados crimes. No país onde a impunidade praticamente impera entre os mais abastados é quase impossível vislumbrar a possibilidade da prisão dos culpados quando esses são famosos ou da alta sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos anos 1990 para cá, tivemos alguns casos marcantes. Dentre eles, podemos destacar filhos de juízes em Brasília que simplesmente incendiaram um índio que dormia na rua, achando que era um mendigo; o juiz federal que desviava verba; o jornalista que matou a namorada; os rapazes de um bairro nobre do Rio que espancaram uma empregada doméstica pensando que ela fosse uma prostituta. Em alguns casos, houve punição e um devido acompanhamento da imprensa por se tratar de um caso realmente exótico; em outros, não se sabe exatamente o que aconteceu. Dentre esses casos, há um em que o réu foi condenado, mas está solto, sem previsão de ir para a cadeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de questionar a prisão, o que me faz refletir muito sobre tais fatos é o tratamento que a imprensa dá ao caso e a diferença que a justiça dá aos réus dependendo da origem social. Esse fato só fica reforçado com pelo menos dois últimos acontecimentos: o desaparecimento da amante de um goleiro de um famoso time de futebol e o atropelamento do filho de uma atriz de uma grande empresa de comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desaparecimento e a morte de uma moça em situação absolutamente delicada (amante de um homem casado e famoso, estando grávida) não teria tanta repercussão se o provável autor do crime não tivesse sido um goleiro de um grande time. Assim, vem a pergunta: quantas mulheres são assassinadas no país por motivos ainda mais torpes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O atropelamento de um jovem nesse país é outra situação absolutamente banal. Tal caso revelou outra situação ainda mais banalizada: a corrupção policial – segundo os fatos apurados até o momento, houve cobrança de propina para a liberação do carro que atropelara o menino; os policiais aparentemente admitem terem recebido o suborno; os réus alegam que foram coagidos a pagar. E então? Sobra a mãe, que perdeu o filho, como tantas mães que perdem seus filhos para a violência que acomete não somente as grandes cidades, mas todos os lugares onde a civilização ainda não educou os cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que estimula a criminalidade é a certeza da impunidade. Vez por outra há crimes cometidos mediante um estado de insanidade – desespero, acidente etc. Todavia, num caso ou no outro, procura-se, a todo custo, fugir da culpa – haja vista o atual debate sobre a aplicação da lei dos ficha limpa para permitir a concorrência a cargos públicos nas eleições deste ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, mesmo que o réu seja condenado, o que é feito dele? É engaiolado numa prisão fétida e sem as mínimas condições de reabilitação – que, em princípio, deveria ser a finalidade da privação de liberdade. Dentro da cadeia, as pessoas aprendem outro tipo de vida, muito mais cruel do que a vida aqui do lado de fora. Mesmo que o réu seja inocente, ele acaba corrompido pelo sistema lá dentro – afinal, corrupção dentro da cadeia é palavra de ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, quem vai para a cadeia só sai de lá ileso se tiver muito, mas muito caráter. É claro que há casos raros de recuperação, geralmente após passar por uma espécie de “tratamento espiritual” por parte de algumas religiões que se dedicam a tentar “salvar essas almas” (as aspas não são irônicas; apenas reproduzem palavras ditas relacionadas a esses fatos). Por parte do Estado, porém, não há uma solução que realmente chegue aos detentos e que os recuperem da devida maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muita discussão também em torno do gasto que existe para manter um preso na cadeia. A bem da verdade, também há toda uma discussão sobre manter na cadeia pessoas que cometeram leves delitos, cujas penas poderiam ser convertidas em penas alternativas. E por que essas atitudes não são tomadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente, precisamos entender que geralmente quem vai para a cadeia não tem dinheiro. Além disso, geralmente tem a pele mais escura do que a da ala mais abastada de nossa sociedade. Sendo racismo ou não, o importante é saber que, quando a pessoa tem dinheiro, é mais difícil ir parar num ambiente como esse. Para essas pessoas, geralmente há o contrato com os melhores e mais bem preparados e pagos advogados do país. Aos pobres, restam os pobres defensores públicos, que vivem atolados em milhares de processos e, por vezes, nem conseguem conhecer os próprios réus que necessitam de seus serviços. Enfim, é muita coisa contra quem não tem tanto dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solução ideal seria o Estado cumprir seu papel de reabilitar os detentos – acredito piamente que as penas alternativas são muito mais produtivas do que a simples entrada numa jaula. Além disso, é preciso dar ênfase a questões éticas na educação das crianças, a fim de que não busquem a vida de crime para viverem em risco de cair em situação precária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação das pessoas vai muito além da educação formal numa escola. É preciso estimular bons exemplos também pelos meios de comunicação de massa. Se começarmos a enumerar tudo o que nós poderíamos fazer para estimular bons exemplos, acredito que teríamos uma lista interminável, pois não basta o Estado cumprir o seu papel; nós, cidadãos, também precisamos cumprir com o nosso, procurando sempre agir não somente dentro da lei, mas também dentro da ética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diz o meu amigo Senhor Paz, a regra de ética e convivência saudável fundamental está nas palavras de Confúcio: “Faça aos outros somente aquilo que gostaria que fizessem contigo”. Se cada ser humano agir assim, não teremos mais crimes nem precisaremos de correlatos castigos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-9024077489388167718?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/9024077489388167718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=9024077489388167718' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/9024077489388167718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/9024077489388167718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2010/08/crimes-e-castigos-quando-violencia.html' title='Crimes e castigos: quando a violência comum atinge famosos'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-6654714878805804352</id><published>2010-08-07T13:07:00.003-03:00</published><updated>2010-08-07T14:15:11.267-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÔNICA POLÍTICA'/><title type='text'>Debate presidencial: momento democrático?</title><content type='html'>Saluton!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta semana, na noite de quinta-feira, 05/08/2010, foi realizado o primeiro debate entre os presidenciáveis na rede Bandeirantes de televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é de hoje que se propaga que o debate é o momento mais democrático porque há o confronto de propostas. Além disso, os presidenciáveis podem questionar posicionamentos e opiniões, além de fomentar polêmicas. Nesse último caso, coube ao candidato Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) desempenhar o papel de polemista, mesmo sabendo que suas chances de vitória são mínimas - talvez, por isso mesmo, estivesse mais à vontade para falar o que quisesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem fala tem de estar seguro sobre o que vai falar. Antes de falarmos, precisamos pensar muito. Não basta abrir a boca e deixar que nossas palavras fluam como as águas de uma cachoeira. Às vezes, é preferível ficar calado sobre um assunto quando não se está seguro quanto ao conhecimento do mesmo. Ou seja, se não se conhece o assunto, é preferível nada falar sobre ele, com o risco de cair em achismos e ideias pré-concebidas equivocadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto, o ritmo da televisão é bastante prejudicial. O candidato tem de sintetizar assuntos que, geralmente, são fruto de vidas inteiras de trabalho em 3, 2 ou mesmo 1 minuto. Isso requer não somente um raciocínio absurdamente rápido e organizado, mas também uma perspicácia fora do comum. Assim, o candidato tem de ser praticamente um super-homem (ou uma super-mulher).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na dinâmica, os candidatos fazem perguntas entre si. Até que ponto temos confronto de opiniões efetivamente? Será que perguntas feitas a todos os candidatos não seria mais saudável? Afinal, se queremos comparar os candidatos, essa modalidade permitiria construir, na cabeça do eleitor interessado, um quado comparativo. A partir desse quadro comparativo, sim, poder-se-ia haver um questionamento entre os candidatos sobre um ou outro aspecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se viu - e o que se verá nos seguintes - foi praticamente uma troca de questinamentos entre Dilma Roussef (PT) e José Serra(PSDB). Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) pareciam meros coadjuvantes, como se eles não fossem também candidatos ao mesmo cargo, com propostas e ideias que poderiam mostrar ao eleitor outras possibilidades de governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, não se pode deixar de lado uma outra informação: o que pensam e o que propõem os outros candidatos que não têm representação parlamentar. Alguém dará ouvido a eles na televisão? Mesmo que a audiência seja baixa, a democracia deve prevalecer, permitindo que todos apareçam e mostrem suas propostas, suas ideias, seus pensamentos, mesmo que não sejam as mais populares ou que sejam as mais equivocadas e malucas. O importante é o eleitor conhecer todos e não ficar preso a um pequeno grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à audiência, não seria mais interessante um debate que envolva várias emissoras? Afinal, é o futuro do país em jogo e é importante mobilizar a população para esse fato. Está na hora de as emissoras de televisão e rádio deixarem de lado o ponteiro da audiência e pensar TAMBÉM no patriotismo. Não adianta ficar tentando induzindo as pessoas a votarem nesse ou naquele candidato por meio de manipulações de notícias. É hora de levar a sério o exercício da profissão jornalísta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-6654714878805804352?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/6654714878805804352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=6654714878805804352' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6654714878805804352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6654714878805804352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2010/08/debate-presidencial-momento-democratico.html' title='Debate presidencial: momento democrático?'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-4048360100121405875</id><published>2010-05-02T22:31:00.004-03:00</published><updated>2010-05-02T22:37:23.117-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÔNICA POLÍTICA'/><title type='text'>Eleições 2010: Alerta amarelo e coerência</title><content type='html'>Saluton!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo que se anuncia, vamos ter uma eleição bastante conturbada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blogs independentes demonstram que a baixaria vai rolar solta da internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante estarmos atentos às manipulações da grande imprensa para sabermos como nos posicionarmos diante desses ataques. Afinal, muitos tentam nos confundir dizendo que não há muita diferença entre os dois pré-candidatos com mais possibilidade de chegar à Presidência. Se não houvesse diferença, não haveria tanta polêmica acontecendo antes mesmo do tiro de largada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, cumpre lembrar que teremos eleições também para Senadores, Deputados Federais, Deputados Estaduais e Governadores. Se queremos governos que funcionem adequadamente, é preciso votar coerentemente: votar na situação num cargo e na oposição em outro é criar um balaio de gato que leva ao fisiologismo como o que está instalado atualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que possível, procure ver a mesma informação por diversos ângulos - não adianta ler somente Folha e Globo; é preciso ler blogs de grandes jornalistas, como Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif e Luiz Carlos Azenha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gxis revido!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-4048360100121405875?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/4048360100121405875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=4048360100121405875' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/4048360100121405875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/4048360100121405875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2010/05/eleicoes-2010-alerta-amarelo-e.html' title='Eleições 2010: Alerta amarelo e coerência'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-9055172917525942945</id><published>2009-05-14T10:10:00.008-03:00</published><updated>2009-05-16T23:46:47.810-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÔNICA POLÍTICA'/><title type='text'>Opinião pública de um sujeito da esquina</title><content type='html'>"&lt;em&gt;Não se dá independência ao juiz para ele ficar consultando o sujeito da esquina. Vamos ouvir as ruas para saber o que o povo pensa sobre o STF conceder ou não um habeas corpus? Ou os nossos blogueiros? A jurisdição constitucional é, por definição, contramajoritária. Ela só funciona por ser contramajoritária&lt;/em&gt;." Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) (Retirado de &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt;: &lt;a href="http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/05/07/gilmar-diz-que-juizes-nao-devem-consultar-sujeito-da-esquina-755739775.asp"&gt;http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/05/07/gilmar-diz-que-juizes-nao-devem-consultar-sujeito-da-esquina-755739775.asp&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Estou me lixando para a opinião pública. Até porque a opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Nós nos reelegemos mesmo assim&lt;/em&gt;”. Sérgio Moraes (PTB-RS), relator do Conselho de Ética. (Retirado do blog &lt;em&gt;Curiosando&lt;/em&gt;: &lt;a href="http://www.curiosando.com.br/05/2009/estou-me-lixando-para-a-opiniao-publica"&gt;http://www.curiosando.com.br/05/2009/estou-me-lixando-para-a-opiniao-publica&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, ao contrário do que a maioria dos blogueiros, não vou criticar gratuitamente nenhuma das duas figuras públicas - até porque ambos já estão tão desmoralizados pela internet afora que fica difícil entender como alguém ainda lhes dá alguma atenção. (Quem quiser conferir, basta fazer uma pesquisa por qualquer site de busca.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começo de conversa, eu fiquei pensando no que disse o presidente do STF depois de tantas opiniões polêmicas emitidas ao longo de seu primeiro ano de mandato. Penso que nem o que o presidente da República diz sai tanto nos jornais ou ganha tanto destaque quanto o que ele diz. Tudo bem que há independência entre os três poderes; porém, percebe-se que ainda o incomoda a repercussão do famoso &lt;em&gt;habeas corpus&lt;/em&gt; dado ao banqueiro Daniel Dantas, um sujeito que, aparentemente, não costuma ficar muito em esquinas, não é verdade? Pelo menos, não na minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, numa esquina dessas da vida, um repórter gravou e divulgou essa frase antológica cunhada pelo deputado gaúcho Sérgio Moraes. Ele não foi arrogante pura e simplesmente: ele verbalizou o que certamente é uma opinião corrente no meio político. Nesse ponto, acredito até que ele tenha sido bem honesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único erro aparentemente cometido pelo deputado foi ter confundido duas coisas: opinião pública e o que se passa na cabeça das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nenhum momento foi perguntado a mim ou a você sobre qualquer coisa para ser decidida nesse país. Aliás, como podemos saber o que se passa em Brasília? Sintonizando nossos rádios às 19h para escutar esse programa extraordinário, campeão de audiência - afinal, está no ar em praticamente todas as rádios - chamado &lt;em&gt;A Voz do Brasil&lt;/em&gt;. Você escuta? Eu confesso que sim, mas só quando realmente há possibilidade - afinal, costumo trabalhar de 7h30min às 22h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, quem é a Opinião Pública? A resposta está logo em seguida, quando o deputado diz que ninguém acreditava no que eles escreviam. O deputado está errado? Se alguém tiver dúvidas, retome o que se passou em outubro de 2006, quando praticamente toda a imprensa estava abrindo seus microfones e câmeras para analistas contra o governo Lula, e o atual presidente da República foi reeleito com mais de 60% dos votos. Nessa eleição, também foi eleito o nobre deputado supracitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Ou seja, a opinião pública - tão propalada como se fosse o alvo do Instituto Brasileiro de Pesquisas de Opinião Pública, o IBOPE - nada mais é do que o grupo de analistas, cabeças coroadas pelas empresas jornalísticas, que escrevem exatamente o que esses mesmos donos querem - afinal, se algum analistazinho se meter a inteligente e não redigir o texto como o emitido, não ganha um zero como um aluno de Português que fez a redação errada, mas sim um bilhete azul, como aconteceu com Franklin Martins, Sidney Rezende e outros que procuraram manter uma certa independência, mesmo não deixando de ser críticos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você, caro(a) leitor(a), tem sua opinião ouvida? A sua opinião, sim, é do povo - o que, a rigor, deveria ser pública. Todos os meus amigos sabem das minhas opiniões sobre determinados assuntos; mesmo assim, a imprensa não as escuta - afinal, não sou uma cabeça coroada (paga) para dizer o que bem entender (desde que de acordo com a cartilha da empresa) em qualquer lugar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, eu, sujeito que vivo andando por diversas esquinas, resolvi emitir a minha opinião - e torná-la pública por meio deste blog. Mas sei que esta opinião nem chegará a incomodar nem o presidente do STF nem qualquer deputado, pois, pelo que se pode ler acima, eles não escutariam pessoas comuns. Eles agem de acordo com sua própria consciência - graças a Deus, cada um tem a sua.&lt;/p&gt;O que me incomoda mesmo é essa tal "jurisdição contramajoritária". Será que juízes sempre têm de ser "do contra"? Ninguém está querendo que eles consultem a população para decisões judiciais - mesmo quando o julgamento requer a presença de júri popular - mas devem pensar nas consequências dessas decisões para a sociedade que lhes delegou o poder de decisão - aliás, essa é uma situação bem interessante: eles não são eleitos por nós, mas tomam decisões por nós; tudo bem que eles geralmente participam de concursos públicos e passam, depois são indicados por nossos governantes, mas não podem agir sem pensar nas consequências para qualquer pessoa - inclusive para o sujeito da esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tal sujeito da esquina - seja lá qual ela for - paga impostos que sustentam todos os três poderes das três instâncias (federal, estadual e municipal), bem como o sujeito que mora na cobertura da Vieira Souto, Ipanema, Rio de Janeiro, ou que trabalha num dos prédios administrativos de Brasília. Ou seja, esse sujeito sou eu, é você, somos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, o sujeito da esquina pode muito bem me dar uma informação caso eu precise quando eu estiver numa. As duas figuras públicas supracitadas, no entanto, requerem agendamento e bastante paciência para que eu possa tirar dúvidas sobre quaisquer assuntos de suas alçadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só me pergunto como eles se sentiriam se algum deles, algum dia, alguma hora (própria ou imprópria) parassem numa esquina, precisando de informações. Será que eles dariam ouvidos a algum sujeito que ali estivessem? Eu daria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, poderíamos retomar uma tradição mineira e, todos nós, formarmos um novo Clube da Esquina. É claro que o que foi formado na década de 1970 é até bem talentoso e produz até hoje uma das mais ponposas obras musicais - cujas canções não cansam de tocar nas rádios de MPB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando nisso, será que eles não se sentiram ofendidos quando o presidente do STF procunciou as palavras acima? Afinal, eles são sujeitos da esquina - do Clube da Esquina. Um Clube!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro que poderia ter se sentido ofendido foi Djavan, autor da canção "Esquinas" (ou seja, Djavan também é um sujeito da esquina, da canção "Esquina"): "Só eu sei as esquinas por que passei/ Só eu sei, só eu sei...". E eu mesmo já nem lembro mais por quantas esquinas passei; afinal, os anos passam, o tempo voa... E lá se vão as esquinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que esses artistas não procunciaram absolutamente nada sobre as palavras acima? Por que eles são alienados e só pensam em música? Nada disso. Simplesmente eles sabem que não têm o que falar sobre o que foi dito; eles sabem muito bem usar as palavras, tanto que suas canções continuam sendo tocadas nas rádios até hoje e muito pedidas nas apresentações que realizam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, nada melhor para pensarmos o seguinte depois disso tudo: precisamos ter muito cuidado com o que dizemos, pois, se não, acabaremos passando pelo ridículo e seremos ridicularizados pelos analistas independentes - esses, sim, a opinião pública - pois são sujeitos que passam por qualquer esquina, sem se preocuparem com o que dizem o presidente do STF ou os nossos nobres deputados. Apenas vivem, pagam seus impostos e sustentam o sistema estabelecido. E sabem, muito bem, usar as palavras certas no momento certo e na hora certa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-9055172917525942945?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/9055172917525942945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=9055172917525942945' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/9055172917525942945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/9055172917525942945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2009/05/opiniao-publica-de-um-sujeito-da.html' title='Opinião pública de um sujeito da esquina'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-7156332425289674234</id><published>2009-01-24T18:25:00.002-02:00</published><updated>2009-01-24T18:37:47.098-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Novos Rumos</title><content type='html'>Minha vida literária está sempre envolta a revoluções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como meus caros e raros leitores já devem ter notado, &lt;em&gt;Vila Potira&lt;/em&gt; há muito não está sendo publicada aqui neste blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa obra, nos meses de dezembro e de janeiro, passou por um período de revisão ortográfica e ampliação. Assim, reunido com minha equipe de trabalho, decidimos que &lt;em&gt;Vila Potira&lt;/em&gt; voltará em um novo blog - a ser divulgado aqui e em outros veículos - e com um novo nome: &lt;em&gt;Vila Potira - O romance da diversidade&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretendemos, também, lançar uma versão escrita da obra em versão PDF, com direito a outras coisas que estarão lá disponíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este blog, a partir de agora, passará a ser destinado à publicação de textos opinativos e de outros assuntos pertinentes. Não tenho nehum assunto pertinente no momento; contudo, texto não faltam a justificar a fumaça produzida por esta Usina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço desculpas a meus caros e raros leitores pela grande ausência, mas não disponho de muitas verbas para me manter, nem para promover a revisão da obra - além do mais, eu percebi que ela precisava de vários ajustes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço a compreensão de vocês!&lt;br /&gt;Muita paz!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-7156332425289674234?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/7156332425289674234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=7156332425289674234' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/7156332425289674234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/7156332425289674234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2009/01/novos-rumos.html' title='Novos Rumos'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-8402083439134712171</id><published>2008-12-10T21:55:00.000-02:00</published><updated>2008-12-10T21:56:51.146-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 42: Depois do jantar</title><content type='html'>Todos voltaram aos poucos para a sala de estar.&lt;br /&gt;                No caminho, Caroline e XAnde fizeram questão de parar Duda.&lt;br /&gt;CAROLINE: Que que houve? Num ta mais a fim de dividi o bofe com a gente, é?&lt;br /&gt;DUDA: Eu num sô mais como vocês, ta entendendo? Se quiserem chamá outro para as sacanagens de vocês, tudo bem. Eu sei muito bem que a despedida de solteiro de vocês vai ser uma tremenda duma suruba, mas eu não participo disso. Não mais!&lt;br /&gt;XANDE: Fala sério, Duda! Esse cara é mó negão, deve tê um pau maravilhoso! Vai sê ótimo vê ele comendo a tua irmã.&lt;br /&gt;DUDA: Deixa o Lelo fora iddo, entendeu?&lt;br /&gt;CAROLINE: Tá com ciúmes dele, né? Tá com medo de perdê ele pra mim!&lt;br /&gt;XANDE: Ou pra mim.&lt;br /&gt;DUDA: Não é da conta de vocês!&lt;br /&gt;                Duda aproximou-se de Lelo.&lt;br /&gt;DUDA: Se minha irmã e meu cunhado tentarem se aproximá de você, caia fora. Eles querem te arrastá pruma suruba.&lt;br /&gt;LELO: Que horrô!&lt;br /&gt;                Chegando à sala de estar, Bárbara chamou Lelo para conversar com ele em particular.&lt;br /&gt;BÁRBARA: Eu gostaria muito de te agradecê, mais uma vez, de tê salvado minha filha, Liliane. Eu e meu marido mandamo ela viajá pro exteriô pra se tratá e pra relaxá, respirá novos ares. Quando ela voltá, ela vai falá com você pra te agradecê pessoalmente.&lt;br /&gt;LELO: Eu é que fico muito gradicido por tudo que cês dizero por eu hoje. Jamais pensei Cuma pessoa comeu pudia saí de baxo pa ta qui comeno na merma mesa de vocês.&lt;br /&gt;BÁRBARA: Mas, tem mais uma coisa queu preciso falá com você. Num sei se você vai acreditá nem vai concordá. Cê é cristão, né?&lt;br /&gt;LELO: Sim. E respeito todas as outra religiõ.&lt;br /&gt;BÁRBARA: Ótimo, porque o queu tenho pra falá envolve tudo isso. Eu sô mãe de santo e sô médium vidente. E tem dois espíritos amigos que te acompanham des que tu chego e que querem porque querem dá um recado pa tu.&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é? Ô dona, eu num credito nessas coisas não.&lt;br /&gt;BÁRBARA: Um é uma senhorinha baixinha e bem sorridente. O outro é um rapaz alto, forte, bonito, com uma toalha amarrada no pescoço.&lt;br /&gt;                Lelo percebeu que Bárbara falava de Etelvina e de Rique.&lt;br /&gt;LELO: Mô Deus! Eu cunheço esses dois.&lt;br /&gt;BÁRBARA: A senhorinha disse pra cê num se preocupá com ela, porque ela ta bem, e que ta cuidando muito bem de sua mãezinha. Que tua mãe tá se curando do vício da bebida. E que ta cuidando também de você e do netinho dela que tá pra nascer. Ela roga pra que você e o Duda sejam muito felizes.&lt;br /&gt;LELO: Minha mãe é bêbada, por isso a gente nunca se demo muito bem. E minha irmã ta esperano um filho... Mas, ela feliz com eu e com o Duda? Cume quela sabe disso? E a senhora? Mô Deus!&lt;br /&gt;BÁRBARA: O outro diz que te ama muito e que também ta cuidando de você. Diz que tu num teve culpa da morte dele, pois a raiva que ele sentia, sentia dele mesmo. E que tu deve prepará teu coração, pois decepções muito fortes vão te acontecer?&lt;br /&gt;LELO: Decepições? Como assim?&lt;br /&gt;BÁRBARA: Eles dizem que num podem dizê mais nada. Num têm autorização.&lt;br /&gt;                Lelo sentou-se pensativo.&lt;br /&gt;BÁRBARA: Eu num costumo fazê isso, porque esse tipo de trabalho só deve acontecê em local com prévio preparo, mas eles tavo insistindo tanto que achei melhó te puxá pra cá e te falá.&lt;br /&gt;LELO: Brigado, Dona Bárbara. Mô coraçõ ta mais aliviado. Minha vó morreu de câncer e minha mãe me acuso dela tê morrido por minha causa. Eu saí de casa brigado cum minha mãe, sabe? E minha vó fico cuidano dela.&lt;br /&gt;BÁRBARA: Entendo, meu filho.&lt;br /&gt;LELO: E o Rique foi morto num sei por quem. Pensei quele fosse dizê.&lt;br /&gt;BÁRBARA: Ele era teu namorado antes de você ficá com o Duda?&lt;br /&gt;LELO: Co... como assim?&lt;br /&gt;BÁRBARA: Num precisa se assustá. No Candomblé o que mais tem é homossexual. Na minha religião, ignoramos o que as pessoas fazem fora do terreiro; o que importa é que elas sejam acolhidas. Acolhemo gente boa e gente má, porque Deus aceita todos como eles sõ.&lt;br /&gt;LELO: É! Ele era meu amigo e a gente cabo teno um caso. E a gente tava brigado quanele morreu, sabe?&lt;br /&gt;BÁRBARA: Por quê?&lt;br /&gt;LELO: Puqueu já amava o... Duda..., e ...o Rique pegô eu e... o Duda... junto.&lt;br /&gt;BÁRBARA:Não precisa ficá constrangido; fui eu mesma que falei pro Duda ficá com você.&lt;br /&gt;LELO: A sinhora? Mas, num é pecado dois home ficá junto?&lt;br /&gt;BÁRBARA: Os homens tentam convencê os outro de acordo com o que acham que é correto. Eles esquece que a natureza é sábia e fala mais alto quando ela se sente amordaçada. E era o que tava acontecendo com o Duda: ele e tu têm uma natureza que leva a tê sexo com outro home; é uma natureza especial, faz parte da vida de cês dois. A questão toda é não forçá a barra: deixá Ca natureza faça o que ela tem de fazê.&lt;br /&gt;LELO: Mas a natureza também num deu vícios, vontade de matá, vontade de machucá?&lt;br /&gt;BÁRBARA: A natureza é sábia: se ela deu essa vontade, deve tê algum motivo. Mesmo a destruição faz parte da lei de Deus. A morte também é natural; da mesma forma, a violência faz parte da vivência dos animais, assim como o amo. Mas Deus nosdeu também a inteligência para sabê lidá com nossos instintos e nossos sentimentos. E cabe somente a nós lidá com isso. Assim, viva esse amo que cês têm um pelo outro sem culpa e sem deixá que nada atrapalhe.&lt;br /&gt;                Lelo, emocionado, abraçou Bárbara.&lt;br /&gt;LELO: Brigado, Dona Bárbara!&lt;br /&gt;BÁRBARA: Eu é que agradeço por tê te ajudado de alguma forma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-8402083439134712171?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/8402083439134712171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=8402083439134712171' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/8402083439134712171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/8402083439134712171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/12/captulo-42-depois-do-jantar.html' title='CAPÍTULO 42: Depois do jantar'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-6982714016903591609</id><published>2008-11-23T19:36:00.000-02:00</published><updated>2008-11-23T19:38:13.654-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 41: O jantar</title><content type='html'>A mesa da sala de jantar era grande, e a comida, aparentemente menos requintada do que o esperado; parecia disposta num grande banquete para todos.&lt;br /&gt;A pedido de Duda, Nadine resolveu preparar um prato mais popular, que agradou tanto a Lelo quanto à família Jorge: frango assado com saladas, arroz, feijão e macarrão. Para Betão, vegetariano, almôndegas de carne de soja.&lt;br /&gt;No caminho para a sala de jantar, Duda procurou acalmar Lelo.&lt;br /&gt;LELO: Tô ino bem?&lt;br /&gt;DUDA: Tá ótimo! Só num precisa ficá falando muito sobre sua vida porque eles querem mermo é te agradá. Assim, só fala quando eles perguntarem.&lt;br /&gt;LELO: Tá bom!&lt;br /&gt;DUDA: Eles ficaram muito impressionados quando cê falô da favela e tal, mas num precisa entrá em muitos detalhes. A não sê que eles peçam.&lt;br /&gt;LELO: Tudo bem.&lt;br /&gt;DUDA: Ah, sim! O cardápio ta bem mais simples do que o normal hoje por você e por causa dos Jorges. Eles são emergentes daqui da Barra do Adeus, e ainda guardam algumas raízes de comidas mais simples. Eles adoram esse prato que vamo comê. E num se esqueça do queu te ensinei sobre como se comportá na mesa, ta?&lt;br /&gt;LELO: Tudo bem.&lt;br /&gt;Ao chegarem à mesa com oito cadeiras, Betão ficou numa ponta e Cícero na outra. Ao lado direito de Betão sentou-se Nadine; ao esquerdo, Duda e Lelo. Do mesmo lado de Nadine, porém do outro lado da mesa, sentou-se Bárbara, ao lado direito de seu marido.&lt;br /&gt;NADINE: Xande e Caroline já chegaram, Dedé?&lt;br /&gt;DEDÉ: Já sim, sinhora! Eles tão no quarto.&lt;br /&gt;NADINE: Então, peça para eles descerem imediatamente, ta?&lt;br /&gt;DEDÉ: Claro, sinhora!&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, ouviram-se as vozes de um casal ao longe.&lt;br /&gt;NADINE: Esqueça, Dedé! Já estão a caminho.&lt;br /&gt;DEDÉ: Sim, sinhora!&lt;br /&gt;E logo apareceram um loiro e uma morena queimada de praia. Ambos sentaram-se no espaço entre Nadine e Bárbara, cada um mais próximo de sua respectiva mãe.&lt;br /&gt;NADINE: Alexandre e Caroline, este é o nosso convidado especial da noite de hoje: Marco Aurélio.&lt;br /&gt;LELO: Mas, pode me chamá de Lelo.&lt;br /&gt;Ambos apertaram a mão de Lelo, fizeram as apresentações de praxe e tornaram a se sentar nos respectivos lugares.&lt;br /&gt;NADINE: Estavam muito ocupados lá em cima?&lt;br /&gt;CAROLINE: Nossa, cês nem imaginam o quanto...&lt;br /&gt;XANDE: E aí, Duda? Qual a boa de hoje?&lt;br /&gt;DUDA: Jantá com papai e mamãe!&lt;br /&gt;XANDE: Claro, né? Digo, depois do jantá?&lt;br /&gt;DUDA: Sem planos, Xande. Tenho que acompanhá o Lelo te a casa dele.&lt;br /&gt;LELO: Cês num pricisõ se procupá cum eu. Eu sei me virá sozinho.&lt;br /&gt;CAROLINE: Deixa de sê careta, Duda! Logo você, que sempre foi o mais doido de todos! Leva ele pruma boate com a gente!&lt;br /&gt;DUDA: Melhó não, pelo menos hoje não!&lt;br /&gt;XANDE: Ah, Duda, que isso! Vamo lá! Hoje é sábado, a noite vai bomba!&lt;br /&gt;CAROLINE: Fora que a gente qué conhecê melhó o seu amigo (piscando o olho)!&lt;br /&gt;NADINE: Acho melhó vocês se preocuparem em jantá agora para depois pensá se vão saí ou não. Bom, vamos nos servir!&lt;br /&gt;Dedé passou por cada prato colocando uma porção de cada alimento disponível sobre a mesa. Nesse momento, Lelo percebeu que Xande e Caroline cochichavam de vez em quando, olhando para Lelo. Este, constrangido, procurava desviar o olhar, preferindo fixar seus olhos na comida.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, Duda, vez por outra, acariciava sua mão, deixando-o mais relaxado.&lt;br /&gt;De repente, um pé tentou aproximar-se da sua perna, tentando alcançar seu sexo, assustando-o. Duda percebeu o nervosismo de Lelo e percebeu que era sua irmã ou Xande tentando forçar uma aproximação sexual com Lelo.&lt;br /&gt;DUDA (comentando baixo): Eles são terríveis.&lt;br /&gt;Duda olhou para sua mãe, de forma que ela entendesse o recado.&lt;br /&gt;NADINE: Penso que nosso casal de noivos poderiam convidar nosso novo amigo Lelo para o casamento, não é mesmo?&lt;br /&gt;Xande e Caroline recompuseram-se.&lt;br /&gt;XANDE: É mesmo!&lt;br /&gt;CAROLINE: Só que a gente tava combinando aqi o que poderia fazê com ele hoje à noite.&lt;br /&gt;XANDE: Ou na nossa despedida de solteiro.&lt;br /&gt;CAROLINE: É! Vamos fazê nossa despedida em conjunto com uma festa monstro!&lt;br /&gt;NADINE: Creio que assuntos que envolvam tamanha intimidade possam ser tratados em outro momento que não um jantá em família, não é mesmo?&lt;br /&gt;CAROLINE (constrangido): Sim, mãe!&lt;br /&gt;Lelo sentiu-se mais aliviado quando Duda pousou sua mão sobre sua perna e, mais tarde, sobre sua virilha durante o jantar. Ao mesmo tempo, incomodava-se com o assédio proveniente do outro lado da mesa, especialmente do casal de noivos.&lt;br /&gt;Durante a manducação, poucas palavras foram trocadas, a não se elogios quanto ao tempero, ao cozimento e a outros detalhes técnicos de culinária.&lt;br /&gt;No entanto, um momento constrangedor foi quando Duda percebeu, quando sua mão pousava sobre a virilha de Lelo, que um pé dali se aproximava. Rapidamente, ele pegou o referido pé e o puxou, levando sua irmã a uma quase queda.&lt;br /&gt;NADINE: O que foi, minha filha?&lt;br /&gt;CAROLINE: Não! Nada! Só minha sandália que tinha caído debaixo da mesa e tinha perdido ela.&lt;br /&gt;Duda fulminou-a com o olhar, que devolveu outro em tom de desafio. Enquanto isso, Lelo procurou olhar para os quados e a comida.&lt;br /&gt;Ao final do jantar, Dedé serviu-lhes um saboroso chá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-6982714016903591609?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/6982714016903591609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=6982714016903591609' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6982714016903591609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6982714016903591609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/11/captulo-41-o-jantar.html' title='CAPÍTULO 41: O jantar'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-4587807421253046985</id><published>2008-10-25T21:51:00.001-02:00</published><updated>2008-10-25T21:57:09.241-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 40: Na casa de Duda</title><content type='html'>Duda chegou em casa nesse dia com um belíssimo conjunto esporte fino como presente para Lelo. Este o recebeu meio sem jeito; afinal, as roupas compradas pareciam muito caras, e jamais ele teria condições financeiras para tal. Por outro lado, veio-lhe À mente a acusação de Rique, acusando Duda de comprar Lelo com o emprego na universidade e com o prestígio possível de ser adquirido a partir desse relacionamento.&lt;br /&gt;DUDA: Que que houve? Num gostô?&lt;br /&gt;LELO: Não! Pelo contrário! Adorei. Só fico meio sem jeito. Isso deve tê sido muito caro, né mermo?&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, a cavalo dado num se olha dos dentes. Num importa quanto foi; o que importa é você gostá e usá.&lt;br /&gt;LELO: É cas vez eu sinto que to abusando de tu, sabe, Duda?&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, cê é meu anjo, meu herói! Eu tô contigo porque te amo, cara, e quero o melhó pra você. E tenho certeza que esse jantá vai sê muito especial pra nós dois.&lt;br /&gt;LELO: Pu que tu acha isso? Seus pai sabe da gente?&lt;br /&gt;DUDA: Não. Num sabem, nem quero que saibam, pelo menos por enquanto. Mas eles finalmente vão podê conhecê a pessoa mais importante para mim neste exato momento. E algo e diz que o jantá vai sê muito especial.&lt;br /&gt;                Lelo ficoi mais calmo e foi se arrumar. Enquanto isso, Duda fez o mesmo.&lt;br /&gt;                Meia hora depois, ambos estavam arrumados e perfumados.&lt;br /&gt;DUDA: Cê ta lindo, meu anjo! Me dá vontade de te amá aqui mesmo!&lt;br /&gt;LELO: Vamo dexá pra dipois, puque deu muito trabalho pa eu me visti!&lt;br /&gt;                E ambos saíram em meio à confusão dos preparos do pagode da Vila. Tilinha e Fatinha repararam e os seguiram de longe até o carro. Samanta e Bebê comentaram com Guilha, que desfez a inveja das duas. Robinho, ao longe, sentiu uma pontinha de inveja também. Os outros sequer prestaram atenção aos passantes e se concentraram na arrumação. Todavia, uma ausência era plenamente sentida: Zeli, que sumira da Vila desde a manhã.&lt;br /&gt;                E, enfim, pé na estrada e muita ansiedade.&lt;br /&gt;                No caminho, auto-estrada Central-Barra, Lelo viu passar o Morro da Ressurreição. Nesse momento, vieram-lhe a sua mente alguns dos momentos de mudança, como o flagrante de sua mãe nele e em Wayne, a saída de casa, a morte de sua avó, o abuso de Wayne, o seqüestro da Gangue do Adeus, e, por fim, o perdão a sua mãe. Enfim, momentos que marcaram diversas reviravoltas vividas num mesmo local.&lt;br /&gt;                A chegada à Barra do Adeus trouxe angústia a Lelo. Duda continuava atento a todas as reações do amado, procurando acalmá-lo a todo momento. Contudo, algo acabou intrigando-lhes as mentes.&lt;br /&gt;LELO: Duda, tu viu que queu vi?&lt;br /&gt;DUDA: Não. Que que foi?&lt;br /&gt;LELO: Naquele ponto de ônibus. Era a D. Zeli, muito chique. Nem parecia ela.&lt;br /&gt;DUDA: Comé que é? D. Zeli aqui?&lt;br /&gt;                Duda fez questão de retornar e conferir o que Lelo tinha visto. Duda aproveitou um sinal vermelho e observou a certa distância que realmente era Zeli.&lt;br /&gt;                Enquanto estavam parados num sinal, um ônibus apareceu e Zeli nele adentrou.&lt;br /&gt;LELO: Será que ela veio integrá o dinhero do aluguel po herdero da Vila Potira?&lt;br /&gt;DUDA: Quem será esse herdeiro, hein? Afinal, esse é o ponto mais próximo do condomínio que meus pais moram.&lt;br /&gt;LELO: Intõ, o herdero da Vila Potira é teu vizinho, Duda.&lt;br /&gt;DUDA: É. Mais um mistério a se resolver. Quem mato Rique e,agora, quem é o dono da Vila Potira.&lt;br /&gt;LELO: E tem inda quem tropelô eu.&lt;br /&gt;DUDA: É.&lt;br /&gt;                Em poucos minutos, Duda e Lelo ingressaram no condomínio. Lelo ficou impressionado com a beleza das mansões, cada uma arquitetonicamente imponente, ressaltando luxo e procurando originalidade. Para tanto, até os postes da rua tinham uma característica própria, combinando com o estilo da rua, que lembrava a maneira como os escravos afixavam os paralelepípedos.&lt;br /&gt;                O muro da casa dos pais de Duda era bastante alto. Duda acionou o controle remoto do portão da casa, abrindo-o lentamente. O caminho do portão levou ambos a uma garagem iluminada, onde também estavam outros carros.&lt;br /&gt;                Estacionado o carro, um forte abraço e um longo beijo.&lt;br /&gt;LELO: Tô cum medo.&lt;br /&gt;DUDA: Confia em mim. Eu to contigo.&lt;br /&gt;                Coragam renovada, ambos saíram do carro. E passaram por alguns carros na garagem à meia-luz até uma porta.&lt;br /&gt;                Atrás da porta, um imenso corredor iluminado, com vários quadros de ambos os lados, como se fosse uma galeria de arte.&lt;br /&gt;DELEY: Sinhô Duda!&lt;br /&gt;                O tal Deley apareceu no meio do caminho. Um mulato, alto, magro, aparentando ter cinqüenta anos, trajando um uniforme semelhante ao de motoristas particulares.&lt;br /&gt;DUDA: Deley, que bom te encontrar! Deixo te apresentar o Marco Aurélio, mais conhecido como Lelo, um grande amigo meu.&lt;br /&gt;                Um aperto de mão entre Deley e Lelo bastou para este ter uma breve recordação.&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, este é o Vanderley, mais conhecido como Deley, nosso motorista.&lt;br /&gt;                Lelo esboçou uma atitude de mencionar alguma lembrança. Percebendo-o, Deley, discretamente, pediu que não continuasse.&lt;br /&gt;DELEY: Seus pais e a família Jorge tão esperando cês dois.&lt;br /&gt;DUDA: Nossa! Eles chegaram cedo, né? Nem vô podê mostrá a casa pro Lelo...&lt;br /&gt;DELEY: Num se procupe. O jantá inda num ta pronto; mar falta poco.&lt;br /&gt;                Lelo seguia os dois calado, não para prestar atenção à conversa, mas sim para tentar entender o porquê de encontrar um velho conhecido como motorista da família de seu namorado.&lt;br /&gt;                De repente, Lelo dá de cara com uma sala luxuosa, com sofás e um tapete, além de muitas flores e muitos quadros. Sentados nos sofás, dois casais.&lt;br /&gt;NADINE (levantando-se): Meu filho, como é bom te ver novamente! Vejo que trouxe seu amigo, conforme combinamos, não é mesmo?&lt;br /&gt;                Lelo estava mais encabulado do que nunca. Se pudesse, cavaria um enorme buraco para não ter de passar por tal situação.&lt;br /&gt;                Duda comandou as apresentações de praxe. Primeiramente, a elegante Nadine; morena clara, alta, aparentando ser uma ex-modelo. A seu lado, o poderoso Carlos Alberto, mais conhecido como Betão; também alto, porém com uma pequena protuberância abdominal; bastante calvo e com pele morena bem tratada.&lt;br /&gt;                No outro sofá, o outro casal: Bárbara e Cícero Jorge. Ela, uma jovem senhora magra, loira e de olhos azuis, porém de estatura mediana. Ele, um senhor de fartos cabelos brancos desengonçados e fartamente gordo.&lt;br /&gt;                Todos procuraram ser bastante agradáveis para com Lelo. O único que procurou manter certa distância foi Cícero, que parecia estar preocupado com alguma outra coisa.&lt;br /&gt;BETÃO: Falávamos sobre negócios, Lelo. Acho que não gostaria de continuar nesse assunto, não é mesmo?&lt;br /&gt;DUDA: Tem toda a razão, pai! Esse é o pió assunto para se tratá com uma visita!&lt;br /&gt;NADINE: Ora, meu filho, deixa o seu amigo falá por ele mesmo. Não é, Lelo?&lt;br /&gt;LELO: Bem, cês num priciso se procupá cum eu. Num vô intendê nada mermo...&lt;br /&gt;BÁRBARA: Tô cuntigo e num abro, Lelo! Esse papo de negócios é muito chato mermo! E, pa falá a verdade, o queu gostaria de fazê primero é te gradecê do fundo do meu coração por tê salvo minha filha das garra daquele traficante sanguinário, cretino, xexelento e tudo mais de ruim que cê pode imaginá!&lt;br /&gt;                Bárbara levantou-se e abraçou fortemente Lelo, chegando a derramar uma lágrima de tão emocionada.&lt;br /&gt;LELO: Num pricisa. Fiz o que tava a meu alcance.&lt;br /&gt;BÁRBARA: Lelo, se num fosse tu, minha filha num tava mar viva! Mermo que tu tivesse algo com isso tudo, só o fato de tu tê levado minha Lili pó hospital tinha valido à pena! Cê é um herói! Cê é...&lt;br /&gt;CÍCERO: Querida, contenha-se um poco! Tu ta é incabulano o minino!&lt;br /&gt;                Bárbara seguiu o conselho do marido e voltou ao lugar onde estava. Lelo, por sua vez, apenas olhava para Duda para saber se estava se saindo bem naqueles primeiros momentos.&lt;br /&gt;                Naquela hora, apareceu uma empregada uniformizada.&lt;br /&gt;DEDÉ: Os sinhores querem algo pa bebê enquanto o jantá num fica pronto?&lt;br /&gt;                Lelo olhou para ela e vasculhou rápido sua mente para se lembrar de onde a conhecia. Ao mesmo tempo, pediu um refrigerante enquanto Duda um suco.&lt;br /&gt;BETÃO? É, to gostando de vê. Nosso filho, Nadine, realmente ta mudado. Antigamente, pediria um uísque, uma vodca, ou algum outro destilado.&lt;br /&gt;DUDA: As coisas mudam. Eu também mudei.&lt;br /&gt;NADINE: O importante é que é pra melhor. Não bebe mais, não fuma mais. Ta mais espiritualizado. Só falta voltá pra igreja e fazê crisma.&lt;br /&gt;BETÃO: Deixa o menino, Nadine! O importante é vê nosso menino bem.&lt;br /&gt;NADINE: Mudando de assunto, Lelo, é a primeira vez que você vem à Barra do Adeus?&lt;br /&gt;LELO: Não. Eu sempre vim aqui quaneu era criança. Às vez eu vim tomá banho no má, mas eu vim mermo pa vendê coco na praia.&lt;br /&gt;BETÃO: E vendia muito?&lt;br /&gt;LELO: Bartante, mas o dinhero das venda ia pa minha vó. Minha mãe e eu nunca se demo muito bem.&lt;br /&gt;BÁRBARA: E cê trabalha no que atualmente?&lt;br /&gt;LELO: Hojeu trabalho numa xérox da Faculdade da Central da Cidade, graças ao Duda. Antes eu já trabalhei de faxinero, prindiz de pedrero, garçom ne festas, consertado de bicicleta, intregadô de mercadoria duma mercearia, vendedô de coco na praia cumo já falei, jornalero e recepcionista duma lan house.&lt;br /&gt;NADINE: Versátil!&lt;br /&gt;LELO: Tudo pa num sê bandido.&lt;br /&gt;                Os sorrisos desapareceram neste momento.&lt;br /&gt;LELO: Eu morei por muito tempo no Morro da Ressurreição e nunca, mar nunca fui po lado do tráfico. Sô cristõ e sô honesto. Sempre quis me orgulhá de tê diguinidade na vida, de cunsigui as coisa por fruto do meu trabalho. Lá muito jove vai pó crime, fica rico rápido e morre cedo dimais; ô vai pa cadeia, virá mar bandido ainda. Muitos dos meus colega de brincadera hoje tõ debaxo da terra. Graças a Deus, eu tomei outro rumo.saí de lá puqueu num güentava mais o tráfico nem a puliça chacano a gente na subida do morro, bateno na cara da gente só puque a gente somo preto e pobre. Hoje posso saí na rua de cabeça irguida, mermo morano longe do morro.&lt;br /&gt;BETÃO: E onde você ta morando agora?&lt;br /&gt;DEDÉ: O jantá está sevido.&lt;br /&gt;NADINE: Bom, vamos continuá nossa conversa lá na sala de jantá, não é mesmo?&lt;br /&gt;                E todos se retiraram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-4587807421253046985?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/4587807421253046985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=4587807421253046985' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/4587807421253046985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/4587807421253046985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/10/captulo-40-na-casa-de-duda.html' title='CAPÍTULO 40: Na casa de Duda'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-2857987397687005631</id><published>2008-10-05T18:21:00.000-03:00</published><updated>2008-10-05T18:24:35.155-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 39: Susto</title><content type='html'>SEGURANÇA: Boa tarde!&lt;br /&gt;                O segurança da universidade chegara ao setor de xerox. Logo após sua chegada, chamou Gilmar e Marinho para conversarem. Em seguida, marinho reuniu os empregados todos numa saleta contígua, pedindo para todos levarem seus pertences para o mesmo local.&lt;br /&gt;MARINHO: O segurança ta aí fora dizendo que um de vocês está vendendo drogas aqui na universidade. Gente, isso é crime. Tamo tentando aliviá a barra de vocês, mas, se quem tá fazendo isso não disse agora, vamo tê que deixá ele revistá as bolsas de vocês.&lt;br /&gt;MAYCON: Eu, hein? Que parada é essa?&lt;br /&gt;GEORGE: Nenhum de nós vende droga não! Que maluquice!&lt;br /&gt;UÓSTON: Pode revistá! Num võ incontrá nada!&lt;br /&gt;LELO: Nem na minha! Tô limpo!&lt;br /&gt;LINO: Eu também.&lt;br /&gt;MARINHO: Gente, eu sei que isso é chato, mas vô tê que deixá o segurança entrá. Aí, gente, num posso fazê mar nada! Eu pedi que cês fossem sinceros comigo. Agora...&lt;br /&gt;                Assim, Marinho chamou o segurança. Este saudou os empregados, explicou o procedimento e começou a revistar a mochila de cada um. Era uma quantia de basicamente trinta pacotinhos de cocaína.&lt;br /&gt;                Começou revistando a mochila de Uóston. Nada. De George. Nada. De Lino. Nada. De Maycon. Nada. Enfim, a mochila de Lelo. E não é que lá estavam os trinta pacotes de cocaína?&lt;br /&gt;LELO: Mô Deus, cume quisso foi pará aí? Sinhô, eu juro: eu nunca cunsumi ninhum tipo de droga, nem nunca vindi nada! Eu tenho horrô a isso tudo.&lt;br /&gt;MARINHO: Mas foi na tua mochila que a droga foi encontrada, Lelo.Cê vai tê que í com ele e explicá tudo lá na cabine de segurança.&lt;br /&gt;SEGURANÇA: Se fosse apenas um pacotinho, a gente podia aliviá, puque a gente pudia dizê que era pa consumo póprio. Mas isso aqui é claramente pa comércio. Infelizmente, sinhô Marco Aurélio, o sinhô vai tê que vi cumigo.&lt;br /&gt;LELO: Mas isso num tavaí quano eu cheguei. Eu saí de casa, vi minha mochila, cheguei aqui e só dexei minha mochila na istante e... E só saí pa almoçá, como todo mundo. Seu Marinho, gente, seu segurança, cês tem que creditá neu: eu num sô traficante! Eu nunca vi droga na minha vida...&lt;br /&gt;LINO (rindo): Pa quem veio do morro, tu tá pareceno muito inocente, Lelo.&lt;br /&gt;UÓSTON: Peraí! Cume que tu sabe co Lelo veio do morro, hein? Eu num sabia! Seu Marinho, tu sabia co Lelo veio do morro?&lt;br /&gt;MARINHO: Lelo, ce veio do morro?&lt;br /&gt;LELO: Eu morei minha vida toda no Morro da Ressurreição. Dipois, nesse ano, fui mora lá na Vila Potira.&lt;br /&gt;MARINHO: E por que ce num conto isso pra gente antes?&lt;br /&gt;GEORGE: Nem pra gente?&lt;br /&gt;LELO: Puqueu quiria isquecê que vivi naquele lugá! Só tive sofrimento, dores, tudo de ruim lá! Eu sô cristo; nunca me meti cum droga ninhuma.&lt;br /&gt;                Lino soltou uma gargalhada.&lt;br /&gt;LINO: Contra otra, vai, Lelo! Tu num é cristo coisa ninhuma. Nunca vi tu freqüentano igreja ninhuma!&lt;br /&gt;LELO: Minha igreja era lá no Morro. Dipois queu saí de lá, nunca mai cunsigui intrá em igreja ninhuma.&lt;br /&gt;LINO: Vai me dizê que lá no morro tu nunca viu traficante? Nem faô cum nenhum?&lt;br /&gt;LELO: Morano no morro, é difícil num tê contato, né?&lt;br /&gt;LINO: Seu segurança, o cunhado dele é traficante! Vai me dizê quele também num é?&lt;br /&gt;LELO: Cume que tu sabe tudo isso, Lino. Eu nunca te falei nada disso, nem contei pa ninguém puqueu num quitia que isso pesava pó meu lado. Eu nunca quis sabê dele, nunca quis sabê de droga ninhuma. Eu sô esse cara que cês tudo conhece! Eu sô honesto, trabalhado. Cristo, cumo muita gente lá no morro que também é, e que num agüenta mar essa violência e essa poca vegonha que é o tráfico na favela.&lt;br /&gt;UÓSTON: Lino, cume que tu sabe tanto da vida do Lelo assim? Tu conto alguma coisa pa ele, Lelo?&lt;br /&gt;LELO: Não! Nem contaria pa ninguém puqueu num sô traficante nem quero voltá lá po Morro. Eu quero vivê longe daquele inferno.&lt;br /&gt;LINO: Tu é muito falso, Lelo! Tu memo que me conto vantage e tudo! Tu mermo que me falo isso lá no banhero, num se lembra?&lt;br /&gt;LELO: Eu lembro muito bem de otras coisa, Lino. Mar nunca te contei nada da minha vida!&lt;br /&gt;LINO: Nem que tu ta dano em cima do Duda, o herdeiro do Betão?&lt;br /&gt;LELO: Tu ta veno coisas demais!&lt;br /&gt;LINO: Seu Marinho, é vedade ô não co Lelo entro aqui puque o Duda pidiu?&lt;br /&gt;MARINHO: Bem... Havia uma vaga disponível... O Duda pediu e a gente permitiu que ele ficasse por um tempo pra vê como ele se comportava, se adaptava ao serviço. Num foi pistolão simplesmente. Mas, por que eu to dando satisfação a você na frente do segurança?&lt;br /&gt;LINO: E o sinhô sabia de tudo isso do Lelo?&lt;br /&gt;MARINHO: Não, mas também num sabia que ele tinha sido atacado pela Gangue do Adeus, nem que aquele playboy que estuda aqui era da Gangue, nem que tu tinha caso com ele também.&lt;br /&gt;LINO: O que?!&lt;br /&gt;MARINHO: Eu já te vi saindo com ele muitas vezes, Lino. Será que esse rapaz num tem nada a vê cum isso não?&lt;br /&gt;GEORGE: Pois é? Eu hoje vi ele cunversano cum o Lino na intrada.&lt;br /&gt;MAYCON: E ele tava bem perto da istante das muchilas logo dipois do almoço! Vai vê foi ele que coloco a droga na muchila do Lelo.&lt;br /&gt;                Lino tentou correr, mas foi contido pelo próprio segurança. Lelo quase desmaiou de tão nervoso que ficou.&lt;br /&gt;SEGURANÇA: Intõ tu confessa quefoi tu que coloco a droga na muchila do teu colega de trabalho?&lt;br /&gt;LINO: Foi o Humberto que me abrigo!&lt;br /&gt;MARINHO: Num foi exatamente o que vi quando vi cês dois juntos!&lt;br /&gt;LINO: Eu te odeio, Lelo! Tu me largo pa ficá cum o Duda! Fui eu sim, e o Humberto ajudô eu sim! Ele quiria que tu fosse botado pa fora dessa facudade cum um pé na bunda bem marcado!&lt;br /&gt;LELO: Eu num to creditano no queu to ovino.&lt;br /&gt;MARINHO: Nem eu. Senhor, pode levar o Lino. Depois, ele volta pra pegá as conta. Ce num trabalha mais aqui, Lino.&lt;br /&gt;LINO: Vai! Demite! Eu ispalho pa todo mundo que todo mundo já me cumeu aqui! Cês tudo é um bando de hipócrita, sem-vegonha! Usa e lambusa, dipois demite!&lt;br /&gt;                Marinho fez um sinal para o segurança levá-lo, e assim foi feito.&lt;br /&gt;                Em seguida, Uóston, George e Maycon procuraram consolar Lelo.&lt;br /&gt;LELO: Eu num sabia quele pudia chegá a tanto.&lt;br /&gt;UÓSTON: Eu bem que te avisei. Ele tento caba cum meu noivado.&lt;br /&gt;LELO: Mas botá droga na minha bolsa pa eu sê preso! Isso é muito grave! Que quele ganhava cum isso? Ia ficá sem eu de qualqué jeito!&lt;br /&gt;MAYCON: Dexa pa lá agora! O importante é que tudo foi isclaricido!&lt;br /&gt;GEORGE: É mermo! Bola pa frente!&lt;br /&gt;MAYCON: E rabo pa trás!&lt;br /&gt;                Risos generalizados.&lt;br /&gt;                Gilmar acabou dando o resto do dia de folga para Lelo. Este encontrou Duda e Ninja na lanchonete. Lelo contou-lhes o acontecido e todos foram-se embora para a casa de Duda.&lt;br /&gt;                Depois que tudo ficou mais calmo, Ninja foi embora, deixando os namorados a sós. Desejando-lhes uma noite tranqüila.&lt;br /&gt;LELO: Que que ta cunteceno? Parece co mundo ta caino na minha cabeça. Primero o Rique é morto; agora isso!&lt;br /&gt;DUDA: Tem coisas na vida que são sustos, mas, que, na verdade, parecem ser os maiores dramas de nossas vidas. O importante é ficá sereno e aproveitá as lições deixadas por essas situações. Ce num foi preso; ce ta vivo; ce tem condições de passá por isso numa boa. E muitas outras situações como essas ou piores virão, e ce vai sabê como passá por elas numa boa. Cê é forte; cê é meu herói.&lt;br /&gt;                Enfim, Lelo sorriu. E o amor cobriu a noite de ambos de alívio e sensualidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-2857987397687005631?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/2857987397687005631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=2857987397687005631' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/2857987397687005631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/2857987397687005631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/10/captulo-39-susto.html' title='CAPÍTULO 39: Susto'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-1328688707213049960</id><published>2008-09-13T23:13:00.001-03:00</published><updated>2008-09-13T23:13:51.074-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 38: Adeus, Rique</title><content type='html'>No dia seguinte, o corpo de Rique foi liberado cedo.&lt;br /&gt;                Duda, Felismina e Terezão organizaram um rápido velório e prosseguiram com o enterro o mais rápido possível, especialmente por causa da viagem de Felismina.&lt;br /&gt;                Do velório participaram apenas os moradores da Vila. Além deles, somente Felismina e o delegado Manuel, que esperava por Lelo.&lt;br /&gt;                Participou do velório também o pastor Hilário Satiricon, a pedido de Clotilde e Tilinha. Ele comandou um animado culto, juntamente com sua esposa, Ale Luia. Nunva um cemitério ficou tão agitado quanto naquele dia, a ponto de serem vistas almas penadas dançando e cantando sobre alguns túmulos.&lt;br /&gt;                Ao final, todos foram para suas casas, exceto Lelo, Duda, Manuel e Terezão, que foram direto para a delegacia para que Lelo prestasse seu depoimento.&lt;br /&gt;MANUEL: Como era o senhor José Henrique?&lt;br /&gt;LELO: O Rique era um garoto formidável, simpático, esforçado, trabalhado. Era meu milhó amigo, seu delegado.&lt;br /&gt;MANUEL: O senhor sabe me dizer se o senhor José Henrique exercia algum trabalho escuso?&lt;br /&gt;LELO: Ele trabalhava numa lan house, que é do seu Josué. Ele também... era...&lt;br /&gt;TEREZÃO: Pode contá tudo, Lelo. E num fica cum vegonha não puque aqui, nesta delegacia, ninguém vai te discriminá puque tu é guei. Eu sô sapata e trabalho cum ele.&lt;br /&gt;LELO: Tá! Ele era garoto de pograma. Mas ele nunca atendia ne casa. A gente morava junto, mas eu num sabia quele era. Só fiquei sabeno puqueu sigui ele no dia queu fui tropelado.&lt;br /&gt;MANUEL: E quando foi que o senhor o viu pela última vez?&lt;br /&gt;LELO: Na noite anteriô. Ele... A gente tinha um caso, queu quiria terminá, mar tava sem jeito.&lt;br /&gt;MANUEL: E por que o senhor queria terminar seu caso com o senhor José Henrique?&lt;br /&gt;LELO: Puqueu agora to cum o Duda.&lt;br /&gt;                Manuel e Terezão entreolharam-se rapidamente.&lt;br /&gt;LELO: Ele pego a gente se bejano. Aí, eu e ele brigamo. Aí, eu saí de casa e passei a noite cum o Duda. O Rique ainda tava chorano muito quano eu saí de lá. Eu me sinto cupado dele tê se matado...&lt;br /&gt;MANUEL: Uma última pergunta, senhor Marco Aurélio. O senhor sabe de o senhor José Henrique tinha algum vício?&lt;br /&gt;LELO: Tirano sexo, queu sei, nenhum. Nunca vi ele fumano nada nem cherano nada. Por isso achei muito istranho ele tê se matado cum cocaína.&lt;br /&gt;TEREZÃO: E quem disse quele se matô?&lt;br /&gt;LELO: Cume que é?&lt;br /&gt;MANUEL: Fizemos exame toxicológico no corpo do senhor José Henrique. Não foi encontrado sequer um grama de cocaína, nem se álcool, nem de qualquer outra substância entorpecente. Aliás, aquela substância naquele pote nada mais era do que farinha de trigo. Ou seja, foi tudo armado para o senhor pensar que ele tivesse se matado por sua causa.&lt;br /&gt;LELO: Intõ, ele...&lt;br /&gt;MANUEL: Foi homicídio. Ele foi encorcado, provavelmente com aquela toalha molhada pendurada no varal. Não havia marcas na pele, mas outros exames mostraram a causa mortis.&lt;br /&gt;TEREZÃO: Tu foi o último a saí daquela casa;&lt;br /&gt;LELO: Queu sei, sim. E, de manhã, a casa tava trancada. Eu num tranquei a casa.&lt;br /&gt;TEREZÃO: Mas a gente num acho nenhuma chave na casa nem no bolso dele.&lt;br /&gt;MANUEL: Então, o assassino o matou, montou aquela farsa ridícula, pegou a chave e trancou a porta.&lt;br /&gt;TEREZÃO: Isso mesmo.&lt;br /&gt;MANUEL: De qualquer forma, alguém mais sabia de seu envolvimento com o senhor José Henrique? Ou com o Duda?&lt;br /&gt;LELO: Além de Terezão e Lúcia, pa quem eu conto tudo, só a Guilha, que é minha amiga. Mas eu sei que algumas pessoa comentavo... ispecialmente minhas ex-namoradas...&lt;br /&gt;MANUEL: Ex-namoradas?&lt;br /&gt;LELO: Sim. A Fatinha e a Tilinha. Eu num me assumi na Vila, mas elas sente ciúme deu te hoje. Já cansei de falá pa elas que num rola, mas elas insiste.&lt;br /&gt;MANUEL: Essas perguntas são pelo seguinte motivo, senhor Marco Aurélio: quem matou o senhor José Henrique sabia muito bem do caso entre vocês dois, bem como do seu caso com o senhor Carlos Eduardo. E a cena foi montada para o senhor pensar que o senhor José Henrique tivesse cometido suicídio por amor ao senhor. O senhor sabe se o senhor José Henrique tinha algum confidente na Vila?&lt;br /&gt;LELO: Na Vila? Acho que não. Mas pu que na Vila?&lt;br /&gt;TEREZÃO: A porta da Vila fico trancada à noite toda dipois cos istudantes chegaro da iscola cum o Denis.&lt;br /&gt;LELO: Intõ nem o Duda chego mar tarde nem o Rique saiu pa trabalhá!&lt;br /&gt;MANUEL: Não. O flagrante em vocês dois foi armado. O senhor José Henrique sabia que vocês dois iriam se encotnrar naquela casa. E, provavelmente, alguém o informou e armou não somente o flagrante, mas também o assassinato.&lt;br /&gt;                Lelo sentia-se aliviado por Rique não ter cometido suicídio, mas ficara perplexo diante de tais conclusões chegadas pela polícia.&lt;br /&gt;                Como não havia mais perguntas, Lelo foi liberado e levado para casa por Duda.&lt;br /&gt;DUDA: Como é que é? O Rique foi assassinado?&lt;br /&gt;LELO: É! Ainda falta provas maió pa chegá no assassino, mas aquela cena foi armada por alguém que sabia de nós dois, e sabia co Rique gortava deu.&lt;br /&gt;DUDA: Mas esse assassino deve sê muito burro! Como é que ele monta aquela cena e deixa tudo tão falso?&lt;br /&gt;LELO: Matá o Rique foi o de menos. Quem mato ele quiria atingi eu; quiria queu pensava co Rique tinha se matado por minha causa.&lt;br /&gt;DUDA: Então, Lelo, ce ta correndo perigo.&lt;br /&gt;LELO: Eu acho que não. Acho co assassino quiria mermo ca gente assumia o nosso amo pa todo mundo. Ô co Rique fazia um iscândalo.&lt;br /&gt;DUDA: Meu Deus, quanta maldade! Brinco com o coração do Rique pra atingi você!&lt;br /&gt;                Ambos começaram a fazer suposições, mas não chegaram a conclusões plausíveis. Era preciso que a própria polícia investigasse e tocar a vida, observando com cuidado qualquer movimento suspeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-1328688707213049960?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/1328688707213049960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=1328688707213049960' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/1328688707213049960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/1328688707213049960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/09/captulo-38-adeus-rique.html' title='CAPÍTULO 38: Adeus, Rique'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-8253145769685876993</id><published>2008-08-30T23:44:00.000-03:00</published><updated>2008-08-30T23:45:44.987-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 37: Desespero</title><content type='html'>LELO: Duda?&lt;br /&gt;                Lelo percebeu que acordara sozinho. Duda ali não estava. Assim, levantou-se e o procurou pela casa, sem sucesso. Foi quando se deu conta de que estava sem sua careira de documentos; havia esquecido-a em casa.&lt;br /&gt;                Minutos depois, Duda entrou. Aparentava não ter sono.&lt;br /&gt;LELO: Que cove, meu anjo?&lt;br /&gt;DUDA: Num consegui dormi. Perdi o sono. Num quis te acordá e fui dá uma volta agora pela manhã pra isfriá a cabeça.&lt;br /&gt;LELO: Isso tudo por causa de onte?&lt;br /&gt;DUDA: É. Uma dúvida ainda paira sobre a minha cabeça.&lt;br /&gt;LELO: É?! Qual?&lt;br /&gt;DUDA: Ce realmente num tinha nada mais que amizade cum o Rique? Ce num precisa me protegê. Quando começamos, eu ainda tinha dúvidas sobre seu amo por mim; mas agora, quando ta tudo tão bom... Ele teve uma reação de namorado traído; não de amigo...&lt;br /&gt;LELO: Ta bom! Ta bom! Dexo te contá: faz tempo, mar rolô uma coisa entra gente sim. Rolô, mar faz muito tempo. Por isso queu num te contei nada. Nem quiria quisso dexava tu tímido, te puqueu quiria ficá cum tu, intendeu?&lt;br /&gt;                Duda apenas sorriu Dante da sinceridade do amado e o cobriu de beijos. E, cheios de desejo, amaram-se na cozinha.&lt;br /&gt;                Após o café da manhã, Lelo comentou que precisava buscar sua carteira em casa antes de irem para a universidade. E ele foi.&lt;br /&gt;                Ao sair de casa, Lelo esbarrou com vários vizinhos, que também saíam para trabalhar. Todos habitualmente com caras de sono e já imaginando os ônibus lotados que teriam de encarar, como a família Carlos, Severino e Fatinha.&lt;br /&gt;                E, enfim, Lelo chegara à entrada da própria casa. Respirou fundo, pois certamente encararia novamente Rique e sua dor.&lt;br /&gt;                Lelo destrancou a porta. Abriu-a. Antes de entrar, contudo, deparou-se com uma cena inimaginável até então: Rique estava deitado no chão da sala, onde estava um pote de mantimentos cheio de um pó branco. Olhando mais detalhadamente, reparou que restos do pó estavam saindo do nariz do rapaz.&lt;br /&gt;LELO: Mô Deus, num credito que tu fez isso, Rique! Se droga por causa disso?&lt;br /&gt;                Lelo aproximou-e do amigo. Estava gelado.&lt;br /&gt;LELO: Rique, acorda! Rique, fala cumigo! Num me dexa sozinho, Rique, por favo! Tu num pode morrê, num agora! Rique!&lt;br /&gt;                A falta de reação do amigo desesperava Lelo, que começou a gritar por socorro. A primeira pessoa a aparecer foi Vivinha.&lt;br /&gt;LELO: Por favo, chama a Terezão. Num sei o que fazê! O Rique morreu!&lt;br /&gt;                Aos poucos, começou uma certa aglomeração curiosa para saber o porquê do choro daquele rapaz, que sentia-se culpado pelo que parecia ser um suicídio.&lt;br /&gt;                Minutos depois, Terezão, Xaquira e Lúcia vieram em socorro de Lelo, que estava inconsolável. Terezão e Xaquira observaram a casa, enquanto Lúcia confirmava o óbito de Rique.&lt;br /&gt;                Minutos seguintes, chegavam Preá, Clotilde com a prole e Duda, intrigado com a movimentação para o local.&lt;br /&gt;DUDA: O que aconteceu, Lelo?&lt;br /&gt;LELO: O Rique... Ele se matô.&lt;br /&gt;DUDA: Cume que é? Num é possível!&lt;br /&gt;                Terezão proibiu qualquer pessoa de entrar na casa e chamou um colega perito pelo celular para analisar o ambiente. Enquanto isso, todos deveriam voltar para as suas casas.&lt;br /&gt;                Duda levou Lelo para a própria, não sem antes livrá-lo do assédio de Tilinha. Outra que caiu em prantos foi Elisa, que foi consolada por Zeca.&lt;br /&gt;                Preá foi a única que não se emocionou; apenas observou ao longe as lágrimas derramadas pelos outros, como se analisasse o comportamento de cada um, testemunha ocular das emoções alheias.&lt;br /&gt;                Mais ou menos meia hora depois, uma equipe policial chegou à Vila para realizar a perícia.&lt;br /&gt;XAQUIRA: Tereza, pra que tudo isso? Ta muito claro que foi suicídio. Ele tava drogado; olha a coca saindo do nariz dele!&lt;br /&gt;TEREZÃO: Procedimentos são procedimentos. Além do mais, nem eu nem o delegado Manuel temo certeza que ele se mato.&lt;br /&gt;XAQUIRA: Mas, se ele num se mato, quem poderia tê matado ele?&lt;br /&gt;TEREZÃO: Isso é um trabalho pa gente, dona Deise. Afinal, a gente é ô num é polícia?&lt;br /&gt;                Em seguida, Manuel aproximou-se de ambas e pediu para conversar com Lelo, pois fora ele quem encontrara o corpo de Rique. Queria informações mais precisas sobre o comportamento do morto.&lt;br /&gt;                Duda preparara um chá para acalmar o namorado. De qualquer forma, tratou de ligar para o trabalho dele para avisar do ocorrido. Mesmo assim, Lelo permanecia chocado, revoltado e frustrado pela morte de seu amigo.&lt;br /&gt;                Terezão foiaté lá e percebeu que não havia como Manuel conversar com Lelo. Assim, ela conseguiu convencer seu chefe a adiar o depoimento ao menos para mais tarde.&lt;br /&gt;                Elisa foi até a casa de Duda para falar com Lelo. Ambos choraram juntos.&lt;br /&gt;ELISA: Eu priciso pidi perdõ pa tu.&lt;br /&gt;LELO: Mar... pu quê?&lt;br /&gt;ELISA: Por causa do co Rique quiria fazê aquela sacanage a três pa sidui tu... Agora inteno o que quele quiria...&lt;br /&gt;LELO: Num se procupe... Num pricisava pidi perdõ... Tu num tem culpa...&lt;br /&gt;                Abraço emocionado.&lt;br /&gt;LELO: Agora a gente temo é que avisá a família dele no norte do estado. Eu tenho o telefone.&lt;br /&gt;DUDA: Pode deixá comigo, lelo. Eu ligo lá do trabalho do meu pai e...&lt;br /&gt;ELISA: A gent temo que vê o interro dele também. De repente, o seu Sepúlveda ajuda a gente, né?&lt;br /&gt;DUDA: Se metê cum político é a mó roubada! Acho que num é difícil a gente vê e...&lt;br /&gt;LELO: O Rique tinha um bom dinhero guadado. Ele sempre fazia uns sirviço por fora e cunsiguiu uma boa grana. Ele mostro pa eu uma vez. O interro dele num vai sê pobrema.&lt;br /&gt;                Logo depois, chegaram Zeca e Zeli. Zeca veio pegar Elisa e levá-la para casa. Zeli, por sua vez, foi saber detalhes do acontecido.&lt;br /&gt;                Em seguida, chegou Guilha. Duda, por sua vez, saiu para avisar a família de Rique da tragédia.&lt;br /&gt;ZELI: Meu Deus, mas o que foi que aconteceu?&lt;br /&gt;LELO: Também gostava de sabê, dona Zeli.&lt;br /&gt;GUILHA: Mar cês dois num tavo durmino junto?&lt;br /&gt;LELO: Não onte. A gente brigamo, e eu vim pa casa do Duda.&lt;br /&gt;                Robinho apareceu e pediu para Zeli resolver um problema urgente na pensão, deixando Lelo e Guilha sozinhos.&lt;br /&gt;GUILHA: Agora conta tudo, vai!&lt;br /&gt;LELO: O Rique pego eu e o Duda se bejano onte. Por isso a gente brigamo. Ele me boto pa fora e tudo!&lt;br /&gt;GUILHA: Que bafão, Jesus!&lt;br /&gt;LELO: Aí, cunversei cum ele, pidi pa gente cunversamo hoje... Aí, eu vi queu isquici minha cartera lá na casa... Aí eu fui lá e ele tava morto, no chão, cheio de cocaína no nariz... Ele se rogo por minha causa, ele se mato por minha causa, Guilha! É isso co num me conformo!&lt;br /&gt;GUILHA: Calma, Lelo. Tu nem sabia quele se drogava! A coisa num deve tê sido assim!&lt;br /&gt;LELO: A essa hora ele deve ta ardeno no fogo do inferno! Por minha causa! Ele num pudia tê feito isso!&lt;br /&gt;GUILHA: Ele gortava de tu, né?&lt;br /&gt;LELO: Eu nunca pensei quele pudia me amá... Ele se mato pa num amá mais eu...&lt;br /&gt;                Guilha abraçou Lelo, procurando confortá-lo. Depois, chegou Robinho para também consolar o amigo.&lt;br /&gt;                Robinho procurou brincar um pouco, contar piadas e fofocas da vizinhança. Contudo, nada consegui mexer com o humor de Lelo, que sequer sorria. No máximo, balançava a cabeça e agradecia o esforço de todos para reanimá-lo.&lt;br /&gt;LELO: Cum o tempo eu ricupero.&lt;br /&gt;                Duda voltou depois, dizendo que demorou, mas conseguiu falar com a família de Rique.&lt;br /&gt;DUDA: A mãe dele ta vindo lá do norte e deve chegá aqui à noite. Até lá o corpo dele deve tê sido liberado da autópsia.&lt;br /&gt;GUILHA: Autópsia? Pricisô fazê isso?&lt;br /&gt;DUDA: Procedimentos de praxe. Afinal, acharam algumas coisas estranhas.&lt;br /&gt;ROBINHO: Como?&lt;br /&gt;DUDA: Tinha uma toalha molhada pendurada no varal, mas o banheiro tava seco.&lt;br /&gt;LELO: Intõ isso siguinifica que...&lt;br /&gt;DUDA: Que ele pode num tê se matado. Alguém pode tê matado ele.&lt;br /&gt;                Um tenso silêncio se fez no ar.&lt;br /&gt;LELO: Mar quem pudia matá o Rique? Ele num tinha inimigo...&lt;br /&gt;DUDA: Isso agora vai sê cum a polícia. Que vai querê te ouvi, Lelo.&lt;br /&gt;                Todos ficaram pensativos.&lt;br /&gt;                Horas mais tarde, chegou a mãe de Rique, dona Felismina. Mulher negra, baixa estatura, magra, trajava um longo vestido preto quando chegou à Vila Potira, logo após a carona oferecida por Duda a partir da rodoviária.&lt;br /&gt;                Logo que chegou, foi abraçada por Lelo. Ambos estavam muito emocionados.&lt;br /&gt;FELISMINA: Donde é que tá o corpo do meu filho?&lt;br /&gt;DUDA: Tá no Instituto Médico Legal. Deve sê liberado amanhã.&lt;br /&gt;                Leo procurou elogiar muito Rique para sua mãe, demonstrando todo seu carinho e admiração por ele ter saído do interior do estado. Ao final, foi até a casa, que, àquela altura, já estava arrumada para recebê-la. Duda acompanhou os dois.&lt;br /&gt;                Lelo aproveitou e pegou sua carteira. Além disso, resolveu recolher o dinheiro que o amigo guardava e dá-lo à pessoa que o merecia por direito: Felismina.&lt;br /&gt;FELISMINA: Cume quele cunsiguiu tanto dinhero? Ele trabalhava numa lan house, né?&lt;br /&gt;LELO: É, mas ele era bem irforçado; fazia sirviço por fora...&lt;br /&gt;FELISMINA: Mas o que quele fazia? Isso aqui é muita grana! Ele robava, traficava? Pa que quele fazia isso, mô Deus! A gente tinha como pagá os istudo pa ele sobrevive aqui na cidade grande!&lt;br /&gt;LELO: Nada disso, dona! Ele alegrava algumas pessoa...&lt;br /&gt;FELISMINA: Alegrava como? Era palhaço por um acaso? E palhaço ganha tanto assim?&lt;br /&gt;DUDA: Ele fazia uns trabalho free-lance como modelo. Chego a viajá pro exterior. Eu mesmo o patrocinei.&lt;br /&gt;                Lelo preferiu calar-se; afinal, seria complicado contar toda a verdade para ela.&lt;br /&gt;FELISMINA: Mas pu que ele nunca me conto nada?! Ele num pricisava trabalhá! Bastava tirá boas nota, mandá o buletim que tava tudo certo!&lt;br /&gt;DUDA: O Rique era muito dicreto; num gostava de contá nada pra ninguém.&lt;br /&gt;LELO: Nem pa gente.&lt;br /&gt;                Felismina ficou mais aliviada. E feliz pelo bom dinheiro inesperadamente ganho.&lt;br /&gt;FELISMINA: Tudo bem que ele num quiria nosso dinhero por tê aprontado muito cum o pai dele. A gente sabíamo que ele era viado, mar ele num pricisava virá as costa pa gente. Se ele quiria sê o quele quiria, era só falá cumigo. Mar não, resolveu botá banca po pai, apostá que pudia vencê sozinho... Enfim. Qual dos dois era namorado dele?&lt;br /&gt;                Lelo e Duda ficaram calados, sem saber o que responder.&lt;br /&gt;FELISMINA: Vai me dizê que os dois era não, né?&lt;br /&gt;LELO: Bem... eu....&lt;br /&gt;DUDA: A gente num se metia na vida particular do Rique. Ele era muito discreto nessa parte também.&lt;br /&gt;FELISMINA: É, Rique, sempre muito discreto. Pena quele se istorô cum o pai dele.&lt;br /&gt;LELO: Como assim?&lt;br /&gt;FELISMINA: É duro o queu vô dizê mar tenho que falá. Foi o pai dele que iniciô ele nessa vida. Meu marido levava ele pa roça e passava o roçado no moleque também. Té cum dia o moleque se revotô e conto pa todo mundo o co pai fazia cum ele. Levo-lhe uma surra que nunca vi na minha vida. Aí, ele veio pará na cidade grande. Veio sem nada no bolso. E ele num pricisava trabalhá, sabe? A gente é rico lá na nossa cidade. Ele num pricisava passá necessidade. Mandei muito dinhero pa ele pa ele num ficá pasaano fome, passano necessidade. Isso é muito triste.&lt;br /&gt;LELO: Tudo bem, dona Felismina. Apesar da morte dele tê sido da forma que foi, ele era um cara do bem, um amigão mermo.&lt;br /&gt;                Felismina passou a noite na casa onde Rique morreu. Lelo, por sua vez, foi dormir na casa de Duda, mais uma vez.&lt;br /&gt;LELO: Pu que tu falo aquilo pa mãe dele?&lt;br /&gt;DUDA: Ce ia contá a verdade sobre ele, né mesmo?&lt;br /&gt;LELO: Tu sabe o que ele fazia?&lt;br /&gt;                Duda ficou calado, quase confessando mais um segredo.&lt;br /&gt;DUDA: Sabia. Antes de te conhecê, eu contratei os serviços dele. Eu num sabia que ele morava com você.&lt;br /&gt;LELO: Intõ, é por isso quele disse que tu num prestava...&lt;br /&gt;DUDA: Ele falo isso, é?&lt;br /&gt;LELO: Ele tava muito sofrido onte. Ele ficô chocado de vê a gente junto e cumeçô a falá que tu num prestava, queu ia sofrê na tua mão.&lt;br /&gt;                Duda o abraçou bem forte e o beijou longamente.&lt;br /&gt;DUDA: Se depende de mim, ce vai sê a pessoa mais feliz deste mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-8253145769685876993?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/8253145769685876993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=8253145769685876993' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/8253145769685876993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/8253145769685876993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/08/captulo-37-desespero.html' title='CAPÍTULO 37: Desespero'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-6537221362086394765</id><published>2008-08-18T18:33:00.000-03:00</published><updated>2008-08-18T18:35:25.197-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 36: O convite</title><content type='html'>Lelo estava arrumando sua casa após retornar de mais um dia de trabalho e de estudo quando ouviu batidas na porta. Certamente era Duda, que vinha buscá-lo para dormirem juntos, o que se tornara um hábito.&lt;br /&gt;                Aberta a porta, Duda abraçou seu amado e o beijou longamente, esbanjando uma felicidade contagiante.&lt;br /&gt;DUDA: Tenho algo pra te contá.&lt;br /&gt;LELO: E isso é bom ô ruim?&lt;br /&gt;DUDA: Ótimo!&lt;br /&gt;LELO: Intõ, conta!&lt;br /&gt;DUDA: Lili saiu do hospital e já ta em casa!&lt;br /&gt;LELO (sorrindo): Nossa, que bom! Fico muito filiz por ela!&lt;br /&gt;DUDA: Os pais dela também. E eles ficaram tão feliz que dicidiram organizá um jantá em sua homenagem.&lt;br /&gt;LELO (murchando o sorriso): Cumé que é?&lt;br /&gt;DUDA: E o jantá vai sê na casa dos meus pais.&lt;br /&gt;                Lelo ficou assustado;&lt;br /&gt;LELO: Mar... mar pu que tudo isso? Que foi queu fiz pa merecê um jantá na casa dos teus pai? Eu só tirei Lili da favela e...&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, se não fosse a tua ajuda, o teu empenho em salvá ela, Lili teria morrido. Cê é o meu herói sim! E merece o reconhecimento dos pais dela. E eu faço questão de apresentá você pra eles.&lt;br /&gt;                Lelo ficou pensativo com  essa situação. Era um mundo até então desconhecido, cujas poucas informações encontrara apenas em telenovelas  e revistas de fofoca.&lt;br /&gt;LELO: Tu acha queu devo í?&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, a decisão é sua, mas eu acho que cê deve í.&lt;br /&gt;LELO: Pu quê?&lt;br /&gt;DUDA: Porque cê é o herói dessa história toda, e merece todo reconhecimento. Além do mais, é sua oportunidade de tê contato com o mundo que viv até pouco tempo.&lt;br /&gt;LELO: Mar num é tu mermo que num qué mar sabê desse mundo?&lt;br /&gt;DUDA: É verdade, mas a situação não é bem erra. Meus pais vivem nesse mundo ainda; num posso rompê com tudo, ainda sô filho de Betão e Nadine.&lt;br /&gt;LELO: Inteno, mas eu inda sô aquele garoto que saiu da favela e foi Pará numa universidade pela porta dos fundo. Inda só aquele minino que sonhava im casá cum uma minina e formá uma família, e discubri que num posso fazê isso puqueu amo outro home. Eu sô aquela criança que só ia na Praia do Adeus pa ficá vendeno côco, ceveja e latinha pa faturá um troco, vez por otra cuidava duns carro, e que só tive lá pela útima vez pa sê istrupado por quatro cara que nunca tinha visto eu na vida. Tu tem que intendê que tudo ta mudano muito rápido na minha cabeça. Tu tem que intendê queu inda sô cristo no meu íntimo, que inda num consegue inxergá rico como aliado. Será que teus pais võ gostá das minhas ropa, do meu jeito de sê? Duda, eu num sei como me comportá na mesa lá da iscola, quanto mar numa mesa de rico.&lt;br /&gt;DUDA (abraçando-o): Lelo, num precisa se preocupá! Eu vô ta lá junto de você, te ajudando, te orientado caso vocÊ fique em apuros. Eu jamais te botaria numa roubada se soubesse que era uma! Além disso, meus pais são muito simples, não vão querê te humilhá de forma alguma, ainda mais na frente dos outros convidados. Fica calmo e aquieta seu coração, meu herói!&lt;br /&gt;                Os dois movimentaram-se para se beijar quando a porta se abriu. Imediatamente Lelo sentiu um frio na barriga, pois sabia que era a última situação em que gostaria de estar e colocar seus dois amores.&lt;br /&gt;DUDA (afastando-se de Lelo): Oi, Rique! Eu posso explicá! A gente...&lt;br /&gt;RIQUE (irritado): Num pricisa, Duda. Ta tudo muito craro aqui!&lt;br /&gt;LELO: Rique, po favo! Fica calmo!&lt;br /&gt;RIQUE: Me dexa, Lelo!&lt;br /&gt;LELO: Eu sei que tu num isperava vê isso aqui, mar, me dexa falá cum tu!&lt;br /&gt;RIQUE: Eu num quero ovi nada! Eu só num quero vê tu nem esse mauricinho almofadinha!&lt;br /&gt;LELO: Duda, ispera na tua casa queu já vô, ta?&lt;br /&gt;DUDA: Se cuida, ta?&lt;br /&gt;                Duda saiu enquanto Rique começava a derramar as primeiras lágrimas.&lt;br /&gt;LELO: Rique, eu sei queu num posso dizê pa tu que num era nada disso que tu viu. Mas o que dói é queu num sabia se amava ele ô amava tu. Tu memo sabe que no coraçõ num dá pa gente mandá, NE memo? Tu acha que num dói neu tê que dexá um pa ficá cum outro? Como eu gortava de amaá tu, meu milho amigo, o cara que me acolheu e que me mostro coisas que nenhum otro home me mostro. Tu é um cara maravilhoso, o milho home queu já cunheci...&lt;br /&gt;RIQUE: Mar num sirvo pa tu, num sirvo pó teu coraçõ... Pa quê eu sirvo intõ?&lt;br /&gt;LELO (abraçando-o): Calma, Rique...&lt;br /&gt;RIQUE (Soltando-se): Me larga! Num quero te vê, num quero mar ovi tua voz! Eu quero isquecê tu, isquecê que tu ixistiu na minha vida! Cara, tu num viu quanto eu te amava? Pu que tu traiu eu?&lt;br /&gt;LELO: Cumé que tu pode falá de fidelidade? Tu é michê!&lt;br /&gt;RIQUE: Mas eu tenho sentimento! Ta legal, eu trepo cum otros cara, mas isso é profissão, grana; cabo o sexo e pago, cabo o programa. É frio, sem coraçõ. Mas o queu quiria cum tu era vivê uma vida normal, como se a gente era um casal de vedade!&lt;br /&gt;LELO: E era o queu quiria, mar nem eu sabia puque ta tudo revirado na minha cabeça!&lt;br /&gt;RIQUE: E tu agora reviro a minha! Sempre pensei que tu era direito, honesto, temente a Deus; agora vejo que tu num era nada disso.&lt;br /&gt;LELO: Rique, num é nada disso...&lt;br /&gt;RIQUE: Hoje eu num sei mais quem é tu, Marco Aurélio!&lt;br /&gt;LELO: Rique! Num se dexa levá pela dô! Pensa nos momento bom ca gente passo junto!&lt;br /&gt;RIQUE: A dô é tanta que num dá, Lelo! Eu sabia que teus sumiço paricia que tu tava cum otro... mar  tinha que sê logo cum o Duda?&lt;br /&gt;LELO: Pu que tanta disconfiança cum o Duda? Só pu que ele é rico?&lt;br /&gt;RIQUE: Num é isso! Eu canso de saí cum rico e sei muito bem quem é quem. E o Duda é falso! Tu vai sofrê muito na mão dele!&lt;br /&gt;LELO: Pára, Rique! Num dexa teu coraçõ misturá as coisa!&lt;br /&gt;RIQUE: Num é mô coraçõ que ta falano não! Eu to firido sim! Eu to cum raiva sim! Dói vê tu cum outro sim puqueu te amo! Mar dói mais perdê tu pó Duda puqueu sei que esse cara num presta! Ele ta inganano tu, ele ta aqui inganano todo mundo!&lt;br /&gt;LELO: Intõ, diz: o que co Duda ta iscondeno de todo mundo queu num sei? Quele é filho do Betão? Quele istuda na univesidade queu trabalho? Quele namorava a tal da Lili e resoveu ficá cum eu? Quele já foi da Gangue do Adeus, que fez tanto mal pa eu? Quele já pintô e bordô no passado? É isso?&lt;br /&gt;                Rique preferiu ficar calado e engolir o choro.&lt;br /&gt;RIQUE: Ele compro tu!&lt;br /&gt;LELO (revoltado): O que?!&lt;br /&gt;RIQUE: Só pode sê! Tu ta armado pa defendê ele cegamente! Esse cara num merece tu, Lelo, e tu vai vê isso mar cedo ô mar tarde!&lt;br /&gt;LELO: Im nome da nossa amizade, eu vô isquecê tudo isso que tu falô, puque tu ta falano cum teu coraçõ machuado! Tu inda é mô amigo e, se eu me machucá, eu mirici!&lt;br /&gt;                Lelo levantou-se e pegou a mochila. No momentivom para sair, foi agarrado pelo braço por Rique.&lt;br /&gt;RIQUE: Arruma as tuas coisa e vai morá cum ele. É milhó assim!&lt;br /&gt;LELO: Rique, ta muito cedo pa pensá nisso!&lt;br /&gt;RIQUE: Eu num vô cunsigui durmi debaxo do mermo teto que tu sem pudê tocá tu, bejá, tu, lambê tu, cherá tu, transá cum tu como a gente fazia...&lt;br /&gt;LELO: Eu vô falá cum o Duda; num dá pa fazê isso assim, de supetõ.&lt;br /&gt;                E já ia saindo quando foi agarrado pelo amigo, que o abraçou fortemente.&lt;br /&gt;RIQUE: Ispera! Discupa por isso tudo! Dipois a gente cunvesa milhó!&lt;br /&gt;                Rique ainda chorou mais um pouci, comovendo também Lelo. Depois de alguns minutos, Lelo deixou a casa apenas com a mochila. Rique permaneceu chorando no sofá.&lt;br /&gt;                Lelo procurou enxugar o rosto antes de chegar à casa de Duda. Chegando lá, foi consolado pelo amado.&lt;br /&gt;DUDA: Pô, Lelo, eu num quiria tê causado isso!&lt;br /&gt;LELO: Isso ia cuntecê alguma hora ô outra. Milhó assim! Tirô um peso da minha cabeça!&lt;br /&gt;DUDA: Cê gosta dele, né?&lt;br /&gt;LELO: Ele é meu amigo; é cum ele queu fui morá; é cum ele queu aprindi muita coisa. Rique é importante pa eu.&lt;br /&gt;                Duda simplesmente o abraçou. Em seguida, as sensações os levaram à cama e ao prazer; afinal, pela primeira vez, Lelo sentia prazer sem culpa, pois não tinha mais de se sentir com mais de um amante amando Duda. Restava somente resolver a questão Lino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-6537221362086394765?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/6537221362086394765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=6537221362086394765' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6537221362086394765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6537221362086394765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/08/captulo-36-o-convite.html' title='CAPÍTULO 36: O convite'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-6079953443157986018</id><published>2008-08-03T18:35:00.000-03:00</published><updated>2008-08-03T18:37:22.410-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 35: Entrelaces</title><content type='html'>Enquanto Lelo tentava equilibrar os relacionamentos com Duda, Lino e Rique, a Vila seguia seu ritmo sem ligar para o que acontecia a sua volta.&lt;br /&gt;                Zé Félix arrumava sua casa para finalmente receber sua futura esposa, que insistia em preservar sua virgindade até o dia do casamento. Não à-toa, Vivinha era a grande responsável pela atitude da neta, não somente por não nutrir qualquer simpatia pelo noivo da mesma, mas principalmente para evitar que sua neta ficasse falada.&lt;br /&gt;                Terezão finalmente se recuperou e voltou ao trabalho. Sua luta agora, além de decifrar os crimes cometidos contra Lelo, era lutar contra si mesma, para finalmente parar de fumar; mesmo abstêmia do vício, a vontade de exalar a nicotina a deixava nervosa e ansiosa, levando-a a comer desesperadamente. Lúcia procurava ajudá-la e consolá-la, sem muito sucesso. Outra que tentava ajudá-la era Xaquira, sempre solícita e prestativa; tanta dedicação à colega de trabalho começava a provocar ciúmes em Lúcia, que disfarçava na frente de todos, porém corroia-se por dentro.&lt;br /&gt;                Anderson continuava firme e forte no serviço na banca de jornal, bem como o namoro escondido com Adriana. Para tanto, ganhou alguns pequenos aliados: os irmãos da menina, que vigiavam tanto o serviço de seus pais quanto os passos boêmios de Preá, sempre com um parceiro diferente, sempre com um cigarro na mão e um copo de cerveja na outra. Contudo, tal situação tornara-se tão desconfortável para Anderson que transparecia em seu rosto, principalmente pelo fato de Preá utilizar todo o dinheiro ganho com o trabalho do filho para bebida, fumo e sexo. No entanto, Anderson conseguia esconder sempre uma gorjeta para conseguir sobreviver sem precisar da mãe.&lt;br /&gt;                Clotilde e Severino resolveram dar uma lição em Juninho, obrigando-o a trabalhar: não lhe dariam mais um centavo sequer enquanto ele não arranjasse um trabalho. Resultado: juntou-se com o chaveiro da esquina e resolveu aprender o ofício. Também, pudera: como teria de fazer um pouco de força, ficaria em forma com o trabalho.&lt;br /&gt;                Toco, por sua vez, também resolveu trabalhar com o amigo para lhe dar uma força: resolveu ser entregador de uma mercearia. Sempre levava as encomendas de bicicleta; vez em sempre, levava também o amigo de carona para resolver alguns problemas, como fechadura emperrada e chave quebrada.&lt;br /&gt;                Por outro lado, até Clotilde começava a ficar preocupada com a dedicação de Tilinha tanto à religião quanto à amizade com a prima, Fatinha. Mais do que o fato de a sobrinha ser católica, preocupava o tema da conversa entre as duas, que nada mais era do que informações sobre a vida de Lelo, fosse na escola, fosse na rua, fosse no trabalho. O que parecia uma paixão tornava-se cada vez mais uma obsessão.&lt;br /&gt;                A própria Fatinha começava a preocupar o pai, Francisco. Chegando do trabalho, passava e experimentava o vestido de noiva guardado para o dia de seu casamento com Lelo. O pai insistia para que ela olhasse para outros rapazes, sem sucesso. Assim, passou a pedir que Juca tentasse cortejá-la; esta o desprezava solenemente, sem vergonha de admitir que estava esperando por Lelo.&lt;br /&gt;                Outra preocupação de Francisco era como conquistar Zeli. Como a jovem senhora estava sempre bem arrumada e esbanjava elegância, logo atraiu a atenção do cadeirante. Ele chegou a ponto de conversar longamente com o mendigo Joaquim para obter informações sobre a cuidadora da Vila; contudo, o que mais conseguiu saber mesmo foi sobre o passado de glamour do senhor abandonado pela família; por outro lado, tal comportamento acabou por chamar a atenção de Zeli, que admirava todo tipo de dedicação aos desvalidos.&lt;br /&gt;                Elisa continuava o namoro com Zeca. No entanto, sempre que podia, agarrava-o com mais força ao perceber que Rique estava por perto; este, por sua vez, felicitava o casal pelo momento, frustrando as intenções da cabeleireira.&lt;br /&gt;                Com os outros dois irmãos envolvidos em romances complicados, Joca e Maneco resolviam seus problemas passando noites em claro com Bebê e Samanta. Longe de ser um problema, era um alívio passar os dias com tão agradável incumbência.&lt;br /&gt;                Guilha dedicava-se cada vez mais ao trabalho e à amizade com Lelo. Ainda procurava esquecer Fubá e a morte dele. Por causa disso, um de seus programas era visitar semanalmente o túmulo de seu amado no cemitério central da cidade.&lt;br /&gt;                E todos se acabavam no pagode no final de semana, cercados de amor e sensualidade de Vagna ao lado de Dênis, lado a lado ainda com Bombom e Detinha. Era o amor entrelaçando os habitantes da Vila em todas as suas formas de manifestação, fosse às claras, fosse às escuras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-6079953443157986018?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/6079953443157986018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=6079953443157986018' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6079953443157986018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6079953443157986018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/08/captulo-35-entrelaces.html' title='CAPÍTULO 35: Entrelaces'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-5175802225277860214</id><published>2008-07-25T21:58:00.001-03:00</published><updated>2008-07-25T22:01:12.853-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 34: Decisões difíceis</title><content type='html'>Mais um amanhecer ao lado de Duda foi para Lelo uma nova luz. Estava tudo indo tão bem entre eles nesse tão pouco tempo que, aparentemente, teriam encontrado um no outro o parceiro certo para a vida toda. Assim, restava a Lelo resolver o que deveria fazer com Lino, Robinho e Rique, seus três amantes.&lt;br /&gt;De qualquer forma, a dificuldade maior em terminar estava nas próprias sensações de prazer encontradas anteriormente a conhecer Duda. Foi com os três que se descobriu como um ser sexual nas maiores possibilidades, e não como mero objeto de prazer, como tinha acontecido com Wayne e a Gangue do Adeus. Além do próprio desejo sexual, havia um certo agradecimento aos três por fazê-lo descobrir-se um ser atraente, sexual, viril, todas qualidades até então desconhecidas.&lt;br /&gt;Por outro lado, não queria magoá-los, nem magoar Duda. Mesmo que isso lhe custasse a amizade dos três, achava que tinha de fazer a coisa certa. Ficar com três já era algo demais; ficar com quatro, envolvendo sentimentos, estrapolava os limites.&lt;br /&gt;DUDA: Vamo lá?&lt;br /&gt;LELO: Milhó a gente tomá banho antes, né?&lt;br /&gt;E assim foi feito. E o banho se tornou mágico pelo carinho e pela ternura empregada por ambos para satisfazer o prazer de estar junto e de sentir o calor de cada um. E o banho parecia interminável de tantos beijos, abraços, amassos, carinhos. Por esse momento ambos esqueceram-se dos compromissos, dos dramas, das dores.&lt;br /&gt;E, em breve, estavam ambos no carro. No caminho, muitos toques ternurosos de mãos e elogios, tanto pelo desempenho na cama quanto na dignidade que cada um passava.&lt;br /&gt;Por fim, o estacionamento. Longos beijos e desejos de ótimo dia que pareciam não terminar. O compromisso barrava o desejo de estar junto e curtir aquele momento que prometia se repetir mais tarde, mas não com a mesma vontade e o mesmo furor.&lt;br /&gt;Fora do carro, discrição. O amor pedia disfarce. Somente os olhares denunciavam o que cada um realmente sentia por dentro. Amigos por fora, amantes no íntimo; exercício de hipocrisia para conviver com a cartilha da sociedade.&lt;br /&gt;No trabalho, Maycon e George logo notaram que Lelo estava diferente: radiante, pisando em nuvens.&lt;br /&gt;GEORGE: Que que tu tem, Lelo?&lt;br /&gt;LELO: Nada! Apenas durmi bem.&lt;br /&gt;MAYCON: Dexa disso, Lelo! Pára de iscondê o jogo! Conta logo: cumeu quem?&lt;br /&gt;LELO: Pára, num cumi ninguém não!&lt;br /&gt;GEORGE: Intõ foi cumido!&lt;br /&gt;Risos generalizados.&lt;br /&gt;Atentos à conversa em meio ao próprio silêncio, Uóston e Lino. Uóston sequer se movia; Lino, por sua vez, passou a ficar inquieto. Sua timidez no serviço era sua marca registrada; contudo, depois dessa conversa, passou a ficar ansioso. De quando em quando, fitava Lelo procurando alguma coisa no olhar; segundos depois, eis que o serviço o chamava à responsabilidade.&lt;br /&gt;MARINHO: Tá tudo bem contigo, Lino?&lt;br /&gt;Lino apenas balançava a cabeça que sim. No entanto, internamente, Lino ansiava estar a sós com Lelo mais do que nunca.&lt;br /&gt;Assim, no horário combinado, Lelo e Lino encontraram-se no local de sempre.&lt;br /&gt;LINO: Agora tu vai me contá!&lt;br /&gt;LELO: Contá o que?&lt;br /&gt;LINO: Que história é essa de tê cumido alguém sem minha otorização?&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é? Do que que tu tá falano?&lt;br /&gt;LINO: Tu é meu, cara! É eu que boto as carta na mesa!&lt;br /&gt;LELO: Tu tá maluco ô tá ficano? Cumeça pelo cumeço...&lt;br /&gt;LINO: Eu ovi tu cumentano cum aqueles boiolas que tu cumeu um otro cara!&lt;br /&gt;LELO: Eu? Eu num cumentei nada! Eles é que cumeçaro a falá, zoá, como faz cum eu todo dia. E que história é essa de dizê que eu sô seu? Tu num falô que cum a gente só rolava sexo?&lt;br /&gt;Lino parou um pouco, fulminando o amante com o olhar.&lt;br /&gt;LINO: É.&lt;br /&gt;LELO: Intõ, que que tem eu tá cum otro cara? Sexo é sexo, num é memo?&lt;br /&gt;Lino virou-se de costas para Lelo.&lt;br /&gt;LINO: Intõ rolô mermo um otro cara na jogada, né?&lt;br /&gt;LELO: Tu é que tá quereno vê as coisa assim!&lt;br /&gt;LINO: Intõ pu que que tu chegô filiz daquele jeto hoje no trabalho?&lt;br /&gt;LELO: Foi puque... puque... puque eu e minha mão fizemo as paze.&lt;br /&gt;LINO: Mintira! Tem é otro home na parada!&lt;br /&gt;LELO: Ciúme do amante, Lino? Tu tá compotando como se tu era meu namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LINO: É! É! Tô cum ciúme sim! Tô gortando de tu, Lelo! E eu quero tu só pa eu!&lt;br /&gt;Lelo ficou chocado com o que acabara de escutar.&lt;br /&gt;LELO: Lino, eu jamais pensei que...&lt;br /&gt;LINO: Eu também! E só agora tô pecebeno isso.&lt;br /&gt;Mesmo constrangido, Lelo achou por bem abraçar Lino.&lt;br /&gt;LELO: Olha, num fica assim.&lt;br /&gt;Lino voltou-se com um bijo tão violento que incendiou Lelo de desejo. E ambos acabaram por desfrutar daquele momento como nunca.&lt;br /&gt;Lelo, ao final, demonstrou-se um pouco arrependido. Lino, por sua vez, estava mais satisfeito do que nunca; contudo, notou que Lelo não parecia bem.&lt;br /&gt;LINO: Que que hove? Num gortô?&lt;br /&gt;LELO: Sim, foi muito bom. Milhó que muitas otras vez... Só queu...&lt;br /&gt;LINO: É o otro, né? Assume logo, Lelo! Assim acaba essa sacanage toda!&lt;br /&gt;Lelo percebeu que se dissesse a verdade, poria em risco o equilíbrio que existia no ambiente de trabalho. Se com uma reles brincadeira, Lino havia ficado transtornado, se soubesse de Duda ficaria completamente revoltado.&lt;br /&gt;LELO: Só queu fico pensano: eu num sô o único, né?&lt;br /&gt;LINO: Mar tu é o que cumeu eu milhó té hoje! E é isso queu quero: que tu come eu inquanto eu querê!&lt;br /&gt;LELO: Mar tu memo pode gortá de otro. Olha, tu pegô eu de surpresa!&lt;br /&gt;LINO: Lelo, tu tá avisado: tu é meu, e num esquece isso!&lt;br /&gt;E Lino saiu, deixando Lelo envolto em seus pensamentos. O que fazer com Lino agora que queria se acertar com Duda? Justamente Lino, o que parecia o mais libertino dos homens com quem mantinha relações!&lt;br /&gt;Depois de alguns instantes, voltou ao trabalho. E o dia seguiu sem grandes novidades. A não ser pela visita de Duda, que insistiu em levá-lo à escola. De longe, Lino observava tudo. Como ambos, por mais que tentassem disfarçar, estavam derretidos e demonstrando preocupação de namorados, os ciúmes despertaram em Lino, que procurou disfarçar.&lt;br /&gt;MAYCON (para Lino): Tá cum ciúme do teu macho?&lt;br /&gt;Lino devolveu a povocação com uma cotovelada. George teve de intervir para evitar um confronto. De todo modo, Lelo e Duda nem ficaram sabendo de toda essa confusão.&lt;br /&gt;Ao final, Lelo voltou para o trabalho para pegar seus pertences e seguir para a escola. Antes de sair, no entanto, uma surpreendente intervenção: Uóston o abordou.&lt;br /&gt;UÓSTON: Ó! Eu num divia tá te contano isso, mar tu deve ficá de olho no Lino. Ele parece tímido, parece frágil, mar, quano tá firido, vira um lião. Toma cuidado cum ele, hein?&lt;br /&gt;LELO: Mar pu que que tu tá falano isso?!&lt;br /&gt;UÓSTON: Acho que só tu num sacô ainda que todo mundo aqui já sabe que tu tá cumeno o Lino. Ele já passô na mão de todo mundo aqui, té na minha. Parei de trepá cum ele puque agora tô noivo. Se tu tá quereno namorá alguém, milhó teminá logo cum ele pa ivitá pobrema. Ele quiria queu era fixo dele; quano eu teminei tudo, ele tentô contá tudo pa minha noiva.&lt;br /&gt;LELO: Nossa! Mas... pu que tudo isso?&lt;br /&gt;UÓSTON: Ciúme! E ele num fer mar nada puque tu apareceu.&lt;br /&gt;Lelo ficou estarrecido com tudo aquilo. Mais do que nunca, cuidar de Lino era uma questão de saúde mental.&lt;br /&gt;Minutos depois, Duda levava Lelo ao carro. No estacionamento, beijos, amassos e carinhos, bem ao estilo início de namoro. Em seguida, a estrada e a escola.&lt;br /&gt;DUDA: Vou vê a Lili e meus pais. E te aguardo hoje à noite, tá?&lt;br /&gt;LELO: Combinado!&lt;br /&gt;Lelo desceu do carro e entrou na escola. Lá, primeiramente esbarrou com Sheila Maria. Segundo ela, Rute tinha ido à igreja com o pastor Marcos.&lt;br /&gt;LELO: E?&lt;br /&gt;SHEILA: Só vô sabê mermo quano chegá em casa.&lt;br /&gt;Pouco depois, Lelo esbarrou em Elisa.&lt;br /&gt;ELISA: Rique andô pergutano po tu lá no salõ.&lt;br /&gt;Lelo preferiu não dizer nada; apenas disse que depois falaria com ele.&lt;br /&gt;Logo depois, encontrou Guilha, com quem contou algumas fofocas básicas, como a revelação dos ciúmes de Lino. Sobre Duda, nenhuma palavra.&lt;br /&gt;ROBINHO: Oi!&lt;br /&gt;A chegada de Robinho interrompeu a conversa, deixando Lelo um pouco incomodado.&lt;br /&gt;ROBINHO: Posso falá cum tu, Lelo?&lt;br /&gt;LELO: Claro!&lt;br /&gt;E ambos foram para um outro canto, mais afastado dos colegas.&lt;br /&gt;ROBINHO: Lelo, tu sabe cumo eu gorto de tu, né?&lt;br /&gt;LELO: Sei! E tu também sabe queu gorto de tu.&lt;br /&gt;ROBINHO: Pois é, mas tu sabe que cum eu a coisa é diferente, né? Tu me enche de tesõ, mar tu é meu amigo acima de tudo, né?&lt;br /&gt;LELO: Claro! Tu ajudô eu pa caramba cum as aula queu perdi!&lt;br /&gt;ROBINHO: É vedade! E sabe que tu pode contá cum eu sempre que pricisá, tá?&lt;br /&gt;LELO: Digo o mermo, migão!&lt;br /&gt;ROBINHO: Mar num é isso queu quiria falá cum tu.&lt;br /&gt;LELO: Pode falá!&lt;br /&gt;ROBINHO: Eu tô um poco cunfuso e invegonhado.&lt;br /&gt;LELO: Mar pu quê?&lt;br /&gt;ROBINHO: Sabe, Lelo, se eu pudia, eu quiria sê teu namorado. Mar... onte eu tive cum meu primo na casa da minha vó e...&lt;br /&gt;LELO: E rolô entre cês dois?&lt;br /&gt;ROBINHO (de cabeça baixa): É... E foi muito bom! Ele me cumeu, dipois eu cumi ele.&lt;br /&gt;Lelo sentiu um alívio inexplicável a princípio; aparentemente, não teria de terminar nada com Robinho, pois ele mesmo o faria.&lt;br /&gt;ROBINHO: Mas eu tô cunfuso.&lt;br /&gt;LELO: Cunfuso pu quê?&lt;br /&gt;ROBINHO: Eu sinto mar prazê cum tu. Parece que rola algo muito ispecial entre nós, sabe? Mas o que cunteceu onte dexô eu em dúvida.&lt;br /&gt;Lelo o abraçou.&lt;br /&gt;LELO: Robinho, tu sempre vai tê eu cumo amigo. Aproveita que seu primo tá quereno algo mais e... quem sabe... tu nun se dá milhó cum ele do que cum eu?&lt;br /&gt;ROBINHO: Mar tu num se impota? Num fica cum ciúme?&lt;br /&gt;LELO: É cumo falei: eu sô teu amigo; o sexo só ajudava a gente a semo mais amigo. Mas, se tu qué, fica um poco con teu primo; dipois a gente vê no que dá.&lt;br /&gt;Robinho achou a proposta um pouco estranha, mas percebeu que Lelo queria confortá-lo para que não se sentisse culpado.&lt;br /&gt;Mais um abraço. O sinal toca. Começam as aulas. E a noite passa sem maiores novidades.&lt;br /&gt;De volta à Vila, Lelo acabou indo para a própria casa. Lá, separou uma muda de roupa para dormir na casa de Duda. Como Rique estava no trabalho, não haveria que lhe dar qualquer desculpa para dormir fora.&lt;br /&gt;Em poucos minutos, alguém bate na porta. Lelo abre-a, e é recebido com beijos e abraços de Duda. Por pouco, não se amam ali mesmo, pelo chão.&lt;br /&gt;Em seguida, Duda e Lelo vão para a casa daquele, terminar o que haviam começado na casa deste, além de alimentar o desejo de amar que ambos sentiam e experimentavam como se fosse a primeira vez. E foi assim que Duda e Lelo principiaram uma nova rotina de amor, discrição e desejo. Realização e preocupação passaram a animá-los, cada um a seu modo.&lt;br /&gt;E assim adormeceram lado a lado para mais um dia lado a lado acordarem, realizando o sonho impossível de muitos outros pares presos pelas amarras de si mesmos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-5175802225277860214?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/5175802225277860214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=5175802225277860214' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/5175802225277860214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/5175802225277860214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/07/pliuno-elmond.html' title='CAPÍTULO 34: Decisões difíceis'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-3006807523715734983</id><published>2008-07-12T21:11:00.000-03:00</published><updated>2008-07-12T21:12:20.233-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 33: Confissões ao pé do ouvido</title><content type='html'>DUDA: Meu anjo-herói, acorda!&lt;br /&gt;    Lelo se espreguiçou um pouco, recebendo os braços de Duda por trás e a barba por fazer roçando-lhe o rosto.&lt;br /&gt;LELO: Que horas tem?&lt;br /&gt;DUDA: Não importa! Eu só queria ouvi tua voz. Olhá teus olhos. Beijá tua boca. Senti o que sempre quis senti...&lt;br /&gt;LELO: Desde quano tu sente isso po eu.&lt;br /&gt;DUDA: Não sei. Só sei que aconteceu. E desse sentimento não posso fugi mais! Nem quero.&lt;br /&gt;    Abraços e beijos se seguiram essas palavras apaixonadas.&lt;br /&gt;LELO: E quanto a Lili?&lt;br /&gt;DUDA: Lili vai se acertá com os pais dela. Não tenho mais nada com ela.&lt;br /&gt;LELO: E o Ninja?&lt;br /&gt;DUDA: Ninja é só um grande amigo.&lt;br /&gt;LELO: Ele sabe de tu? E o que tu sente po eu?&lt;br /&gt;DUDA: Sim! Ele me deu a mó força. Foi por isso queu trouxe ele aqui naquele dia pra conhecê a Vila.&lt;br /&gt;LELO: Intendi. Mas eu num sei se...&lt;br /&gt;DUDA: Não precisa se preocupá. Eu te amo e sei esperá. Também não quero te forçá nada. Quero que cê seja feliz, seja comigo, seja com qualqué outra pessoa. O importante, pra mim, é sabê que você está bem, feliz, seja com quem fô. Se não fô pra dá certo entre nós, que dê certo com quem você teja mais afinidade.&lt;br /&gt;    Beijos e elogios ao pé do ouvido. O furor sentimental que os encheu não os permitiu observar o passar das horas.&lt;br /&gt;LELO: Anjo, eu priciso í. Tenho que trabalhá amanhã...&lt;br /&gt;DUDA: Ué?! Você esqueceu que sou eu que te leva lá pro seu trabalho? Dorme aqui que é menos arriscado!&lt;br /&gt;    Mais beijos e carícias.&lt;br /&gt;LELO: Mas eu tô cum fome.&lt;br /&gt;    Duda levantou-se e trouxe para seu amado um lanche tão sortido que mal cabia na bandeja.&lt;br /&gt;LELO: Nossa! Quanta modomia! Vô ficá mal custumado!&lt;br /&gt;    Um beijo e um pouco do lanche. Outro beijo e outra parte do lanche. Talvez tenha sido o lanche masi romântico produzido por alguém.&lt;br /&gt;LELO: Eu vô dá um pulo ne casa pa pegá umas ropa. Aí dumo aqui cum tu.&lt;br /&gt;    Mais um momentos de carinho e Lelo saiu para cumprir o combinado.&lt;br /&gt;FATINHA: Cum é que tu tá namorano, hein? Mintiroso!&lt;br /&gt;    Lelo levou um susto que quase foi ao chão.&lt;br /&gt;LELO: Qué que tu tá falanaí, mulhé?&lt;br /&gt;FATINHA: Eu sei que tu num tá namorano ninguém do teu trabalho. Num tem mulhé lá!&lt;br /&gt;LELO: Peraí! Tu andô bisbilhotano a minha vida?&lt;br /&gt;FATINHA: Andei sim! Quiria sabê quem era a mocréia que tava namorano cum tu! Agora discubri qué tudo mintira!&lt;br /&gt;LELO: Eu num credito nisso! Que direto tu tem pa vigiá eu? Minha vida só interessa eu, num tu!&lt;br /&gt;FATINHA: Se tu num tá cum mulhé ninhuma, tu tem é que ficá cum eu.&lt;br /&gt;TILINHA: Ô cum eu!&lt;br /&gt;    Tilinha surgiu de outro lado.&lt;br /&gt;LELO: Peraí! Isso aqui é uma armadilha, um complô ô um seqüesto?&lt;br /&gt;TILINHA: Intende como tu qué! Tu vai tê que dicidi se fica cum ela!&lt;br /&gt;FATINHA: Ô cum ela!&lt;br /&gt;LELO: Mas isso é abisudo! Eu num quero ninhuma de cês duas!&lt;br /&gt;FATINHA: Pu quê? Intõ é vedade ca Preá falô, né mermo?&lt;br /&gt;TILINHA: Eu bejei um viado?! Que vegonha!&lt;br /&gt;LELO: Cês tõ ficano loca! Võ pucurá otro home pa cês duas e dexa eu ne paz!&lt;br /&gt;    Lelo se movimentou como se dirigisse à própria casa, mas foi impedido pelas duas primas.&lt;br /&gt;FATINHA: Tu num vai saí daqui sem tu dizê cum quem que tu tá namorano!&lt;br /&gt;LELO: Cês tõ loca! Eu num tenho que dá sastifaçõ pa cês duas!&lt;br /&gt;TILINHA: Ah, tem sim! Cumé que tu namora eu dispois bandona?&lt;br /&gt;LELO: Foi tu que cumeçô e teminô puque quis.&lt;br /&gt;FATINHA: E eu? Deu um bejinho e, dispois, nada!&lt;br /&gt;LELO: Tu é que robô o bejo, ora! Cês tõ pensano quê?&lt;br /&gt;TILINHA: Tu busô da gente! Tu é um canalha!&lt;br /&gt;FATINHA: Safado! Galantiadô! Beja as mulhé e num far mar nada, é?&lt;br /&gt;LELO: Cês quiria queu cumia cês duas, é?&lt;br /&gt;TILINHA: Deus do céu!&lt;br /&gt;FATINHA: Olha o respeito, leque! Tu tá pensano qué o único no mundo, é?&lt;br /&gt;LELO: Mas... Mas é ixatamente isso queu tô querenno falá pocês faz tempo! Pucura otro que vai sê muito milhó!&lt;br /&gt;CLOTILDE: Que que tá cunteceno aqui?&lt;br /&gt;    Clotilde chegou no meio da confusão.&lt;br /&gt;TILINHA: É esse garoto que num dexa a gente im paz!&lt;br /&gt;LELO: Eu?!&lt;br /&gt;FATINHA: É, tu sim! A gente tava cunvesano aquii quietinha e tu mexeu cum a gente!&lt;br /&gt;LELO: Tilinha, minti é pecado motal, hein?&lt;br /&gt;TILINHA: Mar tu num sai do pensamento da gente!&lt;br /&gt;CLOTILDE: Vamo cês duas lá pa casa queu tenho que falá cum vocês! Dexa esse prujeto de patife pa lá!&lt;br /&gt;LELO: D. Clotilde, tu num ofende eu, hein?&lt;br /&gt;CLOTILDE: E tu vai fazê o quê? Tu lagô meu milhó tisoro... Inda qué queu tenho cunsideraçõ?&lt;br /&gt;    Depois de um pouco mais de convencimento, Clotilde conseguiu levar as duas primas para a própria casa. E Lelo, enfim, conseguiu seguir seu caminho.&lt;br /&gt;    A essa hora, Rique já deveria estar no serviço. Assim, Lelo abriu a porta e foi direto ao quarto. Lá, pegou uma muda de roupas e se movimentou para sair, quando deu de cara com seu companheiro de casa.&lt;br /&gt;RIQUE: Isperei tu a noite toda! O dia todo! Undé que tu tava?&lt;br /&gt;    Lelo sentiu um tremendo frio na barriga. As palavras faltaram a princípio.&lt;br /&gt;LELO: Eu tava no hospital. Eu cunsigui salvá a Liliane!&lt;br /&gt;RIQUE: Cumé que é?&lt;br /&gt;    Lelo contou toda a história até a chegada ao hospital.&lt;br /&gt;LELO: Agora eu priciso votá pa lá!&lt;br /&gt;RIQUE: Pu quê?&lt;br /&gt;LELO: Pu... que... eu inde sô o namorado dela na ficha, intende?&lt;br /&gt;RIQUE: Humpf!&lt;br /&gt;LELO: Tu tá brabo cum eu?&lt;br /&gt;RIQUE: Não! Agora não! Mas eu tava. Pô, tu num lembra ca gente cumbinô queu ia levá tu po motel?&lt;br /&gt;LELO: Nossa! Eu isquici!&lt;br /&gt;RIQUE: Agora num sei cumo vai sê, cumo vô pudê tirá foga de novo!&lt;br /&gt;LELO: Discupa, Rique! Foi tudo muito rápido!&lt;br /&gt;    Rique beijou Lelo procurando seduzi-lo. Este, porém, pediu para parar.&lt;br /&gt;LELO: Otra hora! Hoje não!&lt;br /&gt;    Rique ainda insistiu, mas não conseguiu. Lelo bateu pé firme e conseguiu deixar o amigo em casa, prometendo retornar depois para realizar o prometido.&lt;br /&gt;    Enfim, depois dessas confusões, Lelo conseguiu retornar à casa de Duda.&lt;br /&gt;DUDA: Cê demorô!&lt;br /&gt;    Lelo contou o incidente com Tilinha e Fatinha, e apenas comentou o encontro com Rique, sem entrar em detalhes.&lt;br /&gt;DUDA: Tu tem alguma coisa com o Rique?&lt;br /&gt;    Lelo parou por um tempo. Abraçou Duda e olhou bem no fundo de seus olhos.&lt;br /&gt;LELO: E se tivé! Isso altera alguma coisa?&lt;br /&gt;DUDA: Claro! Eu num quero que tu termine nada cum ninguém! Se tu tivé que sê feliz com outra pessoa, tu tem mais que sê feliz com ela!&lt;br /&gt;LELO: Duda, o queu tenho cum o Rique é uma mizade muito fote.&lt;br /&gt;DUDA: E essa amizade muito forte envolve alguma coisa mais íntima. Como dormir junto...&lt;br /&gt;LELO (rindo): Tu já tá cum ciúme, é?&lt;br /&gt;DUDA: Não é isso! Eu só não quero que tu termine nada com ele por minha causa.&lt;br /&gt;LELO: Mô anjo, eu num tenho nada que teminá cum ninguém! Eu só tô mermo quereno intendê o queu quero...&lt;br /&gt;DUDA: E o que é que você quer? Rique?&lt;br /&gt;LELO: Pu que tu cismô cum o Rique, hein?&lt;br /&gt;DUDA: Porque cê mentiu pra ele, o seu grande amigo. A gente não mente para os outros, a não ser em caso de extrema necessidade. Se a gente fô começá alguma coisa, quero que seja na base da verdade. Não quero que você me esconda nada, mesmo que essa verdade me doa no coração.&lt;br /&gt;LELO: Mas eu num tô mintino pa tu!&lt;br /&gt;DUDA: Nem omitindo?&lt;br /&gt;    Lelo parou e olhou bem fundo nos olhos de Duda.&lt;br /&gt;LELO: A única coisa que tô omitino é cuma coisa muito fote tá cresceno dentro deu, e é po tua causa! Só queu num tinha corage pa dizê!&lt;br /&gt;DUDA: E o que é?&lt;br /&gt;LELO: Inda num sei dizê. Só sei que cresce e toma conta deu que num faz eu ficá quieto, e que dá vontade de gritá e ficá junto de tu!&lt;br /&gt;DUDA: Tu num me falô isso antes!&lt;br /&gt;LELO: É puqueu nunca tinha ficado tanto tempo cum tu, nem tinha bejado tu, nem tinha sintido o teu calô.&lt;br /&gt;    Então, Lelo beijou Duda. E os beijos tornaram-se mais intensos e calorosos, despertando em ambos uma força que lhe vinha de baixo.&lt;br /&gt;DUDA: Eu nunca fiz nada disso.&lt;br /&gt;LELO: Não? Dexa queu insino tu!&lt;br /&gt;    E Lelo procurou realizar todos os desejos de seu amado por meio de seus próprios desejos. A versatilidade de ambos permitiu que casa um atuasse por um momento comandando cada momento, cada carícia, cada gesto. O tempero maior desses momentos, além do desejo mútuo, foi o amor que principiava em ambos os corações, clareando-lhes as idéias e as emoções. Nenhum dos dois tinha sentido tanto prazer e tanta vontade de ficar com o parceiro.&lt;br /&gt;    Por fim, adormeceram lado a lado, com a certeza de terem encontrado um no outro um par muito especial. E uma previsão de que a vida ainda iria lhes sorrir muito e muitas vezes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-3006807523715734983?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/3006807523715734983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=3006807523715734983' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/3006807523715734983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/3006807523715734983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/07/captulo-33-confisses-ao-p-do-ouvido.html' title='CAPÍTULO 33: Confissões ao pé do ouvido'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-5944795840544657181</id><published>2008-06-29T18:33:00.000-03:00</published><updated>2008-06-29T18:37:07.649-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 32: Heroísmo por acaso</title><content type='html'>Alguns metros depois de deixar a casa de sua mãe, Lelo foi parado por um homem com uma metralhadora. Atrás, outro.&lt;br /&gt;LELO: Que qué isso? Cês vai matá eu?&lt;br /&gt;RAPAZ 1: Sim se tu num vié cum a gente agora!&lt;br /&gt;RAPAZ 2: O rei do Morro qué vê tu!&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é? O Wayne qué me vê a essa hora? Fala sério, tenho que é imbora, se nõ num vô tê mais busão.&lt;br /&gt;    Lelo tentou passar, mas os rapazes empunharam as metralhadoras ameaçando a atirar realmente.&lt;br /&gt;LELO: Cês num tõ falando sério, tõ? O Wayne num dexav eu morrê!&lt;br /&gt;RAPAZ 2: É milhó tu cumpanhá a gente!&lt;br /&gt;RAPAZ 1: O rei deu ordi pa atirá caso tu num vai.&lt;br /&gt;    Diante de tal pressão, Lelo resolveu seguir até a casa de Wayne.&lt;br /&gt;    Ao chegar lá, tudo estava escuro.&lt;br /&gt;RAPAZ 1: Chefe, o rapá tá qui!&lt;br /&gt;WAYNE: Sai e fecha porta!&lt;br /&gt;    Os dois rapazes saíram, deixando Wayne e Lelo aparentemente a sós.&lt;br /&gt;LELO: Que que tu qué cum eu agora, Wayne? Eu priciso í imbora! Ca poco num vai tê mais busão pa eu!&lt;br /&gt;WAYNE (sério): Eu priciso dum favô teu.&lt;br /&gt;LELO: Favô? Quem sô eu pa pretá favô? E logo pa quem!&lt;br /&gt;WAYNE: Só tu pode fazê o que vô pidi com mó discriçõ possíve.&lt;br /&gt;    De repente, as luzes são acendidas. No chão do recinto, Liliane desmaiada e cheia de sangue entre perto das pernas.&lt;br /&gt;LELO: Meu Deus! Que qué isso?! Que que tu fez cum ela?&lt;br /&gt;WAYNE: Eu? Nada! Ela é que resoveu infiá uma agulha no meio da vagina pa tentá bortá o póprio filho. Tá sagrano muito. Tenho ceteza quela pode tê afetado otras coisa dentro do corpo dela...&lt;br /&gt;LELO (abraçando-a): Mô Deus, ela tem que í po hospital rápido!&lt;br /&gt;WAYNE: É aí que tu entra. Nem eu nem meus home pode saí daqui pa levá ela po hospital. Só tu.&lt;br /&gt;LELO: Eu? Cumo? Nas costas?&lt;br /&gt;    Wayne tirou do bolso um maço de dinheiro.&lt;br /&gt;WAYNE: Táxi. Tu vai chegá chique no hospital cumo essa patricinha. Eu vô ficá deveno esse favô pa tu po resto da vida. Eu num quero quela morre. Ela é muito ispecial.&lt;br /&gt;    Lelo pegou Liliane nos braços e a colocou sobre os ombros. A menina estava adormecida.&lt;br /&gt;    Antes de sair, Lelo notou que uma outra figura feminina estava escondida numa penumbra; aquela figura parecia-lhe familiar; no entanto, não conseguiu reconhecê-la.&lt;br /&gt;    E Lelo desceu o morro com Liliane desacorda sobre os ombros. Andou com dificuldade, porém o mais rápido que podia.&lt;br /&gt;    Ao chegar ao pé do morro, fez sinal para todos os carros que passavam. Nenhum parava. Vários táxis também passavam, mas nenhum deles parou.&lt;br /&gt;    Depois de muitos sinais, xingamentos e orações, um taxista resolveu parar. Lelo pediu para levar Liliane para o hospital urgentemente.&lt;br /&gt;LELO: Ela é minha namorada. A gente brigamo, e ela cabô pedeno o bebê! Depressa!&lt;br /&gt;    O táxi praticamente voou até o Hospital do Centro, o mesmo em que Lelo ficara internado após o atropelamento. Lelo acompanhou todo o procedimento de internação e repetiu a mesma história para todos.&lt;br /&gt;    Em pouco tempo, diante da gravidade do estado de saúde, Liliane foi levada à sala de cirurgia, onde começaram uma operação de remoção do feto morto, além de outros procedimentos necessários para evitar uma conseqüente morte da mãe.&lt;br /&gt;    Lelo ficou na recepção à espera de notícias, procurando fazer todos os esclarecimentos que podia, sem ao menos saber de todos os detalhes da vida da menina.&lt;br /&gt;    Após tantas sabatinas, a operação, que durou horas, foi feita. Ao final, Liliane teve o feto, o útero e parte do intestino retirados, pois as agulhadas da menina terminaram por perfurar tais órgãos.&lt;br /&gt;    Lelo sentiu-se penalizado por Liliane. Ela fora encaminhada para a unidade de tratamento intensivo, aonde ninguém poderia ir tão cedo. Além disso, como estava sob o efeito da anestesia, ninguém poderia imaginar como ela poderia estar se sentindo. Ao menos, ela estava viva.&lt;br /&gt;    Do lado de fora, Lelo decidiu então ligar para Duda.&lt;br /&gt;    Depois de várias tentativas, Duda atendeu o telefone com voz de sono.&lt;br /&gt;DUDA: Alô, Lelo! Que houve a essa hora da noite?&lt;br /&gt;LELO: Tenho uma novidade pa tu! É urgente! Vem rápido po Hospital do Centro!&lt;br /&gt;DUDA: Pô, Lelo, que que cunteceu cum tu?&lt;br /&gt;LELO: Graças a Deus, cum eu nada! Mar tu pricisa vê isso aqui! É urgente mermo! Vem rápido queu conto pa tu toda história aqui!&lt;br /&gt;    A contragosto, Duda decidiu se dirigir ao local. Lelo ficou impaciente diante daquela situação; porém, a ansiedade por promover o reencontro entre Duda e Liliane deixava-o satisfeito; afina, a menina seria devolvida à família, e os casal desfeito poderia se entender.&lt;br /&gt;    Uma hora depois, Duda estacionou o carro e encontrou Lelo na porta do Hospital.&lt;br /&gt;LELO: Duda, tu num vai creditá no que cunteceu!&lt;br /&gt;DUDA: Que que foi? Tu tá bem?&lt;br /&gt;LELO: Tô milhó que nunca, migo! Sabe quem tá qui dentro?&lt;br /&gt;DUDA: Não! Quem é? Fala logo!&lt;br /&gt;LELO: A Liliane! O Wayne me dexô trazê ela aqui po Hospital!&lt;br /&gt;DUDA: Meu Deus! Como ela tá? Eu preciso falá com ela! Os pais dela vão ficá muito felizes de revê-la!&lt;br /&gt;LELO: Bom, Duda, essa é que não é a parte boa da história.&lt;br /&gt;DUDA: Por quê? Ela tá mal?&lt;br /&gt;LELO: Sim, mas agora tá salva!&lt;br /&gt;DUDA: Salva de que, meu Deus! Que foi que fizeram com ela?&lt;br /&gt;LELO: Tu tem que sê forte, migo! Respira fundo!&lt;br /&gt;DUDA: Fala logo!&lt;br /&gt;LELO: Duda, ela provocou um aborto. Ela enfiô uma agulha na vagina. Matô o bebê e pefurô a vagina e o intestino. Tivero que fazê uma operaçõ pa retirá tudo pa ela nm morrê.&lt;br /&gt;DUDA: Meu Deus!&lt;br /&gt;LELO: Agora ela tá salva, Lelo! E ela tá viva! Ela vai podê vivê! E cês vão podê cunvesá, se acertá, assim quela voltá da nestesia!&lt;br /&gt;DUDA: Não, Lelo. Com ela não. Com ela não tenho mais o que conversá. Vô ajudá-la, mas eu não posso mais sê o namorado dela.&lt;br /&gt;LELO: Duda, tudo bem quela num pode mar sê mãe, mas cês pode...&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, eu num quero mais sabê da Lili como minha mulhé e cê sabe disso. Quero todo bem do mundo pra ela e pra família dela, mas não como antes. Eu tô feliz por ela tá viva e salva, mas... eu quero mesmo sê feliz com meu herói.&lt;br /&gt;LELO: Seu herói?! Que herói? De quem que tu tá falano? Do Ninja?&lt;br /&gt;DUDA: Não, Lelo! É de você!&lt;br /&gt;    Sem permitir que Lelo pensasse duas vezes, Duda abraçou-o e beijou-o longamente na frente do Hospital vazia. Lelo deixou-se levar pelo beijo e sentiu naquele momento todo um amor e toda uma ternura que por muito tempo ficou guardada até aquele instante mágico. A passagem do tempo parara naquele instante para que ambos sentissem o calor um do outro, a pele um do outro, a boca um do outro.&lt;br /&gt;    Ao final, Duda abraçou Lelo com força.&lt;br /&gt;DUDA: Meu herói! O meu herói!&lt;br /&gt;LELO: Herói pu quê? Eu só truxe a Liliane pa cá puque o Wayne dexô.&lt;br /&gt;DUDA: Mar tu vai fazê que o clima na minha casa volte ao normal. Cê é meu herói porque vão acabar algumas desavenças lá em casa por causa disso! E cê é meu herói porque cê é a pessoa que eu amo há muito tempo, só não coragem de dizê isso pra você.&lt;br /&gt;LELO: E pu quê?&lt;br /&gt;DUDA: Porque eu queria que você me amasse também como eu te amo. Desculpe se eu te constrangi...&lt;br /&gt;LELO: Que isso! Eu também sinto um carinho muito especial po tu.&lt;br /&gt;DUDA: Se sente, então vem comigo.&lt;br /&gt;    Duda levou Lelo até o carro. Como o local estava escuro e vazio, passaram a se beijar longa e carinhosamente.&lt;br /&gt;DUDA: Me deixa te amar, Lelo, Me deixa fazê tudo por você de agora em diante. Seja meu namorado, meu amante, meu tudo, vai? Eu te amo!&lt;br /&gt;    Lelo apenas deixava-se acarinhar e beijar. Sentia nas carícias de Duda algo muito diferente do que percebia e sentia nos outros homens que por ele passaram. O calor, a força, o desejo e o carinho eram bem distintos. A naturalidade com que estavam ali no carro era como se já fossem realmente namorados há muito; parecia um reencontro de amantes de muitos anos, amores que estavam perdidos, espalhados pelo universo, e que, algum dia, teriam de se encontrar.&lt;br /&gt;    Com os beijos, Lelo e Duda esqueceram-se da hora. Já estava quase amanhecendo quando se lembraram de saber sobre o estado de saúde de Lili. Esta permanecia desacordada; provavelmente acordaria à tarde, logo após o almoço.&lt;br /&gt;    Assim que a manhã ficou estável, Duda ligou para seus pais e os de Lili contando-lhes a novidade, ressaltando que Lelo tinha sido o responsável pela salvação da menina. Suspiros, alívios e alegrias do outro lado.&lt;br /&gt;    Assim que os pais de Liliane chegaram, Duda foi ao encontro de Lelo, que estava no carro, esperando por ele. Dali, seguiram para a Vila Potira e trancaram-se na casa de Duda, onde deitaram-se e deixaram-se adormecer juntos e abraçados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-5944795840544657181?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/5944795840544657181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=5944795840544657181' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/5944795840544657181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/5944795840544657181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/06/captulo-32-herosmo-por-acaso.html' title='CAPÍTULO 32: Heroísmo por acaso'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-8439465855456141939</id><published>2008-06-22T21:34:00.000-03:00</published><updated>2008-06-22T21:36:35.060-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 31: Conversa esperada</title><content type='html'>Aproveitando o final-de-semana, Lelo resolveu visitar os amigos no Morro da Ressurreição e tentar reconciliar-se com sua mãe. Não à toa, passou antes na igreja e pediu auxílio a Deus e um conselho fraternal do Pastor Marcos.&lt;br /&gt;MARCOS: Você é um menino de ouro, Marco Aurélio. Tenho certeza que nosso Paizinho vai iluminar tua cabeça e teu coração para encontrar as melhores palavras e a melhor maneira de tocar o coração de sua mãe. Ela é uma pessoa difícil, mas é sua mãe acima de tudo. Tenho certeza de que isso falara mais alto.&lt;br /&gt;    Mais confiante, Lelo seguiu até a casa da mãe. Ainda de longe, escutou um forte rumor de funk.&lt;br /&gt;    Ao adentrar a casa, Sheila Maria abraçou-o fortemente. Estava ensaiando para uma apresentação.&lt;br /&gt;SHEILA: Agora eu sô MC. Vô presentá mô trabalho na quadra da Escola de Samba Ungidos da Ressurreição na próxima semana.&lt;br /&gt;    E Sheila apresentou algumas de suas composições, todas bem dançantes e conscientes, além de um pouco feministas e pornográficas.&lt;br /&gt;LELO: O pessoal tá gortano?&lt;br /&gt;SHEILA: O que, mano? Tu num faz idéia! O pessoal tá dano mó força! Mar tô nevosa!&lt;br /&gt;LELO (abraçando-a): Calma, mana, vai dá tudo ceto!&lt;br /&gt;RUTE: Que coisa triste pa uma mãe cumo eu: um filho viado e vagabundo e uma filha prenha e funkera.&lt;br /&gt;    Rute olhava os dois da porta da cozinha de braços cruzados.&lt;br /&gt;RUTE: Qué que foi, Lelo? Faltô cumida na tua casa e resoveu filá a bóia daqui?&lt;br /&gt;LELO: Não. Eu vim vê cumé ca sinhora e minha irmã tá.&lt;br /&gt;RUTE (gargalhando): Num me faz rir. Tu nunca ligô pa gente! Tu nunca quis sabê da gente! Qué que foi Lelo? Tá aqui mermo pu quê? Teu home largô tu ô tu só veio aqui pa sabê sinda tô chorano a morte da tua vó, hein?&lt;br /&gt;SHEILA: Mãe, pó pará! Tu num vai brigá cum o Lelo hoje, tá?&lt;br /&gt;RUTE: Eu num tô falano nada dimais! Ô tô?&lt;br /&gt;SHEILA: Tá sim! E foi por isso co Lelo saiu daqui, puque a sinhora só sabe falá bobage dele. Tu credita, Lelo, quela tava ispalhano pa todo mundo no Morro que tu deu po Wayne quano tu era mar novo, e que tu tá dano po Rique só pa ficá longe da gente? Ela diz co Rique é teu home e que sustenta tu, pode? Essa fofoquera nem sabe que tu tava bem namorano uma minina lá da iscola.&lt;br /&gt;RUTE: Eu tô mintino, Lelo?&lt;br /&gt;    Lelo ficou quieto por instantes. O silêncio começou a ficar pesado naquela sala.&lt;br /&gt;SHEILA: Lelo, num ficassim não, mano. Tu sabe quela só faz bebê na vida, né?&lt;br /&gt;    Lelo levantou-se.&lt;br /&gt;LELO: Pu que que a sinhora faz de tudo pa cabá cum eu, hein? Vem cá, que queu fiz pa tu não gostá deu?&lt;br /&gt;RUTE: E quem disse queu num gorto de tu, hein? Tu é que tá inventano, inxegano o que num ixiste.&lt;br /&gt;LELO: Entõ pu que ficá ispalhano pa todo mundo o que num te interessa, velha bêbada! Deu mó vexame aqui no interro da tua mãe, inda vem cantá de galo pa cima deu? Tu num tem moral pa falá de ninguém! Tu diz co papai morreu, mas acho que tu num sabe nem quem é mô pai nem o da Sheila! Já pensô se eu cumeço a ispalhá isso pelo Morro? Ô isso num é vedade, Dona Rute?&lt;br /&gt;    Rute partiu para dar um tapa bem forte no rosto de Lelo; este, por sua vez, segurou bem forte o braço da mãe e pressionou-a contra a parede.&lt;br /&gt;SHEILA: Lelo, o que é isso?&lt;br /&gt;LELO: Eu num tenho mar medo de tu, D. Rute. Eu tive medo po muito tempo de tu, dos teus grito, de tuas bebedera, mas agora já era!&lt;br /&gt;RUTE: Eu bebo po tua causa, filho ingrato!&lt;br /&gt;LELO: Tu bebe puque tu qué! Tu bebe puque é fraca! Eu num tenho nada a vê cum isso!&lt;br /&gt;RUTE: Ah, se tem! Ah, se tem! Tu transa cum otro home na minha cama e dipois num qué queu faz nada é?&lt;br /&gt;LELO: Eu passei anos da minha vida tentano isquecê o que tu fez e me cupano puque tu bibia, chegava fidida a cachaça e batia neu. Pensei que saino de casa tu ficaria boa, mas agora eu vejo co pobrema é teu. Tu num vai me batê mais! E tu num vai mar bebê!&lt;br /&gt;    Lelo jogou-a contra a parede e correu até a cozinha, onde começou a pegar as garrafas de bebida e lançá-las ao quintal, quebrando-as. Rute batia nele, tentando evitar tal destruição; Sheila, por sua vez, tentava apartá-los, sem sucesso.&lt;br /&gt;    Ao final, tanto Rute quanto Sheila choravam desesperadas.&lt;br /&gt;RUTE: Eu te odeio, Marco Aurélio. Tu é a desgraça da minha vida!&lt;br /&gt;SHEILA: Vai imbora, Lelo. Dexa queu cuido dela!&lt;br /&gt;LELO: Tu pode odiá eu, mãe. Mas eu te amo. E é por isso queu tô fazeno isso. É meu devê tirá a bibida da tua vida e mostrá queu num sô cupado disso.&lt;br /&gt;RUTE (gritando): Eu te odeio!&lt;br /&gt;    Rute partiu novamente para cima de Lelo, tentando enforcá-lo. Lelo segurou fortemente ambos os braços dela. Rute gritava e esperneava, até que o choro e a emoção foram tomando conta de ambos. Aos poucos, Rute, perdendo as forças, deixou-se cair nos braços do filho, levando-o também às lágrimas.&lt;br /&gt;    Sheila assistiu a tudo também chorando encostada na parede. Em seguida, abraçou a mãe por trás.&lt;br /&gt;LELO: Mãe, eu te pedôo po tudo que tu me fez. Num quero ca sinhora se machuque! Eu só quero o bem da sinhora.&lt;br /&gt;    Rute apenas continuou chorando, assim como Sheila.&lt;br /&gt;    Depois de alguns minutos, os três estavam mais calmos, sentados no sofá e ainda abraçados. Lelo foi para a cozinha e resolveu fazer um chá. Sheila continuou abraçada à mãe, que permanecia estática e calada.&lt;br /&gt;    Após mais alguns minutos, batidas na porta. Sheila foi atender. Era o pastor Marcos.&lt;br /&gt;MARCOS: Vim ver o que estava acontecendo. Alguns vizinhos correram até a igreja dizendo que estavam gritando e quebrando vidros aqui.&lt;br /&gt;    Lelo apareceu e deu o chá para todos, inclusive para o pastor. Lelo procurou esclarecê-lo sobre o que houve, sem entrar em detalhes sobre as palavras pronunciadas, tendo tudo confirmado por Sheila. Rute permanecia cabisbaixa e calada.&lt;br /&gt;MARCOS: Rute, eu gostaria de ouvir a tua palavra.&lt;br /&gt;    Rute continuou sem reação.     Marcos então se aproximou dela.&lt;br /&gt;MARCOS: Minha irmã, como se sente? Tenho certeza de que está abalada, mas Deus consola todos os aflitos.&lt;br /&gt;    Rute começou a chorar e gemer como uma criança. Marcos, então, pediu para deixá-los a sós, enquanto Sheila e Lelo dirigiram-se à cozinha.&lt;br /&gt;SHEILA: Vem cá, mamãe falô alguma vedade?&lt;br /&gt;LELO: Tem muita coisa que tu num sabe, mana. Tu era muito pequena quano tudo cunteceu.&lt;br /&gt;SHEILA: Intõ, é vedade co Wayne te...&lt;br /&gt;LELO: Sim. E é vedade queu sinto atraçõ po home.&lt;br /&gt;SHEILA: Intõ, a Tilinha... Tu inganô a Tilinha?&lt;br /&gt;LELO: Não! Eu tentei virá hétero, eu tava tentano gortá dela; mar num cunsigui! Eu num cunsigo gortá de mulhé pa casá, intende?&lt;br /&gt;SHEILA: E o Rique? Tu tá mermo cum o Rique?&lt;br /&gt;LELO: Não! Num tô cum ninguém no momento. Inda tô pensano o que vô fazê da vida puque num tá seno fácil pa eu, mana! Eu sô tudo queu num quiria sê.&lt;br /&gt;SHEILA (abraçando-o): Pode cuntá cum eu po que dé e vié, maninho! Tu merece todo meu apoio.&lt;br /&gt;LELO: Só peço pa tu num cuntá nada pa Tilinha e pa Fatinha, nem pa ninguém da iscola. Antes eu priciso resovê dentro deu o queu realmente quero.&lt;br /&gt;    Minutos depois, Marcos apareceu na cozinha. Rute havia ido se deitar e prometera procurá-lo amanhã para conversarem melhor. Marcos demonstrou ter esperança de uma convivência mais harmoniosa entre os membros daquela família dali em diante.&lt;br /&gt;SHEILA: Deus te oça, pastô!&lt;br /&gt;LELO: Aleluia!&lt;br /&gt;    Assim, Marcos despediu-se, deixando os irmãos a sós. Estes, por sua vez, ficaram conversando ainda por um tempo até que o horário de Lelo exigiu que deixasse a casa e, conseqüentemente, o Morro. E assim foi-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-8439465855456141939?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/8439465855456141939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=8439465855456141939' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/8439465855456141939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/8439465855456141939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/06/captulo-31-conversa-esperada.html' title='CAPÍTULO 31: Conversa esperada'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-8115060830517076981</id><published>2008-05-02T23:49:00.000-03:00</published><updated>2008-05-02T23:50:28.945-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 30: O inesperado chega</title><content type='html'>Lelo trabalhava normalmente arrumando as pastas enquanto seus colegas exerciam seu trabalho de reprografia.&lt;br /&gt;RAPAZ: Por gentileza, pasta 31.&lt;br /&gt;LELO: É pra já!&lt;br /&gt;    Lelo não se virou; apenas pegou a pasta e a colocou sobre o balcão.&lt;br /&gt;    Ao levantar-se, deparou-se com a última criatura que esperava encontrar naquele local: o motorista da Gangue do Adeus.&lt;br /&gt;    Após o mútuo choque no primeiro instante, o sangue de Lelo subiu. A reação do rapaz, ao contrário, foi fugir dali.&lt;br /&gt;MAYCON: Que cove, Lelo? Que que deu nesse cara pa saí daqui assim?&lt;br /&gt;    Lelo nada respondeu; apenas pediu a Marinho para dar uma pequena saída, no que foi prontamente atendido. Correu ao orelhão para telefonar para Xaquira, a única opção que lhe restara, pois Terezão ainda encontrava-se de repouso em casa.&lt;br /&gt;    Enquanto discava, uma mão desligou o telefone.&lt;br /&gt;RAPAZ: Cê pensa que vai ligá pra quem, viadinho?&lt;br /&gt;LELO: Num interessa! Tu é que num vai fazê nada, num aqui, né? Ô tu qué queu conte pa todo mundo que que tu é, que que tu faz, que que tu fez cum eu?&lt;br /&gt;RAPAZ: Pode contá que ninguém vai acreditá em você, um qualqué.&lt;br /&gt;LELO: Interessante: eu sô um qualqué, mar quem num ficô lá na xerox foi tu, né? Se tu num tem medo, pu que fugiu, hein?&lt;br /&gt;RAPAZ: Eu não fugi. Apenas decidi fazê outra coisa.&lt;br /&gt;LELO: Claro: veio aqui trás deu pa queu num ligava pa puliça!&lt;br /&gt;RAPAZ (gargalhando): Polícia?! Cê acha que eu vô ficá preso? É mais fácil você ir pra cadeia por tráfico de drogas.&lt;br /&gt;LELO: Tu é que pensa. Cês tão vivo é por bondade do Wayne. Por ele cês tudo já tariam debaxo da terra.&lt;br /&gt;RAPAZ: Cês doi vão pra debaixo da terra enquanto nós vamos governar esse país e manter vocês que são pobres cada vez mais na miséria. Cê foi feito pra lavá chão, rapá! Sai daqui agora que aqui não é teu lugar!&lt;br /&gt;LELO: Cê tá meaçano eu, é? Olha que tu pode se ferrá qui dentro, tá?&lt;br /&gt;RAPAZ: Cê é que vai se ferrá se não der o fora dessa faculdade agora! Naquele lugá cê não trabalha mais!&lt;br /&gt;LELO: Tu é o dono da xerox, por acaso?&lt;br /&gt;RAPAZ: Não, mas eu conheço o dono! Posso muito bem te ferrá de forma a nunca mais sê contratado em lugá nenhum!&lt;br /&gt;LELO: Como? Vai me batê de novo?&lt;br /&gt;RAPAZ: Não, vô te comê de novo! E com muito mais violência, porque cê teve a ousadia de vir pará aqui no meu lugá!&lt;br /&gt;    O tal rapaz agarrou Lelo pelo pescoço, tentando enforcá-lo. Lelo, por sua vez, deu-lhe um chute no meio das pernas, deixando-o sem ação. Nessa hora, Lelo voltou correndo para a xerox, deixando o povo assustado.&lt;br /&gt;MARINHO: Que que houve, Lelo.&lt;br /&gt;    Lelo explicou-lhe toda a situação: estava sendo perseguido por um dos membros da Gangue do Adeus, que era estudante da faculdade. Maycon ajudou Lelo a confirmar a descrição do tal rapaz.&lt;br /&gt;    Na mesma hora, Marinho alertou os outros funcionários para o fato e para tomar cuidado com o tal rapaz, que poderia aparecer a qualquer momento.&lt;br /&gt;    Minutos depois, Gilmar apareceu com o tal rapaz, que exigia a demissão de Lelo por causa de uma agressão física. Naquele instante, todos os trabalhos na xerox cessaram, pois não havia clima de trabalho mais.&lt;br /&gt;GILMAR: Marco Aurélio, o senhor agrediu este rapaz, estudante da faculdade? Ele é um menino de boa família e um de nossos clientes de longa data.&lt;br /&gt;LELO: Eu estava me defendeno, seu Gilmar, puque ele tava inforcano eu.&lt;br /&gt;RAPAZ: Mentira! Tu é que é um favelado, traficante, sem modos e tem inveja dos que tem dinheiro.&lt;br /&gt;LELO: Desdo dia que cês baterõ neu que tô falano queu num sô traficante. Num moro mar no Morro tem muito tempo. Se eu morava no Morro, tu num tava vivo pa contá história, nem eu. Eu sô trabalhadô, honesto e num tenho inveja de ninguém. Eu num priciso do teu dinhero pa nada.&lt;br /&gt;GILMAR: Marco Aurélio, do que você está falando?&lt;br /&gt;LELO: Esse rapaz de boa família, seu Gilmar, é da tal gangue que tá botano terrô na Barra do Adeus.&lt;br /&gt;RAPAZ: Mentiroso! Vô te pegá!&lt;br /&gt;    O rapaz partiu para cima de Lelo, sendo contido por Maycon George e Uóston.&lt;br /&gt;LELO: Seu Gilmar, esse rapaz de boa família me bateu com ajuda de três amigos, istrupô eu e inda largô eu na praia da Barra com as ropa rasgada, sem tê nem pa onde í!&lt;br /&gt;RAPAZ: Seu desgraçado!&lt;br /&gt;GILMAR: Humberto, é verdade o que o Marco Aurélio?&lt;br /&gt;HUMBERTO: Verdade o que? Esse desgraçado tá inventando tudo!&lt;br /&gt;LELO: Seu Gilmar, tem uma quexa contra ele na delegacia do Centro. E o pessoal da delegacia da Barra num quis registrá quexa puque falei que era a Gangue do Adeus. Graças a Deus, meus machucado passô. Mas inda dói olhá cumo um cara que tem tudo na vida quereno cabá cum eu só puque eu sei que ele é da Gangue. Eles cabô cum minha vida e qué cabá cum eu de novo.&lt;br /&gt;GILMAR: Humberto, eu não consigo acreditar no que estou ouvindo. O Marco Aurélio é um dos melhores funcionários que eu já tive. Não é possível que ele esteja mentindo.&lt;br /&gt;MARINHO: E ele não está. Outros estudantes já tinham me falado e eu mesmo já tava desconfiado que esse mauricinho era dessa gangue maldita.&lt;br /&gt;HUMBERTO: Tá todo mundo contra mim?! Eu vô acabá com essa xerox! Vai todo mundo se ferrá!&lt;br /&gt;GILMAR: Se você se meter a besta, Humberto, eu mesmo é que vou acabar com tua raça. Eu sei de todos os podres dos seus pais, alguns que podem acabar com essa tua boa vida de estudante vagabundo e marginal. Não se atreva a pôr mais os pés aqui neste recinto!&lt;br /&gt;HUMBERTO: Ninguém pode me tirá daqui! Falta homem pra isso!&lt;br /&gt;    Depois de mais alguns imprompérios, Marinho chamou os seguranças da faculdade, que retiraram Humberto do local. Lelo, estava muito abalado; logo, foii liberado por Gilmar e Marinho. Aos poucos, o movimento na xerox foi melhorando.&lt;br /&gt;    Ao sair, Lelo deparou-se com Duda, que discutia com um amigo de origem oriental o que parecia ser um grande projeto.&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, que que houve com você?&lt;br /&gt;    Lelo explicou o que aconteceu. Diante de tal fato, Duda abraçou-o tão forte e ternamente que, por pouco, Lelo não deixou escorrer algumas lágrimas. Depois, Duda resolveu levá-lo à casa. Antes, contudo, apresentou o tal amigo de origem oriental.&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, este é um grande amigo meu, Cássio, também conhecido como Ninja.&lt;br /&gt;LELO: Prazê!&lt;br /&gt;NINJA: O prazê é todo meu. Finalmente eu conheci o famoso Lelo. O Duda não pára de falá em você.&lt;br /&gt;LELO: Nossa! Pu que tu num pára de falá ne mim, Duda?&lt;br /&gt;DUDA: Cê sabe por que. Agora, vamos lá, Ninja, porque assim a gente aproveita e você conhece o local!&lt;br /&gt;    Os três foram para o carro. Lelo ficou no banco de trás, enquanto Ninja posicionou-se ao lado de Duda. Vez por outra, ambos falavam tão baixo que Lelo não conseguia escutar; o assunto girava em torno das matérias e professores da faculdade. Vez por outra, Lelo perguntava algo para Lelo, apenas para mantê-lo atento e demonstrar naturalidade.&lt;br /&gt;    Chegando à porta da Vila, os três desceram e entraram no pátio. Ninja observava todos os detalhes do local, enquanto Duda conversava banalidades com Lelo.&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, isso não pode ficá barato! Eles podem sê meus amigos, mas não vou protegê ninguém.&lt;br /&gt;    Dessa forma, Lelo foi à casa de Terezão, pedir orientações. Esta recomendou que Lelo fosse à delegacia para complementar o fato. Bastaria falar com Xaquira que tudo seria encaminhado da melhor maneira possível. E assim foi feito.&lt;br /&gt;    Na delegacia, Xaquira e o delegado Manoel foram extremamente atenciosos e solícitos. Duda e Ninja ajudaram a traçar o perfil da Gangue do Adeus, principalmente por conhecerem as famílias e as vidas de cada um de seus membros. Lelo sentiu-se aliviado com essa atitude e, assim, sentia-se menos desconfiado e mais confiante tanto em Xaquira quanto na possibilidade de punição para os membros da Gangue.&lt;br /&gt;    Em seguida, os três voltaram para Vila e ficaram na casa de Duda, conversano amigavelmente. Algumas vezes, Ninja ficava silente, notando como Duda e Lelo se tratavam entre si.&lt;br /&gt;NINJA: É impressionante como são as coisas: quem diria que, depois de tudo o que aconteceu, vocês fossem se tornar ótimos amigos.&lt;br /&gt;LELO: Dipois do que?&lt;br /&gt;    Duda e Ninja se entreolharam. O clima de suspense e mistério cresceu diante daquele silêncio, levando Lelo a insistir.&lt;br /&gt;LELO: Dipois do que? Tem alguma coisa queu num sei?&lt;br /&gt;DUDA: Não. É... que... cê sabe, né, Lelo. Eu já fui da Gangue e me afastei quando eles começaram a atacá as pessoas, né? E hoje eu tô do teu lado, e não dos meus antigos amigos.&lt;br /&gt;LELO: É... E eu fico sem jeito cum tudo isso...&lt;br /&gt;NINJA: Ah, pára com isso, Lelo. Cê já sabe co Duda é um cara sensacional, e que vai fazê tudo por você. Pode crê que ele vai tá do teu lado o tempo todo.&lt;br /&gt;    As conversas e o próprio dia seguiram normalmente depois disso, sem atropelos, sem surpresas, sem diferenças marcantes. Apenas a rotina diária cumprindo seus dever diário de contabilizar as horas, os hábitos e as vidas de cada um.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-8115060830517076981?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/8115060830517076981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=8115060830517076981' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/8115060830517076981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/8115060830517076981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/05/captulo-30-o-inesperado-chega.html' title='CAPÍTULO 30: O inesperado chega'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-1499696193907802486</id><published>2008-04-13T19:14:00.000-03:00</published><updated>2008-04-13T19:15:59.254-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 29: Moral X Realidade</title><content type='html'>GUILHA: O que?!&lt;br /&gt;    Lelo acabara de contar a ela que, após três semanas, estava tendo caso com Lino, Robinho e Rique ao mesmo tempo, cada um no seu horário e no seu ambiente específico.&lt;br /&gt;GUILHA: Tu tem idéia do qué que tu tá fazeno?&lt;br /&gt;LELO: Claro! Dexei a igreja e agora sô do mundo. Guilha, se eu sabia que sexo era tõ bõ eu tava fazeno há muito tempo.&lt;br /&gt;GUILHA: Quem sô eu pa condená tu, mar tu tem ceteza que tá fazeno a coisa certa?&lt;br /&gt;LELO: Eu inda num sei. Só sei que tá seno muito bom.&lt;br /&gt;GUILHA: Tu tá usano camisinha?&lt;br /&gt;LELO: Claro! Eu num sô maluco de ixpô mô corpo assim.&lt;br /&gt;GUILHA: Menos mal, menos mal. Mar quem diria co vige que chegô aqui botano moral, dizeno quia casá vige, cabô fazeno sexo três vez ao dia cum três cara diferente.&lt;br /&gt;LELO: É... mudança bem radical.&lt;br /&gt;GUILHA: E é ixatamente isso que procupa eu. Tu tem ceteza que é isso que tu qué da vida? Puque num é fácil tê caso cum três home diferente. Eu mesma nunca vivi nada disso. Um home só já dá trabalho demais!&lt;br /&gt;LELO: Sabe, Guilha, pa eu tá seno uma ixperiência diferente. Eu tô predeno a sinti prazê. Cum o Lino eu tô seno ativo; cum o Robinho, tô discubrino tudo o que dá prazê no corpo; e cum o Rique tô seno cumo mulhé dele.&lt;br /&gt;GUILHA: Alto lá: mulhé jamais. Mulhé num dá o rabo de jeito nenhum. Tu tá seno passivo cum o Rique.&lt;br /&gt;LELO: Tudo bem! E, pa eu, siria difícil agora pará cum qualqué um deles, sabe? É cumo se um fazia o co otro num faz ô num pode fazê.&lt;br /&gt;GUILHA: Mermo assim tu deve tomá muito cuidado. Um deles pode se maguá se sobé. E tu pode pedê um amigo assim.&lt;br /&gt;LELO: É... eu já tinha pensado nisso.&lt;br /&gt;    Lelo passô a ficá pensativo por uns instantes. De certa forma, ele tinha se tornado exatamente o oposto de seu ideal de vida: de hétero monogâmico, havia se tornado um homossexual promíscuo; contudo, justificava-se para si mesmo estar descobrindo o sexo e suas possibilidades, especialmente por ter ficado anos preservando-se de qualquer contato íntimo com seus objetos de desejo tentando viver um ideal que seu íntimo e seu corpo dificilmente o permitiriam vivenciar. O exagero de parceiros talvez estivesse na questão da curiosidade e no desejo reprimido de resgatar os anos em que esteve reprimido pela religião e pelos traumas do início da manifesação de sua sexualidade.&lt;br /&gt;GUILHA: Eu só digo uma coisa pa tu, Lelo: cuidado! Primero, cuidado pa num machucá os otro, puque uma mizade perdida num tem preço. Otro cuidado é cum seu coração: tu é um garoto muito bom, mar tu inda num tem a malíça das otra pessoa; tu inda num sabe se um deles ama tu ô tá apenas cum tu po tesão. E, talvez, todos eles teje cum tu só po tesão, e nem eles sabe disso e diz que ama tu. Se tu ficava apenas cum um, acho que num tiha pobrema, mas três... É três univeso diferente, três mundo completamente diferente, três manera de pensá diferente, três manera de sinti prazê diferente, três sentimento diferente, três gosto diferente, três vivência diferente. O otro é um disafio pa gente; mas o maió disafio mermo é sabê o que passa dentro da gente mermo.&lt;br /&gt;LELO: Cumo assim?&lt;br /&gt;GUILHA: O que tá se passano no teu coraçãozinho, Lelo. Será ca tua cabeça realmente aceita essa situação?&lt;br /&gt;    Lelo parou novamente pensativo. A bem da verdade, essa questão não lhe saía da cabeça desde o dia em que isso tudo começou; deixara-se levar pelos desejos do corpo e enroscara-se nos três amigos. No entanto, a falta de respostas estava mais ligada ao fim das certezas desde que saíra do Morro da Ressurreição. O simples fato de seu melhor amigo atualmente ser uma travesti já era suficientemente inusitado para um protestante moralista. Assim, respostas e atitudes mais moralistas lhe faltavam naquele exato momento.&lt;br /&gt;LELO: Mô coraçãozinho num diz nada, Guilha. E é isso que dexa eu um poco aguniado. Mar na hora num dá nem tempo pa pensá nisso.&lt;br /&gt;GUILHA: Mar tu deve. Todo mundo tem sua moral e tem sua hipocrisia. É muito fácil condená o co otro faz e fazê as coisa po debaxo dos pano, iscondido. E se tu qué mermo vivê dessa forma, ô tu num pode nem pensá, ôtu vai tê que tá muito siguro pa nu dexá iscapá qualqué furo, puque a sociedade condena a gente, e condena inda mais quem tem mar de um pacero.&lt;br /&gt;LELO: É! É a moral hipócrita de nossa sociedade. Guilha, eu fico impressionado cumo tem home casado que faz as coisa iscondido, seje po prazê, seje po dinhero.&lt;br /&gt;GUILHA: É os dois motô do mundo: sexo e dinhero.&lt;br /&gt;LELO: E onde Deus entra nessa história?&lt;br /&gt;GUILHA: Deus fica na igreja, ne casa, ne qualqué lugá. Só num fica no coraçõ da gente puquea gente num dexa ele intrá. A gente prefere vivê todas sacanage que passa na nossa cabeça. Deus num far nada de sacanage: apenas dexa a gente livre pa iscolhê o milhó caminho pa gente.&lt;br /&gt;LELO: E qual é o milhó caminho pa gente, Guilha.&lt;br /&gt;GUILHA: Só mermo teu coraçãozinho pode dizê pa tu, Lelo. E Deus fala sempre no ovido do nosso coração. O pobrema é ca gente geralmente tá surdo pa voz de Deus. Mas uma coisa é certa: Deus nunca bandona gente, mermo a gente bandonano Ele.&lt;br /&gt;    Lelo, mais uma vez, escutou com atenção as palavras da amiga. Ninguém havia falado de Deus para ele daquela forma tão fraternal, tão singela e tão sincera. Será que o Deus em quem sempre acreditara não era aquele Deus severo e vingativo, vigilante e ameaçador? Quem era Deus então? O que era? O que é?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-1499696193907802486?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/1499696193907802486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=1499696193907802486' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/1499696193907802486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/1499696193907802486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/04/captulo-29-moral-x-realidade.html' title='CAPÍTULO 29: Moral X Realidade'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-6116114858999345458</id><published>2008-03-30T21:46:00.000-03:00</published><updated>2008-03-30T21:49:56.011-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 28: Saciando a sede</title><content type='html'>Lelo, ao chegar à escola, foi logo abordado por Robinho. Este queria combinar uma aventura especial: naquele dia, poucas turmas teriam aula - incluindo a deles; logo, teriam liberdade total no banheiro.&lt;br /&gt;ROBINHO: Hoje tu num iscapa de mim!&lt;br /&gt;    Lelo sentiu um arrepio de medo e desejo que o consumiu desde aquele minuto até o encontro no reservado. Não parou de pensar um minuto sequer naqueles olhares insistentes, o jeito de menino tímido, o furor com que o desejava quando estavam juntos. Não à-toa, passou boa parte do tempo excitado com a possibilidade do novo encontro. E, por isso, as aulas demoraram bastante a passar.&lt;br /&gt;    No horário marcado, com o coração em solavancos, Lelo entrou no reservado, onde Robinho já o esperava.&lt;br /&gt;ROBINHO: Tu tá diferente hoje.&lt;br /&gt;LELO: Tu acha?&lt;br /&gt;ROBINHO: É.&lt;br /&gt;LELO: Cumo assim?&lt;br /&gt;    Chegando-se ao pé do ouvido, Robinho sussurrou-lhe tantos elogios íntimos que custou a Lelo acreditar que o amigo estava falando dele. Por fim, Robinho começou a excitar-lhe com a língua na orelha, passando pelo pescoço. Aos poucos, foi se abaixando até degustar o sexo do amigo, já completamente em estado de graça. Lelo segurava-se para não gemer alto; contudo, o prazer que o amigo lhe proporcionava deixava-o com vontade de gritar para todos que gostava mesmo era daquilo. Como numa espécie de transe, Lelo entregou-se completamente àqueles momentos íntimos com o colega de sala, retribuindo-lhe em todos os movimentos, procurando imitá-lo e dar-lhe prazer também.&lt;br /&gt;    Robinho, por sua vez, também delirava, segurando os gemidos e deixando-se em transe com as mãos e as carícias de seu amigo. Como não houve qualquer tipo de interrupção, o sexo aconteceu naturalmente e sem constrangimentos. Não houve qualquer tipo de penetração; apenas o desejo de sentir o calor da pele um do outro, do sexo um do outro, do cheiro um do outro, do paladar do outro. A força que os ligava naquele momento era tão forte que nada poderia interrompê-los, nem mesmo a força de uma direção escolar.&lt;br /&gt;    Por fim, natualmente, expeliram seus líquidos diretamente no vaso sanitário. No mais, o suor, a respiração ofegante e o desejo de colar as bocas.&lt;br /&gt;ROBINHO: Te quero, dilícia! Te quero!&lt;br /&gt;    Lelo apenas ouvia e retribuía com carícias.&lt;br /&gt;ROBINHO: A pati de hoje só quero fazê cum tu.&lt;br /&gt;LELO: Cum eu?&lt;br /&gt;ROBINHO: Sim, dilícia! Tu é tõ tímido que nem sabe que tu é gortoso e bom de cama.&lt;br /&gt;LELO: Tu só pode tá bricano. Sô quase vige.&lt;br /&gt;ROBINHO: Olhele fazeno charme! Se tu assim é vige, imagine se tu era de pograma!&lt;br /&gt;    Mais uns beijos e Lelo caiu em si: a responsabilidade de sustentar praticamente dois relacionamentos, todos baseados principalmente em atração física e sexo, tudo aquilo que sempre condenou. Ao menos até aquele dia.&lt;br /&gt;    Em meio aos pensamentos, beijos, amassos e carícias, que por pouco não renovaram os ânimos dos colegas-amantes. Por isso, em breve saíram do banheiro: primeiro Lelo, depois Robinho. Cada um foi para seu lado e, depois, reencontraram-se com o pessoal da vila, que se preparava para ir embora na kombi do Dênis.&lt;br /&gt;    A viagem foi rápida. Todos estavam nos lugares de costume; todavia, Lelo e Robinho vinham mais silenciosos. Ao mesmo tempo, notava-se que eles estavam mais próximos do que o costume.&lt;br /&gt;    Ao saírem da kombi, cada um foi para sua casa. Robinho foi a única exceção, pois acompanhou Lelo até a porta da casa deste, onde se despediu com um beijo apaixonado.&lt;br /&gt;ROBINHO: Boa noite, dilícia! Dorme bem, tá? E pensa neu ante de durmi!&lt;br /&gt;    Lelo apenas balançouu a cabeça afirmativamente e entrou em casa. Com o silêncio o vazio de gente, finalmente sentia-se em paz. Parou estático na atrás da porta, de frente para o espelho. Estava ali, frente a frente consigo mesmo, com sua imagem, com seu próprio eu. Nesse dia de tantos elogios e de duas relações consentidas, nada mais justo do que conferir se realmente era o que tanto lhe diziam.&lt;br /&gt;    Por isso, aos poucos, foi despindo suas peças de roupa até ficar completamente nu. O luar pelas frestas da janela ajudavam a delinear os detalhes de seu corpo, que sempre havia sido um mistério para si mesmo. Aos poucos, acariciou seu rosto, seus braços, seu peito, seus mamilos, seu abdômen, suas nádegas, suas pernas. O que havia demais naquele corpo para ser tão desejado? Magro, era a única definição que podia dar para ele.&lt;br /&gt;    Seu mistério, no entanto, poderia estar no seu sexo. Observando o que vira nos corpos dos outros homens que por ele tinham passado, nada de diferente, a não ser pelo tamanho, ora menor, ora mais grosso, mas nunca maior do que seu próprio. Além disso, observando bem, notou que sua magreza destacava alguns de seus músculos, nunca muito trabalhados, apenas desenhados naturalmente com as atividades de educação física, caminhada e carregamento de peso para os outros. Talvez a fantasia estivesse mais na cabeça das pessoas. Afinal, por que um garoto de lan house teria de diferente de um moleque de rua, ou mesmo o jornaleiro e o rapaz da xerox? O que provocava tanto fetiche em tantas pessoas se ele era exatamente ele mesmo, nu, ali, na sua frente, se não nada mais do que aquilo ali, um corpo negro, magro, porém bem desenhado, definido. Por que o sexo era quase imprescindível na vida dos seres humanos, levando-os a criar uma verdadeira indústria hedonista de megavalorização do corpo e da sua capacidade de gerar prazer à mente que dele usufrui.&lt;br /&gt;    Nesse momento, passaram por sua mente todas as relações que tivera até então: as brincadeiras com Wayne, o estupro na praia da Barra, os momentos íntimos com Lino e Robinho. Quando deu por si, seu corpo fora novamente invadido pelo desejo de sentir o maior prazer que lhe poderia proporcionar. A frente de si, estava ele mesmo, pronto para sentir e exalar prazer. Como que mecanicamente, sua mão passou a percorrer todos os pontos que lhe excitavam ainda mais. Cada ponto, naquele momento, falava-lhe alto em algum momento de sua vida: cada trecho percorrido na sua curta caminhada estava impresso em cada parte do corpo, que lhe fazia voltar à mente as cenas de prazer e dor. E o sentido e o desejo de sentir prazer foi crescendo e consumindo sua mente gerando-lhe muito mais prazer do que qualquer outra relação que já tivera. Aquela masturbação talvez tivesse sido única no mundo, pois foi quase uma análise de autoconhecimento: sua vida passou projetada naquele espelho, entre gemidos, delírios e êxtase.&lt;br /&gt;    Ao final, Lelo, deixou-se esparramar pelo chão e adormeceu.&lt;br /&gt;RIQUE: Lelo! Já é de madrugada! Que que tu tá fazeno aqui desse jeito?&lt;br /&gt;    Lelo sentiu-se envergonhado pela forma como havia sido encontrado pelo amigo.&lt;br /&gt;LELO: Pô, véio, foi mal, aê!&lt;br /&gt;RIQUE (rindo): Mal? Mal pu quê? Pelo queu tô veno, a coisa foi muito da boa.&lt;br /&gt;    Foi aí que Lelo percebeu que estava nu e com esperma espalhado pelo corpo.&lt;br /&gt;RIQUE: Tava sozinho ô cumpanhado?&lt;br /&gt;LELO: Pô, véio, isso foi sozinho.&lt;br /&gt;RIQUE: Magina o istrago que tu num fazia se tava cumpanhado, hein?&lt;br /&gt;    Lelo sentiu o desejo brotar nos olhos do amigo. E, diante de tal situação, não teve como disfarçar o desejo de realizar o desejo dele.&lt;br /&gt;RIQUE: E parece que continua nimado, pesá de sê madrugada, né?&lt;br /&gt;    Rique começou a acariciar o corpo do amigo. A princípio, foram toques amigos, companheiros. Aos poucos, as mãos passaram a ser ágeis nos pontos em Lelo sentia mais prazer, a partir da pesquisa e da experiência do michê. Contudo, o que mais lhe deu prazer mesmo foi o tão aguardado beijo, que durou longos minutos.&lt;br /&gt;RIQUE: Tu num sabe o quanteu isperei por esse bejo, véio! Tu num faz idéia!&lt;br /&gt;    A seguir, mais longos e mais exasperados beijos pelo chão. O desejo contido de Rique levou-o a prosseguir num dos improvisos mais bem elaborados que conseguiu: queria dar a seu amado a noite perfeita, mesmo que ela tenha surgindo num momento inesperado. Dentre um dos improvisos, carregou o amigo nos braços, como carregasse a noiva para desvirginá-la em plena lua-de-mel.&lt;br /&gt;    Deitados no colchonete, Rique comandou toda a situação, procurando usar de todo seu instinto e de sua experiência. Amor e tesão entrelaçavam-se em suas atitudes, chegando às vias e fato, e levando Lelo às nuvens, especialmente por estar num papel mais ativo.&lt;br /&gt;    Da mesma forma como nas ourtras vezes, Lelo deixou-se levar pelo transe do sexo, esquecendo-se de todas as suas neuras e preconceitos. Naquele instante, desapareceram os traumas adquiridos com Wayne e a Gangue do Adeus, pois Rique cumprira o prometido: mostrar que pode-se sentir prazer da forma que é considerada ofensiva e dolorida.&lt;br /&gt;    Rique misturava profissionalismo e carinho como ninguém. Lelo, por sua vez, experimentava novas sensações, inimagináveis até então.&lt;br /&gt;LELO: Se eu sabia que era assim, num resistia tanto.&lt;br /&gt;    A cada elogio, Rique vibrava e caprichava ainda mais na forma como dar prazer ao amado.&lt;br /&gt;    Chegado o êxtase, adormeceram abraçados como dois amantes que acabaram de saciar um desejo de muito tempo. Não conversaram. Apenas olhavam um para o outro, admirando o feito. Não havia o que falar; apenas sentir que um desejo recíproco chegara à saciedade.&lt;br /&gt;    Rique adormeceu antes. E Lelo, por sua vez, mergulhou, mais uma vez, nos pensamentos acerca da terceira experiência sexual do dia, tirando a masturbação. No mesmo dia tinha sido ativo, lésbico e passivo; será que ele era as três coisas, uma só ou estava apenas experimentando? Todas as experiências tinham sido muito prazerosas e interessantes; no entanto, não poderia ficar com todos - afinal, sua dignidade estava em primeiro lugar. Mas como encontrar prazer num só se os três sentiam prazer de forma tão diferente? Existiria alguém completo? Será que algum deles toparia em realizar o que os outros fizeram? Ou seria justo estar com todos por algum tempo, mesmo sabendo que Robinho e Rique alimentavam muito mais do que tesão?&lt;br /&gt;    Diante do corpo do amigo, Lelo adormeceu remoendo essas dúvidas, sem achar qualquer saída a curto prazo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-6116114858999345458?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/6116114858999345458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=6116114858999345458' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6116114858999345458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6116114858999345458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/03/captulo-28-saciando-sede.html' title='CAPÍTULO 28: Saciando a sede'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-6605225822130164889</id><published>2008-03-16T23:47:00.000-03:00</published><updated>2008-03-16T23:48:12.328-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 27: Partindo para o ataque</title><content type='html'>Dias e semanas passaram-se até que Lino resolveu tomar uma atitude mais agressiva.&lt;br /&gt;    Num certo momento, Lelo foi ao banheiro e não percebeu que seu colega de trabalha havia entrado e trancado a porta.&lt;br /&gt;    Ao movimentar-se para sair, Lelo deparou-se com a figura maliciosamente angelical de Lino na porta. O desejo exalava pelos olhos do loiro diante do negro tímido, como se fosse o predador diante da caça.&lt;br /&gt;LELO: Que cove, Lino? Algum pobrema?&lt;br /&gt;LINO: Sim. Tô dano bola pa tu desdo primero dia e tu nem aí.&lt;br /&gt;LELO: Que... que que tu tá falanaí?&lt;br /&gt;LINO: É, Lelo. É isso! Tô a fim de tu, e hoje tu num iscapa!&lt;br /&gt;LELO: Lino, vamo cum calma! Tu é bunito, mar tu num é o único que...&lt;br /&gt;LINO: Não tem pobrema. Num tenho ciúme, nem quero tu como meu home. Quero memo é só uma rapidinha cum tu.&lt;br /&gt;LELO: Lino, eu num sô disso...&lt;br /&gt;LINO: Eu manjano esse teu pau desdo primero dia que vi tu.&lt;br /&gt;LELO: Meu pau? Cumé que tu viu meu pau?&lt;br /&gt;LINO: Eu sei manjá o pau de tudo que é home.&lt;br /&gt;LELO: Lino, aqui num é nem o lugá mais adequado.&lt;br /&gt;LINO: Por isso queu tranquei a porta. Assim, a gente fica mais à vontade.&lt;br /&gt;LELO: Tu o que? E se cumeçare a batê aí?&lt;br /&gt;LINO: Eles que võ pa otro banhero. Todo mundo faz isso, pu que que a gente num pode?&lt;br /&gt;LELO: A gente num pode puque eu num tô a fim!&lt;br /&gt;LINO: Tu tá é fazeno charme puqueu tô veno é otra coisa no meio da tuas perna!&lt;br /&gt;    Lino começou foi para cima de Lelo, que recuou e acabou encostado na porta de um reservado. Acuado, recebeu o primeiro ataque: o exame manual.&lt;br /&gt;LINO: O tamanho é bom. Resta sabÊ se é memo cumo eu sempre imaginei.&lt;br /&gt;    Lino, num rápido movimento, desatou o cinto, baixou o fecho e abriu as calças de Lelo, deixando-o apenas de cueca com o armamamento praticamente à mostra.&lt;br /&gt;LINO: É bem milhó do queu pensava. Meu número.&lt;br /&gt;LELO: Lino, pára, po favô!&lt;br /&gt;LINO: Relaxa, Lelo! Aproveita o momento puque num é sempre queu faço isso, hein?&lt;br /&gt;    Lelo, ao mesmo tempo que estava apavorado com a atitude de Lino, delirava ao sentir o toque doce das delicadas mãos do ninfeto.&lt;br /&gt;LINO: Pu que que tu isconde isso tudo aí, hein? Tu é muito gortoso, sabia?&lt;br /&gt;LELO: Eu num sô nada disso! Eu sô cristõ!&lt;br /&gt;LINO: Tu pode sê cristão pos otro, mas aqui tu é meu home!&lt;br /&gt;    Lino virou-se de costas e começou a esfregar suas nádegas no sexo de Lelo.&lt;br /&gt;LELO: Tu é maluco! Tu só pode sê maluco!&lt;br /&gt;LINO: Maluco po tu, meu nego! Vai, proveita! Me come bem gostosinho, vai!&lt;br /&gt;    Lelo estava entre o desespero e o prazer. Antes que pudesse pensar, contudo, Lino estava despido a sua frente e despindo-o por inteiro.&lt;br /&gt;    A boca do menino percorria o corpo de Lelo por inteiro: orelhas, nariz, boca, pescoço, peito, mamilos, abdômen. Guloso como ele só, Lino percorreu toda a virilha com a língua, encerrando com um belo banho no sexo de Lelo. Este, por uns momentos, acabou se esquecendo do que era e deixou-se gemer, tentando controlar o volume de sua própria voz, embora sua vontade fosse de berrar de terror e prazer.&lt;br /&gt;    Depois de intermináveis minutos naquela posição, Lino levou Lelo para dentro de um reservado, sentou-o, vestiu-lhe uma camisinha e lambusou-se de um gel que trazia no bolso da calça.&lt;br /&gt;LELO: Tu já veio na má intenção.&lt;br /&gt;LINO: Tô custumado! Sei tudo que rola nessa facudade.&lt;br /&gt;    Lino aproximou-se de Lelo e sentou-se como um frango assado, gemendo muito e chamando o colega de trabalho com palavras de baixo calão, além de outras que elogiavam os atributos físicos dele.&lt;br /&gt;    Ambos perderam a noção de quanto tempo ficaram nessa posição. Lelo, meio sem jeito, não conseguia resistir aos beijos e toques libidinosos do rapazinho. Por alguns momentos, inclusive, esqueceu-se de todo seu passado cristão e de todo o pudor que alimentava com relação ao sexo.&lt;br /&gt;    De repente, Lelo colocou Lino de quatro e fez um papel de ativo que chegou a assustá-lo pela destreza.&lt;br /&gt;    Durante esse tempo, não houve qualquer tipo de interrupção nem crises de consciência. Cada um concentrava-se em dar prazer um ao outro apenas.&lt;br /&gt;    Os minutos se multiplicaram com a vontade de ter prazer. Por fim, deitaram-se no chão daquele banheiro e expeliram o líquido do êxtase por toda a parte, lambuzando seus corpos de beijos e carinhos íntimos.&lt;br /&gt;LELO: Se eu sabia quera tõ bõ, num tinha resistido tanto tempo.&lt;br /&gt;LINO: Nem eu. Tu tem fogo, hein, muleque! Já tive muito home na minha vida, mar tu superô muito marmanjo aqui nessa facudade.&lt;br /&gt;LELO: Tu tá é manjano da minha cara!&lt;br /&gt;LINO: Quano a transa é ruim, eu digo logo na cara do muleque: "Querido, tu aprendeu a fazê sexo cum quem, hein? Me dá o indereço peu passá longe!".&lt;br /&gt;    Risos generalizados.&lt;br /&gt;LELO: Eu sô praticamente vige.&lt;br /&gt;LINO: Cumo assim praticamente vige?&lt;br /&gt;LELO: Eu nunca tinha... digamo... eu nunca fui ativo.&lt;br /&gt;LINO: Sério?! Mar tu paricia um profissional!&lt;br /&gt;LELO: Que isso! Fala sério!&lt;br /&gt;LINO: Eu tô falano sério. Olha, quero muito mais cum tu.&lt;br /&gt;    Nesse momento, Lelo assustou-se.&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é?&lt;br /&gt;LINO: Quero transá só cum tu de agora em diante.&lt;br /&gt;LELO: Cumo assim? Num era só hoje?&lt;br /&gt;LINO: Tu foi tõ bõ queu quero disfrutá de tu té eu me cansá!&lt;br /&gt;LELO: Tipo namorado?&lt;br /&gt;LINO: Que namorado que nada! Namorá eu só namoro mulhé! Eu quero é que tu seje mô amante, mô caso!&lt;br /&gt;LELO: Tu num acha quisso tá ino longe demais?&lt;br /&gt;LINO: Num acho! Eu quero í longe demais cum tu, meu nego!&lt;br /&gt;LELO: Mar num tá muito precipitado? Tu nem sabe se eu te amo...&lt;br /&gt;LINO: E quem tá falano de amô? Mô nego, eu tô falano de sexo, trepada, transa. Sexo e nada mais, falô?&lt;br /&gt;    Lelo chocara-se com o que acabara de ouvir: aquele menino tão delicado e aparentemente tímido era exatamente o oposto no comportamento, especialmente em se tratando de sexo.&lt;br /&gt;LINO: Mas isso num pode saí daqui, tá?&lt;br /&gt;LELO: Nem sei mar que que tu falô aí. Aliás, que ca gente tava fazeno mermo?&lt;br /&gt;    Ambos vestiram-se e voltaram a seus postos no trabalho como se nada tivesse acontecido. Contudo, George e Maycon notaram um Lelo menos sisudo e ingênuo e um Lino menos centrado. Ambos não comentaram nada, mas falaram no assunto o tempo todo.&lt;br /&gt;    Mais tarde, no caminho para a escola de Lelo, não deixaram por menos.&lt;br /&gt;GEORGE: Tu cumeu o Lino, num foi?&lt;br /&gt;LELO: Que isso, rapá! Tu sabe muito bem queu num sô disso.&lt;br /&gt;MAYCON: Num tem essa não, Lelo. Todo mundo ali já cumeu o Lino. Conta logo como foi!&lt;br /&gt;LELO: Num cunteceu nada, gente. Cês é que tõ veno o q num ixiste.&lt;br /&gt;GEORGE: Mas cês dois saíro no mermo horário, ficaro um tempão fora, e voltaro todo leve!&lt;br /&gt;LELO: Sério? Cês tõ reparano muito na gente. Acho qu cês tõ a fim de mim, hein?&lt;br /&gt;    Risos generalizados. Os dois ainda insistiram para saber maiores detalhes da suposta transa entre Lelo e Lino; contudo, não lograram sucesso neste intento. Mesmo assim, notaram que Lelo parecia cada vez mais safo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-6605225822130164889?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/6605225822130164889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=6605225822130164889' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6605225822130164889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6605225822130164889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/03/captulo-27-partindo-para-o-ataque.html' title='CAPÍTULO 27: Partindo para o ataque'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-7889062555302085304</id><published>2008-03-09T21:07:00.000-03:00</published><updated>2008-03-09T21:09:26.868-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 26: E a vida segue</title><content type='html'>A estadia de Anderson na casa de Guilha causou um grande problema diplomático entre ela e Preá, que, por pouco, não teve uma briga feia com direito a tapas e bofetões. Ao final, Preá decidiu que Anderson teria de trabalhar vendendo balas nos ônibus para sustentar a casa, já que sua mãe tornara-se estéril e não teria mais como arcar com o aluguel. Lilico interveio na confusão e decidiu dar o emprego da banca de jornal para ele, encerrando assim os problemas entre as partes envolvidas. No entanto, Preá continuou a maltratá-lo, deixando-o de castigo o dia inteiro, sem nem poder ver a namorada.&lt;br /&gt;    Enquanto Anderson ficava de castigo ou trabalhava na banca de jornal, Juninho aproveitava para exibir-se e tentar seduzir Adriana, que insistia em continuar fiel a Anderson. Contudo, Vagna e Dênis a proibiram de ficar na banca como Tilinha fazia quando namorava Lelo. Assim, o namoro dos adolescentes desenvolvia-se longe dos olhares de todos, geralmente na escola e nos arredores da mesma. Dessa forma, o namoro sobrevivia.&lt;br /&gt;    Juninho e Toco passaram a fazer biscates. Severino bateu pé dizendo que "não sustentava vagabundos"; assim, Juninho passou a trabalhar como camelô. Clotilde o protegia, repassando para ele vender produtos de igreja e de perfumaria, que o ajudavam de certa forma. Porém, ambos gasstavam tudo com cigarros, bebidas, bailes e roupas vendidass nos concorrentes.&lt;br /&gt;    Outra dor-de-cabeça de Severino era Tilinha, que ainda não se conformava com o término do namoro com Lelo. Severino mesmo resolveu procurar Lelo para conversar e tentar convencê-lo a retomar o namoro antes que Tilinha enveredasse para o mesmo caminho da mãe.&lt;br /&gt;SEVERINO: Já barta uma maluca em casa!&lt;br /&gt;    Lelo insistiu na tese de que já estava comprometido com outra pessoa, mesmo sem esclarecer de quem tratava.&lt;br /&gt;    Da mesma forma, Francisco o procurou para tratar da Fatinha.&lt;br /&gt;FRANCISCO: Lelo, todo dia ela verte um vertido de noiva dizeno que vai casá cum tu vertida daquele jeito.&lt;br /&gt;    Lelo dava a mesma resposta, apesar de não convencê-lo muito bem.&lt;br /&gt;    Nesse meio tempo, Terezão ficou internada com suspeita de pneumonia e outras complicações devido ao excesso de fumo. Lúcia procurou tratar dela; enquanto isso, a investigação sobre o atropelamento ficou por conta de Deise, também conhecida como Xaquira, uma loira alta, estonteante, e com um olhar intimidador. Lelo, a princípio, não gostou muito da substituição, mas teve de aceitá-la; contudo, prometeu a si mesmo repassar as informações somente a Terezão quando retornasse ao trabalho.&lt;br /&gt;    Elisa resolveu dar a volta por cima depois do término do namoro com Rique. Decidiu aceitar o pedido de namoro com Zeca, por quem já sentia uma certa atração física. Mesmo resumindo sua relação a praticamente sexo e nada mais, Elisa sentia-se mais realizada e mais feliz; no entanto, perturbava-se quando Rique passava indo para o trabalho e a olhava.&lt;br /&gt;    Rique e Robinho, cada um a sua maneira, continuava tentando seduzir Lelo. Bastava Lelo chegar à escola para ter um rápido encontro com Robinho no banheiro; já em casa, Rique tentava agradá-lo com massagens e carícias que praticamente enlouqueciam seu amigo. Mesmo assim, Lelo procurava não chegar às vias de fato com ninguém, alegando que ainda não estava preparado. E realmente não estava.&lt;br /&gt;    Ao mesmo tempo, Duda o levava todos os dias para o trabalho na faculdade. As conversas eram sempre miuto agradáveis, animando sempre os ânimos de Lelo para o estudo e para o trabalho.&lt;br /&gt;    E por falar em trabalho, aumentava a intimidade entre Lelo e Marinho, que sempre procurava cuidar daquele como se fosse um irmão ou um amigo de infância. Da mesma forma, George e Maycon fofocavam sobre a vida alheia e das intimidades com homens e mulheres da faculdade realizadas nos banheiros. Uóston apenas acompanhava tudo à distância, procurando não se envolver nem criar muita intimidade, tratando com todos apenas do essencial.&lt;br /&gt;    Por outro lado, Lino se insinuava para Lelo cada vez mais. Vez por outra conversava uma meia dúzia de palavras; no entanto, quando podia, imprensava, sempre com aparência de não ter a intenção, Lelo contra a parede procurando sentir-lhe o poder do sexo. E não foram poucas as vezes que cruzou com Lelo no banheiro e procurou exibir parte das nádegas para atrair o objeto do seu desejo. Além disso, os olhares passaram a ser mais firmes, porém discretos, a ponto de até George e Maycon o incentivarem a um encontro íntimo, fato que Lelo abominava a todo custo.    Enquanto isso, os dias se seguiam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-7889062555302085304?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/7889062555302085304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=7889062555302085304' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/7889062555302085304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/7889062555302085304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/03/captulo-26-e-vida-segue.html' title='CAPÍTULO 26: E a vida segue'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-912205167675609561</id><published>2008-03-01T01:49:00.000-03:00</published><updated>2008-03-01T01:50:18.350-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 25: O verdadeiro amigo</title><content type='html'>Ao descerem da kombi de Dênis, Guilha puxou Lelo pelo braço.&lt;br /&gt;GUILHA: Priciso falá cum tu. Dexa todo mundo intrá e me ispera, tá?&lt;br /&gt;    Assim foi feito.&lt;br /&gt;    No pátio, Guilha convidou Lelo para sua casa, pois Samanta e Bebê haviam seguido da escola direto para suas funções.&lt;br /&gt;    Depois que fechou a porta, Guilha foi direto ao assunto.&lt;br /&gt;GUILHA: Que troca de olhares foi aquel entre tu e o Robinho, hein? Eu num nasci onte...&lt;br /&gt;LELO: Num é o que tu tá pensano...&lt;br /&gt;GUILHA: Lelo, eu gorto muito de tu. Num tô quereno me metê na tua vida, mar cumé que tu tava namorano minha irmã e, de repente, vejo tu de olho notro home?&lt;br /&gt;LELO: Mas eu num tô de olho ne ninguém!&lt;br /&gt;GUILHA: Lelo, pa eu tu num pricisa minti! Eu guardo segredo dessa vila todaqui! Trabalho no salõ da Elisa e num faço fofoca de ninguém. As fofoca que ispalha por aí é cupa de otras pessoa q para lá, iscuta cunvesa pela metade, dipois sai ispalhano bobage.&lt;br /&gt;    Lelo sentou-se e respirou fundo.&lt;br /&gt;LELO: Guilha, eu tô muito do cunfuso. Eu num sei nem por onde cumeçá!&lt;br /&gt;GUILHA: Dexa a linguage do teu coraçõ dizê pa tu daonde tu deve cumeçá! Quano o pobrema é de coraçõ, tu dexa ele falá pa cabeça num pirá.&lt;br /&gt;LELO: Acho que tudo cumeçô quano eu vim pará aqui na Vila. Eu sempre fui cristõ, e essa vila respira sexo.&lt;br /&gt;GUILHA: Té aí, nada demais! Todo lugá respira sexo. Tudo depende de quem olha e como olha. Tudo tá na nossa cabecinha, que só inxerga o ca gente qué!&lt;br /&gt;    Lelo, diante dessas palavras, decidiu contar tudo. Seu coração estava a ponto de explodir de tanto guardar tensões e perder a confiança nas pessoas em que ele enxergava amigos, mas que se transformaram em potenciais amantes. Guilha, portanto, seria sua última chance de poder confiar em alguém, desabafar e, quem sabe, receber algum conselho. Por isso, contou desde suas experiências com Wayne até o beijo de Robinho no banheiro da escola. Guilha escutava tudo sem espanto nem alarde; em todo caso, o tom de cobrança das primeiras falas foi dando lugar a um tom fraternal, quase maternal.&lt;br /&gt;GUILHA: Realmente tua situaçõ num é muito fácil. É muita gente quereno ficá cum tu.&lt;br /&gt;LELO: Eu sempre quis sê normal, gortá de mulhé, formá família...&lt;br /&gt;GUILHA: E isso por um acaso é normal? Normal pa quem? Pa uma meia dúzia de moralista que acha co mundo se resume a isso? Lelo, essa normalidade num ixiste nem nunca ixitiu!&lt;br /&gt;LELO: Como não? Na bíblia...&lt;br /&gt;GUILHA: Lelo, na bíblia, na novela, nas situaçõ diária, tudo a gente só inxergamo o ca gente queremo; nunca realmente o que é. A bíblia condena um bando de coisa ô é o pastô e o padre que usa a bíblia pa justificá o queles qué? Se a bíblia é a merma, pu que os dois num concorda? O livro num é o mermo?&lt;br /&gt;LELO: É...&lt;br /&gt;GUILHA: Intõ, cumé que tu pode cunfiá nela. Tu pode lê que vai intendê otra coisa da merma coisa queles lê. E na bíblia num fala dum monte de coisa que cuntece hoje. A bíblia fala de trânsito? A bíblia fala de acidente de avião? A bíblia fala de clonage? De cirugia de troca de sexo?&lt;br /&gt;LELO: Não, mas a bíblia num tá ultrapassada!&lt;br /&gt;GUILHA: Claro que não! Só que a bíblia fala de coisas do povo de mar de dois mil ano atrás! O mundo mudô! E a gente tem caprendê a lidá cum isso!&lt;br /&gt;LELO: Mar, pela bíblia...&lt;br /&gt;GUILHA: Pelo teu pastô! Dexa a bíblia ne paz!&lt;br /&gt;LELO: Mas isso tá na bíblia: crescei e multiplicai-vos! Tá ne Adão e Eva! Tá ne José e Maria!&lt;br /&gt;GUILHA: Tu sabe se algum deles era bissexual? Homossexual? Travesti? Tu sabe o queles realmente sintia? A gente só sabemo aquilo que iscrevero, mar não o que realmente cunteceu. E cada um interpreta dum jeito. As história sõ linda, mar num fala de gente cuma gente, que tem desejo po pessoas do mermo sexo. Tem quela passage de Paulo, que fala dumaa situaçõ do porto. Otra que fala dos sodomita. Mas porto é lugá de prostituiçõ, e eu num sô prostituta. E sodomia é sexo anal, que, sem camisinha, dá duença! Hoje a gente temo camisinha.&lt;br /&gt;LELO: Mas a camisinha num garante nada...&lt;br /&gt;GUILHA: Se hojeu tô viva, é puqueu usei camisinha. Um dos home queu namorei morreu de Aids, e eu num tenho Aids. E inda quero namorá muito, sabe? Quero sê muito filiz!&lt;br /&gt;LELO: Eu tamém, mar pela minha igreja eu tinha que namorá e casá cum uma mulhé.&lt;br /&gt;GUILHA: E tu acha que vai sê filiz e fazê filiz uma mulhé? Se tu acha que cunsegue, tudo bem. Mar tem gente que num cunsegue, puque gorta de home. E tem otros que gorta dos dois, mar num cunsegue vivê bem cum isso e vai fazendo um bando de bobage, como esses teus culega, que tem namorada e come o coitado do Lino. Esses nunca võ sê filiz puque qué sê uma pessoa pa sociedade e otra na realidade.&lt;br /&gt;LELO: É isso queu num quero sê! Num nasci pa sê hipócrita!&lt;br /&gt;GUILHA: Far bem! Mas isso dói, é muiito cruel! Eu pudia cuntinuá vistido cumo home, baxano a cabeça po mô pai, namorano uma minina e cumeno uns carinha num banhero público, mar num é isso queu quero. E hojeu tô aqui, na tua frente. A mulhé que vive dentro deu num cunsegue aceitá sê home. Tamém num tenho raiva de mô corpo; eu só quiria tê seios. Adoro meu pau, adoro cumê rabo de home, mas eu quiria tê seios, tê aparência de mulhé. E hojeu sô uma travesti puque é assim queu me sinto bem.&lt;br /&gt;LELO: Eu num cunsiguia.&lt;br /&gt;GUILHA: Isso faz parte da tua sexualidade. Os hétero e esses carinha que come viado de vez ne quano tamém num pára pa pensá o queles é realmente. Somente os gueis pensa, sente, chora e vive a sexualidade cumo ela é.&lt;br /&gt;LELO: Cumo assim?&lt;br /&gt;GUILHA: Tu mermo tá ne dúvida. Tu mermo já passô uns perrengue, cumo o caso do istrupo!&lt;br /&gt;LELO: Nem me fale!&lt;br /&gt;GUILHA: A tua pele, a tua carne, a tua mente tá  marcada cum umas coisa que nem todo mundo passa. Algumas só os gueis passa. E só tu sabe o que tu sente.&lt;br /&gt;LELO: Isso é verdade.&lt;br /&gt;GUILHA: Mas só tu sabe o que realmente tu pode querê. Tu já sabe o que tu realmente qué?&lt;br /&gt;    Lelo parou uns instantes e refletiu. Com Fatinha ou Tilinha, havia o problema de não conseguir ter ereção pensando numa mulher; apenas sentia uma grande ternura por elas, cada uma com sua qualidade muito especial. Por Wayne, Rique, Robinho e Lino, sentia o corpo tremer e um calor subir de um modo involuntário; no entanto, faltava-lhe a ternura tão necessária à construção das verdadeiras bases de um relacionamento.&lt;br /&gt;GUILHA: Aprende uma coisa, Lelo: sexo é fácil, é prazeroso, gortoso, muito bom. Quem qué sexo cunsegue sexo fácil e rápido. Mas se tu qué amô, tu vai tê que ralá e prucurá muito, pois amô num é fácil. Mas é o maió tisoro de quaqué pessoa!&lt;br /&gt;LELO: Inteno. Eu quero amá, mar num sei quem amá.&lt;br /&gt;GUILHA: Teu coraçõ num diz nada?&lt;br /&gt;LELO: Na vedade, ele se envegonha, se aquieta, se cala! Me dexa angustiado!&lt;br /&gt;    Guilha o abraça como uma mãe.&lt;br /&gt;LELO: Há muito tempo que ninguém me abraçava assim.&lt;br /&gt;GUILHA: Assim como?&lt;br /&gt;LELO: Como uma mãe.&lt;br /&gt;GUILHA (rindo): Quem me dera! Só adotando...&lt;br /&gt;LELO: Tu qué me adotá?&lt;br /&gt;GUILHA (gargalhando): Vê se tu te inxega, muleque! Tu tem idade pa sê mô namorado, não mô filho!&lt;br /&gt;LELO: Tu era uma boa mãe, se pudia.&lt;br /&gt;GUILHA: Num sei. Ninguém é pefeito.&lt;br /&gt;LELO: Só Deus.&lt;br /&gt;    A conversa havia praticamente terminado, deixando Lelo mais aliviado e menos confuso. Ao menos pudera desabafar toda a pressão que rondava sua mente. No entanto, um assunto que lhe encucava levou a conversa para um outro rumo.&lt;br /&gt;LELO: Que que tu acha do Duda? Pô, ele tá me ajudano pa caramba, mas eu vejo ca maioria das pessoa daqui da vila num gorta dele. Tu faz idéia pu causa de que?&lt;br /&gt;    Guilha respirou fundo ante a pergunta do amigo. Era notório que estava escolhendo as palavras mais adequadas para revelar o que podia.&lt;br /&gt;GUILHA: Lelo, vô sê muito sincera cum tu: num faço a mínima idéia! Mas eu tenho que te dizê uma coisa: o povo da vila fez um pacto de silêncio sobre o Duda.&lt;br /&gt;LELO: Nossa! Mar pu causa de que? Ele é tõ bõ...&lt;br /&gt;GUILHA: Mar tu botava a mão no fogo por ele? Eu num ponho nem por mim!&lt;br /&gt;LELO: Mas pu que esse pacto de silêncio? Que será quele fer de tõ grave??&lt;br /&gt;GUILHA: Olha, Lelo, não posso te dizê nada puqueu nem tavaqui quano tu foi tropelado. Eu tava viajano cum o Pedro.&lt;br /&gt;LELO: Peraí, que que o Duda tem a vê cum meu tropelamento?&lt;br /&gt;GUILHA: Bom, só sei dele dipois que tu foi tropelado. Já o Pedro... Ai, dói só de pensá!&lt;br /&gt;LELO: Que cove?&lt;br /&gt;GUILHA: Pedro era traficante no Morro da Ressurreição. O apelido dele era Fubá.&lt;br /&gt;LELO: Nossa! Eu cunheci o Fubá. Tu matô ele?&lt;br /&gt;GUILHA: Não, Deus me livre e guarde! Só que, um amigo dele, um tal de Wayne, resoveu fazê uma supresa pa ele e cumbinô tudo cum eu...&lt;br /&gt;LELO: O Wayne fez isso cum tu?&lt;br /&gt;GUILHA: É! Quano cheguei cum o Fubá lá no quatinho do incontro, o Wayne tava lá preparado cumo o cumbinado. Ele resoveu fazê um troca-troca cum o Fubá. Té aí, nada dimais, puqueu tinha concodado. Dipoois, num güentei de ciúme e té saí de peto. Dipois, só ovi os gritos dO fubá. Quaneu votei, ele tava morto, e o Wayne meaçô eu de matá eu se eu cuntava pa quaqué um o que tinha cunticido.&lt;br /&gt;    Lelo escutava tudo com atenção e terror. Wayne subvertera toda a história para ele.&lt;br /&gt;GUILHA: O Fubá era um cavalheiro. Era bandido, mas era do bem, sabe?&lt;br /&gt;LELO: Eu só cunheci o lado ruim dele. Agora o Wayne tá no lugá dele. Eu sabia co Wayne era mal, mar não tão cruel assim, tão frio.&lt;br /&gt;GUILHA: Pois é: os amores võ, a gente ficamo. A gente temo que sobrevivê, sabe? Nunca fui de promiscuidade; isso é que é devassidão. Eu sempre quero, sempre quis e sempre vô querê amô!&lt;br /&gt;LELO: Pô, tu é mermo um cara muito legal!&lt;br /&gt;GUILHA: Po favô, uma dama, tá?&lt;br /&gt;LELO: Foi mal, aí! Uma dama sensacional! Num cunsigo intendê quanto preconceito contra vocês.&lt;br /&gt;GUILHA: Nem todo mundo cunsegue incará a pópria sexualidade, Lelo, como tu tá fazeno. Esses precuncetuoso se sente mal puque num intende eles mermo, aí faz esses istrago na vida dos otro. Mas um dia a casa cai. Dexistá!&lt;br /&gt;    Depois disso, Guilha abriu a porta para Lelo sair.&lt;br /&gt;    Do lado de fora da casa, ambos ouviram um gemido acompanhado de choro. Era Anderson, que havia sido colocado de castigo fora de casa pela mãe, que descobriu que tinha sido operada de ligadura de trompas para não mais ter filhos; ou seja, Preá tinha ficado estéril e pôs a culpa no filho, pois ele era o único que poderia autorizar o procedimento, pois ela estava sedada no momento.&lt;br /&gt;GUILHA: Mô Deus, tua mãe tá cada vez pió, hein?&lt;br /&gt;LELO: E agora? Ele num pode ficá na rua assim.&lt;br /&gt;ANDERSON: Eu num posso intrá im casa, se nõ ela vai batê neu de novo!&lt;br /&gt;GUILHA: Calma! Tu dorme aqui ne casa essa noite.&lt;br /&gt;    Anderson nem teve como recusar. E, assim, resolvida a questão, Lelo dirigiu-se para a própria casa, enquanto Guilha acomodava seu hóspede temporário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-912205167675609561?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/912205167675609561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=912205167675609561' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/912205167675609561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/912205167675609561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/03/captulo-25-o-verdadeiro-amigo.html' title='CAPÍTULO 25: O verdadeiro amigo'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-5258372969824724387</id><published>2008-02-16T23:57:00.000-02:00</published><updated>2008-02-17T00:01:54.723-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 24: Esclarecimentos e novidades</title><content type='html'>Chegou, enfim, o dia do início de Lelo no novo emprego.&lt;br /&gt;    Logo cedo, Duda bateu na porta do amigo, que já estava totalmente preparado e ansioso para começar.&lt;br /&gt;    No caminho, já no carro, não houve como Lelo evitar o assunto do velório de Etelvina e a denúncia de Wayne.&lt;br /&gt;DUDA: É, meu anjo, eu fui pará lá no Morro da Ressurreição sim. Meus amigos queriam porque queriam que eu interviesse no resgate da Lili a todo custo. Como sô da paz, fui lá pra tentá conversá com ela. No final, não consegui nada.&lt;br /&gt;LELO: Tu num tem que me dá sastifação de nada. Tu só...&lt;br /&gt;DUDA: Anjo, gosto muito de ti e pra ti quero mostrá quem eu realmente sô. Eu não quero que sobre quaisqué dúvidas que cê tenha a meu respeito.&lt;br /&gt;LELO: Mar pu quê?&lt;br /&gt;DUDA: Cê sabe por quê. É porque eu te quero muito, mas muito bem. E eu quero que cê confie em mim. Por isso, vô continuá e contá tudo sobre mim pra ti.&lt;br /&gt;LELO: Num pricisa!&lt;br /&gt;DUDA: Eu realmente não sô de fora do estado. Eu achei melhó não te contá muito coisa porque eu já sofri - e sofro - muito por ser quem sô. Muitas vezes, o que deveria ser uma vantagem para a maioria das pessoas acaba se tornado um problema.&lt;br /&gt;    Lelo estava ficando apreensivo.&lt;br /&gt;DUDA: Cê já ouviu falar em Carlos Alberto Ribeiro Silva?&lt;br /&gt;LELO: Sim! É o dono da maió rede de comunicação, desde a Barra do Adeus té o Morro da Ressurreição. Eu vi ele uma vez lá na iscola de samba...&lt;br /&gt;DUDA: Pois é.&lt;br /&gt;LELO: Ele também é dono de rádio, jornal, rivista...&lt;br /&gt;    Duda parou o carro no estacionamento da faculdade.&lt;br /&gt;DUDA: Antes que algum Wayne da vida te conte, eu preciso te contá.&lt;br /&gt;    Duda pegou a carteira de identidade e colocou nas mãos de Lelo.&lt;br /&gt;DUDA: Leia!&lt;br /&gt;LELO: Pra que isso, Duda? Eu sei que tu é tu!&lt;br /&gt;DUDA: Mas cê não sabe algumas coisas a mais sobre mim.&lt;br /&gt;    Duda estava muito sério. Lelo, então, achou melhor ler o que estava escrito na carteira.&lt;br /&gt;LELO: Vamo lá! "Carlos Eduardo Ribeiro Silva. Filiação: Carlos Alberto Ribeiro Silva e Nadine Marcondes Ribeiro Silva."&lt;br /&gt;    Silêncio.&lt;br /&gt;DUDA: Eu sô filho de um dos homens mais ricos desta cidade, deste estado, quiçá deste país. Minha família também é dona de clínicas, hospitais, lojas de roupa e companhia de ônibus urbanos. E eu não quero nada com isso; nunca quis. É e sempre foi muita responsabilidade pra minha cabeça, sempre foi. Sempre achei que quem devia cuidar de tudo isso seriam pessoas que tivessem capacidade pra lidá com isso. Eu nunca tive talento pra administrá nada, e tenho um império pra cuidá. Então, pirei! Saí com um grupo de amigos pelas noites e comecei a barbarizá! Eu era um dos terrores da Barra do Adeus.&lt;br /&gt;    Lelo estava chocado com a transfiguiração ao vivo a que assistia.&lt;br /&gt;DUDA: Com esse grupo, eu saía com muitas garotas, muitas. Destruí orelhões, carros, pontos de ônibus. E nunca fui preso por isso; sabe por quê? Porque meu pai, e de todos os outros, eram ricos e influentes. Cara, já bebi e fumei muito nessa época. Eu tava louco. Foi nessa época que conheci a Lili. Ela é filha de outro rico empresário que é sócio do meu pai na TV. Eles queriam que a gente se casasse. O sonho deles é que o império continue nas nossas mãos. Mas... tudo começô a mudá...&lt;br /&gt;LELO: Que que cunteceu?&lt;br /&gt;DUDA: O grupo de amigos pegô uma prostituta. Eu tava meio bêbado, meio drogado, nem sabia direito o que tava acontecendo. Eles barbarizaram com ela: espancaram, estupraram, fizeram dela gato e sapato. Só fiquei sabendo disso pelos jornais. O delegado, lógico, abafou o caso. Mas eu nunca mais fui o mesmo. Decidi me afastá de todos eles. Nunca mais saí à noite com eles, nem barbarizei. Parei de fumá, de bebê e decidi me espiritualizá. Só tinha um problema&lt;br /&gt;LELO: E qual é?&lt;br /&gt;DUDA: Lili. Ela não queria me largá nem queria deixá aqueles arruaceiros, que tavam cada vez mais perversos. Esse grupo hoje é conhecido como a Gangue do Adeus, apelido dado por um radialista. Eu não te contei antes porque eu não queria que você me interpretasse mal.&lt;br /&gt;LELO: Nem tenho pu que, puque tu tá longe deles.&lt;br /&gt;DUDA: Sim, mas tinha Lili! Eu a peguei num carro com meu melhó amigo, dias depois de te deixá em sua casa.&lt;br /&gt;LELO: Nossa!&lt;br /&gt;DUDA: Meu melhó amigo, cê tem noção disso? Depois, ela apareceu grávida lá em casa. Disse que o filho era meu e que eu deveria assumi-lo. Acontece que sempre tansei com ela com camisinha, mesmo nas maiores doideras eu não me esqueci da camisinha. Nunca! Então, esse filho que ela tá esperando, não é meu. E, como esse meu amigo disse que ela já andô no meio de surubas...&lt;br /&gt;LELO: Que horrô!&lt;br /&gt;DUDA: Esse filho pode sê de qualqué um, menos meu. Mesmo assim, meus pais querem que eu assuma esse filho, para evitar maiores constrangimentos com a família do sócio dele. Foi por isso que fui lá tentá regatá-la. Na verdade, hoje sinto até pena dela. Mas eu não ficaria com ela de jeito nenhum, nem que me prendessem.&lt;br /&gt;LELO: Que história! E foi por isso que tu foi pa vila?&lt;br /&gt;DUDA: Também. É muita coisa acontecendo e eu preciso colocá minha cabeça no lugá. Além disso, tem outras coisas. Meu coração tá em outra, e tá na vila.&lt;br /&gt;    Nesse momento, Duda pegou as mãos de Lelo.&lt;br /&gt;DUDA: Espero que você me entenda e, por favor, não conte a ninguém o que te falei aqui. Não quero assustá o pessoal da vila. Quer dar um novo rumo a ela. E quero que você me ajude!&lt;br /&gt;LELO: Ajudá como?&lt;br /&gt;DUDA: Deixando eu te ajudá!&lt;br /&gt;    Lelo estranhou muito aquelas palavras. Ajudá-lo por quê? E justamente ele, entre tantos outros ali na vila para ele ajudar?&lt;br /&gt;LELO: Duda, eu num inteno exatamente o que que tu qué cum eu. Mas eu num posso recusá ajuda de ninguém.&lt;br /&gt;    Sem dizer uma só palavra, Duda o abraçou fortemente. Minutos depois, ao se desabaçarem, Lelo reparou que Duda derramara uma lágrima.&lt;br /&gt;LELO: Duda, tu tá chorano? Pu quê?&lt;br /&gt;DUDA (enxugando a lágrima): Apenas tô muito feliz de você ter aceito minha proposta.&lt;br /&gt;    Depois disso, não tocaram mais no assunto. Apenas dirigiram-se ao setor de reprografia, onde Lelo começaria a trabalhar.&lt;br /&gt;    Quando chegaram ao local, Duda, mais um vez, agradeceu a Gilmar pela oportunidade dada a Lelo, que ficou aos cuidados de Marinho. Este apresentou seus colegas de trabalho e a rotina de serviços, como o uso dos aparelhos e a organização das pastas dos professores com todo o material a ser copiado.&lt;br /&gt;    Seus colegas o receberam com respeito e com uma distância que, com o decorrer do dia, desfez-se. Marinho estava sempre por perto, orientado e atendendo diretamente os professores, como uma espécie de funcionário VIP. Uóston, George, Maycon e Lino realizavam exatamente o mesmo que Lelo. Uóston era um rapaz negro e alto com cabelo rastafari; meio calado a princípio, estava sempre disposto a ajudar, especialmente quando a altura de seus colegas de trabalho não colaborava com o serviço. George tinha alura mediana, era moreno claro e possuía uma verdadeira lavoura de cravos e espinhas, além de um sorriso prateado; expansivo, sorridente, gostava de falar muitas brincadeiras obscenas com seus colegas. Maycon era moreno claro e com uma fisionomia redonda; costumava acompanhar George nas conversas obscenas e nos apelidos dados às figuras mais extravagantes da instituição, desde os funcionários e professores jurássicos e modernosos, passando pelos alunos incompreensíveis. Por fim, Lino, baixinho, loiro, de olhos azuis e com atitudes ligeiramente afeminadas, contrastando com a voz absurdamente grossa; tímido, corava com qualquer brincadeira que o atingisse, porém gostava de participar das conversações sobre as figuras da faculdade; além disso, fazia sucesso com as moças que passavam pelo estabelecimento, sempre lhe perguntando sobre compromisso com outras garotas e apertando-lhe a bochecha, deixando-o rubro.&lt;br /&gt;    O primeiro dia foi um pouco atrapalhado. Seguindo as recomendações de Marinho, Lelo acompanhou os serviço dos colegas, alternando com eles para começar a pegar a prática.&lt;br /&gt;    Aos poucos, não só conseguiu entrar no ritmo de trabalho como também nos códigos e gestos bem próprios da equipe. George foi para Lelo uma espécie de amiguinho de cicerone do lado opaco do setor de xerox para o público: repassou a Lelo todos os segredos, mistérios da faculdade, pontos perigosos, locais ótimos para um encontro mais íntimo com qualquer pessoa, além dos famosos e as razões de suas famas. Tudo era totalmente confirmado por Maycon, que fazia questão de tecer um comentário picante sobre cada um.&lt;br /&gt;    Uóston, exibindo uma aliança de noivado, expressava-se por monossílabos quando solicitado. Mesmo quando todos estavam descontraídos, mantinha-se sério; contudo, não chamava a atenção de ninguém: apenas fazia seu trabalho e nada mais. Por isso mesmo, foi o colega com menos Lelo conseguiu conversar e mesmo identificar peculiaridades.&lt;br /&gt;    Por outro lado, com Lino ocorreu uma constante troca de olhares muito rápida. Por vezes, Lelo notou que os olhares se alongavam um pouco mais; no entanto, no momento em que os olhares dele iriam se cruzar com os seus, o loiro desviava e ia resolver outras coisas.&lt;br /&gt;    Ao final do expediente, Lelo, George e Maycon seguiram o mesmo caminho.&lt;br /&gt;GEORGE: Que que tu achô de trabalhá cum a gente, Lelo?&lt;br /&gt;LELO: Pô, gortei muito! Tô meio trapalhado ainda, mar vô pegá o jeito logo, logo!&lt;br /&gt;MAYCON: Ispero que ce fique cum a gente lá! Tava mermo pricisando de pessoas novas.&lt;br /&gt;GEORGE: É! Sempre os mesmos rosto, sempre as mesma figura, sempre o mesmo tudo.&lt;br /&gt;LELO: Seu Gilmar num fica por ali não?&lt;br /&gt;MAYCON (rindo): Não! Geralmente ele fica atendendo o pessoal da Pós-Graduação, fazendo serviços especializados. Ele é funcionário da faculdade.&lt;br /&gt;LELO: Nossa! Mas isso num é proibido?&lt;br /&gt;GEORGE: Tu é que num sabe o quanto de coisa que o pessoal far lá que é proibido.&lt;br /&gt;LELO: Cumo assim?&lt;br /&gt;GEORGE: Seu Gilmar come a diretora da faculdade. É o que todo mundo diz.&lt;br /&gt;MAYCON: Ninguém nunca viu, mas todo mundo sabe que é verdade.&lt;br /&gt;LELO: E     como cês sabe se é vedade se ninguém nunca viu?&lt;br /&gt;GEORGE: Basta olhá eles no corredô pa vê cumo eles é íntimo.&lt;br /&gt;MAYCON: Por isso que ningém vai em cima dele. Muda a diretora, ele vai e come ela!&lt;br /&gt;LELO: E se entrá um diretô?&lt;br /&gt;GEORGE (rindo): Ora, Lelo, tu num viu que só tem viado aqui?&lt;br /&gt;LELO: Sério?!&lt;br /&gt;MAYCON: Lelo, cê tem que ficá isperto! Cê num viu como o Lino ficava te mirando o tempo todo?&lt;br /&gt;LELO: Cumo assim?&lt;br /&gt;GEORGE: Ele tá doidinho pa te dá!&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é?!&lt;br /&gt;MAYCON: Todo mundo ali já cumeu o Lino. É de lei. E metade dos homens daquela xerox.&lt;br /&gt;LELO: Até o Marinho?&lt;br /&gt;GEORGE (rindo): O Marinho é que discabaçô ele!&lt;br /&gt;LELO: Nossa! E o Uóston?&lt;br /&gt;MAYCON (gargalhando): Ele tem um pau gigante, né? Dexô o Lino todo isfolado!&lt;br /&gt;LELO: Tu já viu o pau do Uóston?&lt;br /&gt;    Um silêncio fez-se momentaneamente entre os três diante de um questionamento como esse.&lt;br /&gt;GEORGE: Uma vez, num banhero da faculdade, juntamos todos nós numa suruba. Tava vazio, era férias. Todo mundo cumeu o Lino naquele dia: eu, o Maycon, o Marinho, o Uóston e um otro rapaz que trabalhô cum a gente lá!&lt;br /&gt;MAYCON: É, cara, foi sim. O Rique, né?&lt;br /&gt;LELO: Rique?&lt;br /&gt;MAYCON: É! José Henrique. Ele fazia programa também com os cara da facudade. Aquele come um rabo como ninguém! Aquele realmente é profissional.&lt;br /&gt;    Lelo preferiu silenciar; contudo, pela descrição de seus colegas, o Rique de quem falavam era exatamente seu amigo.&lt;br /&gt;LELO: E pu que ele num trabalha mais aqui?&lt;br /&gt;GEORGE: Digamos que ele cumeteu o pecado de saí cum um professô da facudade que se paxonô po ele. Esse professô é impresáro, dono de uma lan house e de otras coisa. E olha que esse era crente, hein? Acho co Rique se deu muito bem! Ficô ixclusivo! Quem dera eu arranjá um home assim!&lt;br /&gt;MAYCON: Eu também! Um homem rico que me bancasse...&lt;br /&gt;    Alguns quarteirões adiante e tanto George quanto Maycon encontraram suas respectivas namoradas; por sinal, ambas mulheres muito bonitas e atraentes. Lelo procurou disfarçar seu constrangimento diante daquela situação. "Onde é queu me meti!", pensou. "Será queu vô tê que arranjá uma namorada pa ficá no imprego tamém? Será queu vô tê que sê hipócrita pa trabalhá? Quanto mar cunheço as pessoa, menos inteno elas..."&lt;br /&gt;    E constrangido seguiu até a escola, onde encontrou Tilinha na porta.&lt;br /&gt;TILINHA: Lelo, vamo cunvesá?&lt;br /&gt;LELO: Se é sobre nosso namoro, num adianta. Num tem volta!&lt;br /&gt;    Detinha acompanhava tudo ao longe. No entanto, por ser mais experiente, resolveu se aproximar.&lt;br /&gt;DETINHA: Lelo, qual é a tua? Tu se aproveita da minha irmã dipois larga ela ao Deus dará?&lt;br /&gt;LELO: Detinha...&lt;br /&gt;DETINHA: Jenifer!&lt;br /&gt;LELO: Tá, bom! Jenifer, em primero lugá, foi ela quem cumeçô cum isso: ela bejô eu na frente de toda iscola. Ela num sabia se eu gortava dela; ela insistiu em namorá eu e pronto! Só queu num cunsigui gortá dela. Eu gorto muito da Tilinha, mar num cunsigo gortá dela mar do que cumo amiga. Me discupa se eu maguei ti, Tilinha, mas eu tamém tô mal cum tudo isso, te juro!&lt;br /&gt;TILINHA: Tu num pricisa jurá! A gente pode tentá mais uma vez...&lt;br /&gt;LELO: Tilinha, po favô, num dexa as coisa mar difícil do que elas já é...&lt;br /&gt;DETINHA: Tu é que tá dificutano as coisa, Lelo! Custa tentá?&lt;br /&gt;LELO: Detinha, eu...&lt;br /&gt;DETINHA: Jenifer, eu já falei!&lt;br /&gt;LELO: Jenifer, eu já tentei! Num tem cumo voltá mais, e...&lt;br /&gt;    Tilinha resolveu se afastar.&lt;br /&gt;DETINHA: Lelo, pelamô de Deus! Tu pricisa votá pa ela! Num agüento mais ela me atazanano eu e mô pai cum coisas da igreja dela e da mamãe! Ela tá muito chata, num me dexa mar namorá sozinha, num me dexa mar vê televisão, num me dexa mais ovi minhas rádio... Eu num agüento mais! Tu pricisa dá um jeito nela!&lt;br /&gt;LELO: Deti... Jenifer, tu num faz idéia do que tá cunteceno cum eu. Eu num posso mar namorá tua irmã puqueu já tô cum otra pessoa.&lt;br /&gt;    Detinha desanimou nessa hora.&lt;br /&gt;LELO: Eu só num contei opa tua irmã puqueu num quero machucá ela, intendeu?&lt;br /&gt;DETINHA: Claro! Nossa! Tadinha! Vô cuidá dela diretinho, podexá!&lt;br /&gt;    Detinha foi até a irmã, abraçou-a e a levou para junto de Bombom, que as esperava na esquina.&lt;br /&gt;    Por fim, Lelo entrou na escola. Minutos depois, foi abraçado por Sheila, que contou que sua mãe ainda não tinha se recuperado do falecimento de Etelvina.&lt;br /&gt;SHEILA: Ela inda tá muito mal! Tô té cum pena dela! Pelo menos num tava bebeno...&lt;br /&gt;LELO: Menos mal!&lt;br /&gt;SHEILA: Mar tenho medo do quela pode fazê! Elas era muito apegada...&lt;br /&gt;    O desabafo de Sheila realmente preocupou Lelo. Talvez fosse o momento de fazer-se mais presente na própria casa. Talvez fosse uma forma de tentar reaproximar-se de sua mãe e demolir a muralha que os separava.&lt;br /&gt;    Por fim, ocorreram os encontros com os outros colegas e os vizinhos da Vila. No entanto, nada como o esperado encontro com Robinho. Um misto de alegria e medo o preencheram, junto com uma excitação correspondida que o deixou constrangido, algo que somente Guilha notou.&lt;br /&gt;    Na sala de aula, Robinho combinou com Lelo de se encontraram no banheiro; primeiro sairia ele; em seguida, Lelo sairia; caso não desse certo, deixariam paara conversar no pátio da vila mais tarde, depois que todos já tivessem entrado em suas próprias casas.&lt;br /&gt;    O combinado deu certo. Assim que Lelo entrou no banheiro, foi puxado por Robinho para dentro de um dos reservados, imediatamente trancado. Rapidamente, um longo beijo quase lhe tirou todo o ar.&lt;br /&gt;ROBINHO: Tu num sabe a falta queu tava sintino de tu. Tava loco de vontade de bejá tu novamente!&lt;br /&gt;LELO: Robinho, nós num podemo...&lt;br /&gt;ROBINHO: Eu tô veno (tocando-lhe o sexo)! Tô veno que a gente num podemo... Tô veno que a gente num podemo ficá é longe um do otro!&lt;br /&gt;    Novo beijo longo e estonteante, acompanhado de uma aproximação que permitia uma troca de calor excitante e prazerosa.&lt;br /&gt;ROBINHO (sussurrando-lhe o ouvido): Tu é muito gortoso, tu num sabe o quanto! Tô a fim de tu desda primera ver queu vi tu cum essa calça justa! Dá pa vê teu pau e tua bunda cum essas calça que tu veste.&lt;br /&gt;LELO: Deus do céu!&lt;br /&gt;ROBINHO: Fala baxo, se nõ Ele iscuta!&lt;br /&gt;    Novo beijo e novas palavras ao pé do ouvido.&lt;br /&gt;ROBINHO: Eu quero transá cum tu! Eu tenho que transá cum tu!&lt;br /&gt;LELO: Num sei se é certo...&lt;br /&gt;ROBINHO: Tum nunca vai sabê se é certo se nõ dexá rolá! Se num sobé, eu insino tu.&lt;br /&gt;    Robinho começou a se abaixar e a abrir o zíper da calça de Lelo. Este, por sua vez, puxou-o para cima, parando-o.&lt;br /&gt;LELO: Que que tu tá fazeno?!&lt;br /&gt;ROBINHO: Tô cum tesõ, tu tamém! A gente temo que desafogá!&lt;br /&gt;LELO: Mas aqui, no banhero da iscola?&lt;br /&gt;ROBINHO: Que que tem? Já vi muita transa qui dentro! Já vi coisa muito pió! Pu que que tu acha queu sempre saía da sala, hein?&lt;br /&gt;LELO: Mas se alguém intrá?&lt;br /&gt;ROBINHO: Dane-se!&lt;br /&gt;LELO: Milhó a gente fazê isso ne otro lugá! Eu num vô me sinti bem fazeno isso aqui!&lt;br /&gt;    Robinho ainda insistiu; no entanto, Lelo conseguiu convencê-lo do contrário. Como Robinho desistiu, Lelo sentiu-se salvo pelo gongo.&lt;br /&gt;ROBINHO: E quano vai sê?&lt;br /&gt;LELO: A gente cumbina,tá?&lt;br /&gt;    Mesmo insatisfeito, Robinho voltou para a sala. Lelo foi depois, respirando aliviado. "Dessa vez iscapei!", pensou. "Só nun sei té quaneu vô resisti!”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-5258372969824724387?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/5258372969824724387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=5258372969824724387' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/5258372969824724387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/5258372969824724387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/02/captulo-24-esclarecimentos-e-novidades.html' title='CAPÍTULO 24: Esclarecimentos e novidades'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-1262054337440946976</id><published>2008-02-08T17:13:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T17:19:24.605-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 23: O espelho</title><content type='html'>Lelo voltou para a vila acompanhado de Fatinha. A princípio, o silêncio acompanhava-os na viagem, em respeito ao falecimento de D. Etelvina. Todavia, Fatinha queria esclarecer algumas dúvidas sobre alguns fatos que vira.&lt;br /&gt;FATINHA: Lelo, que cove que tu foi lá pa tua casa cum o Robinho no meio do pagode?&lt;br /&gt;    Lelo olhou-a assustado.&lt;br /&gt;LELO: Eu fui lá pa pegá as coisa da iscola quele tinha dexado cum eu. Tu sabe queu fiquei três dia sem í pa iscola, né?/&lt;br /&gt;FATINHA: Sei, sim! Mas... quando tu tava saino, tava meio iscuro, mar vi que tu e ele tavo abrçado. Ou milhó... parece que tavo um poco mar que abraçado...&lt;br /&gt;LELO: Vai direto, Fatinha! Num isconde nada não!&lt;br /&gt;FATINHA: Num é queu quero iscondê nada. Apenas quiria intendê o que foi queu vi. Tava meio iscuro, né?&lt;br /&gt;LELO: Em primero lugá, tu siguiu eu e o Robinho?&lt;br /&gt;    Neste momento, foi Fatinha quem se sentiu constrangida.&lt;br /&gt;FATINHA: Não!... Eu apenas... fui no banhero lá ne casa e...&lt;br /&gt;LELO: Resoveu cunfirí se aquilo ca Preá disse é vedade, né? Queu gorto de home? Humpf!&lt;br /&gt;FATINHA: Que isso, Lelo! Num é nada disso! Eu só quiria intendê...&lt;br /&gt;LELO: Intendê o que? Pricisa intendê alguma coisa? Um amigo agora num pode abraçá o otro que parece que já tá bejano ô fazeno coisa pió?&lt;br /&gt;FATINHA: Bem, eu... eu acho que tu e ele pudia tê mar cuidado da próxima vez...&lt;br /&gt;LELO: Tu só pode tá delirano! Tu tá é muito da bisbilhotera e veno coisa onde num tem!&lt;br /&gt;FATINHA: Calma, Lelo! Tu tá nevoso pu causa de que?&lt;br /&gt;LELO: Eu perco minh vó, brigo cum minha mãe na frente de todo o morro, e tu inda vem cum essa cunvesa de cerca Lorenço pa cunfimá uma suspeita daquela criatura que é a Preá? Tu tá quereno queu fico como?&lt;br /&gt;FATINHA: Pô, Lelo, foi mal, cara! Mas é que isso num sai da minha cabeça, sabe?&lt;br /&gt;LELO: Mas eu já bati pa tu: foi só um abraço. Ele me gradeceu po tê devovido as coisa pa ele, ora! Que coisa!&lt;br /&gt;FATINHA: E aquela porta trancada na cuzinha na hora do velório da tua vó?&lt;br /&gt;LELO: Foi o Wayne que trancô. Ele qué puque qué queu vô trabalhá pa ele, mas eu num vô, num vô mermo.&lt;br /&gt;FATINHA: É bom mermo ficá longe dele. Inda mar quele fereceu o interro da tua vó im menage po bisneto ô bisneta dela, né?&lt;br /&gt;LELO: É?&lt;br /&gt;FATINHA: Claro, ora! Ele num disse que ia interrá D. Etelvina im menage pa pessoa quele mais ama?&lt;br /&gt;LELO: É! É vedade!&lt;br /&gt;FATINHA: Mar teve uma hora queu fuii buscá o café na cuzinha e iscutei tu falano que foi istrupado...&lt;br /&gt;LELO: Dipor de sigui eu, agora tu deu pa ovi trás das porta?&lt;br /&gt;FATINHA: Lelo, tu tava falano tõ alto que quaqué um pudia iscutá! Tua sorte que fui eu!&lt;br /&gt;LELO: Fico cum vegonha só de lembrá disso, mô Deus!&lt;br /&gt;FATINHA: Intõ, é verdade!&lt;br /&gt;LELO: É! É vedade! Mar, pelamô de Deus, num conta nada pa ninguém, muito meno pa Tilinha!&lt;br /&gt;FATINHA: Mas pu quê? Ela gorta de tu; ela pricisa intendê que que tá passano cum tu!&lt;br /&gt;LELO: Ela num pricisa sabê! Eu teminei cum ela puque num cunsigui gortá dela. Mar num quero quela mistura as coisa.&lt;br /&gt;FATINHA: Tá pareceno quano a gente teminô, né?&lt;br /&gt;LELO: A gente num teminô puque a gente nem cumeçô. A gente ficô apenas um vez, e isso far muito tempo.&lt;br /&gt;FATINHA: Mar, pa eu, foi muiito mas cuma ficada. Aquele bejo foi o primero e o único da minha vida té hoje.&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é?&lt;br /&gt;FATINHA (derramando algumas lágrimas): Lelo, eu te amo desdaquele dia! Eu num quero mar ninguém! Eu fiquei calada quano tu tava ca Tilinha, mas agora... agora é a minha vez!&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é?&lt;br /&gt;FATINHA: Fica cum eu, Lelo! Assim, tu cala boca daquela Preá!&lt;br /&gt;LELO: Tu tá quereno ficá cum eu, mermo sabeno que num quero ficá cum tu? Inda mar quereno dizê pos otro queu num sô viado?&lt;br /&gt;FATINHA: É! É isso! Eu faço quaqué sacrifíço po tu!&lt;br /&gt;LELO: Fatinha, as coisa num pode sê assim! Tu num pode anulá tu desse jeto. Tu num vai sê filiz ficano do meu lado.&lt;br /&gt;FATINHA: E cumé queu posso isquecê tu se eu vejo tu todo dia passano no pátio? Cumé queu posso isquecê tu se tu tá incravado no meu coração, nos meus lábios, nos meus olhos?&lt;br /&gt;LELO: Fatinha, pelamô de Deus! A gente já falamo disso, e muito ante de tu vi pa Vila Potira. Mô Deus, que será que tá cunteceno? Parece que todo mundo resoveu se paxoná po eu!&lt;br /&gt;FATINHA: Alguém mar tá paxonado po tu? Quem é? Eu ispero!&lt;br /&gt;LELO: Não, Fatinha! Eu num quero que tu me ispera! Eu quero que tu viva tua vida e me dexa ne paz!&lt;br /&gt;FATINHA: Num faz isso cum eu, Lelo! Sem isperança, num cunsigo vivê!&lt;br /&gt;LELO: Tu tem que pucurá otra isperança pa vivê, Fatinha. Cum eu tu num vai ficá!&lt;br /&gt;    Chegada a vila, Lelo procurou afastar-se de Fatinha, que enxugou os olhos antes de entrar em casa.&lt;br /&gt;    E Lelo, ao entrar em casa, deparou-se com uma novidade: um grande espelho havia sido colocado bem em frente à porta.&lt;br /&gt;    A primeira reação de Lelo ao se deparar com a própria imagem refletida foi de susto: como podia deparar-se com outra pessoa dentro de casa além de Rique? Depois, reconhecendo-se naquela imagem, aproximou-se do espelho. A seguir, olhou diretamente nos seus olhos; queria entender exatamente o que estava se passando consigo mesmo. Por que sentia esses desejos condenados pela sociedade? Por que não conseguia amar mais sua genitora como ordenava os mandamentos? Por que nascera negro, pobre e favelado? Por que cria em Deus, se esse mesmo Deus permitira que ele sofresse tamanhas violências na vida, e, ainda por cima, teria de ser grato por isso? Por que ele era ele? Por que respirava ar puro e aspirava tornar-se um homem santo no meio de tanta podridão e tantas indigências a seu lado? Por que teria de escolher entre tantos que o amavam apenas um e somente um, com tantos que lutavam por ter um amor, apenas um, sem sucesso? Tanta sorte e tanto azar numa pessoa só. Tanto amor e tanta dor concentrados num coração pequeno em estatura, mas imenso no potencial.&lt;br /&gt;    E assim o tempo passou. Até que Rique apareceu a seu lado, sem que Lelo o percebesse.&lt;br /&gt;RIQUE: Supreso?&lt;br /&gt;LELO: Hã?! Tu tavaí?&lt;br /&gt;RIQUE: Ô tá dimirano tua beleza?&lt;br /&gt;LELO (rindo): Tava qui pensano...&lt;br /&gt;RIQUE: Na nossa vida à dois?&lt;br /&gt;    Nesse momento. Rique moveu-se para trás de Lelo e o abraçou, observando como ficaria o casal refletido na moldura. O sorriso de Rique contagiou Lelo, que passou a observar aquela cena com carinho também.&lt;br /&gt;RIQUE: Tá veno cumo a gente ficamo bem na modura?&lt;br /&gt;LELO: Sim! A tua felicidade contagia, diante de tanta dor nesses últimos dia.&lt;br /&gt;RIQUE: Agora num é mais hora de pensá em dô. Sinto pelo ispancamento, sinto pela sua vó. Mas agora é hora de pensá ne paxão, nós dois, da vida que a gente vamo tê ne breve.&lt;br /&gt;LELO (constrangido): Rique, tu sabe queu gorto muito de tu, mar num posso sê teu por inquanto. Minha cabeça tá muito cunfusa agora. Num é fácil pa eu vivê agora uma coisa que lutei contra.&lt;br /&gt;RIQUE: Eu sei. Iô tô aqui pa ajudá tu a se libetá desses trauma! Iô tô aqui pa fazê tu filiz!&lt;br /&gt;    Rique passou a acariciar Lelo fazendo uma espécie de massagem em suas costas e em seus braços, procurando relaxá-lo.&lt;br /&gt;RIQUE: Podexá queu vô cuidá de tu agora, Lelo!&lt;br /&gt;    Rique tirou-lhe a camisa e passou em suas costasum óleo de agradável fragrância que já trazia no bolso da calça.&lt;br /&gt;LELO: Tu tava preprado já, né?&lt;br /&gt;RIQUE: Tô sempr peparado pa te fazê bem, Lelo. Tu é que nunca pecebeu isso.&lt;br /&gt;    Com todo aquele cheiro e o relaxamento que a massagem proporcionava-lhe, Lelo sentia um prazer que há muito tempo não sentia. Não era um prazer excitante que levava ao êxtase e terminava em seguida; era o prazer de se sentir amado, querido, acolhido, sem cobranças nem metas nem determinações; um prazer que renovava, com o qual desejaria conviver por muitas e muitas horas, por muitos e muitos anos, que só mesmo alguém que ama sabe transmitir; o prazer de estar junto de alguém, seja amigo, seja namorado, seja amante sincero e desinteressado, a não ser pelo interesse puro e simples de querer ao outro o bem-estar.&lt;br /&gt;LELO: Eu nunca me senti assim.&lt;br /&gt;RIQUE: Que bom! Tá gortano?&lt;br /&gt;LELO: Muito! Tu num sabe o quanto...&lt;br /&gt;    Após alguns minutos de massagem nas costas, Rique estendeu para os braços. Lelo sentia-se quase levitando ao sentir as tensões do corpo se dissiparem; seus olhos já não enxergavam mais nada além da felicidade em seus próprios olhos.&lt;br /&gt;    Em seguida, Rique passou à massagem no tórax e no abdômen de Lelo; aproveitando o espelho, permaneceu por trás do amigo, aproveitando para beijá-lo no pescoço e demonstrar algo mais que guardava abaixo da cintura. Desta vez, Lelo protestou.&lt;br /&gt;LELO: Rique, vamo cum calma. Eu num tô preparado ainda.&lt;br /&gt;    E virou-se de frente para Rique.&lt;br /&gt;LELO: Eu sei muito bem o que tu qué; mar... inda é muito cumplicado pa eu pensá ne sexo sem lembrá das otras coisa queu tive: o Wayne... os cara da Gangue... isso tudo dói ne mim ainda...&lt;br /&gt;RIQUE: Dexa cum eu cô vô ajudá tu a isquecê todas as dô...&lt;br /&gt;    Desta vez, Rique sentou Lelo no sofá e passou a beijá-lo no peito, lamber seus mamilos e a descer com a boca acariciando-lhe o abdômen. Lelo, ao mesmo tempo em que delirava de prazer, via todas as cenas indesejáveis passar, inclusive dos vídeos que vira pela internet.&lt;br /&gt;    Quando Rique preparava-se para aproximar-se de seu membro, Lelo puxou a cabeça de Rique para cima.&lt;br /&gt;LELO: Pára, Rique! Hoje, não! Eu agradeço tudo que tu fez po mim hoje, mar, pa eu, tá bom dimais!&lt;br /&gt;RIQUE: Mas eu inda num cabei...&lt;br /&gt;LELO: Mas eu num sô um dos teu cliente... Sô teu amigo antes de tudo...&lt;br /&gt;RIQUE: Tu num sabe cumo dói ne mim tu dizê que é meu amigo... Eu sei que tu qué queu faz...&lt;br /&gt;LELO: Mô corpo diz uma coisa. Mar, se eu fizê isso hoje, minha cabeça num vai querê fazê nunca mais. Intende isso?&lt;br /&gt;    Os olhos de ambos cruzaram-se, tentando um transmitir para o outro o que se passava em suas mentes. Ficaram alguns minutos ainda olhando um para o outro.&lt;br /&gt;    Para encerrar aquele tenso momento de tesão, Lelo abraçou Rique.&lt;br /&gt;RIQUE: Cumeu quero tu, véio! Tu num tem noção!&lt;br /&gt;LELO: Tenho sim! O pió queu tenho sim! Mas agora num posso, num dá!&lt;br /&gt;    E, levantando-se, Lelo postou-se novamente de frente para o espelho, e tocou em sua mão nele refletida.&lt;br /&gt;LELO: Eu priciso discubri quem sou, que sou, o queu quero. Pa te querê, Rique, eu priciso botá minha cabeça no lugá, e isso nem tu nem mar ninguém pode me ajudá!&lt;br /&gt;    Rique ficou observando Lelo de longe; percebeu, ali, que estava diante do desafio mais difícil de sua vida. Lelo não era mais um cliente; era o grande amor que tanto buscou entre tantas mulheres.&lt;br /&gt;    Diante do impasse, nada mais restou a ambos senão dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-1262054337440946976?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/1262054337440946976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=1262054337440946976' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/1262054337440946976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/1262054337440946976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/02/captulo-23-o-espelho.html' title='CAPÍTULO 23: O espelho'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-3596971606172311503</id><published>2008-01-30T01:13:00.000-02:00</published><updated>2008-01-30T01:17:08.209-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 22: O velório de Etelvina</title><content type='html'>Lelo, Fatinha e Sheila chegaram à casa de Rute em pouco tempo. Lá acontecia o velório de Etelvina, acompanhado por Marcos e por companheiras de credo da falecida. Rute não estava.&lt;br /&gt;    Ao ver os recém-chegados, Marcos abraçou-os fortemente, procurando consolá-los.&lt;br /&gt;MARCOS: Eu tentei alertá-la! Eu a avisei que ela tinha de procurar um médico.&lt;br /&gt;SHEILA: Que co sinhô qué dizê cum isso?&lt;br /&gt;MARCOS: O laudo da "causa mortis" diz que ela estava com câncer. Ela achou que Jesus a curaria por meio da fé e da oração. A fé e a oração ajudam a suportar a dor, mas a medicina dos homens é essencial para o tratamento.&lt;br /&gt;    Tal revelação deixou Lelo chocado. Sua avó tornara-se fanática, depois de tantos anos ensinando-lhe exatamente o oposto.&lt;br /&gt;SHEILA: Talvez ela num quiria procupá a gente, né mermo?&lt;br /&gt;MARCOS: Acredito nessa tese também. Deus a recebeu de braços abertos, meus filhos.&lt;br /&gt;    Lelo ainda chorava. Contudo, mais do que se preocupar com a sorte da avó do outro lado da vida, tentava encontrar uma solução para os que se encontravam do lado de cá - especialmente sua mãe.&lt;br /&gt;LELO: Onde é que tá minha mãe?&lt;br /&gt;    Marcos apenas balançou a cabeça para dizer que não o sabia.&lt;br /&gt;    Sheila, mais calma, decidiu fazer mais café para distribuir aos veladores do corpo de Etelvina.&lt;br /&gt;LELO: Quem é que tá cuidano disso tudo?&lt;br /&gt;MARCOS: Nossa igreja tem uma caixinha que ajudou na composição de velório. A Sheila pagou a certidão de óbito.&lt;br /&gt;LELO: Num me conformo de num tê participado disso tudo.&lt;br /&gt;MARCOS: Calma, Lelo! Sabemos qur você está com dificuldades.&lt;br /&gt;LELO: O sinhô num sabe o quanto!&lt;br /&gt;    Lelo também já estava mais calmo e começou a conversar um pouco mais com os antigos companheiros de igreja. Para tanto, ajudou a organizar a seqüência de orações e hinos para todos cantarem durante todo o velório.&lt;br /&gt;RUTE (gritando): O que que esse ingrato tá fazeno na minha casa?&lt;br /&gt;    Mesmo com o odor etílico impregnando todo o ambiente, as orações e os hinos não foram interrompidos.&lt;br /&gt;RUTE (olhando o corpo): Mamãe! Que que foi ca cunteceu cum tu? (aproximando-se do caixão) Quanta gente, mamãe! Que que tá cunteceno? Levanta daí, vai? Num paga esse mico de morrê, hoje não, po favô...&lt;br /&gt;LELO (tentando tirá e fazê-la voltar à realidade): Mãe, vamo lá pa cuzinha. Lá tu pode tomá café e curá essa bebedera!&lt;br /&gt;RUTE (empurrando-o): Sai daqui! Qué que tu tá fazeno aqui? Veio vê o istrago que dexô nessa casa? Tu matô minha mãe de disgosto! Desde que tu foi imbora quela ficô triste, acabada, mal! Tu veio aqui pa se diverti nas nossas costa! Fora daqui!&lt;br /&gt;LELO: Tu num vai me ixpulsá do velório da minha vó! Esse é um momento de dô pa todos nós!&lt;br /&gt;RUTE: Nós, quem, cara pálida? Dô é pa quem viu ela definhando dia-a-dia aqui nessa casa! E não pa muleque vagabundo que sai de casa e dexa a mãe e a avó na miséria!&lt;br /&gt;LELO: Mãe, tu tá bêbada. Vamo lá pa dentro pa tu tomá um café forte...&lt;br /&gt;RUTE: Num vô ne lugá ninhum cum tu, filho ingrato! Tu é que divia tá seno interrado nesse caxão! Tu num sabe nem o que vai sê da vida da tua mãe depois! Quê queu vô fazê da minha vida sem ela? Num sei vivê sem minha mãe!&lt;br /&gt;MARCOS (abraçando Rute): Acalme-se, Rute! Não é hora pra discussões; é hora de paz, reconciliação!&lt;br /&gt;RUTE: Me larga, seu papa-defunto, papa-bolso-de-velha! Tu, im vez de consetá meu filho, dexô ele pió do que era antes! Antes, era viado! Agora, já deve sê travesti!&lt;br /&gt;LELO (gritando): Chega, mãe! Eu num agüento mais isso!&lt;br /&gt;    Num impulso, Lelo pegou a mãe pelos braços e a arrastou até o banheiro. Mesmo com toda a resistência física e gritos dela, Lelo a colocou debaixo do chuveiro e deu-lhe um banho gelado, debaixo de tapas e rogações de pragas. Lelo escutava tudo em silêncio; apenas banhava-a.&lt;br /&gt;    Ao final, Lelo chamou Sheila e Fatinha para cuidarem de Rute. Esta, por sua vez, gemia e choromingava, num misto de revolta, delírio alcoólico e sentimento de perda.&lt;br /&gt;    Depois que Fatinha e Sheila chegaram, Lelo voltou para a sala para ficar com os membros da igreja.&lt;br /&gt;MARCOS: Marquinho, o que foi isso? Nunca te vi assim.&lt;br /&gt;LELO: Discupa, pastô! Num sei que que deu ne mim. Só sei queu tinha que dá um jeito nela.&lt;br /&gt;MARCOS: Mas tinha que ser de um modo tão violento? Todos ficamos chocados! Por mais que você não se dê com sua mãe...&lt;br /&gt;LELO: Pastô, eu inda tô muito abalado cum muita coisa que cunteceu. Em uma semana eu fui ispancado, teminei cum minha namorada e minha vó faleceu. Num tá seno fácil...&lt;br /&gt;MARCOS: Mas você não pode se esquecer daquele mandamento de honrar pai e mãe...&lt;br /&gt;LELO: Num cunheci meu pai e tô tentano fazê cum que minha mãe merece sê honrada. Dá pa honrá uma bêbada que bate ne tu quano tu traz dinhero e cumida pa casa? Cum ceteza Moisés num teve uma mãe cumo a minha!&lt;br /&gt;MARCOS: Marquinho, seja razoável! Entenda o lado dela, que também acabou de perder a mãe.&lt;br /&gt;LELO: Ela pedeu a dela. E eu? Que foi queu pedi? Pedi a única pessoa que fez papel de mãe pa eu.&lt;br /&gt;MARCOS: Acalme-se, Marquinho! Vai acabar blasfemando um pouco mais!&lt;br /&gt;LELO (respirando fundo): Tá certo! Vô lá pegá um café forte pa curá a bebedera da minha mãe.&lt;br /&gt;    Lelo foi direto para a cozinha. Lá chegando, ao se aproximar da garrafa de café, ele sentiu uma mão segurando fortemente sua boca, a porta da cozinha sendo fechada e trancada e uma forte respiração por trás, além de um instrumento bem rígido abaixo da cintura.&lt;br /&gt;WAYNE: Tu vem no morro e nem vem visitá eu.&lt;br /&gt;    Wayne largou-o e o jogou contra a mesa. Lelo, depois disso, sentou-se.&lt;br /&gt;LELO: Tu tá maluco, é? Num tá veno que minha vó morreu? E que tá todo mundo aí na sala velando ela?&lt;br /&gt;WAYNE: Num priciso vê nada! Eu sei tudo que cuntece nesse morro na tua vida.&lt;br /&gt;LELO: Sei! Sabe sim! Sabe tanto queu fui ispanado po tua causa e inda fui istrupado po quatro cara!&lt;br /&gt;    Wayne, de uma expressão habitualmente sorridente e ameaçadora e sedutora quando estava com Lelo, fez cara curiosa diante da revelação.&lt;br /&gt;WAYNE: Cumé que é?&lt;br /&gt;LELO: É! Tu sigura essa Liliane aí e eu é que pago o pato.&lt;br /&gt;WAYNE: Abre esse bagulhaí peu vê.&lt;br /&gt;    E Lelo contou toda a história do espancamento e do estupro, além de ressaltar o objetivo da Gangue do Adeus: reaver Liliane.&lt;br /&gt;WAYNE (rindo): Qué dizê quesse bando de playboy vagabundo resoveu disafiá eu!&lt;br /&gt;LELO: Vai rindo, vai! Num foi tu que apanhô na rua nem levou quatro vara no rabo.&lt;br /&gt;WAYNE: Ué?! Tu já divia tá custumado! O tanto que já fiz cum tu...&lt;br /&gt;LELO: Tu é muito ingraçado! Primero, fala que me ama! Dipois, dexa eu sê tropelado, ispancado, istrupado e inda zomba deu!&lt;br /&gt;WAYNE: Tu quiria queu fazia o que? Chorava? Pegava uma metralhadora e saía matano todos os playboy da Barra? Logo os meu mió criente?&lt;br /&gt;LELO: Tu num presta memo, nem pa eu nem pa Sheila! Tenho mais o que fazê!&lt;br /&gt;WAYNE: Ispera! Tu qué queu faz o que? Tu qué vingança?&lt;br /&gt;LELO: Se tu me ama, tem que mostrá que me ama, né?&lt;br /&gt;WAYNE: Se quisé, eu mato um por um cum toda crueldade queu pudé!&lt;br /&gt;LELO: Não! Num pricisa! Eu já pedoei eles!&lt;br /&gt;WAYNE (rindo): Tu é muito ingraçado: cobra deu uma decisõ e dá uma de crente arrependido! Cumé que é? Vai querê queu mato ou não?&lt;br /&gt;LELO: Não! Faz uma coisa bem milhó: devove a Liliane.&lt;br /&gt;    Wayne fechou o rosto.&lt;br /&gt;WAYNE: Aquela vagaba lora num tá qui presa não. Ela tda qui puque qué! E isso tem a vê cum quele pilantra vagabundo pilidado Duda.&lt;br /&gt;LELO: Que que tu tá falanaí? O Duda é o milhó cara queu já cunheci im toda minha vida.&lt;br /&gt;WAYNE: Ah,é?! E tu cunhece ele por acaso? Sabe daonde ele é? Sabe o que quele far da vida?&lt;br /&gt;LELO: Ele istuda na facudade. Ele veio de fora do istado!&lt;br /&gt;WAYNE: Facudade ele istuda sim, mas... de fora do istado?  Tcs, tsc, tsc, tsc, tsc, tsc, tsc, tsc! Ele é nascido e criado em beço de oro, na Barra do Adeus! Ele é filhinho de papai, e muito do mimado! Safado, canalha! E só tá na Vila Potira puque qué se iscondê.&lt;br /&gt;LELO: Cumé quele pode se iscondê se cuntinua istudano na facudade?&lt;br /&gt;WAYNE: Ele pode num se iscondê dos amigo, mar pode querê se iscondê da bronca dos pai...&lt;br /&gt;LELO: Ele tá na casa dos pai dele agora, tá?&lt;br /&gt;WAYNE: Tu tem ceteza disso? Tu tá lá pa vê isso? Liliane tamém achava isso...&lt;br /&gt;LELO: Que que tu tá quereno dizê cum isso?&lt;br /&gt;WAYNE: Que só eu quero bem pa tu, cavalinho! Só eu falo a vedade pa tu. Se quisé, posso mostrá pa tu onde é co Duda tá agora!&lt;br /&gt;LELO: Eu num vô saí no meio do velório da minha vó pa bisbilhotá a vida do Duda!&lt;br /&gt;WAYNE: Pois é, Lelo! Veja tu cumé a vida: Duda tá lá na boca cum bum bando de playboy quereno vê a Liliane. E a Liliane tá qui puque tá gravida dele. E ela num qué vê Duda nem pintado puque o Duda teminô cum ela.&lt;br /&gt;    Lelo, mais uma vez, ficou chocado com as revelações de Wayne. Em vez de reagir, desta vez, Lelo preferiu calar-se.&lt;br /&gt;WAYNE: E aí? Tu inda cunfia nesse cara? Pu que tu num se junta cum eu, e dexa esse povo todo pa lá? Tu vai ganhá muita grana qui cum eu, Lelo! Tu num vai mar tê que dá sastifaçõ nem pa tua mãe!&lt;br /&gt;    Lelo levantou-se, pegou a chave e fez movimento de sair da cozinha.&lt;br /&gt;LELO: Wayne, sai daqui e dexeu ne paz!&lt;br /&gt;WAYNE: E dexá tu viveno na ilusõ?&lt;br /&gt;LELO: Té agora tu só truxe tristeza pa eu! Cumé que tu qué queu vive cum tu? Eu num quero isso! Quero vivê ne paz! Me dexa!&lt;br /&gt;    Lelo sai e bate a porta, deixando Wayne na cozinha.&lt;br /&gt;    Ao voltar para a sala, Rute já estava arrumada e chorando num canto. Sheila cuidava dela enquanto Fatinha servia os convidados.&lt;br /&gt;FATINHA: Cadê o café que tu foi buscá? Pu que a porta da cuzinh tava trancada?&lt;br /&gt;    Na mesma hora, as pessoas em volta demonstraram espanto. Todos olhavam para a porta da cozinha. Wayne trazia a garrafa de café.&lt;br /&gt;    Wayne, depois de dá-la a Fatinha, aproximou-se do caixão e acariciou o rosto do corpo de Etelvina.&lt;br /&gt;WAYNE: Cês tudo pode ficá disprocupado queu vô pagá todas dispesa desse interro!&lt;br /&gt;MARCOS: Não queremos dinheiro do tráfico. Nós temos nossa caixinha pra isso!&lt;br /&gt;WAYNE: Guada tua caxinha pa quem num tem nada! Eu vô pagá todas dispesa puque D. Etelvina deu muito amô pa pessoa que mais amo nesse mundo!&lt;br /&gt;    Um silêncio tomou conta da sala.&lt;br /&gt;WAYNE: Mermão, eu sei que tu num gorta deu, mas pode iconomizá teu dinhero! Agora, é por minha conta!&lt;br /&gt;    Marcos preferiu evitar um confronto direto com o irmão na frente de todos.&lt;br /&gt;    Após alguns instantes, Wayne olhou para Lelo e deixou o recinto. Na cozinha, minutos depois, apareceu uma certa quantia em dinheiro, que cobriu não somente as despesas como deu para sustentar a casa por um bom tempo.&lt;br /&gt;    Depois dessas intervenções, o velório e, em seguida, o enterro, seguiu sem maiores divergências e interrupções. E nada mais restou a cada um dos presentes, após o enterro, se não seguir seus próprios caminhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-3596971606172311503?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/3596971606172311503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=3596971606172311503' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/3596971606172311503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/3596971606172311503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/01/captulo-22-o-velrio-de-etelvina.html' title='CAPÍTULO 22: O velório de Etelvina'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-3849042042087350411</id><published>2008-01-26T02:55:00.000-02:00</published><updated>2008-01-26T03:03:18.511-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 21: Festa de noivado</title><content type='html'>O final de semana foi marcado por uma grande novidade a vila: o noivado de Celi e Zé Felix. Tal novidade foi marcada por um novo grande pagode.&lt;br /&gt;    Uirapuru e a Família Carlos prepararam uma grande seqüência de pagodes, incluindo músicas favoritas dos noivos e canções românticas que faziam sucesso nas rádios à época. Mais tarde, apareceu Joaquim, milagrosamente limpo, perfumado e arrumado, acompanhado de sseus inseparáveis vira-latas, e recitou poemas de amor; dizia ter lido muitos poemas no tempo em que era rico, e se recordava de alguns, os mais belos.&lt;br /&gt;    O noivo estava emocionado com tantas atividades e homenagens. A noiva, no entanto, permanecia gélida e impassível; parecia-lhe uma obrigação tediosa e incômoda realizar aquele noivado; não se emocionava nem mesmo com os carinhos recebidos de seu noivo, que procurava não se importar muito com isso – sua paixão lhe bastava para ambos, assim pensava.&lt;br /&gt;    Zeli, que organizara toda a festa, estava radiante. O sorriso jamais desaparecia de seus lábios. Parecia estar realizando o próprio noivado.&lt;br /&gt;    Vivinha, por sua vez, alfinetava o noivo de vez em quando. Nas outras vezes, paparicava Joaquim, de quem cuidara para fazer bonito naquele evento.&lt;br /&gt;    Entre os mais animados, Guilha, Bebê, Samanta, Vagna, Dênis e Preá sambavam e incendiavam os vizinhos.&lt;br /&gt;    Adriana e Anderson, inspirados pelo clima de romantismo, estavam cada vez mais próximos e arriscavam um selinho de vez em quando. Os únicos senões eram os olhares preocupados de Vagna e Dênis, além do invejoso de Juninho, a esta altura demitido da lan house por ter sido pego furtando ganhos do dia. Preá não dava a mínima; queria mesmo que o filho a deixasse em paz o mais rápido possível.&lt;br /&gt;    Elisa e Fatinha, ao lado de seu pai, Francisco, e Severino, irmão de Francisco, assistiam a tudo. Francisco, cadeirante, sorria como uma cirança, pois há muito não conversava com o irmão nem curtia momentos de paz como aqueles. Severino, por sua vez, também estava muito contente, pois podia acompanhar o irmão mais de perto e se distrair um pouco do estresse adquirido no trabalho e na convivência com sua complicada família. Por fim, as meninas arriscavam um ou outro passo de dança, mas o desânimo lhes era evidente; Elisa ainda sofria pelo rompimento com Rique; e Fatinha não conseguia se libertar de sua paixão doentia por Lelo.&lt;br /&gt;    No outro lado do salão, Bombom e Detinha namoravam com beijos tão sensuais que constrangiam os noivos e Severino. Juninho e Toco sambavam um pouco, mas não se desgrudavam da posição de vela. Juninho bem que tentou sair e tentar agarrar Adriana; contudo, foi contido por Toco, que o aconselhou a procurar outra menina para namorar.&lt;br /&gt;    Observando todos os movimentos, Terezão acariciava a mão de sua amada, que descansava a cabeça no seu ombro. Pareciam duas namoradas com o romantismo de quase vinte anos antes, quando se conheceram.&lt;br /&gt;    Afastados e alheios numa conversa sem fim, Lelo e Robinho riam e cochichavam. Duda fora para a casa da família, e Rique trabalhava na lan. Assim, Lelo curtia um pouco a companhia do colega de escola, que se tornava cada vez mais íntimo de sua vida. O tímido deixara sua antiga condição de retraimento e deslanchou a falar coisas que muitas vezes deixavam Lelo encabulado, principalmente quando era relacionado à área sexual. Os olhos de Robinho brilhavam ao relatar todas as experiências com a prima; Lelo, impassível, apenas escutava, comentando sempre que podia. Contudo, naquela noite, Robinho trouxe uma novidade.&lt;br /&gt;ROBINHO: Tudo que tô contano pa tu far tempo. Já tem muito tempo ca gente num far nada.&lt;br /&gt;LELO: E pu quê?&lt;br /&gt;ROBINHO: É queu pidi pa gente pará puns tempo.&lt;br /&gt;LELO: Que cove? Cês num tavo mar se dano bem?&lt;br /&gt;ROBINHO: Sim, mar... mo coraçõ tava pidino pa pará. Mo coraçõ tá bateno po otra pessoa.&lt;br /&gt;LELO: Nossa! Tu tá paxonado, Robinho! Quem diria! E quem é a sotuda? É lá da iscola? É daqui da vila?&lt;br /&gt;    Robinho mudou de assunto. Lelo ainda insistiu, porém o amigo preferiu não entrar em detalhes; fingia-se de desentendido. Talvez fosse alguma moça comprometida, mesmo Tilinha, daí o silêncio: para não chocar nem magoar.&lt;br /&gt;LELO: Véio, teus caderno e teus livro tõ liberado. Vamo lá ne casa peu intregá pa tu!&lt;br /&gt;    E lá foram os amigos no meio da festa para resolver pendências educacionais. Em poucos instantes, chegaram à casa de Lelo. Após entrarem, Lelo acendeu a luz da sala e pediu para a amigo esperar ali na sala mesmo.&lt;br /&gt;    Lelo ligou a TV, enquanto Robinho sentou-se sobre o sofá.&lt;br /&gt;    Em seguida, Lelo foi para o quarto para pegar os cadernos e livros de Robinho. Todos estavam um pouco desarrumados; por isso, Lelo aproveitou a ocasião para colocar um pouco de ordem.&lt;br /&gt;    De repente, distraído, Lelo só percebeu que algo caía sobre ele enquanto arrumava os livros. Era Robinho, que viera da sala perguntar se o amigo precisava de ajuda; ele tropeçara nos livros, que estavam encostados à porta.&lt;br /&gt;    Por sorte, Lelo fora ágil, deitando-se sobre o chão de modo a amortecer a queda do amigo. No entanto, a posição em que Robinho caíra o deixou com o corpo tão colado ao do amigo que não houve como não ocorrer um certo estranhamento físico.&lt;br /&gt;LELO: Tá tudo bem, Robinho?&lt;br /&gt;ROBINHO: Sim! Num me machuquei não!&lt;br /&gt;LELO: Num é disso queu tô falano.&lt;br /&gt;ROBINHO: Intõ, que foi?&lt;br /&gt;LELO: Tô sintino uma coisa istranha. Tu tá cum uma coisa dura no bolso ô tu tá é de...&lt;br /&gt;ROBINHO: Pô, véio, assim tu dexeu sem graça.&lt;br /&gt;    Risos.&lt;br /&gt;    Silêncio.&lt;br /&gt;    Olhares.&lt;br /&gt;ROBINHO: É! Acho queu tô sintino falta da minha priminha...&lt;br /&gt;LELO: É! Pode sê...&lt;br /&gt;ROBINHO: É vedade ca Prea tentô abusá de tu?&lt;br /&gt;LELO: Lá vem tu tamém cum essa história! Aquela mulhé é maluca! Tu vai creditá tamém nessa história, é?&lt;br /&gt;ROBINHO: Bom, tô peguntano isso puque acho queu tô sintino o que ela num cunsiguiu...&lt;br /&gt;    Robinho sorriu. Lelo ficou sério.&lt;br /&gt;    Robinho mexe-se um pouco. Lelo solta um gemido.&lt;br /&gt;ROBINHO: Tô cuma coisa pa te contá!&lt;br /&gt;LELO: Fala!&lt;br /&gt;ROBINHO: A minha priminha num é uma priminha, sabe?&lt;br /&gt;LELO: Já intendi...&lt;br /&gt;ROBINHO: E a pessoa que tô paxonada, Lelo, é tu!&lt;br /&gt;    Novo silêncio.&lt;br /&gt;    Olhares sérios e profundos.&lt;br /&gt;    Robinho leva as mãos ao rosto de Lelo. Este, por sua vez, segura o amigo pela cintura.&lt;br /&gt;ROBINHO: Tu ajudô eu a saí da minha prisõ. Tu num sabe cumo me fazia bem te tocá na sala de aula, fingi que tava socano tu só pa te tocá. Tu num sabe cumo quero fazê cum tu tudo o queu fazia cum meu priminho.&lt;br /&gt;    Lelo nada comentava. Apenas escutava tudo com atenção e desejo, que se fazia percebido pela temperatura e pela rigidez.&lt;br /&gt;ROBINHO: Tu num sabe cumo tá seno pa eu hoje tá qui cum tu, sintino tu, dizeno tudo isso pa tu. Tô me sintino o home mar filiz dessa vila.&lt;br /&gt;    Lelo levou sua mão direita ao rosto do amigo.&lt;br /&gt;LELO: Quiria muito ritribui esse sentimento que tu tá teno por eu. Mas eu fui ispancado e istrupado po quatro cara nessa semana. Tudo isso ainda me dói muito. E tu num é o primero dizeno que ama eu. Quiria muito amá tu e fazê tudo que tu fez cum seu primo aqui e agora memo... Mar num vai sê legal nem pa eu nem pa tu... Inda tô muito mal cum isso.&lt;br /&gt;ROBINHO: Só um bejo! Pelo menos isso, Lelo, po favô! Só um bejo.&lt;br /&gt;LELO: Robinho, por favô, não! Por inquanto, não! Dexeu saí disso primero pa que as coisa fica mar fácil, tá?&lt;br /&gt;    Robinho ainda insistiu um pouco, mas Lelo relutou até Que o amigo cedesse e encerrasse o assunto.&lt;br /&gt;    Assim, ambos se levantaram, Lelo pegou os livros e cadernos, dividiu-os com Robinho e, minutos depois, saíram da casa.&lt;br /&gt;    Depois que Lelo trancou a porta e se virou para continuar a caminhada à casa de Zeli, Robinho violentamente encostou o amigo na parede, derrubando todos os livros e cadernos e beijou-o. Primeiro, um beijo desesperado de quem parecia estar se despedindo sumariamente de alguém. Instantes depois, um beijo doce de namoro ingênuo e romântico de novela das seis: olhos fechados, lábios colados, som de coração batendo, abraço carinhoso. O amor recolhido de Robinho explodia naquele pátio aparentemente vazio.&lt;br /&gt;    Ao final, Lelo olhouo-o chocado, enquanto Robinho sorria de extrema felicidade.&lt;br /&gt;LELO: Tu ficô maluco, é? E se pego a gente aqui nesse agarramento.&lt;br /&gt;ROBINHO (rindo): Num se procupe. Num tem mar ninguém aqui.&lt;br /&gt;LELO (recolhendo os livros): Memo assim! Pudia parecê alguém...&lt;br /&gt;ROBINHO: Meu amô po tu é tõ grande co pessoal ia gortá!&lt;br /&gt;LELO: A gente num divia tê feito isso...&lt;br /&gt;ROBINHO: Pu que não? Tu gortô e muito!&lt;br /&gt;LELO: Eu nunca tinha sido bejado assim por otro home.&lt;br /&gt;ROBINHO: Sempre tem a primera vez!&lt;br /&gt;LELO: Mas isso num pode voltá cuntecê!&lt;br /&gt;ROBINHO: Pu que não? Tu tem medo de que?&lt;br /&gt;LELO: Num é medo! Só num tô preparado ainda! Priciso colocá minha cabeça no lugá.&lt;br /&gt;ROBINHO: Dexa cumigo que sei cuidá dele direitinho.&lt;br /&gt;    E tascou-lhe um novo beijo.&lt;br /&gt;    No meio disso, um grito feminino, que os levou a se separarem imediatamente.&lt;br /&gt;    Lelo e Robinho cataram livros e cadernos e correram para ver o que estava acontecendo.&lt;br /&gt;    No caminho, um susto: Sheila, chorando, caminhava pela vila.&lt;br /&gt;LELO: Sheila Maria, que que tu tá fazeno aqui?!&lt;br /&gt;SHEILA: Lelo, cunteceu uma disgraça!&lt;br /&gt;LELO: Que que foi? Foi tu que tava gritano desse jeito?&lt;br /&gt;SHEILA: Não. Foi uma barriguda lá fora que tá pedeno o bebê dela. Tá saíno sangue e tudo...&lt;br /&gt;ROBINHO: Mô Deus, a Preá bortô! Dexeu lá vê isso!&lt;br /&gt;    E Robinho correu, deixando os irmãos a sós no pátio.&lt;br /&gt;LELO: Cumé que tu chegô té aqui?&lt;br /&gt;SHEILA: Liguei pa Fatinha, que disse que tu tinha ido ne casa cum Robinho.&lt;br /&gt;LELO: É, fui pegá os... Num me diga que tu tamém pedeu o bebê.&lt;br /&gt;SHEILA: Não, mano! Antes fosse! A coisa é muito pió!&lt;br /&gt;LELO: Mô Deus, fala logo, mana!&lt;br /&gt;SHEILA: A vovó, Lelo! A vovó!&lt;br /&gt;LELO: Que que tem a vovó? Ela caiu? Tá no hospital? Foi assaltada?&lt;br /&gt;SHEILA: Ela morreu.&lt;br /&gt;    Pior notícia em pior hora não poderia ser.&lt;br /&gt;SHEILA:Tava tentano ligá pa tu desde cedo, mar teu celulá tava dano fora de área de cobetura o tempo todo. Que cove?&lt;br /&gt;    Lelo não conseguiu responder; apenas se desmanchou em lágrimas e abraçou a irmã.&lt;br /&gt;    Enquanto Dênis levou Preá na kombi para ser atendida de emergência pelo aborto natural, Sheila, Lelo e Fatinha seguiram de ônibus até o Morro da Ressurreição, onde acontecia o velório de Etelvina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-3849042042087350411?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/3849042042087350411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=3849042042087350411' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/3849042042087350411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/3849042042087350411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/01/captulo-21-festa-de-noivado.html' title='CAPÍTULO 21: Festa de noivado'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-7715487802010332915</id><published>2008-01-10T01:30:00.000-02:00</published><updated>2008-01-10T01:31:51.417-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 20: Sinceridades</title><content type='html'>Lelo saiu da casa de Duda vestindo uma roupa emprestada pelo amigo. E foi diretamente à banca de Lilico para conversar com ele sobre o novo emprego.&lt;br /&gt;    Ao chegar à banca, Lilico, que estava conversando alegremente com um freguês, parou e observou chocado como Lelo estava. Havia um hematoma no rosto, o que deixava bastante claro o que tinha acontecido.&lt;br /&gt;    Lelo comentou o que acontecera de madrugada, sem entrar em detalhes sobre a violência sexual que sofrera. Apenas colocou que foi confundido com um traficante pela Gangue do Adeus.&lt;br /&gt;    Lilico lamentou o acontecido e que, por isso, deu o dia de folga para ele.&lt;br /&gt;    E Lelo aproveitou o ensejo para tratar do novo emprego. Lilico, em vez de se entristecer pela perda do empregado, ficou muito feliz, pois, dessa forma, Lelo cresceria na vida. De qualquer forma, deixou claro para o rapaz que, caso voltasse a ficar desempregado, poderia voltar para a banca de jornal sem problemas.&lt;br /&gt;LILICO: Gortei muito de trabalhá cum tu. Os freguês hoje tavo tudo preguntano aonde é que tu tava. Num falei o que tinha cuntecido, mar disse que tu num tava bem. Bom, Lelo, boa sorte no teu novo imprego!&lt;br /&gt;    Após um abraço, Lelo voltou para a vila. Seria hora de encarar Rique.&lt;br /&gt;    No caminho, no entanto, encontrou Vivinha e Zeli.&lt;br /&gt;ZELI: Meu filho, eu fiquei sabendo. Nossa, tá inchado ainda!&lt;br /&gt;LELO: É! Mar já tô bem milhó!&lt;br /&gt;VIVINHA: É bom que teja mesmo, puque a Tilinha tá pussessa da vida atrás de você!&lt;br /&gt;ZELI: Mãe, por favor, ele tá se recuperando de um espancamento! Tilinha que espere, ora!&lt;br /&gt;    Em seguida, passaram Guilha e Bebê, que também pararam e procuraram saber como estava Lelo. Depois, vieram Vagna e Dênis. Todos ficaram indignados com a história e, principalmente, com a atitude e a violência da Gangue do Adeus.&lt;br /&gt;DÊNIS: Isso é um abisurdo! A puliça tem que dá um jeto nesses cara!&lt;br /&gt;BEBÊ: Uma miga minha foi violentada por eles num motel. Ela achô que era programa e acabou seno um istrupo.&lt;br /&gt;GUILHA: É! E uma miga da Samanta foi morta. Istoraro o silicone no peito dela!&lt;br /&gt;VAGNA: Que isso! Esses cara é uns animal! Têm que pagá pelos crime!&lt;br /&gt;VIVINHA: Têm mermo é que morrê!&lt;br /&gt;ZELI: Mamãe! Que violência é essa?!&lt;br /&gt;LELO: Bom, gente, valeu o apoio de cês tudo! Num acho que eles deve morrê assim...&lt;br /&gt;VIVINHA: Tem razão, menino do coral! Esses minino têm que sê istrupado, levá uma surra! Dipois, sê isquartejado vivo, e tê seus resto ispalhado pela Barra do Adeus!&lt;br /&gt;ZELI: Mamãe, que isso?! A senhora tá vendo muitos desses programas policiais, viu?&lt;br /&gt;LELO: Num acho que isso tudo seje preciso, D. Vivinha. Deus vai cuidá deles, podexá!&lt;br /&gt;    Após mais um pouco de demonstrações de carinho, cada um foi para sua casa ou seu trabalho.&lt;br /&gt;    Mais alguns passos e vem uma tristonha Elisa. Tal tristeza transformou-se em espanto ao ver o rosto de Lelo.&lt;br /&gt;ELISA: Nossa! Nunca pensei que tinha sido tão ruim! Mo Deus, que fizero cum tu!&lt;br /&gt;    Elisa o abraçou. Lelo lhe contou todo o acontecido, sem entrar em muitos detalhes.&lt;br /&gt;    Após alguns lamentos, foi a vez de Lelo perguntar a razão de tal tristeza.&lt;br /&gt;ELISA: Eu e o Rique. A gente brigamo.&lt;br /&gt;LELO: Mar cês teminaro?&lt;br /&gt;ELISA: Não! Mas eu detesto brigá, sabe? A gente tinha cumbinado umas paradaí, mar num deu ceto.&lt;br /&gt;    Lelo entendeu que tal briga tinha relação com o combinado de levá-lo para a cama com eles. De qualquer forma, deu-lhe um novo abraço e desejou uma melhora nas relações.&lt;br /&gt;    Despedindo-se de Elisa, Lelo não precisou andar mais. Tilinha e Fatinha vinham abraçadas. Lelo não sabia que elas eram primas.&lt;br /&gt;    Depois do espanto pelo hematoma, Fatinha despediu-se do casal para ir para o trabalho.&lt;br /&gt;    Assim, ficaram Lelo e Tilinha a sós. E era hora de acertarem alguns detalhes.&lt;br /&gt;TILINHA: Agora tu num me iscapa! Que que tá cunteceno? Desde onte tu tá isquisito.&lt;br /&gt;LELO: Tilinha, po favô, num é a milhó hora pa gente cunvesá!&lt;br /&gt;TILINHA: Lelo, tu acha que tamém é fácil pa eu ficá veno tu saí da iscola e voltá pa casa assim? Pu que tu num bateu lá im casa? Que história é essa de se infiá na casa do Duda?&lt;br /&gt;LELO: Tilinha, num mistura as coisa! Eu já tinha cumbinado cum o Duda de durmi na casa dele.&lt;br /&gt;TILINHA: E aquele jeito que tu me tratô onte ante de tu saí, hein? Que queu fiz pa tu me tratá daquele jeto?&lt;br /&gt;LELO: É otra coisa. Eu tinha brigado cum o Rique e...&lt;br /&gt;TILINHA: Ah, é assim? Tu briga cum teus amigo e eu é que pago o pato?&lt;br /&gt;LELO: Tilinha, desde onte queu num tô bem! Já falei pa tu qué milhó a gente cunvesá otra hora, tá bom?&lt;br /&gt;TILINHA: Num tá bom não! Que que rola entre tu e Duda? Num vai me dizê que o que que aquela maluca da Preá diz é vedade?&lt;br /&gt;LELO: Preá?! Que quela fica falano deu? Que que deu nela pa falá deu? Nunca dei cunfiança pa ela...&lt;br /&gt;TILINHA: Eu peguei a Preá contano pa todo mundo lá no salõ de Elisa que tu era viado!&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é?!&lt;br /&gt;TILINHA: Foi a Detinha que me bateu isso! Ela chegô lá e falô que tentô trepá cuntigo, mar que tu num...&lt;br /&gt;LELO: Mo Deus, e tu acreditô naquela maluca?!&lt;br /&gt;TILINHA: Claro que num creditei, mar tu tá diferente desde co Duda voltô!&lt;br /&gt;LELO: Mete na tua cabeça uma coisa: o Duda é um grande amigo meu! Será queu num posso ficá um poco cum meus amigo?&lt;br /&gt;TILINHA: E se isquecê deu, não! Eu sô tua namorada e mereço respeito! E tu, sabeno desse buato que tá rolano na vila, num divia ficá poraí andano cum home...&lt;br /&gt;LELO: Peraí! Tu tem um irmão travesti e vem cantá de galo pa que?&lt;br /&gt;TILINHA: Tu sabe muito bem co Guilha é só meu vizinho de vila!&lt;br /&gt;LELO: Ele é teu irmão, Tilinha! Tu num pode disprezá ele só puque ele é travesti! Isso num é de Deus, mulhé!&lt;br /&gt;TILINHA: Ele tá im pecado! Num pode ficá cum a gente! Num merece sê mo irmão!&lt;br /&gt;LELO: Tilinha, minh irmã tá grávida! Ela transô cum um cara e ficô grávida! Eles num sõ casado! Tu acha queu devo disprezá ela só puque ela num casô antes??&lt;br /&gt;TILINHA: Sim! Ela tá im pecado. Só quano ela se cunvertê que merece tá cum a gente de novo!&lt;br /&gt;LELO: Intõ é isso que tu aprende na igreja do pastô Hilário Satiricon? É isso que tu qué queu vire: um homem preconceituoso e hipócrita?&lt;br /&gt;TILINHA: Um home decente, cumo tu sempre foi. Pelo jeto tu tá im pecado...&lt;br /&gt;LELO: Tilinha, num mistura as coisa!&lt;br /&gt;TILINHA: Tu tá diferente! Olha o jeito cumo tu tá me tratano! Tu já tá im otra...&lt;br /&gt;LELO: Iscuta uma cois queu vô batê pa tu, Tilinha: eu gorto de tu, mar priciso pará pa pensá umas coisa...&lt;br /&gt;TILINHA: Que que é, hein? Tu tá me pidino um tempo?&lt;br /&gt;LELO: Se essa é a palavra, é isso memo!&lt;br /&gt;TILINHA: Pois pa eu num tem tempo: ou a gente tamo junto ou num tamo!&lt;br /&gt;LELO: Intõ tá! Lelo tô terminano tudaqui agora cum tu!&lt;br /&gt;TILINHA: O que?!&lt;br /&gt;LELO: É! Tu num qué ouvi eu! Tu qué queu seje hipócrita! Sê hipócrita e precuncetuoso num é critõ! E eu sô cristõ!&lt;br /&gt;TILINHA: Não! Tu é um devasso! Dexô ca Preá tocava em tu e, agora, se deita cum otros home!&lt;br /&gt;LELO: Tilinha, já te falei quessa mulhé é maluca!&lt;br /&gt;TILINHA (chorando): Mar tu tá terminano tudo cumigo! Intõ é tudo verdade!&lt;br /&gt;LELO: Não! Num tem vedade im nada quela diz! Tu tem cacreditá ne mim!&lt;br /&gt;TILINHA: Tá! A gente teminamo e dipois? Cumé co fico?&lt;br /&gt;LELO: Tu acha co num tô triste por isso? Claro co tô! O co mar quiria era fazê tu filiz, mar num dá! A gente tem jeto diferente, pensamentos diferente, tudo muito diferente! E eu quis te amá nesse tempo todo ca gente ficô junto! Eu gorto de tu, mar só cunsigui gortá de tu cumo amiga.&lt;br /&gt;TILINHA: Tu me usô! Tu me usô pa disfaçá tua safadeza!&lt;br /&gt;LELO: Não! Já te falei que não. Eu quero vê tu filiz, mar do meu lado tu num vai cunsigui. Intende isso??&lt;br /&gt;TILINHA: O queu inteno é cagora eu tô sotera de novo! Tô na pista! Só co num vô fazê negóço! Vô me voltá pa Deus, pa te ajudá voltá ao normal!&lt;br /&gt;    Tilinha saiu correndo e entrou em casa. O movimento foi tão rápido que Lelo nem teve condições de esboçar qualquer reação que a impedisse.&lt;br /&gt;    Enfim, Lelo olhou em volta. Estava só no corredor da vila. Assim, restava-lhe voltar para a própria casa e, finalmente, conversar com Rique.&lt;br /&gt;    Ao adentrar a casa, Lelo escutou um barulho de águas cadentes; Rique tomava banho.&lt;br /&gt;    Assim, Lelo correu para o quarto e decidiu revirar os pertences do amigo para encontrar alguma prova de sua profissão secreta. Logo ao abrir o guarda-roupa dele, encontrou peças de roupas interessantes: roupas típicas de garçom, mecânico, policial, bombeiro, ginasta e uniformes de soldado do exército, da marinha e da aeronáutica. Além disso, uma diversidades de cuecas, desde as comuns e sungas de praia até lingeries. Havia também ainda uma bolsa, na qual encontrou próteses, consolos e vibradores. No meio desses equipamentos sexuais, uma bolsa, na qual Lelo encontrou diversos dólares.&lt;br /&gt;    A curiosidade de Lelo o deixou surdo. Ao mesmo tempo em que procurava provas da outra profissão do amigo, Rique terminara o banho e saíra do banheiro completamente nu, pois pensava estar sozinho em casa.&lt;br /&gt;    Ao entrar no quarto, logicamente, Rique tomou um duplo susto.&lt;br /&gt;RIQUE: Que que é isso?!&lt;br /&gt;LELO: Eu é que pegunto pa tu: que que é isso?&lt;br /&gt;RIQUE (movendo-se pra guardar os objetos): Larga as minhas coisa!&lt;br /&gt;LELO (colocando-se entre os objetos e Rique): Só se tu me dissé o que siguinifica essas ropa e essas pornografia queu nunca vi tu usano.&lt;br /&gt;RIQUE: Num é da sua conta!&lt;br /&gt;LELO: Desde onte qué da minha conta sim. Onteu fui falá cum o Wayne po causa da gravidez da minha irmã e ele me contô que tu é garoto de pograma!&lt;br /&gt;RIQUE: Cumé que é?! Tua irmã tá grávida?! Do Wayne?&lt;br /&gt;LELO: Tá, mar num muda de assunto! Tu é ô num é garoto de pograma?&lt;br /&gt;RIQUE: Pa que que tu qué sañe disso? Cumé quele tem corage de batê pa tu uma coisa dessa?&lt;br /&gt;LELO: Num sei. Num creditei na hora, mas ele me falô que tu é garoto de pograma e que tu num foi pa tua terra coisa nenhuma; que foi po istrangero cum otro home pa arrumá grana fácil!&lt;br /&gt;RIQUE: Fácil! Ha! Té parece! Quero vê ele cumê um cara gordo que nem o planeta terra e... e...&lt;br /&gt;LELO: Intõ tu cunfessa!&lt;br /&gt;    Rique sentou-se no colchonete. Havia se entregado sem querer. Não restou mais nada a ele se não abaixar a cabeça e continuar toda a história.&lt;br /&gt;RIQUE: Sim, Lelo. Eu confesso. Sô garoto de pograma. Eu  viajei po istrangero pa levantá uma grana preta. Pô, pu que não fazê isso? O cara é um rico impresáro. Quiria co cumia ele po toda temporada. Me pagô im dóla, e eu inda cunheci tanta coisa. Inglaterra, França, Holanda, Ispanha, Purtugal! Tu num tem noçõ das coisa queu vi.&lt;br /&gt;LELO: Rique, na vedade, num interessa pa eu o que tu viu lá fora ô que tu fez. Eu quero sabê se tu tava na rua trás da iscola na noite queu fui tropelado?&lt;br /&gt;RIQUE: Cumé que é?!&lt;br /&gt;LELO: É isso mermo! Tu tava ô num tava?&lt;br /&gt;RIQUE: Sinto dizê pa tu queu tava sim.&lt;br /&gt;LELO: Intõ eu num vi errado. Eu fui lá pa trás, naquela rua, puqueu istranhei tu por ali naquela hora. Tu num divia tá na lan house?&lt;br /&gt;RIQUE: Sim, mar naquele dia o Josué liberô eu mais cedo.&lt;br /&gt;LELO: Pu quê?&lt;br /&gt;RIQUE: Sei lá pu quê. Sei lá o que passa na cabeça do Josué!&lt;br /&gt;LELO: E o qué que tu foi fazê lá trás.&lt;br /&gt;RIQUE: Fui incontrá um amigo lá.&lt;br /&gt;LELO: Um cliente, né mermo?&lt;br /&gt;RIQUE: Bom... é...&lt;br /&gt;LELO: Mais pricisamente o póprio Josué?&lt;br /&gt;RIQUE (gritando): O que?! Cumo... Do que...&lt;br /&gt;LELO: Wayne falô que ero Josué naquele carro. E eu, lembrano um poco, lembrei co carro  era parecido cum co Josué tinha.&lt;br /&gt;RIQUE: Cumé que tu viu se tava iscuro?&lt;br /&gt;LELO: Num tava tõ iscuro queu num pudesse vê, tanto que vi tu intrano no carro.&lt;br /&gt;RIQUE: Tá certo! Tu discubriu tudo. Era o Josué. Ele dá mar cuma cadela no cio. Naquele dia ele fechô a lan house pa dispensá a amante dele que...&lt;br /&gt;LELO: A amante dele? Esse Josué de  de muito pió queu pensava.&lt;br /&gt;RIQUE: Ela foi pa lá pa lan house. Seu Josué quiria incontrá eu pa i lá pum motel. Ele cumeu a amante na lan house, e eu cumi ele no motel.&lt;br /&gt;LELO: Num priciso sabê desses detalhe. Mar dói muito sabê disso puquele humilhô eu quano botô eu pa fora da lan house.&lt;br /&gt;RIQUE: Ele contô pa eu que ia fazê isso cum tu. Tinha medo que tu ia conta pa muié dele.&lt;br /&gt;LELO: Eu num tenho nada a vê cum a vida dele. Só queu dei mole. Ele achô uns vídio lá na minha conta e umas foto...&lt;br /&gt;RIQUE: Os pornográfico?&lt;br /&gt;LELO: É! Foi um colega que passô pa eu pa montá um trabalho de cunvesão de gays. Cabô queu é que virei viado...&lt;br /&gt;RIQUE: Cumé que é?&lt;br /&gt;LELO: Tá veno esses machucado?&lt;br /&gt;RIQUE: Nossa! Que foi isso?!&lt;br /&gt;LELO: Foi a Gangue do Adeus!&lt;br /&gt;RIQUE: O que?! Aqueles playboy fizero isso cum tu?&lt;br /&gt;LELO: É! Falei pa todo mundo queles fizero isso, mar num foi só...&lt;br /&gt;RIQUE: Eles te fizero mais coisa?&lt;br /&gt;LELO: Sim! Eles me istruparo! Quatro cara me istruparo! Tu sabe o que é quatro pau infiado no teu rabo?&lt;br /&gt;RIQUE: Mo Deus, Lelo! Tô chocado cum isso!&lt;br /&gt;LELO: Num conta pa ninguém nõ, tá? Só tu, Duda e Terezão tõ sabeno disso.&lt;br /&gt;RIQUE: Tá! Num conto nada não! Mô Deus, e eu fiz tudaquilo mar cedo!&lt;br /&gt;LELO: Calma co que passei onte foi pinto peto do que vivi.&lt;br /&gt;    E Lelo contou para Rique tudo o que tinha acontecido na casa de Wayne. Rique, no entanto, sentiu-se ainda mais culpado.&lt;br /&gt;RIQUE: Eu nunca pudia imaginá que tu tinha passado po tudo isso, véio! Tô passado e tô me sintino cupado!&lt;br /&gt;LELO: Cupado pu quê?&lt;br /&gt;RIQUE: Puqueu fiz aquilo onte cuntigo. Pô, desde co cunheço tu que... Sabe, eu cumecei nessa vida num desses banhero público. Eu tava mijano. Aí, um home manjô mo pau. Eu fiquei de pau duro com aquele olhá dele. Ele me levô po resevado e cumi ele ali mermo. Dipois, ele me deu dinhero. Dipois disso, eu sempre tava nesses banhero fereceno meus seviço.&lt;br /&gt;LELO: Intõ, num é de hoje que tu faz isso?&lt;br /&gt;RIQUE: É! E foi num desses banhero queu cunheci o Josué. Aí, ele me levô pa lan house, onde cunheci tu.&lt;br /&gt;LELO: Intõ, num foi...&lt;br /&gt;RIQUE: É! Tive carrumá uma história pa cunvencê tu a cunvecê Josué a cuntratá eu. Ele quiria disfaçá bem puque a isposa dele pudia discunfiá.&lt;br /&gt;LELO: Que história!&lt;br /&gt;RIQUE: Ele quiria eu ixclusivo dele. Mas eu sempre dei minhas iscapadinha.&lt;br /&gt;LELO: Sei.&lt;br /&gt;RIQUE: Pa tirá um po fora, sabe? Só cum Josué num dava pa me mantê não.&lt;br /&gt;LELO: E pa onde vai essa grana toda?&lt;br /&gt;RIQUE: Parte eu guardo numa popança e parte eu deposito na conta da minha família.&lt;br /&gt;LELO: E eles num disconfia de nada?&lt;br /&gt;RIQUE: Não. Mar mo pai me botô pa fora de casa puque pegô eu cumeno um primo. Ele tinha pego eu cuma prima, mar ficô fulo quano pegô eu cum mo primo.&lt;br /&gt;LELO: Intõ, tu num cumeçô a...&lt;br /&gt;RIQUE: Não. Eu cumia quele primo há muito tempo. E, aqui no Rio, cumi muito cara, muito cara mermo. Tu num imagina quanto cara por aí finge qué macho e dá pa quaqué um. Tu num imagina; é uma locura! Té hoje inda incontro uns dele e como.&lt;br /&gt;LELO: E Elisa?&lt;br /&gt;RIQUE: Elisa foi uma paixão queu tive. Olha já cumi muita muié, mas Elisa cunsiguiu dexá eu aos pé dela. Ela tem um fogo que dexa eu loco. Mar tem alguém que dexa eu mar loco ainda.&lt;br /&gt;LELO: Sério? Quem?&lt;br /&gt;RIQUE: Tu vai ficá chocado; mió tu num sabê não.&lt;br /&gt;LELO: Conta! Já me abri todo pa tu! Milhó a gente contá tudo logo, né? Eu sô teu amigo.&lt;br /&gt;RIQUE: É, Lelo, a gente somos amigo... mar...&lt;br /&gt;LELO: Mas...&lt;br /&gt;RIQUE: Acho que tu já sacô! Num dianta ficá iscondeno...&lt;br /&gt;LELO: O que?&lt;br /&gt;RIQUE: Pô, véio, tô co maió tesão ne tu!&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é?!&lt;br /&gt;RIQUE: Desdo dia que vi tu co tô co maió tesão ne tu. Tu num sabe cumo tô seco pa bejá tu, pa prová tu, pa fazê tu...&lt;br /&gt;LELO: Peraí! Dexo raciociná direito. Tu só tá cumigo aqui puque tu qué cumê eu?&lt;br /&gt;RIQUE: Não! Tu é diferente dos otros cara queu já tive. Tu é puro, tu é bunito po dentro e po fora. Tu é o mió cara queu já cunheci. E tu trata eu cum um carinho queu nunca pudia imaginá sê tratado té hoje. Eu fiquei tõ incantado que quiria tá perto de tu nem que fosse cumo amigo. Puque num quero só sexo cum tu. Quero muito mais.&lt;br /&gt;    Rique levantou-se e segurou delicadamente os braços de Lelo, olhando-o profundamente nos olhos.&lt;br /&gt;RIQUE: Lelo, eu sei co tava errado de tentá levá tu pa cama junto cum a Elisa sem peguntá nada pa tu. Mas onte, quano fiz aquilo cum tu, eu pecebi co queu sintia po tu num era só tesõ; era amor.&lt;br /&gt;LELO: Rique...&lt;br /&gt;RIQUE: Num fala nada, não agora! Dexa eu treminá! Eu tô paxonado po tu, Lelo! Sô capaz de treminá tudo cum a Elisa só pa ficá cum tu!&lt;br /&gt;LELO: Rique! Num tô recunheceno tu...&lt;br /&gt;RIQUE: Nem eu! Nunca pensei queu pudia gortá de otro home. Os garoto de pograma no geral gortam de cumê home e tê uma namorada, tê uma vida normal. Mas eu num sô assim: quero muito ficá cum tu!&lt;br /&gt;    Lelo não sabia como reagir. Ele também se sentia muito atraído pelo amigo, mas jamais pensou que ele alimentava-lhe um sentimento tão forte e tão profundo.&lt;br /&gt;LELO: Rique, eu...&lt;br /&gt;RIQUE: Num fala nada, vai. Num istraga esse momento! Eu sempre isperei tá aqui na tua frente, olhano pa tu  e...&lt;br /&gt;LELO: Rique! Eu gorto muito de tu... mas... tu pegô eu disprivinido. Eu num sei o que dizê...&lt;br /&gt;RIQUE: Num diz nada! Apenas beja eu, vai?&lt;br /&gt;    Rique aproximou sua boca da de Lelo. Este, porém, recuou. Aos poucos, Lelo foi encostado na parede, enquanto Rique foi acompanhando o movimento do amigo.&lt;br /&gt;RIQUE: Que que hove, Lelo? Tu tem medo do que?&lt;br /&gt;LELO: Num é medo... Eu num sei bem o que que é...&lt;br /&gt;RIQUE: Dexa disso, vai? Dexa eu fazê tu filiz, véio! Desejo tanto tu. Tu num pricisa tê medo. Tu vai gortá, tu vai vê só!&lt;br /&gt;    Rique ainda tentou beijar Lelo várias vezes, todas sem sucesso, pois Lelo sempre se desviava.&lt;br /&gt;RIQUE: Tu tá é me dexano loco assim!&lt;br /&gt;LELO: Rique, é milhó a gente pará por aqui. Eu tô muito cunfuso e priciso pensá!&lt;br /&gt;RIQUE: Pensá o que? Nessas hora num tem o que pensá! É só dexá o desejo fluí...&lt;br /&gt;LELO: Rique, eu lembrei do meu passado... eu fui ispancado e istrupado...  eu teminei cum a Tilinha agora há poco... Tu acha queu tô im condições de bejá tu? Eu só tô milhó puque o Duda me ajudô...&lt;br /&gt;    Rique nesse momento largou Lelo e esmurrou a parede.&lt;br /&gt;RIQUE: Duda! Tinha que sê ele!&lt;br /&gt;LELO: Que que tu tá quereno dizê cum isso?&lt;br /&gt;RIQUE: Nada! Eu num gorto dele; só isso!&lt;br /&gt;LELO: Foi ele que cuidô deu no hospital e que tá me arrumano otro imprego milhó ca banca de jonal. Pu que que tu num gorta dele? É ciúme?&lt;br /&gt;RIQUE: Pu que ciúme? Ele tamém tá a fim de tu?&lt;br /&gt;LELO: Sim!... Não!... Num sei... Ele num é dessas coisa...&lt;br /&gt;RIQUE: Eu tamém num era. Agora tô aqui a teus pé...&lt;br /&gt;LELO: Iscuta, Rique, num tô dizeno não pa tu. Só quero botá minha cabeça no lugá puque essa decisõ mexe muito cum eu. Até onte eu lutava cumigo mermo pa tê uma vida boa cum a Tilinha; hoje, tô lutano cumigo mermo pa aceitá queu gorto de home. Minha cabeça num tá legal! Intende?&lt;br /&gt;    Rique ouviu tudo a muito contragosto. Todavia, aceitou a proposta de Lelo em adiar a resposta ao namoro e evitar qualquer tentativa de forçar uma relação sexual.&lt;br /&gt;RIQUE: Vai sê difícil ficá quieto do teu lado, véio! Mar vô tentá!&lt;br /&gt;    Ambos se abraçaram fortemente. Depois, Lelo arrumou os pertences do amigo enquanto Rique vestia-se. Aos poucos, voltaram a falar as amenidades de sempre. Ainda que os olhares fossem diferentes, as atitudes e conversas continuaram de amigos, mesmo que a expectativa de Rique fosse de se tornar algo a mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-7715487802010332915?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/7715487802010332915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=7715487802010332915' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/7715487802010332915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/7715487802010332915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/01/captulo-20-sinceridades.html' title='CAPÍTULO 20: Sinceridades'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-6697327054555969912</id><published>2008-01-06T01:49:00.000-02:00</published><updated>2008-01-06T01:53:05.716-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 19: Raio de sol</title><content type='html'>A noite passou rápida para Duda e Lelo. Este só não contava com uma surpresa: sua noite se estendeu por mais tempo do que o esperado.&lt;br /&gt;    Quando abriu seus olhos, Lelo percebeu um raio de sol no corredor; parecia ser dia claro.&lt;br /&gt;LELO: Mo Deus! Já é dia claro! Cumé co Lilico se virô sem eu? E o trabalho na facudade? É meu primero dia e já vô chegá trasado...&lt;br /&gt;    Duda, que cochilava a seu lado, despertou.&lt;br /&gt;DUDA: Fica calmo, meu anjo! Antes de você acordá, liguei pro seu novo trabalho e pedi pra adiá sua estréia. Depois, conversei com o Lilico e pedi o mesmo. Mais tarde cê conversa com ele e explica o que aconteceu.&lt;br /&gt;LELO: Poxa, Duda, brigaado memo! Tu é um amigão, maió que quaqué um pode tê na vida. Mas... po que tu levantô e detô de novo?&lt;br /&gt;DUDA: Tava cansado... E queria velá teu sono um pouco mais.&lt;br /&gt;LELO: Mas... e a tua facudade?&lt;br /&gt;DUDA: Relaxa, vai! O que cê passô ontem à noite merecia que eu ficasse um pouco mais aqui com você.&lt;br /&gt;LELO (emocionado): Brigado, migão!&lt;br /&gt;    Lelo chegou perto de Duda e o abraçou fortemente. No contato, Lelo percebeu que amanhecera molhado e percebeu que a roupa de Duda também assim estava.&lt;br /&gt;LELO: Pô, foi mal, aí! Fiquei molhado e sujei tu.&lt;br /&gt;DUDA (rindo): Cê não me sujou não, Lelo. Eu também amanheci assim.&lt;br /&gt;    Enquanto Duda sorria, Lelo olhava para Duda um tanto chocado. Estava surpreso com aquela situação, e constrangido por não saber exatamente como agir, o que dizer.&lt;br /&gt;DUDA: O que foi?&lt;br /&gt;LELO: Num sei. É istranho nós dois manhecê molhado, né?&lt;br /&gt;DUDA: Não acho. Tem coisas que não têm explicação na vida. O sonho que eu tive, por exemplo. Um sonho que me deixou assim.&lt;br /&gt;LELO: Eu tamém tivum sonho. Um sonho muito bom. Parecido cum...&lt;br /&gt;DUDA: Com?&lt;br /&gt;LELO: Naquele dia que tu durmiu lá ne casa, lembra? Lembra queu tive um sonho tamém?&lt;br /&gt;DUDA: Lembro. E lembro que cê amanheceu molhado também.&lt;br /&gt;LELO: Pois é. Geralmente o sonho queu sonho é o Wayne me atacando. Eu fujo, mas ele me pega e... Tu já sabe disso...&lt;br /&gt;DUDA: Não, isso você não me contou.&lt;br /&gt;LELO: Tenho vegonha.&lt;br /&gt;DUDA: Anjo não pode tê vergonha, principalmente de outro anjo!&lt;br /&gt;    Risos generalizados.&lt;br /&gt;LELO: Tá bom. Eu tenho vegonha puqueu fujo, mas, depois, ele me... pega por trás e... senfia neu... Aí, eu acordo e tô todo molhado.&lt;br /&gt;DUDA: E hoje?&lt;br /&gt;LELO: Naquele dia e hoje o sonho foi diferente. Eu num fugi; eu tava abraçado... Aí, foi uns bejo, uns abraço... umas pegada que me dexavo loco... Eu gortei, sabe? Foi muito bom...&lt;br /&gt;DUDA: E o que mais?&lt;br /&gt;LELO: Aí, acordei.&lt;br /&gt;DUDA: Mas, era o Wayne no teu sonho?&lt;br /&gt;LELO: Não. Eu num via o rosto.&lt;br /&gt;DUDA: E era outro homem também?&lt;br /&gt;    Lelo abaixou a cabeça.&lt;br /&gt;LELO: Era. Cumeu quiria que fosse uma mulhé?&lt;br /&gt;DUDA: Por quê?&lt;br /&gt;LELO: Puqueu quiria tê desejo po mulhé... Pô, eu quiria amá Tilinha ô Fatinha. Eu quiria memo...&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, tem coisas que a gente não pode mudá. Será que se Deus fosse contra isso iria permitir que você tivesse esses sonhos?&lt;br /&gt;    Lelo olhou sério para Duda, procurando uma resposta. Em todas as suas leituras bíblicas, tudo condenava a homossexualidade e qualquer outro comportamento sexual que não fosse hétero; ou, ao menos, todas as orientações recebidas de leitura o levaram a interpretar dessa forma.&lt;br /&gt;LELO: Bem, na B íblia...&lt;br /&gt;DUDA: Esquece a Bíblia neste momento. Pensa em Deus, agora. Esse Deus que gerou não só a Bíblia, como também o Alcorão e a Torá; esse Deus que trouxe não só Jesus Cristo, mas também Moisés, Buda, Krishna, Mohamed, Ghandi, Sai Baba. Nosso Deus é Pai para todos; não para apenas uma meia dúzia de pseudo-eleitos que se consideram salvos só porque se acham donos da verdade. Será que esse Deus não permitiria que você ou eu tivesse sonho de amor com outro homem?&lt;br /&gt;    Lelo continuava sério, procurando uma resposta. Não podia esquecer a Bíblia pura e simplesmente, pois ela foi seu guia por toda a vida.&lt;br /&gt;LELO: Num cunheço esse Deus...&lt;br /&gt;DUDA: Deus é o mesmo em todas as religiões e todas as visões; a diferença tá na maneira como vemos ele, como lidamos com ele. Será que um Pai abandonaria seu filho por ele tê cometido alguma coisa errada ou o ajudaria a vencê essas dificuldades?&lt;br /&gt;LELO: Um pai ajudaria, claro!&lt;br /&gt;DUDA: Imagine Deus então! Deus é nosso pai supremo, e ele permitiu que cê tivesse esse sonho, Lelo! Eu também já tive! No início, eu ficava perturbado por causa da minha namorada, mas hoje...&lt;br /&gt;LELO: Tu tá quereno me dizê que... teu sonho foi cum otro home tamém?&lt;br /&gt;DUDA: Sim. E o que eu tô querendo te dizê é que cê não fique se sentindo culpado. Nós não temos culpa de sentirmos isso.&lt;br /&gt;LELO: Então, quem tem? O fascineroso?&lt;br /&gt;DUDA: Ninguém tem culpa. Se eu quisesse, eu gostaria de tê sonhos com minha namorada, mas não tenho, nunca tive. E meu coração hoje bate de modo diferente. Pô, cê acha que eu não sofri? Sofri muito e sofro ainda. Sofri por não amá minha namorada e sofro hoje porque não sei se um dia terei meu sentimento correspondido por essa pessoa com quem tive esse sonho.&lt;br /&gt;    Lelo estava espantado. Era a primeira vez que Duda mostrava sua face sentimental, abrindo suas fragilidades. Dessa forma, Lelo percebia que o amigo não era apenas o homem das palavras bonitas, mas também um menino cheio de dúvidas, anseios e desejos.&lt;br /&gt;LELO: Eu num sabia que tu tava paixonado por... otro home...&lt;br /&gt;DUDA: Na verdade, ainda tô vendo onde isso vai dá. Não sei se ele gosta de mim... Não sei como seria está com outro homem... Eu sempre fui hétero... Pensei que tava ficando maluco quando me vi olhando para outro homem, desejando abraçá-lo, beijá-lo... amá-lo... sentir vontade de ficá junto, abraçado, sentindo o calô um do outro...&lt;br /&gt;LELO: Era o queu tava sintino no sonho...&lt;br /&gt;DUDA: A primeira coisa que pensei: será que Deus permite isso? Pra mim também não foi fácil aceitá isso, porque todo mundo é contra. Mas hoje sei que Deus não me condenaria.&lt;br /&gt;LELO: Po quê?!&lt;br /&gt;DUDA: Porque Deus é amor. Será que Ele, que é puro amô, seria contra o amor entre dois homens, duas mulheres? Falo de amô, o sentimento mais puro que pode brotá de um coração humano. Será que Deus pode sê contra o amor?&lt;br /&gt;    Uma lágrima brotou do canto do olho de Duda. Lelo percebeu a sinceridade do amigo, o sofrimento e a esperança de ter se feito compreendido. E foi.&lt;br /&gt;LELO: Tu tá sofreno tamém, né, anjo?&lt;br /&gt;    Lelo enxugou a lágrima de Duda com o dedo indicador da mão direita. Em troca, Lelo acariciou-lhe o rosto com a mão.&lt;br /&gt;DUDA: É, anjo, cê é a primeira pessoa pra quem me abro assim. A única pessoa para quem eu tinha falado essas coisas foi uma amiga, mãe da Liliane. Foi ela quem me aconselhou terminá tudo e seguir meu caminho. Ela me deu e me dá muito apoio, mesmo com esse caminho que ela seguiu. Ela é muito espiritualizada e me entende bem. Aliás, foi ela quem me deu muito apoio pra te entendê também?&lt;br /&gt;LELO: Intendê eu?&lt;br /&gt;DUDA: Sim. Nós somos muito diferentes. E eu sempre vivi no meio de pessoas muito iguais. E é por isso que eu vim pra cá: eu preciso convivê com as diferenças; eu preciso aprendê a respeitá cada pessoa como ela é, sua história, sua religião, sua formação. Quando a gente fica muito entre nossos iguais, não aprendemos a respeitar os diferentes, porque achamos que todos têm as mesmas oportunidades, as mesmas chances, e a vida não é bem assim. A nossa sociedade é muito cruel com todos os que são, agem e vivem de forma diferente. Se você não tem a mesma religião, o mesmo comportamento, as memas reações e a mesma orientação sexual da maioria das pessoas do local onde você mora, estuda, trabalha, você vai ser discriminado de alguma forma. E, entre os mais ricos, isso é mais grave, pois sempre se tem acesso a tudo com facilidade. E quem tem isso, não entende por que os menos favorecidos não conseguem. Veja nós dois: nós temos a mesma idade e temos vidas muito diferentes; e eu preciso entendê como você entende a vida para realmente te respeitá. Isso, infelizmente, nem sempre acontece.&lt;br /&gt;LELO: E... precisava tu mudá pa cá pa intendê isso?&lt;br /&gt;DUDA: Não... Na verdade, também me mudei porque eu queria morá sozinho. E... ficá perto dessa pessoa que eu amo.&lt;br /&gt;LELO: O do sonho?&lt;br /&gt;DUDA: O do sonho. Uma pessoa muito especial.&lt;br /&gt;LELO: E quem é essa pessoa muito ispecial?&lt;br /&gt;DUDA: Uma pessoa maravilhosa, que me ajudou a enxergá a vida de maneira mais simples; me mostrou um mundo que eu não conhecia, e que jamais saberia de sua existência se não conhecesse ele.&lt;br /&gt;    As palavras de ambos cessaram-se naquele momento. Apenas os olhares dialogavam num debate surdo e profundo, procurando entender o que estava se passando na mente um do outro.&lt;br /&gt;    Um ímã parecia atrair seus corpos um para o outro. Suas bocas pareciam querer se aproximar, talvez para experimentar um desejo nunca antes sentido: a mão de Duda desceu do rosto de Lelo para sua nuca; já a mão de Lelo, desceu para o ombro de Duda.&lt;br /&gt;    Quando a aproximação pareceu inevitável, Lelo desviou o rosto e abraçou o amigo. Foi um abraço forte e revelador.&lt;br /&gt;LELO: Num sei cumo vô pudê gradecê tudo que tu tá fazeno pa eu.&lt;br /&gt;DUDA: Não precisa. Só esse abraço e esse carinho me satisfazem. Sua amizade, seu companheirismo, seu carinho, tudo o que você me faz é muito importante pra mim.&lt;br /&gt;    Ambos ficaram abraçados por alguns minutos. Lelo não conseguia beijar outro homem ainda, mas sentia um carinho tão especial por Duda que se permitiu abraçá-lo longamente. Nenhum amigo faria tudo o que Duda fizera por ele até então. E, a cada instante passado, o carinho e a admiração se aprofundavam, brotando em Lelo sentimentos tão puros que o assustavam.&lt;br /&gt;DUDA: Agora, vamos cuidá de teus ferimentos.&lt;br /&gt;    Ambos levantaram-se. Duda trocou de roupa e pediu que Lelo fosse para o banheiro. Ele conseguira medicamentos com Lúcia, que também o ensinou como aplicá-los.&lt;br /&gt;    Conforme fora orientado, Lelo tomou um banho com cuidado para não pioras os ferimentos. Duda, depois do banho do amigo, entrou no banheiro e aplicou cada um dos medicamentos em cada ferimento. Os ferimentos de Lelo estavam por várias partes, o que exigiu que ele permanecesse nu durante toda a operação.&lt;br /&gt;    Enquanto tudo acontecia, os amigos conversavam animadamente, principalmente por Lelo se sentir envergonhado de estar nu na frente do amigo.&lt;br /&gt;DUDA: Não se preocupe com isso. Quem não viu, qué vê; quem já viu, não se assusta mais!&lt;br /&gt;    E foram seguindo papeando e rindo para relaxar.&lt;br /&gt;    Ao final, foram para a cozinha tomar café. Para Duda, uma refeição comum; para Lelo, uma refeição mais especial do que no dia em que Duda dormiu em sua casa, com direito a frutas, salame e outros itens que dificilmente são encontrados em mesas menos favorecidas.&lt;br /&gt;LELO (rindo): Desse jeito, vô querê sê ispancado todo dia!&lt;br /&gt;DUDA: Não fala isso nem brincando! Vai que num desses dias não tô por aqui! Aí, cê não vai tê nem minha companhia nem esse café!&lt;br /&gt;    Risos generalizados e bom humor até o final da refeição. Àquela altura, Lelo nem parecia ter sofrido tantas violências no dia anterior.&lt;br /&gt;    Depois dessa manhã de sonho, chegara a hora de encarar a realidade: Lelo saiu para conversar com Lilico e, logo depois, voltaria para casa e, enfim, conversar com Rique.&lt;br /&gt;    E o dia estava apenas começando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-6697327054555969912?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/6697327054555969912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=6697327054555969912' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6697327054555969912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/6697327054555969912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2008/01/captulo-19-raio-de-sol.html' title='CAPÍTULO 19: Raio de sol'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-4022436599156592923</id><published>2007-12-27T03:40:00.001-02:00</published><updated>2007-12-27T03:45:55.357-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 18: Decisões</title><content type='html'>Lelo demorou a se recompor. Sentia cansaço, sono, dores, tristeza. Não sabia o que realmente fazer.&lt;br /&gt;    De um lado, as ondas do mar batiam. Pareciam cantar um mantra calmante, servindo-lhe de bálsamo para suas feridas internas e externas. Ondas que lhe banharam na infância e na adolescência, época em que os desejos da carne não tinham sido despertados ainda; época em que sentia o afago e o amor de sua mãe, perdidos depois do flagrante. Época de uma Sheila Maria bebê, criança, inocente. Época em que não existia a Gangue do Adeus, nem lan house, nem maldade.&lt;br /&gt;    De outro, a pista dupla da Avenida do Adeus, por onde raros carros passavam. Por perto não havia nenhuma construção. A mais próxima devia ficar a pelo menos um quilômetro dali. Assim, respirou fundo e decidiu caminhar. Nada mais lhe restava se não caminhar. Para onde ir? Não sabia. Mas, não havia outra solução, se não caminhar. Caminhar e não pensar. Caminhar ouvindo as ondas do mar. Caminhar observando a paisagem sob a luz da Lua. Caminhar sentindo a areia fofa massageando-lhe os pés. Caminhar inalando o cheiro da maresia, odor da infância perdida. Caminhar sentindo o gosto de sangue e esperma que teimavam em não sair da boca, servindo de lembrança da maior violência que um ser humano poderia sofrer: o estupro.&lt;br /&gt;    Num misto de raiva e serenidade, Lelo seguiu até as construções, procurando entender para onde teria de ir. Estava muito longe da Vila Potira; todavia, na rua não dormiria. Voltaria para a Vila de qualquer jeito, mesom que tivesse de caminhar até lá.&lt;br /&gt;    Andando um pouco mais, Lelo notou uma delegacia. Mesmo sabendo de antemão que pouco poderia fazer, Lelo lá entrou para registrar uma queixa. Tudo corria bem, até mencionar a expressão "Gangue do Adeus". Depois disso, os funcionários disseram que nada poderiam fazer, nem exame de corpo de delito, pois não havia material.&lt;br /&gt;    Revoltado, Lelo já estava saindo da delegacia quando um guarda, que escutara a denúncia, ofereceu-lhe umas peças de roupa diante daqueles farrapos. Levou-o para o vestiário e aproveitou para conversar um pouco.&lt;br /&gt;GUARDA: De onde que tu é?&lt;br /&gt;LELO: Do Centro.&lt;br /&gt;GUARDA: Ué? E cumé que tu veio pará aqui?&lt;br /&gt;LELO: Foi a Gangue do...&lt;br /&gt;GUARDA: Psiu! Não mencione esse nome aqui. Esse pessoal tem as costa quente aqui. O delegado aqui deve favô pa esses pais da Gangue... Filho, troca de ropa e vai embora. Nem adianta dexá queixa; vai sê arquivado.&lt;br /&gt;LELO: Poxa, eles me istruparo...&lt;br /&gt;GUARDA: Isso é pinto perto do que eles faz. Tu tem algum amigo por aqui?&lt;br /&gt;LELO: Não. Num tenho ninguém aqui.&lt;br /&gt;GUARDA: Então, vô te levá.&lt;br /&gt;    O guarda falou com o chefe, pegou uma viatura e pôs Lelo dentro dela.&lt;br /&gt;LELO: Poxa, moço, brigado po que o sinhô tá fazeno po mim!&lt;br /&gt;GUARDA: Num pricisa me gradecê! Tô fazendo o que posso, puque justiça mermo siria pegá essa gangue e fazê com eles tudo o que fizero com tu! Bando de riquinho safado!&lt;br /&gt;    A viagem pela auto-estrada foi rápida, pois era plena madrugada. No entanto, em vez de ir direto para a Vila, o guarda o levou para a delegacia do Centro. Lá estava Terezão, que já tinha sido informada pelo guarda de antemão o que tinha acontecido com Lelo.&lt;br /&gt;TEREZÃO: É, rapá, tu tá marcado, hein? Primero, atropelamento e coma de três dia. Agora, estupro? Vamo lá que agora vamo começá a fazê justiça.&lt;br /&gt;    Terezão encaminhou Lelo para fazer exame de corpo de delito e todos os outros procedimentos. Aproveitou para fazer uma reclamação na corregedoria da polícia sobre a negligência no atendimento da delegacia da Barra do Adeus, tomando o devido cuidado para não comprometer o colega de farda.&lt;br /&gt;    Ao final, Terezão e o guarda levaram Lelo até a porta da Vila. Lelo nem acreditou quando avistou a figura da índia sobre o portão da Vila.&lt;br /&gt;    Como o portão da Vila encontrava-se fechado, Lelo telefonou para Duda, pedindo para ele abrir o portão.&lt;br /&gt;    Dito e feito. E susto.&lt;br /&gt;DUDA: Lelo?! O que aconteceu?&lt;br /&gt;TEREZÃO: Ele é mais uma vítima da Gangue do Adeus. Agora ele precisa mermo é discanso e um ombro.&lt;br /&gt;DUDA: Pode deixá queu cuido dele.&lt;br /&gt;    Duda e Lelo despediram-se de Terezão e do guarda e entraram.&lt;br /&gt;    No caminho, nenhuma palavra. Já dentro de casa, um forte abraço e uma cascata de lágrimas de Lelo.&lt;br /&gt;DUDA: Ô, meu anjo, que foi que te aconteceu? Conta pra mim, vai?&lt;br /&gt;LELO: A história é longa, muito longa. Minha vida passô toda em pocas horas.&lt;br /&gt;    Sem entrar em muitos detalhes, Lelo contou-lhe sobre a gravidez de Sheila, a discussão com Wayne e, por fim, a surra e a curra da Gangue.&lt;br /&gt;DUDA: Meu Deus! Foi muita coisa mesmo.&lt;br /&gt;LELO: E o pió é que a dô queu sinti com a discussõ cum o Wayne num é nada perto do que tô sintino agora.&lt;br /&gt;DUDA: E o que cê tá sentindo agora?&lt;br /&gt;LELO: Num sei. Num sei. Parece um vazio. Quano eu tava na ponte, pedi pa Deus me levá, sbe?&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, por mais que a discussão com o Wayne tenha sido grave, cê não pode se deixá levá por isso. Deus te deu forças para resistir e lutá! Não é à toa que Ele te deixou ficá vivo!&lt;br /&gt;LELO: Tu num sabe o que tá dizeno. O Wayne me derrubô. Ele me fez lembrá tudo que num quiria, queu já tinha isquicido! Ele fez eu de mulhé dele!&lt;br /&gt;DUDA: Cumé que é?!&lt;br /&gt;LELO: É! Ele me mostrô queu tava viveno numa mintira. Eu nunca fui vige! Sempre fui uma piranha! Esses cara da Gangue só fez mostrá isso pa mim. Eu nasci pa sê mulhezinha desses cara!&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, não diga isso nunca mais! O que você sofreu foi uma violência, um estupro. O que eles fizeram foi crime, e não podem ficá impunes!&lt;br /&gt;LELO: O culpado disso tudo foi eu, que nasci pa sê viado e achei que pudia sê um cara normal!&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, você é um cara tão normal como qualqué outro!&lt;br /&gt;LELO (chorando, desesperado): Eu num sô normal! Eu gosto de home... Inda fui istrupado po quatro home, quatro! Eu sô sodomita! Eu sinti prazê po trás! Eu vô po inferno, meu Deus! Pu que o Sinhô num me dexô morrê?&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, se acalma, por favô! (abraçando-o) Se acalma, Lelo! Não faz isso com você! Não seja o que você não é! Você não é um pecadô, não é sodomita, não vai pro inferno!&lt;br /&gt;LELO: Como não?! Tá iscrito na Bíblia...&lt;br /&gt;DUDA: E tá escrito por um acaso que existe O inferno? Lelo, céu e inferno somos nós que criamos.&lt;br /&gt;    Lelo parou por um momento e olhou nos olhos do amigo.&lt;br /&gt;DUDA: Eu sei que isso pode parecê blasfêmia, mas não existe esse lugá chamado inferno e esse lugá chamado céu que a gente imagina. Tudo que existe tá na nossa cabeça! Cê pode achá que o Wayne te fez de mulherzinha. Ele não te fez de mulherzinha porque era você; ele fez isso porque sentiu tesão e você se permitiu tê tesão por ele. Cê pode achá que tua mãe bebe porque pegou você com o Wayne na cama dela; não é verdade: ela bebe porque quer bebê, porque acha que assim pode ficá mais forte; mas bebida é doença; ela precisa de médico; ela bebe porque é doente, e isso não tem nada a vê contigo, meu anjo. E tem mais: esses patifes da Gangue fizeram o que fizeram porque são uns covardes: foi com você, mas poderia sê com qualqué outro; eles têm as costas quentes e acham que podem fazê o que quiserem; mas ele vão pagá, ah, se vão!&lt;br /&gt;LELO: Eles me confundiu cum um traficante...&lt;br /&gt;DUDA: Não importa! É covardia! Quatro contra um é inadmissível!&lt;br /&gt;LELO: Eles quisero vingá uma tal de Lili, que tá lá nas mão do Wayne.&lt;br /&gt;DUDA: O que?! Lili?&lt;br /&gt;LELO: Tu conhece ela?&lt;br /&gt;    Duda sentou-se pasmo.&lt;br /&gt;DUDA: É minha ex-namorada. Nunca pensei que ela fosse capaz de deixá a própria casa e se juntá com um traficante. Ela terminou comigo porque tava apaixonada por outro; jamais poderia imaginá que era um bandido. Mas, peraí: se o pessoal da Gangue te bateu por causa dela...&lt;br /&gt;LELO: É! Eles dissero que me bateu pa vingá ela, pa mandá recado po pessoal do Morro.&lt;br /&gt;DUDA: Cara, será que a Liliane tava envolvida com a Gangue?&lt;br /&gt;LELO: Eles fumaro maconha no carro e jogavo a fumaça na minha cara.&lt;br /&gt;DUDA: Claro, tá na cara que foi ela, que foi por isso que... Bom, depois te explico melhó... Agora, vô cuidá de você.&lt;br /&gt;    Duda indicou o local onde Lelo iria dormir: uma cama.&lt;br /&gt;LELO: E onde tu vai durmi?&lt;br /&gt;DUDA: No sofá da sala.&lt;br /&gt;LELO: Nem pensá! Num vô tirá tu do teu conforto!&lt;br /&gt;DUDA: O anfitrião sou eu, Lelo! Eu decido onde cê vai dormir!&lt;br /&gt;LELO: Mas eu num aceito tirá tu da tua cama!&lt;br /&gt;DUDA: Então, o que você sugere?&lt;br /&gt;    Lelo olhou por um instante o tamanho da cama, que era de casal.&lt;br /&gt;LELO: Bom, a cama é grande, né?&lt;br /&gt;DUDA: É!&lt;br /&gt;LELO: Intõ, pu que num dormo nós dois junto nela?&lt;br /&gt;DUDA: O que?!&lt;br /&gt;    Desta vez, foi Duda quem ficou chocado.&lt;br /&gt;LELO: A gente somo home, a gente somo amigo. Que mal tem? Tudo bem que sô sodomita, mar...&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, pára de se chamá de pecadô. Guarda o que tô te falando: gostá de outro homem não é pecado. Sodomia é simplesmente sexo anal, que, sem proteção adequada, pode transmitir doenças e...&lt;br /&gt;LELO: Mas o que a bíblia diz...&lt;br /&gt;DUDA: A bíblia diz ou você que vê assim na bíblia?&lt;br /&gt;    Lelo parou chocado. Era a peça que faltava para se encaixar naquele quebra-cabeça religioso.&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, veja bem, na bíblia, há muitas interpretações. Cada pessoa que lê, interpretra de uma forma diferente. Se eu lê, eu vô entendê outra coisa completamente diferente de você. O pastor e o padre interpretam a bíblia de acordo com padrões de interpretação que eles aprenderam; isso não significa que seja "a verdade"...&lt;br /&gt;LELO: Mas tá iscrito...&lt;br /&gt;DUDA: Tá, mas quem garante que aquelas palavras significam realmente isso? Tudo isso é muito fácil de contra-argumentar; não é à toa que existem milhares de igrejas, porque cada uma interpreta as mesmas coisas de maneiras diferentes.&lt;br /&gt;LELO: Mas eu tenho que confiá im alguma...&lt;br /&gt;DUDA: E cê vai confiá justamente naquela que te faz sofrê? Que prazê é esse que cê tem de procurá o sofrimento? Cê acha que Deus qué que você sofra?&lt;br /&gt;LELO: E esse istrupo? E o ódio da minha mãe?&lt;br /&gt;DUDA: Não mistura as coisas, Lelo! Tua mãe sofre porque ela qué; e os caras que fizeram isso contigo são criminosos! Você sofre porque acha que Deus quis isso! Deus não qué que você sofra, meu anjo!&lt;br /&gt;LELO: intõ, o que que ele qué?&lt;br /&gt;DUDA: Deus não é nosso pai?&lt;br /&gt;LELO: Sim!&lt;br /&gt;DUDA: Você acha que um pai qué mal a seu filho?&lt;br /&gt;LELO: Eu nunca tive pai.. Mas acho que não...&lt;br /&gt;DUDA: Então, você acha que ele vai querê seu sofrimento?&lt;br /&gt;LELO: Olha, Duda, nada justifica o que sofri hoje!&lt;br /&gt;DUDA: Lelo... Isso tudo aconteceu pra você acordá! Mas pra você realmente acordá, não pode ficá martelando essas idéias na tua cabeça! O que eu quero te dizê é que nem todo sofrimento é para sentir dô!&lt;br /&gt;LELO: Mas o queu sinti num foi só dô...&lt;br /&gt;DUDA: Eu sei, mas você não pode ficá remoendo isso, se não você não vive.&lt;br /&gt;LELO: Eu já não vivo memo!&lt;br /&gt;DUDA: Vive sim! Vive porque Deus qué que você viva! E qué que você viva pra mostrá ao mundo que você, Marco Aurélio, estudante, trabalhadô, saído do Morro da Ressurreição, e que sofreu violência da mãe e desses patifes da Gangue do Adeus, é um herói, um homem capaz de superá todas essas dificuldades, um filho de Deus, um vencedor!&lt;br /&gt;    Lelo parou neste instante e, aparentemente, caiu em si. Não adiantava alimentar o trauma; era necessário criar forças para continuar vivendo; as cicatrizes serviriam de troféus para demonstrar que é possível superar qualquer dificuldade.&lt;br /&gt;LELO: Duda, brigado memo! Agora tô me sentino milhó!&lt;br /&gt;DUDA: Certo! Agora, vamo dormir? Cê precisa descansá pra trabalhá amanhã cedo! E eu preciso estudá!&lt;br /&gt;    Lelo e Duda acabaram optando por dormir na mesma cama. Primeiro, deitaram-se  com a cabeça próxima aos pés um do outro. Depois, com vontade de conversar um pouco mais, acabaram deitando-se lado a lado.&lt;br /&gt;LELO: Será que algum dia eu vô sê feliz?&lt;br /&gt;DUDA: Eu me pergunto a mesma coisa todos os dias.&lt;br /&gt;LELO: Tu?! Tu é a pessoa mar feliz queu cunheço...&lt;br /&gt;DUDA: Você conhece o Duda amigo, que qué teu bem. Eu não passei pra você minhas angústias, meus problemas. Ninguém é perfeito; só Deus. Mas, se dependê de mim, tanto eu quanto você vamo sê felizes!&lt;br /&gt;LELO: Adoro teu otimismo, Duda! Se num fosse tu, nem sei cumo teria passado esse momento tõ difícil.&lt;br /&gt;DUDA: Que isso! Apenas faço a minha parte! Faço isso porque quero teu bem.&lt;br /&gt;LELO: Me abraça, meu anjo!&lt;br /&gt;    Um forte abraço e o desejo de boa noite. O carinho e o cansaço com que se abraçaram acabou levando-os aos braços de Morfeu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-4022436599156592923?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/4022436599156592923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=4022436599156592923' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/4022436599156592923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/4022436599156592923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/12/captulo-18-decises.html' title='CAPÍTULO 18: Decisões'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-3647539115121972420</id><published>2007-12-21T02:41:00.000-02:00</published><updated>2007-12-21T02:43:41.521-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natal'/><title type='text'>NÃO É MAIS UMA MENSAGEM DE BOAS FESTAS</title><content type='html'>Final de ano é sempre a mesma coisa, né? Um bando de gente que você não conhece ou que jamais pensou em passar perto vira pra você e deseja feliz natal e próspero ano novo, né mesmo? Aquela mesma vinhetinha na Globo com o mesmo elenco de gente que invade nossas casas sem sequer pedir licença. Aqueles comerciais recheados de Papai Noel querendo vender coisas para estourar nosso orçamento e roubar nosso décimo terceiro, quebrando nosso bolso com IPVA, IPTU, IBLÁBLÁBLÁs da vida que chegam junto com o mês de janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, vida dura a nossa de assalariado! Contudo, o que nos liga nesse mundo virtual nessa época de consumismo desenfreado e mensagens forçadas de amor e paz é justamente aquele velho sentimento esquecido que brota somente nessa época: a fraternidade. Mesmo que não acreditemos em Adão e Eva, em Jesus Cristo nem num único Deus, é o momento em que passamos a nos olharmos uns aos outros como irmãos: felizes, tristes, dispostos, cansados, enriquecidos, endividados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda é uma utopia olhar para o outro a nosso lado como um irmão, seja mais novo, mais velho, ou mesmo de religião ou etnia diferente. De qualquer forma, solidariedade e palavras de união não fazem mal a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não nos resta nada mais nada menos do que, assim que possível, mandar uma mensagem, um cartão, um aperto de mão, um abraço, um beijo ou algo mais, desde que com sinceridade e desejar felicidades hoje e sempre, nesse ano que vai nascer e nos próximos que virão, pois só assim a felicidade vai bater a nossa porta, pois é esse o ciclo da felicidade que todos os povos propagam em seus costumes no simbolismo do Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FELIZ NATAL!&lt;br /&gt;FELIZ 2008 e muitos outros que virão.Pliuno Elmond&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-3647539115121972420?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/3647539115121972420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=3647539115121972420' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/3647539115121972420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/3647539115121972420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/12/no-mais-uma-mensagem-de-boas-festas.html' title='NÃO É MAIS UMA MENSAGEM DE BOAS FESTAS'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-2588526450643293129</id><published>2007-12-20T01:29:00.000-02:00</published><updated>2007-12-20T01:31:24.173-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 17: Caminhada noturna</title><content type='html'>Lelo desceu do Morro procurando o caminho mais longo para a Vila Potira. Depois de tantas revelações e lembranças exumadas, nada melhor do que uma grande pausa para absorver todos os fatos.&lt;br /&gt;    As ruas mal-iluminadas serviam-lhe de consolo; assim, ninguém veria sua face inchada de choro e vergonha. O Lelo de horas atrás não mais existia; o símbolo de dignidade tanto para a comunidade do Morro da Ressurreição quanto para a Vila Potira ruíra diante da audaciosa sinceridade de Wayne. As palavras doíam-lhe fundo, corroíam-lhe a alma, a medula, os ossos, os nervos. Anos gastos para se tornar um rapaz decente e enquadrado à sociedade desaparecera em questão de minutos.&lt;br /&gt;    A cada passo, uma palavra de Wayne; flecha impiedosa atirada sobre seus olhos, fazendo-o enxergar tudo aquilo que não queria ver. Estavam explicadas as reações de Josué ao demiti-lo e as chegadas de madrugada de Rique. Contudo, isso não explicava a atitude de Rique à tarde, que procurou seduzi-lo da forma mais sensual possível. E todo contato com qualquer corpo masculino tornara-se-lhe repulsivo desde que sua mão o flagrara em pleno ato com Wayne. Deste fato Wayne não recordara naquela fala: Lelo contava quinze anos quando Rute os pegou em pleno ato em sua cama. Ela já desconfiava de que havia algo de errado naquela amizade muito forte, não se desgrudavam de forma alguma: iam e voltavam juntos, fossem de onde viessem – escola, baile, brincadeiras na rua – e ainda dormiam juntos. Não podia dar em outra coisa. Um dia, propositadamente, deixou-os a sós em casa num dia de folga, alegando que iria fazer compras. Esperou alguns instantes e entrou vagarosamente em casa, sem fazer qualquer ruído. Os gemidos, meio abafados, eram audíveis de alguma forma. Aos poucos, aproximando-se do quarto, Rute escutou o ato abominável que ambos cometiam sobre seu próprio leito. Diante da cena orgiástica, surrou ambos com toalha molhada, marcando Lelo profundamente na alma.&lt;br /&gt;    Na época, Rute foi falar diretamente com o pastor Marcos, pedindo que orientasse seu filho a respeito do sexo, sem dar muitas pistas sobre o acontecido; quanto a Wayne, tratou de proibir que ficassem juntos de qualquer maneira, chegando a mudar Lelo de escola.&lt;br /&gt;    O resultado do flagrante foi uma seqüência ue levou à vida em que estão hoje: Rute, aos poucos, foi-se entregando à bebida, culpando sempre Lelo e surrando-o como se o flagrasse novamente com Wayne sobre sua cama; Etelvina, com medo de que algo de pior acontecesse, acabou se mudando para a casa da filha, e, como era da igreja de Marcos, passou a acompanhar Lelo, tranformando-o num rapaz como ele era até o último reencontro com Wayne, para quem a religião estava acima de tudo e de todos. Por fim, restou Wayne; sem dispor mais da companhia do antigo amante, começou a participar do bando de Fubá, começando com pequenos serviços delivery de drogas até à chegada à gerência de uma boca, quando se aproximou de Sheila Maria, a essa altura já crescida e cheia de amor em potencial.&lt;br /&gt;    Enquanto Lelo estudava religião, percebia que os mantimentos e mesmo os recursos para os estudos começavam a faltar. Como a situação nunca mais fora a mesma, pois todo o carinho que sua mãe lhe dedicara tornara-se um ódio doentio, começou a trabalhar na Lan de Josué. Pouco depois, foi a vez de Sheila, que, juntamente com Fatinha, passou a trabalhar como frentista no posto de combustíveis na Auto-Estrada que ligava o Centro da capital, onde ficava a Vila Potira, à Barra do Adeus.&lt;br /&gt;    Na lan, Lelo entrou em contato com vários internautas protestantes, com quem discutia bíblia e religião. Tudo estava muito tranqüilo. Não entrava em bate-papos virtuais com temas eróticos nem procurava sites com temas sensuais. No entanto, o bichinho do pecado armou das suas: um certo amigo resolveu mostrar-lhe um serviço de sua igreja que prometia curar a homossexualidade. A essa altura, Lelo, com tanta pressão, esquecera-se do acontecido entre ele, sua mãe e Wayne; tornara-se um homem sem desejo sexual; vivia apenas para Deus, o trabalho e os estudos. Esse amigo, animado por mostrar como funcionava tal serviço, mostrou como fazia: enviou a Lelo um vídeo pornográfico gay; depois disso, vieram fotos e outras artes eróticas pederásticas. Por fim, esse amigo mostrou a Lelo como se fazia sexo virtual gay. Lelo não conseguia conter a excitação; contudo, para se proteger de problemas com o patrão, apagava tudo o que recebia. Isso, porém, não aconteceu no dia do seu atropelamento; como Josué, querendo um motivo para livrar-se do empregado, resolveu vasculhar a conta dele; logo, não foi difícil armar o escândalo hipócrita e se livrar do problema que poderia destruir sua família e sua bem-sucedida carreira como empresário cristão.&lt;br /&gt;    Lelo lembrou-se de que assistia aos vídeos excitado, mas sem notar que queria estar entre os atores; pensava que poderia, a partir dali, montar uma maneira de seduzir garotos homossexuais ao tal serviço e lhes proporcionar a cura divina. Mascarou para si mesmo o desejo contido e se culpava por ter se deixado levar pelos prazeres da carne pelos olhos.&lt;br /&gt;    "Deus, o que que foi queu fiz?", pensou Lelo, numa certa ponte. "Eu num quero voltá a pecá. Num é certo. O Sinhô sabe que tudo queu fiz num fiz pa sinti prazê; fiz puqueu quiria sê um missionário, cumo o pastô Marcos. Se eu num sirvo pa pregá a tua palavra, me leva agora, Sinhô!"&lt;br /&gt;    Lelo aproximou-se da mureta da ponte. Não tinha coragem de se jogar, pois o suicídio era pecado; contudo, não pecaria se alguém o jogasse de lá de cima.&lt;br /&gt;    De repente, um barulho de um carro em alta velocidade e pá! Uma lata de alumínio o acerta na cabeça. Lelo grita de dor.&lt;br /&gt;    O carro pára e manobra em ré. Quatro rapazs fortes, com calças justas e camisetas colantes se aproximam de Lelo.&lt;br /&gt;RAPAZ 1: Hei, amigo, aconteceu alguma coisa?&lt;br /&gt;LELO: Me acertaro... Tá dueno muito...&lt;br /&gt;RAPAZ 2: Deixeu vê!&lt;br /&gt;    Este levanta o rosto de Lelo e retira-lhe o par de óculos.&lt;br /&gt;LELO: Hei, me devove! I sso é meu!&lt;br /&gt;RAPAZ 3: Não, neguinho! Isso era teu!&lt;br /&gt;RAPAZ 4: Joga isso fora! Esse traficantezinho num vai mar precisá disso não!&lt;br /&gt;LELO: Que?! Num sô traficante não! Sô trabalhadô!&lt;br /&gt;RAPAZ 2: Sei, trabalhadô do tráfico, morô! Tu merece morrê!&lt;br /&gt;RAPAZ 3: Cês levaro uma das nossas, menina de família, de respeito!&lt;br /&gt;RAPAZ 1: Agora, tu é que vai sê levado pra aprendê o que acontece quando mexem com o pessoal da Gangue do Adeus!&lt;br /&gt;LELO: Gangue do Adeus?!&lt;br /&gt;    Lelo percebeu a encrenca em que se metera sem saber. Os quatro começaram a fingir que iam lhe bater, enquanto Lelo tentava se defender. Sem o par de óculos, Lelo se defendia como podia, batendo em espaços vazios, pois os rapazes se desviavam de seus golpes.&lt;br /&gt;    A essa altura, os óculos pulavam de mão em mão, para desespero de Lelo, que temia sua quebra. Mal ganhara os óculos, teria de comprar outros.&lt;br /&gt;    No meio dessa brincadeira de João Bobo, Lelo foi agarrado por trás por um dos rapazes e outro começou a socar-lhe o estômago e o rosto.&lt;br /&gt;RAPAZ 1: Onde está Lili?&lt;br /&gt;LELO: Num sei! Num sei de quem cês tõ falano...&lt;br /&gt;RAPAZ 1: Escutaqui, neguinho! Ou tu fala ou tu vai amanhecê com a boca cheia de formiga!&lt;br /&gt;RAPAZ 3: A gente viu você saindo lá do Morro da Ressurreição!&lt;br /&gt;RAPAZ 2: E o pessoal bateu pra gente que tu foi falá com o chefe da boca!&lt;br /&gt;RAPAZ 4: E o chefe da boca tá com a Lili, tá ligado?&lt;br /&gt;    A imagem da garota drogada e desesperada por ser separada de Wayne por alguns instantes veio na mesma hora à mente de Lelo. Só podia ser ela, pois era o único elemento estranho na casa do traficante.&lt;br /&gt;LELO: Ligado?... Tô... Mas subi lá é morte na certa!&lt;br /&gt;RAPAZ 1: Então, ela tá lá, né?&lt;br /&gt;LELO: Tá sim... Tá muito mal... Tava drogada...&lt;br /&gt;    Gritos e uma nova sessão de socos, desta vez acrescidos de pontapés. Depois, Lelo foi jogado ao chão, levando pontapés dos quatro.&lt;br /&gt;RAPAZ 3: Cês tem tudo inveja da gente só porque a gente tem grana, tem estudo.&lt;br /&gt;RAPAZ 2: Só porque a gente mora bem, nasceu bem, vive na praia.&lt;br /&gt;RAPAZ 4: Só porque a gente tem o tênis do ano, o celular do ano, o carro do ano.&lt;br /&gt;RAPAZ 1: Só porque a gente não é crioulo, fedorento e sujo como vocês!&lt;br /&gt;RAPAZ 3: Cês todos merecem morrê!&lt;br /&gt;RAPAZ 4: Nós vamos acabá com todos vocês!&lt;br /&gt;RAPAZ 1: Vocês nunca mais vão sujá com seus pés imundos na praia da Barra do Adeus.&lt;br /&gt;RAPAZ 2: Cês só sabem fumá, tomá cerveja, fazê xixi e cocô naquela praia!&lt;br /&gt;RAPAZ 3: Nós vamo acabá com tua raça!&lt;br /&gt;    Os pontapés pararam. Lelo estava exausto; tentava respirar com dificuldade. Sangue escorria do canto de sua boca. Tosse.&lt;br /&gt;RAPAZ 3: E o que vamo fazê com esse crioulo imundo?&lt;br /&gt;RAPAZ 2: Ele tá imprestável! Não vale a pena matá um cara desses!&lt;br /&gt;RAPAZ 4: Tem que sê uma lição de jeito, pra esse povo do Morro nunca mais esquecê.&lt;br /&gt;RAPAZ 1: Bota ele no carro. Já sei o que vamo fazê com ele.&lt;br /&gt;    Dois rapazes pegaram Lelo: um pegou-o pelos braços e o outro pelas pernas. Os outros dois foram direto para o carro.&lt;br /&gt;    No carro, Lelo ficou no colo de dois deles no banco de trás. No meio do caminho, acenderam um baseado e ficaram fumando dentro do carro e xingando Lelo. Os que estavam sentados no banco de trás faziam questão de expelir a fumça no rosto de Lelo, fazendo-o tossir ainda mais.&lt;br /&gt;    O carro seguia em alta velocidade, fazendo com que Lelo batesse com a cabeça várias vezes nas portas do carro. Com tantas voltas, Lelo já tinha perdido a noção de onde estava.&lt;br /&gt;    Por fim, pararam num local cuja única luz era proveniente da Lua. Ao fundo, podia-se escutar o som das ondas batendo na areia.&lt;br /&gt;LELO: Onde eu tô?&lt;br /&gt;RAPAZ 3: Não interessa! Daqui  poco tu vai tá mermo no inferno!&lt;br /&gt;LELO: Cês võ me matá?&lt;br /&gt;RAPAZ 1: Não. Mas, o que vamo fazê, cê vai desejá nunca tê nascido.&lt;br /&gt;LELO (desesperado): Que que cês võ fazê cumigo?&lt;br /&gt;RAPAZ 2: Relaxa, véio!&lt;br /&gt;RAPAZ 4: Nós vamo fazê com tu o que cês fazem com a Lili!&lt;br /&gt;LELO (chocado): O que?!&lt;br /&gt;    Lelo, quando deu por si, estava diante dos quatro rapazes complemente nus e excitados. Os quatro começaram uma seqüência de orgia que envolvia um sadismo sofisticado. No lugar de beijos, os palavrões mais sujos que Lelo já tinha escutado na vida, todos fazendo referência a Lelo no feminino.&lt;br /&gt;    Tapas. Socos. Roupas rasgadas. De repente, uma lambida no meio de suas nádegas, proporcionando-lhe um prazer estranho. Ao mesmo tempo, instrumentos eretos passavam por sua boca, invandindo-a. Lelo já não tinha mais tanta noção do que fazia; sentia prazer e dor ao mesmo tempo, deixando-o ainda mais perdido.&lt;br /&gt;    Por fim, os quatro rapazes o penetraram, cada um por sua vez. A seqüência foi planejada pelo tamanho do instrumento de cada, violentando cada vez mais o corpo de Lelo. Este apenas gemia. Dor e prazer se misturavam naquela curra praieira.&lt;br /&gt;    Depois de uma seqüência interminável de sexo anal, viraram Lelo para cima e o fizeram beber o fruto que cada um expeliu com tanta violência e crueldade. E não saíram de perto enquanto a última gota não tivesse sido sugada.&lt;br /&gt;    Depois disso, uma seqüência de tapas. Por fim, o silêncio. Um objeto é jogado sobre Lelo. O barulho do motor arrancando e desaparecendo aos poucos. Lelo estava só novamente. A única testemunha, todavia, apenas a Lua.&lt;br /&gt;    Lelo ficou parado por alguns instantes. Queria ter certeza de que estava vivo. Ainda.&lt;br /&gt;    Lágrimas parcas escorreram-lhe secamente dos olhos. O que fazer depois de uma violência injusta? Por que se metera com Wayne justamente naquela noite? Primeiro, o estupro psicológico de Wayne; agora, um estupro físico de quatro rapazes de boa vida que o confundiram com um traficante. O que mais poderia lhe acontecer?&lt;br /&gt;    Resolveu se levantar. Algo que estava sobre seu corpo caiu. Suas mãos pegaram o tal objeto. Eram seus óculos. Nesse momento, as lágrimas desceram para valer. Ao menos o par de óculos não tinha sido destruído. Mexendo em seus bolsos, tanto a carteira quanto o celular estavam intactos.&lt;br /&gt;    Choro rasgado.&lt;br /&gt;LELO: Brigado, Sinhô! Ao menos sobrô alguma coisa de mim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-2588526450643293129?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/2588526450643293129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=2588526450643293129' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/2588526450643293129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/2588526450643293129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/12/captulo-17-caminhada-noturna.html' title='CAPÍTULO 17: Caminhada noturna'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-3332966670632864000</id><published>2007-12-13T00:16:00.000-02:00</published><updated>2007-12-13T00:18:50.699-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 16: Missão de tio</title><content type='html'>Duda levou Lelo até a porta da escola. Após uma troca agradável de palavras, ficou combinado que Lelo dormiria em sua casa. Em todo caso, pediu que ligasse a cobrar para seu celular caso a vila se encontrasse trancada.&lt;br /&gt;LELO: Num pricisa! Vô chegá cum o pessoal da vila que sai daqui.&lt;br /&gt;DUDA: Tudo bem, mas, mesmo assim, vô esperá tua ligação, tá?&lt;br /&gt;    Com a confirmação, Lelo abraçou Duda, saiu do carro e partiu para a escola.&lt;br /&gt;    Na porta, encontrou Fatinha.&lt;br /&gt;FATINHA: Lelo, tu tem que i correno falá cum tua irmã. Ela tá chorano lá dentro.&lt;br /&gt;    Lelo não pensou duas vezes. No pátio, Sheila chorava, mas parecia serena.&lt;br /&gt;LELO: Que que hove, mana?&lt;br /&gt;SHEILA: O Wayne teminô cum eu...&lt;br /&gt;LELO: Pô, tu divia ficá feliz! Tu tinha que tê largado aquele traficante há muito tempo!&lt;br /&gt;SHEILA: Eu sei... Hoje eu sei que ele é um cachorro, salafrário, sem-vegonha! Largô eu pa ficá cum uma patricinha que subiu o morro e num desceu mais!&lt;br /&gt;LELO: Que?! Mais um mutivo pa tu nunca mar pensá nele, nem sequé olhá pa cara dele.&lt;br /&gt;SHEILA: É! Mas eu vô tê que falá cum ele, e muito.&lt;br /&gt;LELO: Pu quê?&lt;br /&gt;FATINHA: Sheila, não, pelamô de Deus!&lt;br /&gt;LELO: Que foi?&lt;br /&gt;SHEILA: Dexa, Fatinha! Mar cedo o mar tade ele vai tê que sabê.&lt;br /&gt;LELO: Que foi? Ele te machucô? Ele te maltratô?! Se eu pego ele...&lt;br /&gt;SHEILA: Não, Lelo, num é nada disso!&lt;br /&gt;FATINHA: Sheila, dexa queu conto! Se nõ o Lelo vai ficá doido!&lt;br /&gt;LELO: Meu Deus, conta logo! Que foi que cunteceu?&lt;br /&gt;SHEILA: É que... que... Bem, Lelo, eu... eu...&lt;br /&gt;FATINHA: Tu vai sê titio, Lelo!&lt;br /&gt;LELO (chocado): O que?!&lt;br /&gt;SHEILA: É! Tô grávida, Lelo!&lt;br /&gt;LELO: Pô, Sheila! Grávida?! E agora?&lt;br /&gt;SHEILA: Agora vô tê a criança! Num vô abortá de jeto nenhum!&lt;br /&gt;LELO: Claro que não, té puque é pecado e eu num dexava tu bortá! Mas... o Wayne tá sabeno disso?&lt;br /&gt;SHEILA: Tá, mar teminô cumigo mermo assim!&lt;br /&gt;LELO: Vô lá falá cum ele! E vai sê agora!&lt;br /&gt;SHEILA: Que!&lt;br /&gt;FATINHA: Tu tá maluco?!&lt;br /&gt;LELO: Não! Eu sei que que tô fazeno! Ele tem que ajudá a cuidá da criança! Tu num pode ficá disamparada!&lt;br /&gt;SHEILA: Eu num quero um tustõ daquele safado!&lt;br /&gt;FATINHA: Tu vai morrê, cara! Tu vai incará o rei do Morro?&lt;br /&gt;LELO: Vô, puque eu num sô quaqué um, e ele sabe disso muito bem.&lt;br /&gt;FATINHA: Sheila, dá um jeto nele?&lt;br /&gt;SHEILA: O Lelo o Wayne atende. Já eu...&lt;br /&gt;FATINHA: O que?! Como assim?&lt;br /&gt;    Lelo saiu correndo dali e foi direto ao morro. Nem ele mesmo acreditava que estava fazendo aquilo. Jamais em pôr os pés tão cedo novamente naquele local que lhe trouxe tanto sofrimento.&lt;br /&gt;    Logo na entrada, uma barreira de traficantes que tentaram saber quem ele era.&lt;br /&gt;LELO: Chama o Wayne queu querio falá cum ele! Diga que é o Lelo que ele sabe muito bem quem é!&lt;br /&gt;    Depois de alguma insistência, os traficantes telefonaram para Wayne, que liberou sua subida. Um deles o acompanhou até a entrada de uma casinha meio destruída. A porta, cerrada, abriu-se. De dentro, um cheiro de maconha insuportável. Mesmo assim, Lelo entrou.&lt;br /&gt;    Rodeado por homens armados e com uma menina loira drogada com a cabeça sobre seus joelhos, Wayne estava sentado numa poltrona com uma camisa aberta, deixando expostos seus magros músculos e parte de cada mamilo, além de cordões e poucos pêlos.&lt;br /&gt;WAYNE: Pensei té que tu num vinha mar...&lt;br /&gt;LELO: Quero falá cum tu! E é paticulá!&lt;br /&gt;WAYNE: O queu tenho pa falá cum tu tamém é paticulá! (virndo-se para os outros) Sai todo mundo! Quero ficá sozinho cum ele.&lt;br /&gt;    Todos foram saindo. Somente a garota não se movera.&lt;br /&gt;WAYNE: Leve a Li tamém!&lt;br /&gt;    Um dos homens a pegou. Li começou a gritar e espernear. Parecia uma cachorra agarrada a seu dono. Depois de muitos gritos, a porta foi fechada e o silêncio reinou naquele cômodo.&lt;br /&gt;WAYNE: Entõ, infim, sós!&lt;br /&gt;LELO: É! Qué dizê que tu largô minha irmã grávida pa ficá cum a patricinha?&lt;br /&gt;WAYNE (rindo): Ah, é isso?! Tu veio aqui só pa falá disso? Tu tá falano cum o novo rei do Morro da Ressurreção e tu me vem pa falá da piranha da tua irmã? Fala sério!&lt;br /&gt;LELO: Piranha, não! Tudo menos isso!&lt;br /&gt;WAYNE: Tu falassim puque tu num sabe cumo ela é danada de boa na cama! Piranha sim! Piranha minha, claro!&lt;br /&gt;LELO: Tu tá ofendeno ela na minha frente...&lt;br /&gt;WAYNE: Ofensa pa tu, elogio pa ela! Pregunta pa ela só!&lt;br /&gt;LELO: Tu num vai me fazê pedê a cabeça hoje, Wayne!&lt;br /&gt;WAYNE: Nem é essa a minha intençõ! Tu acha queu ia dexá meu herdero sem nada, é? Tua irmã vai tê tudo do bom e do mió pa criá meu herdero. Só num quero é tê ela na minha cama mar...&lt;br /&gt;LELO: Pu que? Que que hove? Resolveu mudá o guarda-ropa? Minha irmã é uma peça que istraga e tu joga fora?&lt;br /&gt;WAYNE: Não! Tua irmã émuito boa, cara! Mar eu tava só cum ela puque nõ pudia tê otra coisa.&lt;br /&gt;LELO: O que?!&lt;br /&gt;WAYNE: Tu!&lt;br /&gt;    Wayne agarra Lelo e tasca-lhe um beijo ao mesmo tempo de paixão e de desejo que fez Lelo perder completamente o ar. Ao final, Lelo empurrou Wayne para que o deixasse respirar.&lt;br /&gt;LELO: Tu tá maluco?! Eu sô cristõ! Isso é pecado, Satanás!&lt;br /&gt;WAYNE: Não me elogia! Inda vô sê pió que o diabo.&lt;br /&gt;LELO: Deus não permite fazê o que tu deseja cumigo!&lt;br /&gt;WAYNE: Deus?! Quem é Deus?! O cara que dexa esse povo passano fome aqui no morro? O cara que pemite que preto apanha da puliça só puque nasceu preto e mora no morro? Me diz, Maco Aurélio, esse é teu Deus?&lt;br /&gt;LELO: Tu num vai me tentá, Cachorro! Deus é bom, misericodioso, num qué ninguém mal! Ele vai voltá pa salvá todos nós! Só num pudemo pecá que todo mundo se salva!&lt;br /&gt;WAYNE: Se salva de que? Da puliça num salva! Da fome num salva! Salva de que? De mim?&lt;br /&gt;LELO: Salva do fogo do inferno.&lt;br /&gt;WAYNE: Que inferno! Nós todos já tamo no inferno! Tu nunca pecebeu isso?&lt;br /&gt;LELO: Aqui é a Terra! Cês bandido que transfoma essa terra de Deus no inferno! E tu é o diabo em pessoa!&lt;br /&gt;WAYNE: Quem dera, Maco Aurélio, quem dera! Assim, eu pudia alimentá o fogo do inferno. Eu só cunsigo alimentá o fogo da minha paxão po tu.&lt;br /&gt;LELO: Pára! Pára de locura! Põe na tua cabeça doente uma coisa: sô vige e vô me casá cum minha isposa!&lt;br /&gt;    Wayne, ao ouvir isso, soltou uma gargalhada que ressoou fundo nos brios de Lelo. Um certo tremor subiu-lhe pelas pernas diante daquela gargalhada.&lt;br /&gt;WAYNE: Vige?! Tá bom! Vige?! Tu? Logo tu? Pa cima de mim?! Conta otra, Lelo! Desde quano tu é vige? Fez operaçõ prástica, é?&lt;br /&gt;LELO: Do que que tu tá falano?&lt;br /&gt;WAYNE: Tu já isqueceu de tudo quia gente já fez, é? Tu já isqueceu do que fizemo quano eu era o teu herói?!&lt;br /&gt;LELO: Num sei do que tu tá falano!&lt;br /&gt;WAYNE: Ah, num lembra! Intõ vô te lembrá. Tu tinha doze ano. Eu tinha quinze. Tu era um rapazote, e eu já era home feito. Na época a gente brincava muitO, lembra?&lt;br /&gt;LELO: Lembro. Tu era valente, forte, direito. Num era bandido. Istudava, levava os cachorro das madame da Barra do Adeus pa passiá.&lt;br /&gt;WAYNE: É... Já vi que tua memória voltô a funcioná. Mar vamo lembrá um poco mar... Tua mãe tinha saído; tava no trabalho. Tua vó, cumo sempre, tava na igreja. Sheila Maria tava cum ela... A gente tava brincano dentro de casa... Tu lembrô que a gente gostava de brincá de cavalinho quano tu era mar novo...&lt;br /&gt;LELO: Sim... Tu era alto, eu baixinho... Eu montava ni tu... E tu me levava pela casa toda nas tua corta...&lt;br /&gt;WAYNE: Mar, nesse dia, tu é que quis sê o cavalo, lembra?&lt;br /&gt;    Na mesma hora as cenas retornaram à mente de Lelo como num filme rápido de sua vida.&lt;br /&gt;WAYNE: E tu cavalgava tõ bem, mar tõ bem, que cabõ me deixano loquinho pa fazê que nem esses cara de fazenda que num tem muié pa cumê e...&lt;br /&gt;LELO: Não!&lt;br /&gt;WAYNE: E fiquei cum desejo de fazê tu de meu cavalo... Eu fingi que tava cansado e deitei po cima de tu...&lt;br /&gt;LELO: Não! Pare, po favô!&lt;br /&gt;WAYNE: Aí, pidi pa discansá! Deitei po cima de tu, e tu deitô no chão. Tu preguntô: "Que isso duro aí, Wayne?" E eu: "Tu qué mermo sabê?"&lt;br /&gt;LELO: Pára, pelamô de Deus! Pára!&lt;br /&gt;WAYNE: Aí, levei tua mão no meu pau. Como tu gortô de tocá ele. Fico com tesão só de pensá nisso de novo, ó (mostrando o quanto estava excitado com as mãos por cima da calça)!&lt;br /&gt;LELO (virando o rosto): Pare! Já lembrei! Pare!&lt;br /&gt;WAYNE: Depois, eu mesmo te toquei... E passei a comandá a situaçõ...&lt;br /&gt;    Wayne aproximou-se de Lelo, abraçou-o por trás, deixando seu instrumento entre as nádegas de seu visitante, ao mesmo tempo que procurava sentir o instrumento dele.&lt;br /&gt;WAYNE: Tá lembrando agora, Lelo?&lt;br /&gt;LELO (chorando): Pare, po favô!&lt;br /&gt;WAYNE: Num adianta resisti! Sente só cumo tu me dexa... E cumo tu fica...  E tu lembra que foi que a gente fizemo depois?&lt;br /&gt;LELO: Não!&lt;br /&gt;WAYNE (sussurrando-lhe no ouvido): Eu baxei tuas calça e te cumi...&lt;br /&gt;LELO (gritando): Não!&lt;br /&gt;WAYNE: Te cumi gostoso! Nunca tive tanto prazê im toda minha vida! Nenhuma muié me deu o que tu me deu naquele dia, Lelo, nem im otros dia! Como a gente brincô de cavalinho dipos disso, lembra?&lt;br /&gt;    Lelo tentou empurrar Wayne, mas este o agarrou e iniciou uma série de movimentos rápidos a ponto de alcançar o êxtase em poucos instantes, não sem os gritos de desespero de Lelo.&lt;br /&gt;LELO: Tu é um monstro!&lt;br /&gt;WAYNE (ainda gemendo): E tu é muito gostoso! Essa tua calça justa me dexa loco!&lt;br /&gt;LELO: Tu inde vai siarrependê de tê feito isso! Deus vai te cartigá!&lt;br /&gt;WAYNE: Deus já me cartigô quano tu foi pa igreja.&lt;br /&gt;LELO: Eu fui pa igreja puqueu quiria ficá longe de tu. Eu tinha nojo desse teu leite na minha bunda! Té hoje tu me persegue nos meus sonho, me dexano cordá todo molhado!&lt;br /&gt;WAYNE: Quem dera eu realmente pudesse te dá todo esse prazê.&lt;br /&gt;LELO: Tu me istrupô! E inda me istrupa toda noite em sonho!&lt;br /&gt;WAYNE: Lelo, tu é memo ixagerado, sabe?&lt;br /&gt;LELO: Tu é o demo que me atenta toda noite!&lt;br /&gt;WAYNE: Assim tu me dexa de pau duro de novo!&lt;br /&gt;LELO: Tu me fez caçá vídeos na intenet só pa lembrá como era nós dois. Eu fui derrotado pelo demônio!&lt;br /&gt;WAYNE: Chega de Deus e demônio! Vamo sê nós dois: eu, o rei, e tu, meu príncipe.&lt;br /&gt;LELO: O que?!&lt;br /&gt;WAYNE: É! É por isso queu chamei tu té aqui! Foi pa isso queu quiria te vê! Eu agora sô o novo chefe do tráfico aqui no Morro. Matei o Fubá da forma mar gostosa, cara. Eu seduzi o Fubá e trepamos cumo nunca. Eu sabia que ele saía cum uma travesti lá da vila onde tu mora...&lt;br /&gt;LELO: Que?&lt;br /&gt;WAYNE: Aí, foi só armá o bote. O cara era cumido pelo traveco. Cumbinei tudo cum o traveco e foi tudo ceto: im vez do traveco, Fubá incontrô eu. No cumeço, ele ficô bolado: ele achô queu ia contá pa todo mundaqui no Morro, e que ele ia perdê a moral. Aí, falei que tamém gortava... Cumeçamo e fizemo tudo direitinho... Cumi ele mió que o michê que mora cum tu!&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é?! Michê?!&lt;br /&gt;WAYNE: Pois é, Lelo! Tu mora cum um garoto de pograma e num sabe? Tsc, tsc, tsc, tsc, tsc, tsc! Tu tem que acordá, muleque! Um bando de gente mente pa tu, e só eu, vê bem, só eu digo a vedade pa tu! Só eu sei de tudo que cuntece naquela vila e na tua vida. Sem mim, tu num é nada!&lt;br /&gt;LELO: Sem Deus num somo nada!&lt;br /&gt;WAYNE: Lelo, eu num sô Deus! Mas, se num fosse eu, tu num sabia que esse tal de Rique foi po ixteriô pum pograma, e ganhô um dinherão! Vai vê esse dinhero tá muito bem iscondido debaxo do cochão dele.&lt;br /&gt;LELO: Meu Deus! Ele num foi visitá a família? O pai dele num tava duente?&lt;br /&gt;WAYNE: Quem ficô duente foi o bofe quem ele cumeu até caí duro de tanto prazê! Ficô tõ duente que inda quis extra. E teu miguim topô!&lt;br /&gt;LELO: Meu Deus! Que horror! Eu tô cercado de pecadores!&lt;br /&gt;WAYNE: O pecado tá onde tu qué que teja, Lelo! E o pecado só tá dentro da tua cabeça! Rique é muito esperto; é tõ isperto que se juntô a um bocó cumo tu pa pudê disfaçá bem essa atividade dele. Ele cumia teu patrão e tu nunca disconfiô!&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é? O Josué é cristõ, é casado, é temente a Deus!&lt;br /&gt;WAYNE: Ele é temente, sim! Tõ temente que te demitiu justamente puque temeu tu abri a boca!&lt;br /&gt;LELO: Abri a boca do que?&lt;br /&gt;WAYNE: Na noite que tu foi atropelado, tu correu atrás de alguém, num foi?&lt;br /&gt;LELO: Cumé que tu sabe disso?&lt;br /&gt;WAYNE: Que queu num sei, Lelo? Que queu num sei? Naquele dia tu correu atrás dum cara que tu achô que era o Rique, num foi.&lt;br /&gt;LELO: Sim! Mar num sei se..&lt;br /&gt;WAYNE: Mas era ele sim! E sabe no carro de quem ele intrô?&lt;br /&gt;LELO: Num faço idéia!&lt;br /&gt;WAYNE: No carro do Josué! Ou tu já isqueceu cumo ero os carro do teu patrão.&lt;br /&gt;    A cena do carro voltou imediatamente. O carro realmente parecia um de propriedade de Josué.&lt;br /&gt;LELO: É vedade! Intõ, foi por isso que ele inventô aquele lance dos vídio pa me demiti!&lt;br /&gt;WAYNE: Exato! E agora? Quem tu acha que gorta mar de tu: Rique o eu?&lt;br /&gt;    Lelo parou por uns instantes. Era muita informação em tão poucos instantes.&lt;br /&gt;LELO: É um abisurdo tu me perguntá uma coisa dessas! O Rique é meu amigo...&lt;br /&gt;WAYNE: Amigo que isconde dinhero quano o otro tá passano necessidade? Amigo que resove alugá uma casa cum o amigo bocó pa cumê ele? Isso é amigo? Amigo tá te fereceno  o Morro e uma vida cum riqueza, sem essa pindaíba que tu tá passano.&lt;br /&gt;LELO: Eu vô cunvesá com o Rique e ele vai se ixplicá, tenho ceteza!&lt;br /&gt;WAYNE: Já tô té veno a cena: Rique tentano disfaçá, te leva pa cama, te come e tu inda pede mais!&lt;br /&gt;LELO: Chega, Wayne, chega! Tô cansado desse teu jogo sujo!&lt;br /&gt;WAYNE: Num é jogo! É amô! Eu te amo, Lelo!&lt;br /&gt;LELO: Tu ama o pudê, Wayne! Tu ama o sexo! Jamais vô ficá cum um home, muito menos cum tu! Vô me casá cum um a mulhé e sê muito feliz cum ela! Vô me casá e tê filhos!&lt;br /&gt;WAYNE: Té quano tu vai ficá nessa de fazê o que os otro manda? Teu pau nem sobe cum muié, cara!&lt;br /&gt;LELO: Cumé que tu sabe disso? Tu já viu, é?&lt;br /&gt;WAYNE: Não, mas aquele ponto G ambulante da tua vila viu e tocô!&lt;br /&gt;LELO: Ela me pegô disprivinido!&lt;br /&gt;WAYNE: Assim cumo tu tava muito do privinido quano te agarrei por trás!&lt;br /&gt;LELO: Chega! Ela num é o tipo de mulhé queu gorto!&lt;br /&gt;WAYNE: Chega tu! Tu é viado, pô! E isso num tem cumo mudá! Eu gorto das duas coisa, e adoro! Mar tô disposto a ficá só cum tu! É só tu querê! E, cum eu, tu vai vê essa cidade toda a teus pé, tá, meu bem?&lt;br /&gt;LELO: Eu é que quero tá aos pé de Jesus Cristo, nosso Senhor!&lt;br /&gt;WAYNE: Pode cuntinuá mintido pa tu inquanto pudé. Mas hoje tu num vai saí daqui achano que é vige e que pode casá. Tu é viado e eu destino é sê meu príncipe. Pensa nisso: só eu digo a vedade pa tu. Tu só pode confiá realmente neu.&lt;br /&gt;LELO: Tu é o diabo im pessoa. Tu cabô cumigo hoje. Mar Deus vai te dá o troco! Adeus!&lt;br /&gt;WAYNE: Inda vamo se vê muito, meu amô! Vai pela sombra!&lt;br /&gt;    E Lelo, meio desnorteado, deixou a casa de Wayne e o Morro da Ressurreição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-3332966670632864000?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/3332966670632864000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=3332966670632864000' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/3332966670632864000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/3332966670632864000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/12/captulo-16-misso-de-tio.html' title='CAPÍTULO 16: Missão de tio'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-53323574678745999</id><published>2007-12-06T00:53:00.000-02:00</published><updated>2007-12-06T00:56:15.984-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 15: Universo diferente</title><content type='html'>Terminado o expediente, Lelo dirigiu-se à casa para se arrumar para o novo emprego. Logo que entrou, encontrou Rique adormecido nu sobre o colchonete. Ao olhar aquela cena, sentiu uma dupla reação: ao mesmo tempo em que sentia raiva por se sentir usado como instrumento de prazer, sentiu vontade de se aproximar de seu amigo naquela situação, agora visto por outros ângulos por causa dos novos óculos. Era uma vontade quase incontrolável, principalmente pelo delineamento muscular ressonando naquele frio chão. Nessa situação, um forte alerta lhe surgiu na mente que logo saiu e se dirigiu para o banheiro.&lt;br /&gt;RIQUE: Lelo?&lt;br /&gt;    Rique acordara. Ou estava acordado o tempo todo.&lt;br /&gt;LELO: Oi. Tu tava durmino. Priferi num te acordá.&lt;br /&gt;RIQUE: Tava cuchilano um poco dipos do almoço. A cumida da Zeli é muito gortosa.&lt;br /&gt;LELO: É mermo. Ela sabe fazê cumida cumo pocas.&lt;br /&gt;RIQUE: Cabô o trabalho?&lt;br /&gt;LELO: É. Agora vô saí cum o Duda pa vê otro.&lt;br /&gt;    Ao ouvir o nome de Duda, Rique se levantou num salto.&lt;br /&gt;RIQUE: Duda?! Ele voltou?&lt;br /&gt;    O movimento de Rique foi tão rápido que Lelo voltou-se para o quarto novamente e o movimento de seu olhar acabou por denunciá-lo o escrutínio no corpo de seu amigo.&lt;br /&gt;RIQUE: Nossa, Lelo! Tá de óculos de novo? Comprô?&lt;br /&gt;LELO: Não! Ganhei de presente.&lt;br /&gt;RIQUE: Sério? De quem?&lt;br /&gt;LELO: Sinceramente num sei. Tava cum um bilhete na banca quano o Duda tava cumigo lá.&lt;br /&gt;RIQUE: Intõ foi o Duda que deu.&lt;br /&gt;LELO: O cartõ que tava cum o óculos tava sem assinatura. O bilhete era do Wayne.&lt;br /&gt;RIQUE: Que! Esse cara num vai mar dexá tu im paz?&lt;br /&gt;LELO: Pois é. Parece que não. Mar num posso dizê quem foi que deu esse óculos. Mar tá perfeito.&lt;br /&gt;RIQUE: Dexô vê!&lt;br /&gt;    Rique aproximou-se de Lelo, que se encostou à parede, esquivando-se de uma aproximação maior. No entanto, tal movimento só colaborou, pois Rique encostou seu instrumento na barriga do amigo ao retirar-lhe o par de óculos e colocá-lo em seu próprio rosto.&lt;br /&gt;RIQUE: Nossa! Que manero! Seja lá quem tivé cumprado, tu tem que gradecê muito, né? Afinal, tu tava pricisano...&lt;br /&gt;LELO (constrangido): É...&lt;br /&gt;RIQUE: Que foi?&lt;br /&gt;LELO: Leva mal não, Rique, mar num tô custumado cum essa coisa incortada ni mim.&lt;br /&gt;RIQUE (rindo): Que coisa? Meu pau?&lt;br /&gt;LELO: É... Isso aí mermo...&lt;br /&gt;RIQUE: Que que tem? A gente somos home o num somo?&lt;br /&gt;LELO: Somo sim, mar eu num ficava incostano meu pau no teu corpo, né?&lt;br /&gt;RIQUE: E pu que não? A gente somo home o num somo?&lt;br /&gt;    Lelo estava se sentindo incomodado, principalmente por ficar excitado com aquela situação. E ficou ainda mais encabulado quando percebeu que o corpo de seu amigo começavaa reagir a toda essa situação.&lt;br /&gt;LELO (empurrando o amigo): Rique, nós num podemos!&lt;br /&gt;RIQUE: Nós num podemos o que? Do que que tu tá falano?&lt;br /&gt;    Lelo ficou ainda mais encabulado com a pergunta do amigo. Para ele, estava mais do que evidente que um ato pecaminoso poderia acontecer se ambos continuassem assim. No entanto, como Rique preferiria fazer-se desentendido - ou realmente estava sem entender o que estav acontecendo, pois nunca houvera intimidade tamanha entre ambos - Lelo preferiu não entrar em detalhes sobre os horrores que passava em seus pensamentos.&lt;br /&gt;LELO: Não podemos ficá assim sabe? Eu tenho horário. Vô vê o imprego cum o Duda. Me dá meu óculos.&lt;br /&gt;RIQUE: Tá!&lt;br /&gt;    E Rique aproximou-se novamente do amigo, recolocando-lhe o par de óculos. No entanto, desta vez, Rique fez questão de aproximar seu corpo da pele do amigo; porém, o corpo de Rique estava bem mais quente do que antes, o que deixou Lelo nervoso.&lt;br /&gt;LELO (tentando se descontrair): Cuidado com isso, hein?&lt;br /&gt;RIQUE (rindo): Ah! Num se procupe. Ele tá nimado puque tive uma baita transa cum a Elisa hoje de manhã.&lt;br /&gt;LELO: Eu sei. Eu vi.&lt;br /&gt;RIQUE (espantado): Sério! Como? A gente num vimo tu intrá...&lt;br /&gt;LELO: É... eu sei sê discreto... Mar cês tavo dano muito mole... Quaqué um que intrasse pudia vê cês transano...&lt;br /&gt;RIQUE: Mar nem todo mundo intrava qui, né mermo?&lt;br /&gt;    Nesse momento, Rique olhou bem nos olhos de Lelo.&lt;br /&gt;LELO: Que que tu qué dizê cum isso, Rique?&lt;br /&gt;RIQUE: Que só tu pudia intrá aqui. Que im tu confio e que tu num fazia nada pa trapalhá a gente... Ou fazia?&lt;br /&gt;LELO: Não, eu num fazia nada pa trapalhá cês não! Que isso!&lt;br /&gt;RIQUE: Sei! Mar num vai me dizê que tu num sente vontade de fazê o mermo?&lt;br /&gt;    Como Rique tinha deixado suas intenções bem explícitas com essa pergunta, Lelo achou melhor pegar um atalho.&lt;br /&gt;LELO: Olha, pu mim cês dois pode transá o dia intero, ficá bem à vontade. Mas eu tô fora, tá legal?!&lt;br /&gt;    A decisão de Lelo deixou Rique bastante espantado.&lt;br /&gt;RIQUE: Calma, cara! Tá pensano que tô quereno te fazê mal?&lt;br /&gt;LELO: Não! Que isso! Só acho que pudia passá pu tua cabeça umas locura, sabe? Tipo, transá cumigo, num sei..&lt;br /&gt;RIQUE (rindo): Ah, pára cum isso!&lt;br /&gt;    Nesse momento Rique abraçou fortemente Lelo, pressionando-o fortemente contra a parede. Dessa forma, ambos podiam perceber como estavam quentes com toda aquela situação. Mais do que nunca, Lelo tinha vontade de fugir dali.&lt;br /&gt;RIQUE: Tu achava memo queu pudia fazê uma coisa dessas cum meu amigo? Cum meu mió amigo? Fala sério, véio! Fala sério!&lt;br /&gt;LELO: Tá! Vô creditá im tu! Agora tu me deixa tomá banho e me arrumá?&lt;br /&gt;RIQUE: Claro, amigo! Tu sabe que só quero o teu bem...&lt;br /&gt;    Finalmente, depois de muita insistência, Rique desabraçou Lelo, deixando-o livre para seguir seu caminho.&lt;br /&gt;    Lelo entrou tão nervoso no banheiro que sequer lembrou-se de trancar a porta. Assim que entrou no banheiro, respirou fundo procurando diminuir sua excitação. Queria fugir dali a todo custo. Não queria pecar de jeito nenhum. Logo, abriu o chuveiro e, depois, começou a tirar a própria roupa lentamente, pois seu corpo não coordenava todos os movimentos. Depois de um tempinho, entrou nu no box.&lt;br /&gt;    Durante o banho, contudo, notou um outro ruído. Rique entrara no banheiro para escovar os dentes.&lt;br /&gt;LELO: Que invasõ é essa?&lt;br /&gt;    Rique tentou falar alguma coisa, mas, com a boca cheia de pasta, não conseguiu dizer nada compreensível.&lt;br /&gt;    Como a luz do banheiro era mais nítida, os detalhes do corpo de Rique apresentavam-se ainda mais delineados, deixando Lelo mais nervoso do que antes.&lt;br /&gt;LELO: Que que deu em tu? Tu nunca fez isso?&lt;br /&gt;    Finalmente, Rique cospe a pasta de dentes, lava a boca, enxuga-a e se aproxima do box.&lt;br /&gt;RIQUE: Só vim iscová os dente! Fiz mal?&lt;br /&gt;LELO: Sim!... Não!... Qué dizê, pu que tu num isperô eu saí?&lt;br /&gt;RIQUE: Pô, véio, tava quereno... quereno...&lt;br /&gt;LELO: Quereno que? Tu tá quereno que?&lt;br /&gt;RIQUE: Que que hove, cara? Tu tá nevoso pu quê? Tá cum medo do que? A gente somo home, num somo?&lt;br /&gt;LELO: Não!... Sim!... Qué dizê... Num tô custumado cum home no meu banhero...&lt;br /&gt;RIQUE (aproximando-se): O banhero é nosso, cara! Tu tá nevoso, véio! Que que tá cunteceno?&lt;br /&gt;    Nesse momento, Rique abre cortina do box, revelando o corpo de Lelo escondido. Imediatamente, Lelo cobriu seu instrumento, o que era quase impossível devido à própria situação física em que se encontrava.&lt;br /&gt;LELO: Que isso?! Tu tá loco?&lt;br /&gt;RIQUE: Qual o pobrema? Tá cum medo do que?&lt;br /&gt;LELO (nervoso): Rique, sai daqui, po favô! Tô te pidino!&lt;br /&gt;RIQUE: Que que tem cara? Tu nunca tinha visto otro cara de pau duro antes?&lt;br /&gt;LELO: Sim!... Não!... Qué dize... Que que isso tem a vê cum tu invadi meu banhero?&lt;br /&gt;RIQUE: Lelo, o banhero é dos dois. qual o pobrema deu intrá e iscová meus dente inquanto tu toma banho?&lt;br /&gt;LELO: Todos!... Nenhum!... qué dizê... Tu tá me deixano cunfuso, poxa! Fica lá fora, po favô!&lt;br /&gt;RIQUE: Po que isso, cara! Dexa disso, vai? Tu tamém tá de pau duro, pô! Tá nevoso po quê?&lt;br /&gt;LELO: Rique, sai daqui, pelamô de Deus, se nõ...&lt;br /&gt;RIQUE: Se nõ o que? Tu vai me tocá?&lt;br /&gt;LELO: Sim!... Não!... Qué dizê.. Eu vô... eu vô...&lt;br /&gt;RIQUE: Dexa disso, vai!&lt;br /&gt;    Naquele momento, Rique pega a mão direita de Lelo e a faz tocar seu instrumento. No mesmo instante, Lelo o larga e empurra o amigo para fora a gritos.&lt;br /&gt;RIQUE: Que isso?! Tá maluco?&lt;br /&gt;LELO: Sai daqui! Me dexa im paz! Fora daqui!&lt;br /&gt;    Depois de expulsá-lo do banheiro, Lelo trancou a porta e ainda ficou parado na porta, procurando acalmar-se. Do outro lado, só se escutava a voz de Rique, abafada pelo barulho do chuveiro.&lt;br /&gt;RIQUE: Lelo, pô, abre a portaí!... Vamo cunvesá!... Pô... Que que deu im tu?... Pô, cara, fala sério!... Num quiria te fazê mal!... Só quiria te tirá dessa situaçõ, realizá teu desejo... Fala cumigo, Lelo!... Num me dexa falano sozinho, pô!...&lt;br /&gt;    Àquela altura Lelo chorava. A água do chuveiro o acompanhava a distância. Não tinha forças para levantar-se, muuito menos encarar o amigo de frente.&lt;br /&gt;    Do lado de fora, Rique ainda insistia. Parecia também chorar do outro lado, pedindo perdão pela atitude intempestiva. Lelo, por sua vez, permanecia silente. Somente levantou-se da porta depois que a voz de Rique se distanciou.&lt;br /&gt;    Lelo levantou-se e, vagaosamente, fechou o chuveiro. Sentou-se sobre a tampa do vaso sanitário. Ainda soluçava e chorava. Respirava fundo. Tentava raciocinar. Não conseguia pensar em muita coisa. Estava tudo muito confuso. A única realidade que conseguia perceber era suas lágrimas e o soluço interminável, que abafava abraçado à toalha.&lt;br /&gt;    Aos poucos, todo esse estado foi passando. O soluço passou. As lágrimas cessaram. A respiração voltou ao normal. O chão estava enxarcado. Com um pano, secou o chão, pois seu próprio corpo encontrava-se enxuto. Não imaginava quanto tempo demorara naquele cubículo.&lt;br /&gt;    Terminada a limpeza, levantou-se e parou em frente ao espelho. Olhos vermelhos. Não tinha outro jeito: encararia Duda assim mesmo. O único problema seria passar pelo Rique novamente. Estaria nu ainda? Agarraria-o novamente? O que aconteceria depois? Não importava: sua vida estava em jogo fora dali.&lt;br /&gt;    Vestiu-se. Pôs seus oculos. Penteou o cabelo. Abriu a porta. Nenhum sinal de Rique.&lt;br /&gt;    Foi direto ao quarto. Calçou um par de tênis. Dirigiu-se à sala para sair.&lt;br /&gt;RIQUE (com voz chorosa): Lelo, pô, discupaí! Foi mal, cara!&lt;br /&gt;    Lelo parou por uns instantes, mas nada respondeu. Nem olhou para o amigo. Apenas abriu a porta e saiu.&lt;br /&gt;RIQUE: Lelo, me iscuta, pô! Me perdoa!&lt;br /&gt;    Lelo continuou caminhando enquanto Rique continuou gritando. A voz do amigo foi ficando longe. Lelo continha as lágrimas enquanto caminhava.&lt;br /&gt;TILINHA: Onde é que tu vai?&lt;br /&gt;    "Só faltava essa", pensou Lelo.&lt;br /&gt;LELO: Me dexa, Tilinha! Hoje num tô legal, tá?&lt;br /&gt;TILINHA (agarrando Lelo pelo braço): Lelo, tu tá muito istranho! Que que tá cunteceno!&lt;br /&gt;LELO: Me dexa, Tilinha. Hoje num dá pa falá nada! Dipos te falo.&lt;br /&gt;TILINHA: Mas onde é que tu vai assim?&lt;br /&gt;LELO: Resolvê uns pobrema! Dipos a gente se falamo.&lt;br /&gt;TILINHA: Eu vô cum tu.&lt;br /&gt;LELO: Não! Nem pensá! Mar tarde a gente se falamo na iscola. Tchau!&lt;br /&gt;    Lelo largou Tilinha e se encaminhou à porta de Duda, que ficava um pouco distante. Bateu na porta. Duda imediatamente atendeu.&lt;br /&gt;DUDA: Nossa, anjo, já ia te chamá e... Que foi que aconteceu? Cê tá com uma cara!&lt;br /&gt;LELO: É!... Uns pobremaí... Vambora?&lt;br /&gt;    Duda trancou a porta e se dirigiu com Lelo para a porta da vila, onde estava parado o carro. Preferiu nada perguntar ao amigo, pois o problema parecia realmente sério.&lt;br /&gt;    Em silêncio, entraram no carro. Duda pôs-se a dirigir, mas sem procurar palavras para iniciar uma conversa. Lelo apenas olhava para frente. Como Lelo não estava bem, Duda preferiu dar umas voltas pela cidade antes de irem para a faculdade.&lt;br /&gt;    Depois de umas voltas, Lelo respirou fundo.&lt;br /&gt;DUDA: Algum problema?&lt;br /&gt;LELO: Todos!... Qué dizê... Já nem sei...&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, se quisé, marcamos outro dia pra você i lá na copiadora.&lt;br /&gt;LELO: Não, véio! Vamo hoje! Vô ficá bem té chegá lá! Falta muito??&lt;br /&gt;DUDA: Decidi dá umas voltas antes pra você se acalmá. Qué desabafá? Pô, sô teu amigo!&lt;br /&gt;LELO: Pô, nem sei! Tenho vegonha!&lt;br /&gt;DUDA: Vergonha de que, meu anjo? Alguém te fez algo?&lt;br /&gt;LELO: Sim!... Ah, num gorto nem de lembrá, mar num sai da minha cabeça...&lt;br /&gt;DUDA: Meu Deus, que que foi?&lt;br /&gt;LELO: Que que tu fazia se um amigo teu mostrava que tá cum tesão ni tu?&lt;br /&gt;    Duda freou violentamente o carro. Se não fosse o cinto de segurança, ambos teriam estourando pára-brisa; além disso, a estrada estava vazia.&lt;br /&gt;DUDA (espantado): O que?!&lt;br /&gt;LELO: Que foi isso, Duda? Caramba!&lt;br /&gt;DUDA: Pô... desculpa pela freada.... mas... conta! Como foi, como é isso... Você... qué dizê... teu amigo... tá com tesão em você?&lt;br /&gt;LELO: É!&lt;br /&gt;    E Lelo contou para Duda o acontecido no banheiro e as palavras de Guilha. Tudo se encaixava. Duda demonstrava interesse na história, que, mais do que picante, mostrava o desespero de Lelo diante da possibilidade de cometer o pecado de deitar-se com outro homem.&lt;br /&gt;LELO: Duda, posso durmi na tua casa hoje? Num cunsigo incará o Rique cum tudo isso...&lt;br /&gt;DUDA: Po... pode! Mas... cê vai tê de encará-lo mais cedo ou mais tarde, né mesmo?&lt;br /&gt;LELO: Sim, mas hoje priciso botá minha cabeça no lugá. E, se ele hoje tentô me agarrá no banhero, imagineu durmino do lado dele!&lt;br /&gt;DUDA: Sim! Entendi. Mas, e você diante disso tudo?&lt;br /&gt;LELO: Cumo assim?&lt;br /&gt;DUDA: Como você se sentiu com ele querendo te agarrá?&lt;br /&gt;LELO: Eu sinti muuito medo. Ele parecia que tava pussuído pelo demo! Jesus! Só de pensá me dá arripio!&lt;br /&gt;DUDA: Cê ainda não entendeu, Lelo! Tô perguntando se você se sentiu atraído por ele.&lt;br /&gt;LELO: Eu sô cristõ! Home cum home é pecado! Num posso sinti... Num quero sinti!... É contra as lei de Deus!&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, a atração independe de religião. Ela acontece de uma forma ou de outra, e não vai sê Deus que vai impedir o que o homem deseja!&lt;br /&gt;LELO: Duda! Que blasfêmia é essa?&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, o que tô querendo te dizê é que sentir atração por outro homem está tanto nas leis de Deus quanto a atração por uma mulher, pois os desejos dos homens não são controlados por Deus. Deus qué que o homem se encaminhe por conta própria para Ele, seja por bem ou por mal. Por isso Deus não manda que cê ame um homem ou uma mulher, da mesma forma que não manda ninguém fumar ou deixá de fumá. Esse é um desejo interno que aflora em determinados momentos de nossa vida. Ele também não pode mandá cê pará de pensá algo, porque Ele qué que você voluntariamente decida, deseje, se esforce e faça valê sua força de vontade de se encaminhá para Ele!&lt;br /&gt;LELO: Mas é pecado se deitá cum otro home!&lt;br /&gt;DUDA: Mas não é sentir desejo! O ato a gente pode questionar se é pecado ou não, mas o sentimento é algo que brota involuntariamente, assim como o ódio, o amor, a mágoa, o perdão, a fé, a descrença. Tudo o que bate no seu coração e no meu Deus não controla. Mas cabe à gente sabê o que fazê com essa liberdade.&lt;br /&gt;LELO: Libedade... Libedade... Lutei tanto por ela e acuntece uma coisa dessas.&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, não se culpe. Ninguém tem culpa de passar por situações dessas nem se sentir o que não quer sentir...&lt;br /&gt;LELO: Tu tá dizeno queu sinto desejo por home, é?&lt;br /&gt;DUDA: Não é isso! Tô só dizendo que, seja lá o que você sente, tem que aceitá e lidá com isso!&lt;br /&gt;LELO: Pois eu não aceito!&lt;br /&gt;    Nova freada.&lt;br /&gt;LELO: Pô, Duda, assim tu vai acabá causano um acidente!&lt;br /&gt;    Duda olhou com forte atenção para Lelo.&lt;br /&gt;LELO: Que foi?&lt;br /&gt;DUDA: Cê tem noção do que acabô de dizê?&lt;br /&gt;LELO: Sim!... Não!... Qué dizê... tô tão cunfuso que já nem sei mais o queu disse...&lt;br /&gt;DUDA: Humpf!&lt;br /&gt;    Algumas buzinas e Duda arrancou com o carro.&lt;br /&gt;DUDA: É uma pena!...&lt;br /&gt;LELO: O que?&lt;br /&gt;DUDA: Nada!... Acho uma pena que você pense assim...&lt;br /&gt;LELO: Sobre o que?&lt;br /&gt;DUDA: Sobre os seus sentimentos. Se prendê assim só machuca.&lt;br /&gt;LELO: Duda, eu sô cristõ! Eu num posso tá dexano meus sentimeto solto poraí!&lt;br /&gt;DUDA: Não foi isso o queu quis dizê! Não é deixá os sentimentos comandarem sua cabeça; é aceitar o que você sente, o ritmo que seu coração bate. Lutá contra isso só vai te fazê infeliz. E eu não quero vê você infeliz, meu anjo! Quero te vê muito bem!&lt;br /&gt;    Lelo calou-se, encabulado. Tal vocativo sempre o deixava encabulado. Anjo inspirava-lhe perfeição; aquela discussão simplesmente deixara escapar uma certa decepção de Duda sobre o que Lelo pensava sobre os sentimentos, e Lelo jamais gostava de desagradar os outros, principalmente um amigo tão especial como Duda. Assim, seguiu calado até o final da viagem.&lt;br /&gt;    Ao desembarcar, Lelo sentiu-se diante de um castelo. No estacionamento, vários carros, muitos deles, modelos recém saídos de fábrica. Ao lado, um edifício relativamente baixo, mas com uma arquitetura de encher-lhe os olhos.&lt;br /&gt;LELO: Nossa! Nunca tinha visto uma coisa tão bela.&lt;br /&gt;DUDA: Tá muito maltratada, mas é bela mesmo assim.&lt;br /&gt;    Duda levou o amigo lado a lado e mostrou os departamentos, os corredores, as salas de aula e outrass dependências da faculdade. Aos poucos, explicou um pouco daquela estrutura universitária, a qual considerava um gigantesco polvo cujos tentáculos se entrelaçavam como os cabelos de Medusa.&lt;br /&gt;    Depois de uma boa volta, alguns risos e satisfação de curiosidades, Lelo aparentava não ter chorado nem ter estado tão nervoso. Parecia o mesmo Lelo que Duda encontrara durante a manhã. Logo, estava pronto para encontrar o novo patrão.&lt;br /&gt;    Duda levou-o naquele momento a uma grande loja na qual estavam dispostas várias fotocopiadoras, cada uma operada por um rapaz diferente. De dentro da loja, surgiu um senhor baixinho, barrigudo, com bigodes e bem vestido. Ao ver Duda, foi cumprimentá-lo rapidamente.&lt;br /&gt;GILMAR: Ô, meu caro! Como cê tá?&lt;br /&gt;DUDA: Tudo bem, graças a Deus, seu Gilmar! Este aqui é meu amigo que te falei, o Marco Aurélio.&lt;br /&gt;GILMAR (apertando a mão direita de Lelo): Ô, então este é o rapaz que tanto cê me falou? Parece realmente o cara certo pro queu tava precisando! E, bem indicado, tenho certeza que será umaa honra tê-lo conosco!&lt;br /&gt;LELO: Muito prazê, sinhô Gilmar! A honra é toda minha! Podexá que vô dá o melhó de mim pa fazê um seviço decente.&lt;br /&gt;    Gilmar levou Duda e Lelo para dar uma volta pela loja, mostrando alguns poucos detalhes iniciais de como seria o serviço. Alguns dos rapazes os olhavam curiosos, outros com certa desafio, tencendo comentários entre si ao pé do ouvido. Por fim, Gilmar apresentou Lelo a Gilmarinho, mais conhecido como Marinho, seu filho e gerente.&lt;br /&gt;GILMAR: Marinho, este é o nosso novo operador de fotocopiadora. Ajeita os detalhes pra ele, tá bom?&lt;br /&gt;    Gilmar ficou conversando um pouco com Duda na porta da loja enquanto Lelo e Marinho acertavam detalhes, como documentos, horários e regras básicas de serviço. Tudo se encaixava bem para Lelo dedicar-se aos estudos noturnos, o que muito lhe satisfez.&lt;br /&gt;    Marinho, um homem branco, alto, com uma barriguinha sobressalente, porém que não afetava uma certa elegância, tratou de apresentá-lo com certa satisfação aos outros funcionários.&lt;br /&gt;MARINHO: Vai sê muito bom te tê por aqui! Espero que você goste, porque aqui todos trabalhamos em harmonia.&lt;br /&gt;LELO: Podexá cumigo!&lt;br /&gt;    Ao final, Lelo saiu bastante satisfeito e animado. Restava somente falar com Lilico e pedir demissão do serviço. No mais, um universo novo parecia se descortinar a sua frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-53323574678745999?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/53323574678745999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=53323574678745999' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/53323574678745999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/53323574678745999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/12/captulo-15-universo-diferente.html' title='CAPÍTULO 15: Universo diferente'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-9135926624603006543</id><published>2007-11-28T23:41:00.000-02:00</published><updated>2007-11-28T23:43:11.484-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 14: Reencontro esperado</title><content type='html'>Lelo teve seus questionamentos interrompidos por um determinado carro que acabara de parar na frente da banca. O carro não lhe parecia estranho, mas, como estava mentalmente distante, era necessário retornar à banca para abancar-se daquela situação.&lt;br /&gt;    O motorista saiu do carro e parou  ao lado para ver algumas manchetes. Lelo saiu da banca para respirar.&lt;br /&gt;LELO: Duda?!&lt;br /&gt;DUDA: Anjo!&lt;br /&gt;    Ambos abraçaram-se tão forte que quase se esmagaram.&lt;br /&gt;LELO: Que saudades, meu anjo!&lt;br /&gt;DUDA: Eu também, cara! Não agüentava mais ficar longe daqui. Vim dá uma limpeza e hoje mesmo vô vi pra cá.&lt;br /&gt;LELO: Sério?! Poxa, que barato!&lt;br /&gt;DUDA: E hoje à noite quero que cê durma na minha casa, tá?&lt;br /&gt;LELO: Pô, véio, valeu, mas eu chego muito tarde, num sei se vai dá...&lt;br /&gt;DUDA: Não importa! Pode chegá até depois de três da manhã: bate lá em casa que vô tá te esperando de braços abertos.&lt;br /&gt;LELO: Pô, se é assim, tudo bem!&lt;br /&gt;DUDA: Mas, que que houve que tu nunca me mandô torpedo nem nada. Tava preocupado contigo.&lt;br /&gt;LELO: Olha, véio, é uma longa história. Sentaqui cumigo na banca peu te cuntá.&lt;br /&gt;    E Lelo contou toda a trajetória desde o momento de sua saída do carro até o reencontro. A demissão, a falta de dinheiro, o desespero, o início do trabalho na banca, o namoro com Tilinha. Duda escutou tudo com atenção, ora indignado, ora impressionado, conforme as emoções com que Lelo foi narrando.&lt;br /&gt;DUDA: Cara, cê passô uma barra bem pesada, viu?&lt;br /&gt;LELO: É, mar, graças a Deus, agora tá tudo bem.&lt;br /&gt;DUDA: É, mas pode ficar ainda melhor.&lt;br /&gt;LELO: Po quê? Só puque tu voltô?&lt;br /&gt;DUDA: Também!&lt;br /&gt;    Risos generalizados.&lt;br /&gt;DUDA: Cê tem como vi comigo pra faculdade qualqué dia desses?&lt;br /&gt;LELO: Acho que sim, pu quê?&lt;br /&gt;DUDA: Acho que tenho como te arranjá um emprego melhor.&lt;br /&gt;    Lelo parou por uns instantes.&lt;br /&gt;DUDA: Olha, eu sei que você deve estar pensando: poxa, me arranjaram esse emprego aqui rapidinho e vou dá as costas pro cara assim? Qual é, pô?! Mas eu te garanto que isso so aconteceu dessa forma porque eu não tava aqui. Se eu tivesse aqui, você estaria num lugar melhor, recebendo mais e com carteira assinada. O Lilico me parece sê bacana, e acho que não vai ser ruim você deixá esse emprego para arrumá um melhor. Todo mundo que é decente, honesto, vai querê vê o outro crescê, e tenho certeza de que ele não vai ficá chateado de te mandá embora se você fô para um emprego melhor. Eu sei que você pode e qué um outro emprego, podendo ganhá mais e fazendo algo que te satisfaça mais. E você vai sê eternamente grato ao Lilico e à Elisa por esse período aqui na banca, mas chegou a hora de crescê mais, muito mais.&lt;br /&gt;    Nessa hora, Duda olhou bem fundo nos olhos de Lelo.&lt;br /&gt;DUDA: Você pode muito mais do que já conseguiu. Você vai descobri que é capaz de fazê coisas que você jamais imaginou. E, tenho certeza: você ainda vai me surpreender.&lt;br /&gt;    Lelo parou alguns instantes e por pouco não chorou.&lt;br /&gt;LELO: Eu já tinha té isquecido que tu dizia coisas tõ bunita. Num sei nem cumo gradecê tudo isso que tu tá fazeno pa eu.&lt;br /&gt;DUDA: Não precisa agradecer, meu anjo! Apenas siga o caminho que Deus te traçou. Apenas estou te dando um empurrãozinho.&lt;br /&gt;    Sorrisos, risos, abraços.&lt;br /&gt;DUDA: Que bom que te encontrei bem, apesá de tudo.&lt;br /&gt;LELO: É! Peto do quee tava antes, cum ceteza. E o teu namoro?&lt;br /&gt;DUDA: Acabô. Tava dando muito problema. A Cecília é muito legal, mas já não tinha como continuá. Eu já num tava mais gostando dela.&lt;br /&gt;LELO: Inteno. É o queu falava pa Fatinha. Pió quela gorta deu té hoje.&lt;br /&gt;DUDA: Isso é complicado. Ainda mais que cê tá com a Tilinha agora, né?&lt;br /&gt;LELO (desanimado): É!...&lt;br /&gt;DUDA: Que houve? Por que o desânimo?&lt;br /&gt;LELO: Num sei. É como seu tivesse im pecado, sabe? Num cunsigo gostá da Tilinha mar do que cumamiga. Elé muito legal, sabe? Me bejô na frente de todo mundo na iscola, coisa queu jamás fiz... Todo mundo aqui na vila tava mimpurrano pa ela... É meio cumplicado... Me sinto mar dano uma sastifação do que namorano puque gorto realmente...&lt;br /&gt;DUDA: Então, por que continua o namoro?&lt;br /&gt;LELO: Não tenho po que teminá. Num tenho mutivo. Por inquanto, num sei o que fazê.&lt;br /&gt;DUDA: O tempo sabê-lo-á.&lt;br /&gt;LELO: O que?&lt;br /&gt;DUDA: Quando tamos em dúvida, nada melhó como o tempo pra nos dá a melhó opção, o melhó caminho. Muitas vezes, o próprio tempo dá jeito nesses problemas sem que precisemos mexer nossos braços.&lt;br /&gt;LELO: Intendi. Só num intendi esse tal de sabêlo o que aí.&lt;br /&gt;DUDA (rindo): Ah, sim! "sabê-lo-á". É uma maneira de dizê da língua: mesóclise.&lt;br /&gt; LELO: Meso- o que?&lt;br /&gt;DUDA: Mesóclise. Nunca viu nos convites de casamento coisas do tipo "os noivos casar-se-ão"? Então, esse pronome "se" está numa posição que a gente chama de mesóclise. Por isso falei "sabe-lo-á".&lt;br /&gt;LELO: É! Vô tê que istudá muito ainda pa intendê isso.&lt;br /&gt;DUDA: Com minha ajuda, cê vai entendê isso e mito mais. Tô te esperando na hora que cê saí daí pra te levá lá no outro serviço, tá?&lt;br /&gt;    Duda entrou na vila e Lelo permaneceu na banca. Seu reencontro com Duda foi o bálsamo de que necessitava para se sentir vivo novamente. Duda parecia ser a felicidade em pessoa; mesmo jovem, demonstrava ter grandes inteligência e sabedoria, ponderação e responsabilidade. Era a segurança que lhe faltava nas horas certas. Talvez a educação e uma vida mais regrada, com família e amor tivessem lhe fornecido tantas qualidades. "Quiria sê cumo ele", pensava Lelo. "Num quiria tê o dinhero dele; só memo a sabidoria pa falá coisas bunita e ajudá os otro. Deve sê muito bom pudê ajudá os otro."&lt;br /&gt;    Uma olhada numa prateleira da banca: uma caixinha e um bilhete.&lt;br /&gt;LELO: Ué?! Será que Duda isqueceu isso aqui?&lt;br /&gt;    Na caixinha, um cartão.&lt;br /&gt;    "Lelo,&lt;br /&gt;    Um presente para um rapaz sensacional. Tenho certeza que disso você estava precisando."&lt;br /&gt;    O cartão, com dizeres evangélicos, não tinha assinatura. Desconfiado, ele abre a caixinha e, dentro dela, um estojo de óculos. Lelo abre o estojo e nele está um par de óculos com um modelo do jeito que lhe enchia os olhos: com armação leve e quase transparente. Decidiu experimentá-los: um novo olhar lhe surgiu diante das vistas; eram perfeitos, estavam nos graus. Lágrimas lhe escorreram pelos olhos. Não esperava receber essa graça tão rápido, ainda mais em forma de presente.&lt;br /&gt;LELO: Brigado, Duda! Tu é muito mar que amigo!&lt;br /&gt;    Sua ternura por Duda só crescia cada vez mais. Aquele par de óculos não sairia mais de seu rosto, mesmo que perdesse a validade.&lt;br /&gt;    Restava agora a leitura do bilhete.&lt;br /&gt;    "Lelo,&lt;br /&gt;    Preciso falar com você urgentemente. Venha ao Morro o mais rápido possível.&lt;br /&gt;    Wayne."&lt;br /&gt;    Susto. Um bilhete de Wayne? Com um português tão bem escrito?&lt;br /&gt;    Na mesma hora, Lelo pegou o bilhete e o cartão e comparou as letras? Seriam os óculos presente de Wayne? Será que Duda estaria envolvido com o traficante? Será que Duda não era essa maravilha toda de rapaz que aparentava? Ou será que alguém teria passado pela banca sem que ambos o percebessem?&lt;br /&gt;    Lelo levantou-se e olhou para ambos os lados. Ninguém além de conhecidos estava por ali. No salão, Elisa com Guilha e Bebê, juntamente com Detinha e Bombom. Ao lado, Vagna varria a frente do bar, mesmo movimento realizado por Robinho na porta da pensão. Será que algum deles estaria envolvido com Wayne de alguma forma?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-9135926624603006543?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/9135926624603006543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=9135926624603006543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/9135926624603006543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/9135926624603006543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/11/captulo-14-reencontro-esperado.html' title='CAPÍTULO 14: Reencontro esperado'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-4988665359331424725</id><published>2007-11-22T00:46:00.000-02:00</published><updated>2007-11-22T00:47:34.638-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 13: Mistérios de Guilha</title><content type='html'>Guilha, desde que saiu de casa e assumiu sua face travesti, decidiu viver como cabeleireira simplesmente. Apesar de ganhar pouco, recusava-se a fazer michê, a exemplo de suas amigas Samanta e Bebê. No entanto, por causa da proximidade da família, ela procurava disfarçar seus sentimentos e pensamentos diante dos outros; principalmente por causa dos casos noturnos e obscuros que suas amigas lhe contavam - praticamente todos os homens já saíram com ambas, sendo que somente a família Carlos deixava bem claras suas preferências.&lt;br /&gt;    Lelo identificara-se logo de cara com Guilha. A rejeição da família e a decisão de ser digno diante de tudo e de todos eram pontos em comum; a única distância ficava por conta das vestes e do jeito de ser da amiga, pois, para Lelo, mesmo sendo boa pessoa, era pecado travestir-se.&lt;br /&gt;    Nos últimos dias, especialmente depois de sua volta, Lelo notara que Guilha andava mais calada do que o costume. A volta de Rique pareceu reforçar-lhe o silêncio. Mesmo Elisa e Bebê estranhavam-lhe tal atitude. Talvez estivesse apaixonada, pensavam. Algum bofe lhe iludira, imaginavam. O certo é que Guilha encasulara-se, e parecia não haver movimento que lhe proporcionasse uma saída.&lt;br /&gt;    Por esses dias, Lelo e Tilinha enamoravam-se na banca. O comércio ainda estava abrindo; todavia, boa parte do comércio local abriria bem mais tarde, mais próximo da hora do almoço.&lt;br /&gt;    Naquele dia, Guilha abriu o salão mais cedo, pois combinara um serviço especial com uma cliente; Elisa voltara a dormir depois de levar João Pedro e Anderson à escola; Bebê também dormia, pois trabalhara à noite toda.&lt;br /&gt;GUILHA: Bom dia, quiridos!&lt;br /&gt;LELO: Bom dia, Guilha! Deus te abençoe!&lt;br /&gt;GUILHA: Vocês tamém!&lt;br /&gt;    Tilinha nada falava. Apenas desviava o olhar. Lelo não comentava nada; não havia como superar uma barreira de tantos anos.&lt;br /&gt;    Momentos depois, Lelo sentiu vontade de ir ao banheiro. Pediu para Tilinha tomar contada banca rapidamente e correu em casa.&lt;br /&gt;    Nela entrando, Lelo ouviu gemidos vindos de seu interior. Ao passar pelo quarto, viu seu amigo e Elisa numa intimidade ainda maior do que naquela noite em que os flagrou no banheiro. O sexo não estava simplesmente explícito; estava escancarado. Os corpos e os genitais de ambos ficavam expostos nas posições por eles assumidas que provocaram em Lelo uma tremedeira ainda maior do que na outra vez. Pela primeira vez, Lelo viu os órgãos em ação, deixando-o bastante chocado. A posição em que o casal estava parecia facilitar um flagrante, e isto parecia excitar-lhes ainda mais.&lt;br /&gt;    Lelo, por sua vez, vagarosamente, pé ante pé, retirou-se, procurando fazer o mínimo de ruídos possível. Passou pelo pátio ainda tremendo. Não sabia nem por onde exatamente estava passando; simplesmente queria chegar desesperadamente à banca de jornal.&lt;br /&gt;TILINHA: Lelo, que que tu tem?&lt;br /&gt;    Lelo parecia ter sido assaltado ou ter presenciado um assassinato.&lt;br /&gt;TILINHA: Lelo, sentaqui!&lt;br /&gt;    Tilinha ajudou Lelo a se sentar no devido lugar.&lt;br /&gt;TILINHA: Lelo, tu tá tremeno! Que que foi?&lt;br /&gt;    Lelo não conseguia falar nada. Apenas tremia. Tinha vergonha de mencionar o que acabara de ver.&lt;br /&gt;TILINHA: Vô buscá água com açúca! Ficaí!&lt;br /&gt;    Tilinha correu em casa, deixando Lelo respirando.&lt;br /&gt;    Ao mesmo tempo, Guilha saiu do salão e apareceu na banca.&lt;br /&gt;GUILHA: Lelo, respira fundo puque tu num merece passá por isso que tu tá passano!&lt;br /&gt;LELO: Que qué, Guilha? Tu tá falano do que?&lt;br /&gt;GUILHA: Lelo, gorto muito de tu, muito mar que tu pode maginá! Mas o que tenho pa te contá é muito sério!&lt;br /&gt;LELO: Guilha, num tá veno queu tô passano mal?&lt;br /&gt;GUILHA: Tô sim, e é por isso que vim aqui falá pa tu uma coisa muito séria! Eu fico indiguinada cum todessa sacanage que tão fazeno cum tu!&lt;br /&gt;LELO: Sacanage? Que sacanage?&lt;br /&gt;GUILHA: Lelo, pelamô de Deus, respira fundo e prucura siacalmá!&lt;br /&gt;    Lelo levantou a cabeça e respirou fundo.&lt;br /&gt;GUILHA: Agora sim! Tu num merece passá mal assim!&lt;br /&gt;LELO: Tô melhorano... Mar... que que tu qué me falá?&lt;br /&gt;GUILHA: Eu sei muito bem o que tu viu lá na tua casahá bem poquim...&lt;br /&gt;LELO: Que?! Cumé que é?&lt;br /&gt;GUILHA: Eu sei que que tava cunteceno na tua casa quano tu foi té lá!&lt;br /&gt;LELO: Cumé que tu sabe de... Num vai me dizê que..&lt;br /&gt;GUILHA: Lelo, iscuta muito bem o que vô te falá: o que tu viu lá num foi de graça, tá me intendeno?&lt;br /&gt;LELO: Quê?! Cumé que é?&lt;br /&gt;GUILHA: Lelo, iscuta bem, só tô te cuntano isso puque tu é um garoto manero, o melhé que cunheço nessa vila e que já cunheci em toda minha vida. E tu num merece te botá numa fria cumessa...&lt;br /&gt;LELO: Que fria?! Num tô intendeno mar nada!&lt;br /&gt;GUIILHA: Lelo, me discupe, mar tenho que te dizê que o Rique e a Elisa tavo cumbinado pa te levá pa cama a todo custo.&lt;br /&gt;    Nesse momento, Lelo levantou-se tão disposto de indignação que seu mal-estar passou imediatamente.&lt;br /&gt;LELO: O que?!&lt;br /&gt;GUILHA: Tu num se lembra que a Elisa te bejô no dia que tu foi demitido lá da la house?&lt;br /&gt;LELO (espantado): Cumé que tu sabe disso?&lt;br /&gt;GUILHA: A Elisa me contô, e me contô tamém tudo que ela fez pa ficá cum tu, te seduzi... Tudo foi cumbinado cum Rique antes. Ó, e eles armaram aquela transa na noite que o Rique voltô de propósito pa tu pegá eles no banho...&lt;br /&gt;LELO : Que coisa abisurda! O Rique nunca fazia isso cumigo! Ele me respeita, ele me intende..&lt;br /&gt;GUILHA: Todo mundo intende todo mundo só té certo ponto. Nem o Rique, nem Elisa, nem eu, nem tu, nem Tilinha é santo! A gente tudo temo lado mal, lado bom, lado anjo, lado demo. Num tô dizeno que eles tô quereno mal pa tu, só que...&lt;br /&gt;LELO: Num pode sê, num pode sê! Eles num pode...&lt;br /&gt;GUILHA: Pode! A gente num pode mandá no que os otro pensa da gente. Lelo, eles gosta muito de tu, mas num cunsegue intendê cumé que tu tá vige té hoje cum vinte anos na cara!&lt;br /&gt;LELO: Eu sô cristão, já falei isso!&lt;br /&gt;GUILHA: Eu sei! Eu te respeito, eu te adimiro por isso! Po mim, tu fica vige té quano tu quisé puque num é da minha conta, mar tem gente que num pensa assim. Num tem gente que ferece droga pa tu ixperimentá?&lt;br /&gt;LELO: Tem, claro!&lt;br /&gt;GUILHA: E eles num fica insistino pa tu prová?&lt;br /&gt;LELO: Bom, cumigo num rolô puque sô cristão e...&lt;br /&gt;GUILHA: Lelo, as coisa num é tõ simples assim. Sê cristão num é garantia de santidade nem de boa cunduta, assim cumo num sê tamém num qué dizê nada! Rique e Elisa gosta muito de tu, mar qué puque qué que tu perde a vigidade...&lt;br /&gt;LELO: Mar po quê? Será que eles num intende qué uma é pecado transá antes do casamento?&lt;br /&gt;GUILHA: A questõ num é essa, Lelo. A questõ vai além da tua vigidade.&lt;br /&gt;    Lelo olhou bem fundo nos olhos de Guilha, tentando entender até onde ia aquela conversa. Como duas pessoas que gostavam dele procuravam seduzi-lo a todo custo a cometer o pecado contra a castidade?&lt;br /&gt;GUILHA: Lelo, Rique e Elisa têm uns fetiche meio doido, sabe? E eles qué puque qué fazê sexo a três e...&lt;br /&gt;LELO: ...e eles qué fazê cumigo, é isso!&lt;br /&gt;GUILHA: É, é ixatamente isso!&lt;br /&gt;LELO: Mar po que eu, logo eu?!&lt;br /&gt;GUILHA: Ixatamente puque tu é tu: vige, crente e amigo dos dois.&lt;br /&gt;    Lelo parou por uns momentos. Levantou-se. Saiu da banca. Olhou a rua. Olhou também para a porta da Vila; Tilinha não vinha. Voltou para a banca.&lt;br /&gt;LELO: Pô, num inteno isso! Eles já tem um o otro. Pa que que eles me qué no meio?&lt;br /&gt;GUILHA: Lelo, o sexo é um mistério apenas pos que num cunhece ele. O sexo é a parte mar animal de quaqué serumano. No sexo, a gente far tudaquilo que dá prazê, por no sexo a gente num se lembra de mar nada, a num sê de senti prazê e nada mar. Quano eu faço sexo, eu num quero sabê se minha mãe tá bem, se meu pai tá passano mal, se meus irmão tão istudano, se as criança tão durmino, se Deus tá me veno e que que ele tá pensano. Muitas vez, num quero nem sabê se o cara que tá cumigo tá gortano o não. Na hora do sexo, o que quero é senti prazê e nada mais. E, quano tu fizé, vai sê a merma coisa, puque todo mundo é assim: no sexo a gente somo livre. Num tem censura.&lt;br /&gt;LELO: Mas o que isso tem a vê com Rique e Elisa.&lt;br /&gt;GUILHA: Eles qué puque qué transá a três cum tu, mar num qué sabê cumo tu vai se senti, e, pa mim, é aí que tá a sacanage. Tem um bando de gente aqui na vila que tá morreno de tesõ ne tu, mar nem pensa im fazê o que Rique e Elisa tõ fazeno, e eles num far nada puque respeitõ tu.&lt;br /&gt;LELO: Mas... mas...&lt;br /&gt;GUILHA: Rique e Lelo acha que se tu pegasse eles fazeno tu sintiria tesõ e entraria na transa tamém. Eles cuntinua insistino puque creditõ que tu num vai resisti po muito tempo...&lt;br /&gt;LELO: Num é pussível! Num é pussível! Cumé que eles pode fazê isso cumigo?&lt;br /&gt;GUILHA: Lelo, intende uma coisa: ninguém é igual. Tu pode num obrigá os otro a fazê o que tu qué, mas otros pode. Num tem gente que assalta, que mata, que istrupa? Intõ, pode muito bem te seduzi. Agora, o que tu tem que fazê é num se deixá levá. Eu me senti obrigada a dizê isso pa tu puque acho sacanage fazere isso cum tu, só po isso, e puque tô veno que tu tá mal cum isso. Tenho ceteza que tu tava procupado de achá que tava traino Rique bejano Elisa, mar tudo num passava dum jogo pa te seduzi. Mas, ripito: eles num quere teu mal; apenas acham que num é nada demais fazê sexo cum eles.&lt;br /&gt;    Ambos escutam o barulho do portão da vila.&lt;br /&gt;GUILHA: Dexo i lá puque num quero brigá cum a Tilinha. Mar cunvesa cumigo ante de fazê quaqué coisa, tá? Num far nada de cabeça quente.&lt;br /&gt;    Guilha saiu da banca e, em segundos, Tilinha chegou com um copo de água com açúcar.&lt;br /&gt;TILINHA: Que que ele veio fazê aqui? Demorei puque num taav cunseguino achá açúca.&lt;br /&gt;LELO: Ela veio me vê puque me viu mal aqui e veio vê cumé queu tô.&lt;br /&gt;    Tilinha ficou calada. Apenas ajudou a dar a água na boca do namorado. Abraçou-o, enquanto acariciava suas costas.&lt;br /&gt;TILINHA: Entõ, vai me dizê o não que que foi que cunteceu?&lt;br /&gt;    Lelo parou uns instantes procurando no chão o que falar para Tilinha. Não poderia ferir sua pura sensibilidade relatando tanto as barbaridades que vira quanto as que acabara de descobrir com Guilha.&lt;br /&gt;    Tilinha insistiu; contudo, Lelo permanecia em silêncio.&lt;br /&gt;    Antes que o clima piorasse, Lelo pediu para ficar sozinho. Tilinha ainda insistiu em ficar com ele na banca. Leo, porém, foi firme. Em breve, foi atendido.&lt;br /&gt;    Livre de tantos questionamentos, Lelo pôde parar e tentar encaixar as peças desse dominó de peças tão dispersas. Como abordar esse assunto com ambos sem comprometer Guilha nem deixar tão às claras sua intenção de desmascará-los.&lt;br /&gt;    Ao mesmo tempo, sentia-se magoado pela tentativa de interferência em seu foro íntimo. Sua virgindade era sagrada, tanto quanto o hímem de uma moça de respeito. Se eles não achavam que se manter castos até o casamento era essencial, que ao menos o respeitassem.    Por fim, seus pensamentos o levaram a outro questionamento: por que o sexo o perturbava tanto? Através do sexo é que é gerada a vida. Se o sexo é algo tão bom e tão prazeroso, por que era considerado pecado? Por que era considerado tão desagradável a Deus determinadas práticas sexuais? Por que Guilha iria para o inferno, se ela tinha falado com ele sobre a intenção de seus amigos com as melhores intenções? Só por que ela era travesti? Por que o sexo é tão tabu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-4988665359331424725?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/4988665359331424725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=4988665359331424725' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/4988665359331424725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/4988665359331424725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/11/captulo-13-mistrios-de-guilha.html' title='CAPÍTULO 13: Mistérios de Guilha'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-9026628091922288251</id><published>2007-11-15T00:32:00.000-02:00</published><updated>2007-11-15T00:34:16.064-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 12: A volta de Rique</title><content type='html'>Numa noite fria como outra qualquer, Lelo entrou em casa e notou um barulho diferente: um banho. O banho parecia quente, delicioso e demorado.&lt;br /&gt;LELO: Rique?! Tu voltô, véio?&lt;br /&gt;    Passando a sala e parando perto do banheiro, Lelo notou que a porta estava aberta. Aos poucos, notou gemidos vindo de lá de dentro.&lt;br /&gt;    Discretamente, aproximou seu rosto para ver que cena se passava e logo notou, surpreendentemente, que Elisa e Rique amavam-se desavergonhadamente debaixo daquele chuveiro. Os corpos nus da branca e do moreno sussurravam alto os sentidos mais íntimos de prazer.&lt;br /&gt;    Lelo começou a tremer, pois nunca tinha visto o sexo tão próximo, tão vivo e tão quente quanto naquela noite. Temia interrompê-los e constrangê-los com sua presença; contudo, temia mais ainda deixar perder os detalhes de algo tão maravilhoso e simultaneamente tão proibido quanto o sexo entre duas pessoas que se amam. A intimidade e a percepção um do outro eram tão grandes e tão fortes que deixou Lelo impressionado e assustado ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;    Assim, aos poucos, procurando não fazer barulho, Lelo foi-se retirando da porta do banheiro para a sala e, em seguida, para o frio do pátio. Ainda tremendo, respirou fundo. Desejava retornar à posição voyeurista, mas desejava mais ainda retirar as cenas pecaminosas de sua mente.&lt;br /&gt;ROBINHO: Lelo?! Perdeu a chave?&lt;br /&gt;    Robinho gritou da porta da casa de Zeli. De lá, correu ao encontro do amigo.&lt;br /&gt;LELO: Não! Não! Apenas num quero interrompê a intimidade do Rique e da Elisa.&lt;br /&gt;ROBINHO: Ué?! O Rique voltô?!&lt;br /&gt;LELO: Pois é! Té eu tô bolado cum isso.&lt;br /&gt;    Ambos se afastaram para o local onde ficavam alguns brinquedos antigos, onde as crianças costumavam passar as horas de ócio.&lt;br /&gt;ROBINHO: Qué dizê que tu pegô os doir na maió transa.&lt;br /&gt;LELO: Pois é, véio! Tô boladão cum isso!&lt;br /&gt;ROBINHO: Tô veno! Tu tá tremedo paca!&lt;br /&gt;LELO: Pô, dá pa vê, é?&lt;br /&gt;ROBINHO: Pô vi lá da casa da minha tia. Pensei té que tu tava passano mal.&lt;br /&gt;LELO: Num brinca, tá?&lt;br /&gt;ROBINHO: Tô falano sério! Fiquei procupado cum tu.&lt;br /&gt;LELO: Pô, migo! Valeu mermo!&lt;br /&gt;    Lelo e Robinho abraçaram-se.&lt;br /&gt;ROBINHO: Pô, cara, tu tá balado mermo cum o que tu viu.&lt;br /&gt;LELO: Po que que tu diz isso?&lt;br /&gt;ROBINHO: Pô, sinti teu instrumento pronto po serviço bateno neu (rindo muito).&lt;br /&gt;LELO (constrangido): Pô, cara, foi mal, aí! Foi mal mermo!&lt;br /&gt;ROBINHO: Tem nada não, cara! Fica tranqüilo que já tô custumado.&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é?!&lt;br /&gt;ROBINHO: Tô custumado, pô! Sei cumé ficá im ponto de bala, pô!&lt;br /&gt;LELO: Ah, tá! Pô, num isperava o Rique, muito meno ele tá cum ela debaxo do chuvero.&lt;br /&gt;ROBINHO: Bem que istranhei a falta dela hoje na aula.&lt;br /&gt;LELO: É verdade! Cumé que ela sabia e eu, que moro cum ele, num sabia?&lt;br /&gt;ROBINHO: Sei lá! De repente, eles queria te fazê uma surpresa.&lt;br /&gt;LELO: Se queria conseguirõ... Só que num gortei...&lt;br /&gt;ROBINHO: Fala sério, vai! Tô veno tua situaçõ aí... Tu vai tê que se aliviá hoje (rindo)...&lt;br /&gt;LELO: Fala sério, véio! Sô cristõ. Cristõ de verdade num faz dessas coisa.&lt;br /&gt;ROBINHO: Sei... Mar vô contá uma coisa pa tu: a Tilinha vai se ispantá quano vê o que tu tem debaxo dessas calça (rindo mais)!&lt;br /&gt;LELO: Pára, véio! Só num dexo tu aqui sozinho puque num tem cumo intrá im casa!&lt;br /&gt;ROBINHO: Sei... Tu num vai é puque sô irresistível (rindo mais)!&lt;br /&gt;LELO (finalmente, rindo): Cunvencido! Só puqueu sô teu amigo tu fica de gracinha pa cima deu! Vê lá, hein?&lt;br /&gt;ROBINHO: Relaxa! Depois que tu faz, tu num vai mar querê sabê de otra coisa!&lt;br /&gt;LELO: Nada, véio! É Deus em primero lugá! Sexo vem dipois!&lt;br /&gt;ROBINHO: Sei! Dipois do casamento, claro!&lt;br /&gt;LELO: Lógico! Sexo tem que sê bençuado; num pode sê feito assim im quaqué lugá cum quaqué um. Tem que sê direitinho, cumo Deus manda! Se nõ, num dá certo!&lt;br /&gt;ROBINHO: Intõ tu vai rezá ante da transa?&lt;br /&gt;LELO: Crente num reza; crente ora!&lt;br /&gt;ROBINHO: Tudo bem, Lelo! Mas ixiste uma oraçõ pa se transá im paz, na paz de Deus?&lt;br /&gt;LELO: Num blasfema, Robinho!&lt;br /&gt;ROBINHO: Num tô blasfemano. Só quiria sabê té quano Deus tá zoiano a gente quano na hora da intimidade.&lt;br /&gt;LELO: Ué?! Deus sabe tudo que a gente faz. Logo, deve sabê tamém que que a gente far na hora da cama, ora! Por isso que tudo deve sê cumo Deus manda, inclusive na hora do sexo.&lt;br /&gt;ROBINHO: E cumo Deus qué que a gente faz sexo?&lt;br /&gt;    Lelo a essa altura parou. Parou para pensar. Os questionamentos de Robinho faziam sentido, mas nunca tinha ido tão longe em seus próprios. Como ele nunca tivera contato com sexo, não fazia a mínima idéia de posições sexuais aceitáveis e agradáveis a Deus.&lt;br /&gt;    Nesse meio tempo, Elisa deixou a casa de Lelo e Rique e se dirigiu à própria. Em seguida, Lelo e Robinho despediram-se, prometendo retornar ao assunto tão logo fosse possível.&lt;br /&gt;    E, enfim, Lelo entrou na casa. Rique assistia à televisão vestido apenas com um short.&lt;br /&gt;RIQUE: Lelo! Que bom te vê!&lt;br /&gt;LELO: Rique! Que sodade!&lt;br /&gt;    E ambos largaram-se num abraço apertado e aconchegante que durou longos minutos.&lt;br /&gt;LELO: Véio, senti muito tua falta!&lt;br /&gt;RIQUE: Eu tamém! Tava loco pa voltá pa cá! Tava procupado cum tua situaçõ!&lt;br /&gt;LELO: Isquece! Tô bem melhó agora! Tô namorano, tô impregado e tô istudano.&lt;br /&gt;RIQUE: Ê, assim que é bom! Namorano... Logo, logo vai pedê o cabaço (rindo).&lt;br /&gt;LELO: Lá vem tu de novo cum essa cunvesa de sexo! Num é puque tu tá mar forte que ante que pode abusá deu.&lt;br /&gt;    E a conversa seguiu amigavelmente até tarde. Havia muito para ser colocado em pauta na conversa, pois foram vários dias sem contato. Havia também a questão das despesas, que ficaram desequilibradas com a ausência de um deles. De qualquer forma, Lelo não entrou em detalhes sobre o dia do atropelamento, embora vontade não lhe faltasse. Achou por bem voltar a tal assunto em outra situação. Afinal, aquele era um momento de pura alegria devido ao reencontro. A amizade mantinha-se firme acima de tudo.&lt;br /&gt;LELO: Tua família tava bem?&lt;br /&gt;RIQUE: Tava... Tava sim.... Só... Só meu pai que tava meio duente, mar ficô ricuperado já!&lt;br /&gt;LELO: Que bom! Que bom! Fico feliz po tu! E o que mar tu fez lá além de ficá cum tua família?&lt;br /&gt;RIQUE: Dei umar volta na cidade... Tudo na merma...&lt;br /&gt;LELO: E po que que tu num me ligô?&lt;br /&gt;RIQUE: Pô, Lelo, tava icnomizano... Sabe cumé, né? Lugá de probe...&lt;br /&gt;LELO: Intendi. Gora, vamo durmi que levanto cedo amanhã, tá? Boa noite, migão!&lt;br /&gt;RIQUE (abraçando-o): Boa noite, véio amigo! Durma bem e tenha bons sonho!&lt;br /&gt;    Depois de um logo abraço, deitaram-se e adormeceram depois de mais um ou outro papo sem muita importância, mais relativas à viagem de Rique. Enfim, chegara o grande dia: os dois dividindo o mesmo quarto, parte de uma casa suadamente alugada,depois de tanto tempo mudado para a Vila Potira. Poucas horas que valeram por meses de esforço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-9026628091922288251?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/9026628091922288251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=9026628091922288251' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/9026628091922288251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/9026628091922288251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/11/captulo-12-volta-de-rique.html' title='CAPÍTULO 12: A volta de Rique'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-1578794217954898678</id><published>2007-11-07T23:40:00.000-02:00</published><updated>2007-11-07T23:41:30.239-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 11: Os dias seguintes</title><content type='html'>Os dias que seguiram à estréia de Lelo na banca de jornais não trouxeram grandes novidades - a não ser uma nova rotina.&lt;br /&gt;    O dia sempre começava com um torpedo de Duda, alimentando de positividade mais um dia na vida do desamparado Lelo, e renovando-lhe a esperança de mudar-se para a vila também. Com tantos torpedos, tal realidade parecia ainda um pouco distante, pois havia problemas com os pais e com a namorada para serem resolvidos. Enfim, nada mais restava do que esperar.&lt;br /&gt;    Enquanto isso, suas manhãs se iniciavam bem antes do levantar-se do sol. Jornais arrumados, trabalho dobrado. Família Carlos, fregueses, transeuntes, crianças, vizinhos, sogros e Tilinha. Ela passava boa parte do dia de mãos dadas com Lelo na banca de jornal. Dessa forma, ninguém poderia que eles não estavam namorando nem que estavam prevaricando. Estava tudo ali, exposto como qualquer jornal e revista; só não tinha preço, nem podia ser comprado.&lt;br /&gt;    Tilinha era só sorrisos. O sonho de um casamento parecia mais próximo da realidade do que nunca. Lelo era o verdadeiro cavalheiro: educado, galanteador, humilde, trabalhador, esforçado, crente; o que mais ela poderia querer? Conversas sobre os fatos, Bíblia, sobre os dois, o dia-a-dia. Felicidade passou a ser seu sobrenome.&lt;br /&gt;    Os vizinhos olhavam para aquela vitrine ao vivo admirados, pois eles eram muito graciosos e simpáticos para com todos. Não havia freguês que não se encantasse com o carinho e a gentileza com que eram tratados por Lelo e Tilinha, fato que aumentou a freguesia da banca de Lilico e de outros estabelecimentos locais, como o salão de Elisa, o bar de Vagna e a pensão de Zeli.&lt;br /&gt;    E todos os que entravam ali suspiravam com os arrulhos dos pombinhos trepados no atendimento da banca de jornal. Pensavam que brevemente haveria casamento na vila.&lt;br /&gt;    Fatinha logo soube do namoro desde que se mudou com seu pai, Francisco, para a vila, mas procurou não ligar muito. Para ela, Lelo sempre foi, é e será o primeiro e eterno amor, algo que nenhum outro homem conseguiria modificar. Apenas passava, deixando o amado constrangido, pois sempre ia toda sorridente saudar sua prima e felicitar-lhe pelo relacionamento. Tal parentesco surpreendeu um pouco Lelo, pois jamais pensou em ser disputado por duas meninas, ainda mais sendo essas primas. No entanto, ao contrário de envaidecer-se, tudo o constrangia de alguma forma: os olhares dos fregueses, os comentários, as palavras de Tilinha, o assédio de Elisa e Fatinha.&lt;br /&gt;    Por falar em Elisa, de quando em quando ela arriscava um beijo forçado em Lelo, sem sucesso. Pensava ele que tudo se resolveria com a volta de Rique, que não deveria tardar-se.&lt;br /&gt;    A escola também seguia seu ritmo normal. Robinho era seu escudeiro leal, e vice-versa. Jamais Lelo tivera outro colega de escola tão leal e tão companheiro como Robinho: onde um estava, poder-se-ia apostar que o outro lá também estava. E os assuntos eram variados, especialmente sobre ass mulheres: a priminha safada de Robinho e a sensualidade recatada de Tilinha. Vagna, Samanta e Bebê gostavam de zoá-los um pouco por tanta intimidade, pois o ex-taciturno Robinho tornara-se o mais tagarela, inclusive nas viagens de kombi, deixando os contadores de vantagem Juninho e Toco tímidos diante de tantos assuntos. Apenas Guilha observava tudo em misterioso silêncio. Lelo vez por outra ainda tentava conversar com ela, mas logo a travesti desviava do assunto e recolhia-se a seu silêncio. Pareci constrangida por algum motivo, porém sem pistas que pudessem levar à solução desse mistério.&lt;br /&gt;    No mais, a vila seguia seu ritmo normal. As crianças indo para a escola durante as manhãs e brincando no pátio da vila às tardes e noites. Os trabalhadores saindo cedo para sua labuta e, quando podiam, divertiam-se no pagode aos finais-de-semana. A única pessoa que destoava dessa rotina era Preá. Desde que Tilinha passara a dar plantão na banca com o amado, Preá jamais tornou a pisar na banca enquanto Lelo estivesse por lá. Queria evitar mais uma briga a todo custo; apesar de não gostar da idéia, sabia que tinha responsabilidade sobre o filho e, além disso, não podia ficar na rua. Grávida e com um filho, segundo ela imprestável,  não podia ficar sem pelo menos um teto e um homem que lhe desse algo além do sexo, claro.&lt;br /&gt;    Enquanto isso, Anderson seguia cuidando de João Paulo na cadade Elisa enquanto esta trabalhava no salão. Pareciam irmãos de tão bem que se davam. Para Anderson, o carinho de Elisa e João Paulo eram o combustível para levar adiante a vida com sua própria mãe. O único problema era a sua entrada na adolescência, que o estava deixando, aos poucos, obcecado pelo sexo oposto, mais precisamente por Adriana. Sempre que podia, levava João Paulo para brincar com Adriano e Aline somente para observar Adriana, que também estava no seu despertar corporal. Essa atração mútua despertava certa preocupação de Vagna; por isso, tratou de ensinar a ambos o pouco de educação sexual que sabia - ao menos, esperava com isso diminuir a possibilidade da existência de uma Preá de calças.&lt;br /&gt;    Por outro lado, Juninhotambém rodeava Adriana. Enquanto Anderson era carinhoso e carente, Juninho era a própria malandragem encarnada ao som de muito funk, hip hop e internet. Juninho exalava sexo por onde passava; suas roupas expunham-lhe os poucos pêlos pubianos, os magros músculos ainda não malhados, e parte de cima das nádegas. Era assim no trabalho, era assim em casa, era assim no pátio. Quem não gostasse, que fosse embora.&lt;br /&gt;    Seu amigo, Toco, que também estava trabalhando na lan, dizia ser o maior pegador da escola e da vila. Contudo, a verdade mesmo era o plantão que dava nas entranhas de Samanta depois que esta voltava da função. A bem da verdade, Toco nunca provara o fruto feminino; tivera uma experiência malfadada com Bebê, que não conseguiu despertar-lhe a virilidade. Assim, Toco seguia seu caso secreto com Samanta, como se ninguém o soubesse na vila.&lt;br /&gt;    Por fim, nada como deitar à noite e perceber que mais um dia se foi e outro viria dentro de poucas horas. O ciclo do tempo na seqüência de horas, dias, semanas pacientemente alimentavam desejos, certezas e dúvidas. A principal dúvida, além do mistério do atropelamento, era o que realmente se passava no interior de Lelo com a profusão de acontecimentos e sentimentos, um turbilhão de novidades que custavam a serem absorvidos por seu cérebro e seu coração. "Que Deus pensava disso?", pensava, "Será que Deus concorda cum o que tô fazeno? Cum que tô pensano? Será que num tô im pecado im namorá quem num gorto? Será que vô cunsigui amá Tilinha? E Elisa? E Fatinha? Será que elas vai sê feliz sem eu? Será que tem home pa elas? E cumo vai sê...?" e lá se iam os turbilhões de pensamentos até altas horas de sono. Em breve, novo dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-1578794217954898678?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/1578794217954898678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=1578794217954898678' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/1578794217954898678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/1578794217954898678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/11/captulo-11-os-dias-seguintes.html' title='CAPÍTULO 11: Os dias seguintes'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-2705931034264124487</id><published>2007-11-01T00:06:00.000-02:00</published><updated>2007-11-01T00:08:37.929-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 10: E o dia continua</title><content type='html'>Lelo já estava saindo para a escola quando foi abordado por Bombom, de moto, como sempre.&lt;br /&gt;BOMBOM: Tá ino pa iscola?&lt;br /&gt;LELO: Tô, sim!&lt;br /&gt;BOMBOM: Tô ino pa lá tamém! Te dô uma carona! Sobe aí!&lt;br /&gt;    Lelo subiu e segurou no suporte apropriado.&lt;br /&gt;BOMBOM: Me abraça! Vô rápido! Assim é mar siguro.&lt;br /&gt;    Então, Lelo o abraçou e ambos foram embora.&lt;br /&gt;LELO: Tu é motoboy há muito tempo?&lt;br /&gt;BOMBOM: Sim! Adoro pilotá moto! Principalmente puque a gente passa e os carro fica paradim lá trás.&lt;br /&gt;LELO: É vedade! Mas isso num te dá pobrema não?&lt;br /&gt;BOMBOM: Tem sempre um ou outro mar mal incarado que tenta num dexa gente passá, mar a gente dá um jeto nisso numa boa.&lt;br /&gt;LELO: É puque quano fui tropelado ouvi um barulho de moto, sabe?&lt;br /&gt;BOMBOM: Pô, naquela rua deserta?&lt;br /&gt;LELO: Pô, num vi nada não, mar cês custuma entrá im rua deseta tade da noite?&lt;br /&gt;BOMBOM: Pô, eu não, mas alguns colegas sim. Às vez pa fugi da fiscalizaçõ. Sabe cumé, né? A puliça pára gente, a gente tem que mostrá os ducumento... E tem muito motoboy que tá todo errado...&lt;br /&gt;LELO: É... Quano eu vivia na favela a puliça era muito abusada memo... Vira e mexe eu ficava sem pudê intrá im casa... Por isso que vim pa cá pa vila.&lt;br /&gt;BOMBOM: Inteno... Mas o mar ruim da vida de motoboy é memo os carro, que as viage é legal, muito legal. Principalmente se fô cum mulé...&lt;br /&gt;LELO: Sei...&lt;br /&gt;BOMBOM: Esse abraço que tu tá me dano, sabe? Cum mulé fica muito mar gortoso...&lt;br /&gt;LELO: Claro, né? Umas mão suave, delicada...&lt;br /&gt;BOMBOM: Por isso que me marrei na Jenifer. Ela é uma mulé incríve, insaciáve... Cê tem que vê cumé gortoso cumê uma mulé, cara! E te digo mais: cumo já cunheço a irmã, vô te dá umas dica de cumo cumê gortosinho a Tilinha...&lt;br /&gt;    Lelo não conseguiu nem recusar porque Bombom foi falando a viagem toda. As palavras de Bombom descreviam Jenifer tão bem que praticamente era possível por meio dela imaginar o corpo de Tilinha nu. Lelo tentava não escutar, mas era impossível. Assim, limitava-se a não responder. Principalmente por perceber que a vila toda já esperava um casamento entre ele e Tilinha.&lt;br /&gt;BOMBOM: Tu tem que vê, cara! A Tilinha só fala im tu. El tá marradona na tua! Pega logo essa mulé! E proveita que vige num se pega todo dia!&lt;br /&gt;LELO: Falô!&lt;br /&gt;    Bombom, após essas palavras, deixou Lelo na porta da escola. Lá, de um lado, Tilinha e Detinha conversavam. Detinha correu logo para os braços de Bombom, e ambos saíram de moto. Já Tilinha pegou a mão direita de Lelo e foi andar pelo pátio da escola. Sentaram-se num canto e começaram a papear: os acontecimentos do dia, a expectativa no novo emprego, o desespero de ser acusado de nunca ter feito nada para tanto.&lt;br /&gt;TILINHA: Tu pudia tê ido lá pa casa quano cunteceu isso. Eu ia cuidá de tu diretinho!&lt;br /&gt;LELO: Num dava... Eu tava muito mal, chorano... Nenhum home gosta de chorá, muito menos de vê ele chorano.&lt;br /&gt;TILINHA: Pára cum isso, Lelo! Home tem que chorá sim! Home num pode sê esse poço de iguinorança. E tu é um poço de ternura. Cada dia que passa vejo que tu é muito ispecial. Pensa que num vi tu trabalhano lá na banca? Só num passei lá puque num quiria trapalhá.&lt;br /&gt;LELO: Num trapalha nada! Pelo cuntrário: se quisé, pode ficá lá o tempo que quisé. Inda mar que a banca é do teu primo.&lt;br /&gt;TILINHA: Poxa, vô adorá ficá do teu lado. Adoro a tua companhia. Um home ducado... de Cristo... que respeira as donzela...&lt;br /&gt;    Lelo estava ficando encabulado com tantos elogios e baixou os olhos.&lt;br /&gt;TILINHA: Posso te contá um segredo?&lt;br /&gt;LELO: Pode.&lt;br /&gt;    Tilinha então aproximou sua boca do ouvido do rapaz. De repente, sua boca desviou rapidamente e partiu para um ósculo mais do que desejado.&lt;br /&gt;    O beijo parou o pátio. Alguns colegas da vila passavam e soltaram algumas galhofas do tipo "Até que infim!" e "Que colante, hein, meu bem?".&lt;br /&gt;    Depois do beijo, um abraço acalorado. Tilinha sentia-se realizada e sorriu durante o resto do dia.&lt;br /&gt;TILINHA: Tu passa na minha casa hoje de noite?&lt;br /&gt;LELO: Eu tenho que cordá cedo amanhã. Passa lá na banca.&lt;br /&gt;    Tilinha aceitou  a proposta e se foi, não sem antes lhe tascar um novo beijo. E Lelo permaneceu estático diante daquele pátio que se ia enchendo para as aulas da noite.&lt;br /&gt;SHEILA: Aí, mano, hein? Tá fazeno sucesso, viu?&lt;br /&gt;LELO: Pô, mana, tu viu tudo?&lt;br /&gt;SHEILA: Quem não viu? Tu num iscutô meus grito? "Aí, Lelo! Beja mermo, moleque!" Tá mar do que na hora de tu perdê esse seu cabaço!&lt;br /&gt;LELO: Que isso, mana! Fala baxo!&lt;br /&gt;SHEILA: Tu num é vige ou num é? Tem que honrá esse seu cabaço aí, pô!&lt;br /&gt;LELO: Eu vô honrá me casano cum minha isposa!&lt;br /&gt;SHEILA: Pelo jeito a Fatinha perdeu a chance de se torná a sinhora Marco Aurélio, o exemplo do Morro da Ressurreição.&lt;br /&gt;LELO: Ela nunca teve, nem Tilinha tá. Isso que cunteceu aqui foi um impulso dela. Isso num qué dizê que vai dá namoro.&lt;br /&gt;SHEILA: Bom, se dependê da Tilinha, isso vai dá memo im casório. Mas, ó, Fatinha tá lá fora quereno falá cum tu.&lt;br /&gt;LELO (assustado): Caraca! Ela viu tudo?&lt;br /&gt;SHEILA (rindo): Claro que não, mano! Ela tava lá fora cunversano cum uns amigo.&lt;br /&gt;    E Lelo foi direto para a frente da escola. E lá estava Maria de Fátima com algumas amigas conversando animadamente. Quando viu seu amado, Fatinha deixou imediatamente o grupo e foi ao encontro de Lelo.&lt;br /&gt;FATINHA: Quanto tempo, né?&lt;br /&gt;LELO: É mermo! Tu tá muito bem, sabia? Tá bunita, inturmada!&lt;br /&gt;FATINHA: Brigada! Sempre galantiadô!&lt;br /&gt;LELO: Nada! Só sô sincero! E teu pai, cumo tá?&lt;br /&gt;FATINHA: Meu pai cuntinua na merma! Intrevado naquela cama, num tem muito o que fazê. Mar, proveitano esse assunto, eu quiiria sabê se quela vila onde tu mora é um lugá legal.&lt;br /&gt;LELO: Lá é muito bom! O pessoal é bem unido, bem legal mermo. Mar po que que tu qué sabê?&lt;br /&gt;FATINHA: Tô quereno saí do Morro tamém. E dá um tratamento melhó po meu pai. Ele pricisa se tratá; num popde ficá dependendo do Fubá e do Wayne pa subi e descê o morro.&lt;br /&gt;LELO: Passa lá manhã e fala cum D. Zeli. Ela vai te dá todas informaçõ necessária. Ela é muito gente boa, pode crê.&lt;br /&gt;FATINHA: Brigada, passo lá sim.&lt;br /&gt;LELO: Quaqué coisa, tô na banca im frente...&lt;br /&gt;    Lelo deu todas as dicas de como chegar à vila. Ao final da conversa, o sinal da escola tocou e ambos procederam às despedidas. Fatinha parecia não querer desgrudar do corpo de Lelo, mas não havia outro jeito.&lt;br /&gt;    E Lelo entrou na escola e foi direto para sua sala, onde se sentou ao lado de Robinho, que já o esperava com um largo sorriso.&lt;br /&gt;ROBINHO: Pensei que tu num vinha mais!&lt;br /&gt;LELO: Nada! Tava cunvesano cum uma amiga.&lt;br /&gt;ROBINHO: Sim, sei! Conta otra, Lelo! Tá todo mundo cumentano do bejo que tu deu na Tilinha?&lt;br /&gt;LELO: Eu?! Foi ela que me bejô!&lt;br /&gt;ROBINHO (rindo): Tá ceto, vô fingi queu credito.&lt;br /&gt;LELO: Cara, essas mulhé tõ ficano muito assanhada! Primero foi a Preá, e, agora, a Tilinha, cara, a Tilinha.&lt;br /&gt;ROBINHO: É, cara, tu tá podeno, hein? Só seno vige e gortoso cumo tu pa essas mulhé ficá cum tu.&lt;br /&gt;LELO: Pô, vige sim, mar gortoso não, né? Sô cristão!&lt;br /&gt;ROBINHO: E tu num acha que isso num conta? Nessas hora que dá vontade de virá crente...&lt;br /&gt;LELO: Num diz isso não, cara! Respeito é bom, tá!&lt;br /&gt;ROBINHO: Tô bricano, cara! Tu sabe que te adimiro paca!&lt;br /&gt;LELO: Sei, mar tu já dicidiu se tu e vige ô tá im dúvida inda?&lt;br /&gt;ROBINHO: Vô te cuntá, cara, e é a primera vez que vô cuntá isso pa alguém, tá? Cara, na casa da minha vó morava uma prima minha. A gente cresceu junto, brincô junto, tomô banho junto, durmiu junto e tal. Num dessas noite, quano a gente já tava mar grande, cumeçô a se incostá mar, sabe? E... Ela cumeçô a querê sinti meu corpo... e eu o corpo dela. No início eu fiquei quieto e tal... Mas ela cumeçô a ficá cum eu pa cima e pa baxo... Cara, ela era muito gortosa, sabe? Eu passei a ficá de pau duro toda vez que via ela... Parei de tomá banho junto e prucurei num durmi mar cum ela, né? Afinal, a gente somo primo, né? Foi aí que ela, num di que a gente tavo longe das vista da minha vó, ela foi e me bejô. Bejô na boca... Bejô e pegô no meu pau, cara... Cara, fiquei cum um tesão que fico de pau duro só de lembrá... Nesse dia eu fugi... Prucurei ficá longe dela sempre, sabe?... Mas, aí, ela cumeçô a se incostá toda vez que a gente ficavo junto, sabia? Aí, teve uma noite que, quano fui durmi, ela foi cumeçô a mexê no meu pau, cara, no meu pau...&lt;br /&gt;LELO: Nossa, cara! Que isso? E tu num fez nada?&lt;br /&gt;ROBINHO: E dava, cara? Tava muito gostoso, só tu veno... Mar num foi só isso, cara! Depois, ela tirô meu pau da cueca e meteu a boca!...&lt;br /&gt;    Lelo manifestou um susto de maneira tão forte que a sala parou. Ele pediu desculpas e voltou a conversar com Robinho, porém com voz mais baixa.&lt;br /&gt;ROBINHO: Bom, dipois disso, ficamo um bom tempo assim: ela com a boca e eu só na flozinha dela, sabe? Foi uma delícia... A gente chegô ao final, mar nunca passamo disso, sabe? E toda ver que tamo lá a gente faz isso.&lt;br /&gt;LELO: Té hoje?&lt;br /&gt;ROBINHO: Té hoje! Num é sempre que a gente sencontramo, mas a gente fazemo tudo isso... Por isso que num sei se sô vige... A gente só faz isso, mas eu nunca penetrei na flozinha, sabe? Nunca... Nunca...&lt;br /&gt;LELO: Bom, eu num sô a melhó pessoa pa dizê aguma coisa disso, mas... Tu é menos vige do que eu... Eu só bejei na boca té hoje...&lt;br /&gt;ROBINHO: Mar tu nunca bateu uma pensano não?&lt;br /&gt;LELO: Que isso, cara! Isso é pecado! Magine se começo a batê uma e Deus resove me chamá na hora? Cumé queu vô ficá?&lt;br /&gt;ROBINHO: Mar tu acha que Deus vai te chamá logo numa hora dessa?&lt;br /&gt;LELO: Só Deus sabe, né mermo? Só Deus sabe...&lt;br /&gt;ROBINHO: Mas isso é muita norose, cara! Só sei que é muito bom! Quano tu prová, num vai querê otra coisa...&lt;br /&gt;    E o papo rolou a noite toda, sempre girando em torno desse tema. Lelo mesmo não acreditava que estava conversando sobre um tema que sempre lhe inspirara repulsa; o que mais o deixou à vontade foi a sinceridade de Robinho,que contava tudo com a maior naturalidade e sem aparentar contar vantagem. Era como se fosse um irmão lhe contando uma travessura de infância. E Robinho, com toda a sua amizade, parecia ser uma espécie de irmão mais novo, o irmão que ele nunca teve.&lt;br /&gt;     Na escola, os dois passaram a não se desgrudar mais, nem na hora do jantar, quando todos os moradores da vila se juntavam para um momento de descontração.&lt;br /&gt;    Para Lelo, o momento mais esperado foi quando Elisa se aproximou dele num raro momento em que Robinho não estava por perto.&lt;br /&gt;ELISA: Eu sube do bejo que tu deu na Tilinha hoje.&lt;br /&gt;LELO: Num foi eu! Foi ela...&lt;br /&gt;ELISA: Dexa disso. De quaqué forma, quero que cês seje muito feliz.&lt;br /&gt;LELO: Brigado, mar num sei no que pode dá tudo isso?&lt;br /&gt;ELISA: Po quê?&lt;br /&gt;LELO: Puque meu coraçõ num tá bateno por ela inda.&lt;br /&gt;ELISA: Mar ele tá bateno por alguém?&lt;br /&gt;LELO: Ele tá cunfuso, sabe? Num teve tempo pa bisorvê tanta coisa... A mudança, o hospital, a demissõ, seu bejo, a Preá, as foto, a Tilinha... Todo mundo fica falano que ela tá na minha, mas essa pressõ é muito ruim...&lt;br /&gt;ELISA: Mar num tem ninguém pressionano tu!&lt;br /&gt;LELO: Não?! Vai sê home e vige pa tu vê! Té minha mana falô hoje queu tenho que perdê meu cabaço. Fala sério! Deus num tem pressa, pô! Só Ele sabe a hora disso tudo cuntecê. Num depende deu; só dele!&lt;br /&gt;ELISA: Tu dexa tudo muito nas mão de Deus, né?&lt;br /&gt;LELO: Sem Ele a gente num somo nada!&lt;br /&gt;ELISA: Eu sei, mar tu num pode ficá achano que tudo depende só dele! Deus deu pa gente um cérebro pa gente usá. Nem tudo cai do céu. Se presevá é importante! Tu tá certo im ficá vige, mar tu num pode achá que num tem que fazê nada. Esse imprego no jornal foi uma coisa que cunteceu, foi bom, mar tu num pode ficá parado não. Se o canalha do Josué tem um bando de impresa, num é só puque Deus deu pa Ele de mão bejada! Ele cunquistô cum muito trabalho e isforço. Tu mermo hoje tá trabalhano e fora de casa puque quis, né vedade?&lt;br /&gt;LELO: É... É, Elisa, tu tem razõ. A gente temo que corrê atrás dos nosso bijetivo.... Meu bijetivo agora é terminá de istudá... E tê um imprego... O resto vai dependê de Deus!&lt;br /&gt;ELISA: Mar tu num pode ficá parado! Eu gorto muito de tu, mar num vô disputá tu cum a Tilinha. Vai fundo cum ela somente se tu quisé ela! Num vai na cunvesa de todo mundo não, tá?&lt;br /&gt;    E todos voltaram para suas salas de aula. E a noite foi encerrada na porta da escola, com todos esperando a kombi de Dênis. Durante a espera, todos ficaram segurando Lelo de alguma forma para que ele não escapasse e fosse atropelado novamente. E Lelo ria, fingia que ia escapar, e era agarrado por Robinho, brincadeira que se repetiu todos os dias dali em diante.&lt;br /&gt;    Assim que Dênis chegou, começou uma nova farra dentro da kombi. E o assunto geral, claro, era o beijo de Lelo e Tilinha. Lelo procurou não alimentar muito a conversa; apenas ouvia os comentários e nada mais. Robinho ainda tentava estimulá-lo a falar alguma coisa, mas ele preferia ficar calado. E foi assim até o final da viagem.&lt;br /&gt;    Ao cruzar a porta de casa, Lelo respirou fundo e foi dormir rapidamente. Em breve, estaria de pé novamente para o trabalho. E mais um dia renovaria sua vida, dando-lhe a oportunidade de refletir mais sobre os últimos acontecimentos e vivenciar outros, conseqüências de todos os anteriormente acontecidos. Por fim, agradecendo a Deus, adormeceu como um bebê exausto de tanto brincar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-2705931034264124487?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/2705931034264124487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=2705931034264124487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/2705931034264124487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/2705931034264124487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/11/captulo-10-e-o-dia-continua.html' title='CAPÍTULO 10: E o dia continua'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-5850269349965906774</id><published>2007-10-24T23:28:00.000-02:00</published><updated>2007-10-24T23:33:53.147-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 9: Amanheceu</title><content type='html'>O dia começou para Lelo muito antes do amanhecer; contudo, uma luz iluminou seu rosto através de seu telefone celular: uma mensagem de texto de Duda.&lt;br /&gt;    "Olá, meu anjo! Tudo bem? Vou demorar 1 pouco + para me mudar, mas logo vou ta ai perturbando vc, vlw? abc! Duda ;-)"&lt;br /&gt;    Lelo queria responder, mas não tinha créditos em seu telefone para responder; assim, responderia em breve, quando pudesse. Sem dinheiro, ficava complicado. Assim, o melhor que poderia fazer era trabalhar. Afinal, o povo que também ia trabalhar precisava fazê-lo informado.&lt;br /&gt;    Em breve, Lelo já estava de banho tomado, arrumado e perfumado para o novo serviço. Tinha boas expectativas: ao menos contava com a proximidade do dono e da possibilidade de conhecer um pouco melhor seus vizinhos.&lt;br /&gt;    Ao chegar à banca, Lilico já arrumava os jornais, cujos cadernos ainda estavam separados em grupos; caberia a eles arrumá-los para serem entregues aos fregueses. Como eram muitos jornais, a arrumação começava cedo. Geralmente, Juninho e Toco o ajudavam; agora, esse papel caberia a Lelo.&lt;br /&gt;    As horas passavam. Cada jornal, alguns com manchetes políticas, com o último escândalo na capital federal, outros tratando do último presunto desovado, foi arrumado cuidadosamente a fim de não faltaram as devidas partes das publicações. Lelo logo pegou o ritmo e, apesar do sono, sentia-se realizado por estar desempenhando um serviço com vias de remuneração em breve, pois o final do mês aproximava-se.&lt;br /&gt;    Lilico fazia piada de tudo: desde as manchetes apelativas dos jornais sanguinolentos às musas generosamente expostas pelos mesmos. Quanto às manchetes políticas, deixaria para perguntar a Sepúlveda, um assessor de vereador que costumava ajudar o pessoal da vila, especialmente em época de eleição. De qualquer forma, ele costumava almoçar na pensão de Zeli para saber as novidades da vila - que dificilmente eram muitas.&lt;br /&gt;    Banca arrumada, Lilico e Lelo receberam um belo café com leite acompanhado de pão com manteiga carinhosamente preparado por Zezé. Esta, por sua vez, já estava arrumada para o trabalho. Ela dividia-se por várias casas na Barra do Adeus; por causa disso, dificilmente voltava para casa, pois também dedicava-se a horas extras para aumentar o ganho em casa; dessa forma, cada vinda para casa era considerado um grande acontecimento, digno de uma imensa comemoração íntima.&lt;br /&gt;    Lado a Zezé, ia Uirapuru, que também trabalhava na Barra do Adeus, num condomínio de luxo. Costumava ficar a semana toda por lá, dormindo no serviço; finais de semana eram recheados de pagode e de trabalhos na igreja católica próxima à vila.&lt;br /&gt;    Lilico voltou para a casa, não sem antes deixar as últimas recomendações ao novo jornaleiro, como o cuidado com a anotação de tudo o que era vendido e o impedimento de menores de idade de se aproximarem dos materiais pornográficos vendidos. No mais, bom dia e boa sorte.&lt;br /&gt;    Quando Lelo sentou-se em seu posto na banca, percebera um certo cansaço, pois trabalhara por um bom tempo em pé e agachado. "Coisas de iniciante. Em breve, tarei costumado.", pensava. Por fim, era procurar ser o mais simpático possível e atender os clientes com sorriso e atenção.&lt;br /&gt;    A primeira pessoa que  parou na banca foi Vivinha, que trazia os pães quentinhos da padaria. A ela interessava saber qual era o último presunto desovado e as fofocas das celebridades. Entrou na banca sem perceber que Lelo era o novo jornaleiro. E olhou superficialmente as manchetes. Quando olhou para perguntar qualquer coisa, espantou-se com o rapaz, sorrindo, apesar de cansado.&lt;br /&gt;VIVINHA: Ora, ora, ora, ora! Mar num é que o rapá do coral táqui agora?&lt;br /&gt;LELO: Pois é, D. Vivinha! A gente tem que se virá, né memo?&lt;br /&gt;VIVINHA: Depende, meu minino, depende! Eu num me viro há anos, por me incostei na minha filha e na minha neta. Eu sô uma pobre velha imprestável que só sabe lê fofoca e notícia de morto pa tô o que falá cum os freguês da pensõ. Quem sô eu pa cumentá algo. No mar, só me resta rezá meu tercinho e vivê inquanto Deus num me chama.&lt;br /&gt;LELO: D. Vivinha, a gente tem que gradecê a Deus todo dia po mais um dia de vida. Sem Ele, num somo ninguém, né mermo?&lt;br /&gt;VIVINHA: É, mas a verdade é que já tô muito cansada e muito velha. O peso dos anos me deixarrastano por essa vila bendita. Ao menos tem o Joaquim...&lt;br /&gt;LELO: Joaquim?! Quem é Joaquim?&lt;br /&gt;VIVINHA: É um mindigo pa quem dô cumida todo dia. Todo dia ele bate lá na pensõ pa pedi cumida. É um cavalhero, um verdadero cavalhero. Cê tem que cunhecê ele, nem parece que é mindigo de tõ educado que ele é.&lt;br /&gt;LELO: Interessante! Cumé que uma pessoa tõ ducadassim fica na rua?&lt;br /&gt;VIVINHA: Inveja! Ou locura! Ele diz que já foi rico, e que a família desedô ele. Mas... o que fazê, né? Tá doido mermo, tá velho mermo... Ninguém mar qué sabê dele... Só a gente aqui.&lt;br /&gt;    Daí em diante, Vivinha comentou um pouco sobre a pouca vergonha nas novelas da televisão, que, segundo ela, reduziam-se a sexo, violência e atentados à família. Ela dizia acompanhar apenas para se distrair, pois não tinha muito o que fazer além disso na vida.&lt;br /&gt;LELO: D. Vivinha, mas tem a igreja...&lt;br /&gt;VIVINHA: Num me fala im igreja, meu filho! Igreja é lugá de velho... Num quero que fica falano queu sô velha. Já basta minha cara, né?&lt;br /&gt;    Em poucos minutos, Vivinha tinha se despedido e voltado para a casa para o café. Assim, momentos solitários se seguiram.&lt;br /&gt;    De vez em quando um transeunte passava e comprava um jornal. Outros, paravam ao lado da banca para ler as manchetes, o que estimulava a venda de um ou outro exemplar.&lt;br /&gt;    Um dos que parara ali era Zé Félix. Este jovem alto, branco, olhos verdes, aproveitou para conversar um pouco com Lelo. Uma das notícias que chamou-lhe a atenção tinha sido um ataque da apelidada "Gangue do Adeus", um grupo de arruaceiros bem de vida que, vez por outra, espancava, roubava e estuprava transeuntes na Avenida Beira Mar, a principal daquele bairro.&lt;br /&gt;ZÉ: Pió que acho que cunheço um deles. Uma vez, passano po lá, saino cum amigos, vi uma mulhé que tinha cabado de levá porrada deles. Coisa triste, rapá!&lt;br /&gt;LELO: Mas ninguém prende esse pessoal?&lt;br /&gt;ZÉ: A Terezão diz que o delegado lá da Barra freqüenta as festa dos ricaço... Assim, faz vista grossa, poque ele sabe que esses cara é tudo filhinho de papai... É, rapá... Vagabundo num tem classe social, nem sexo, nem religiõ... Tem é caráte de bosta... A diferença é quem é o pai...&lt;br /&gt;    E continuou contando alguns casos de pessoas que teve de abordar na saída do shopping center e da diferença dispensada para cada tipo de meliante: negociações com os mais ricos e humilhações para os mais pobres, principalmente negros.&lt;br /&gt;ZÉ: Me sinto mal, mar muito mal fazeno isso, mas, se num fizé, vô perdê meu imprego, e, sem imprego, num posso ficá... Vô me casá...&lt;br /&gt;    Logo em seguida chegou Celi. Esta beijou secamente seu namorado, parabenizou Lelo pelo novo emprego e seguiu com Zé para o trabalho. Como iam para o mesmo local, seguiram juntos.&lt;br /&gt;    Em breve, mães apareceram levando seus filhos sonolentos e barulhentos para a escola. Dentre elas, Elisa, que levava João Paulo, que teimava em não querer ir naquele dia, e Anderson, que procurava convencer o menininho a ir à escola. Ao passar em frente à banca, deu um sorriso largo e uma piscada suspeita. Lelo simplesmente baixou a cabeça e preferiu não olhar muito. Sentia vergonha do acontecido, apesar de não ter provocado a reação de Elisa. Aquele beijo ainda lhe doía; preferiria que o primeiro beijo tivesse sido dado em Tilinha ou em Fatinha; ao menos, o beijo seria fruto de um sentimento puro, em vez de tesão.&lt;br /&gt;    Em seguida, passaram pela banca Adauto e Adriana, implicando um com o outro como sempre. Os outros Vagna levaria no turno da tarde, num horário em que Lelo não estaria mais no batente.&lt;br /&gt;    Outros que também passaram pela banca foram Juca, Joca e Zeca. Aproveitaram e pediram para reservar umas revistas pornográficas para mais tarde, de volta do serviço, pegar com Lilico. E seguiram os três para o trabalho, carregando cada um jornal sanguinolento.&lt;br /&gt;    E as horas continuaram se arrastando sonolentas, cansadas e um pouco entediantes. De vez em quando um jornal, de vez em quando uma revista, vez por outra um "Bom dia!". Bem, ao menos uma revista e um jornal poderiam ajudar a aumenta a velocidade das horas, não é mesmo? Quem sabe alguém o interrompesse em breve com um papo inteligente.&lt;br /&gt;    Quando tudo parecia mais tedioso do que nunca, eis que entra a figura marcada e grávida de Preá, observando cada jornal e cada revista, como se não tivesse mais nada para fazer.&lt;br /&gt;PREÁ: Entõ, tu é que é o novo jonalero?&lt;br /&gt;LELO: Sim! A sinhora qué guma coisa?&lt;br /&gt;PREÁ: Sim, craro! Minha revista de home pelado, quedê?&lt;br /&gt;LELO: Home pelado?! Puxa vida, acho que tá li atrás. Qué queu...(indo para o local, ficando de costas para Preá)&lt;br /&gt;PREÁ: Quero sim! Ah, como quero... Tu num sabe cumo é bom vê aqueles home todo com pau de fora, mortrano tudo cumo veio ao mundo, só que muito mar gortoso...&lt;br /&gt;LELO: Bom, num é do meu gosto... Inda mar queu sô de Cristo... e... Achei!&lt;br /&gt;PREÁ (observando as nádegas do rapaz): Eu tamém! Achei uma coisa que muito interessa eu...&lt;br /&gt;    Preá agarra as nádegas de Lelo, que, por pouco, não pôs-se a gritar.&lt;br /&gt;PREÁ: Nas foto é muito bom, mar ao vivo é muito mió!&lt;br /&gt;LELO (afastando-se): Que isso, dona! Sô de Deus, num sô desses de i pa camassim, não!&lt;br /&gt;PREÁ: Mas é desses queu gorto mar... Olha só pa tu: jove, na flô da idade... crente... Cês crente têm um fogo debaxo dessas carça que me dexa doida...&lt;br /&gt;LELO: Dona, sai daqui, se não num respondo po mim!&lt;br /&gt;PREÁ: Tu vi fazê o que? Gritá pa tua mãe te salvá, é? Honra o que tu tem entre as perna, moleque! Seje home e me come logo!&lt;br /&gt;LELO: Dona, que isso, dona! Vai cum calma que num sô desses não! Toma! (dando a revista) A tua revista tà qui! Passe bem!&lt;br /&gt;PREÁ: Tu tá fingino que num tá intendeno, né? Vô te mostrá, olha só!&lt;br /&gt;    Preá começou a apalpar os próprios seios, tentando excitar Lelo com seus dotes.&lt;br /&gt;LELO: Dona, já tem tua revista! Vá simbora pelamô de Deus!&lt;br /&gt;PREÁ: Minino, num falem Deus que já cumi um pastô!&lt;br /&gt;LELO (gritando): Deus do céu!&lt;br /&gt;PREÁ: E pau na terra!&lt;br /&gt;    E Preá, atrevidamente, patolou o pobre jovem, mais apavorado com as revelações da tarada do que com a tentativa malfadada de seduzi-lo.&lt;br /&gt;PREÁ: Que qué isso?! Que que tá cunteceno cum tu?&lt;br /&gt;ELISA: Que que tá cunteceno aqui?!&lt;br /&gt;    Lelo sentiu-se salvo pelo gongo com a chegada de Elisa.&lt;br /&gt;PREÁ (tirando a mão do tal local e disfarçando): Nada não, cabelerera! Só tava quereno um produto aqui, sabe?&lt;br /&gt;ELISA: Sei, sei! Néia, vê se tu toma vegonha na cara que sei muito bem que que tu tava fazeno aí!&lt;br /&gt;PREÁ: Eu?! Fazeno o que? Vai me dizê que tu tá de oio nesse muleque de bosta tamém?&lt;br /&gt;ELISA: Cumé que é?&lt;br /&gt;LELO: Gente, pelamô de Deus! Vamo pará poraqui! Dona Néia, po favô, tá qui tua revista e passar bem!&lt;br /&gt;PREÁ: Podexá que sei muito bem poronde vô passá, tá? Só num sei se tu memo sabe..&lt;br /&gt;ELISA: Ih, essa doida tá cada ver mar doida!&lt;br /&gt;PREÁ: Sô doida mar sô filiz, tá sabeno? Tu num se mete cumigo não pa sabê do que sô capaiz!&lt;br /&gt;ELISA: Toma vegonha, Preá! O garoto é cumprometido!&lt;br /&gt;PREÁ: Preá?! Preá?! Ora sua...&lt;br /&gt;ZELI: Mas o que que está acontecendo nessa rua a essa hora? Já tá arrumando mais confusão com o pessoal da vila, Néia?&lt;br /&gt;    Mais uma vez, Zeli chegou para apartar os ânimos da mais exaltada moradora da vila.&lt;br /&gt;PREÁ: Lá vem a sinhora de novo! Cruz credo! Parece té o diabo im pissoa! Larga deu que num gorto de mulé! Eu gorto é de home, tá?&lt;br /&gt;ELISA: Zeli, a Néia tentô garrá o Lelo aqui na banca, pode?&lt;br /&gt;PREÁ: Cala a tua boca puque a cunvesa num chegô no lixão!&lt;br /&gt;    Antes que Elisa e Preá começassem a brigar, Lelo se intrometeu entre elas. Contudo, o que era para ser a separação de uma briga, virou uma outra coisa bem diferente: enquanto uma tentava bater na outra, ambas passavam a mão ora na parte de trás, ora na parte da frente de Lelo, deixando-o mais nervoso ainda.&lt;br /&gt;    Zeli, desesperada, gritou&lt;br /&gt;ZELI: Lelo, sai daí! Deixa essas duas comigo!&lt;br /&gt;    E lá foi Zeli tentar separar os três. Num impulso, empurrou Elisa para um lado e Preá para o outro.&lt;br /&gt;ZELI (gritando): Parou! Parou! Duas damas brigando no meio da rua como se fossem dois moleques! Ai, ai ai!&lt;br /&gt;PREÁ: Foi ela que...&lt;br /&gt;ZELI (para Néia): Cala a boca que a senhora já passou dos limites! A vila toda já tá ouvindo seus escândalos de novo, e eu não vou admitir que isso continue. Já te poupei demais para o proprietário e você sabe o que acontece com quem não obedece às normas dele, não é mesmo?&lt;br /&gt;    Preá, mesmo cheia de ódio, parou por uns momentos e fixou os olhos em Zeli.&lt;br /&gt;ZELI: Você não vai querer ir pra rua grávida e com outro filho grande pra criar, não é verdade? Olha, Néia, esteou segurando tua onda não é de hoje, mas paciência e proteção tem limite! Tá mais do que na hora de você se emendar, principalmente porque tenho mais o que fazer do que ficar apartando briga sua no meio da rua! A hora em que o proprietário resolver que você vai pra rua, não vai ter como eu segurar...&lt;br /&gt;PREÁ: E cumé quesse cara que só tu cunhece vai sabê disso tudo?&lt;br /&gt;ZELI: Néia, Néia, o proprietário tem espião aqui dentro! Ele sabe tintim por tintim tudo o que acontece aqui. Noutro dia ele me chamou por causa daquele cara que você expulsou só porque acordou a vila toda fora de hora. Eu consegui livrar a tua cara, mas ele tá doido pra te ver fora daqui. E você sabe que está mais errada do que bandido no lugar de polícia!&lt;br /&gt;    Preá respirou fundo e, enfim, deu de ombros e foi para dentro da vila sem falar mais nada nem olhar para os outros três. Por outro lado, Elisa a olhava com misto de raiva e pena.&lt;br /&gt;ZELI: E você, Elisa?&lt;br /&gt;ELISA: Eu vim aqui pa defendê o Lelo!&lt;br /&gt;ZELI: Mas ele não é homem pra se defender?&lt;br /&gt;ELISA: Mas ele num cunhece a Preá ainda. Ela botô a mão no pau dele aqui.&lt;br /&gt;LELO: Elisa!&lt;br /&gt;ZELI: Gente, mas essa mulher tá muito abusada! Menino, toma cuidado, se não acaba sendo pai mais cedo! Tua sorte é que a rua está vazia!&lt;br /&gt;LELO: Gente, eu tentei evítá! Fui pegá a revita pa ela e ela me agarrô! Num sabia que ela tacavassim, à luz do dia!&lt;br /&gt;ZELI: Humpf! Você não viu nada ainda! Essa mulher já foi pega transando em praça pública durante o dia.&lt;br /&gt;ELISA: I, quano ela cisma cum um, pode contá quela num discansa inquanto num levá pa cama!&lt;br /&gt;LELO: Sangue de Jesus! Será que ela cismô cumigo?&lt;br /&gt;ZELI: Só o tempo dirá.&lt;br /&gt;    Desfeita a confusão, Zeli e Elisa entraram na vila enquanto Lelo permaneceu na banca.&lt;br /&gt;    Minutos depois, Robinho apareceu para conversar com Lelo.&lt;br /&gt;ROBINHO: Rapá, que que cunteceu aqui?&lt;br /&gt;LELO: A tal da Preá me garrô aqui dentro da banca! Aí chegô a Elisa e tentô botá ela pa corrê, mar quem deu jeito mermo foi a tua tia.&lt;br /&gt;ROBINHO (rindo): Rapá, que locura! Até hoje ela num me garrô, mar tamém puque fico dentro de casa o tempo todo. Só saio pa i pa iscola e pa pensõ.&lt;br /&gt;LELO: I tu num namora, não?&lt;br /&gt;ROBINHO: Não. Porinquanto, não. Tudo tem seu momento.&lt;br /&gt;LELO: É verdade! Tô meio inrolado puque Tilinha cismô que qué namorá cum eu, mar num sei. O irmão dela já falô cumigo e tudo, mar, num sei...&lt;br /&gt;ROBINHO: Tu tá podeno, hein? Tilinha, Preá... Mal chegô e já tá pegano um bando de mulé...&lt;br /&gt;LELO: Que isso! Sô de Cristo; num sô desses que fica cum uma e cum otra não. Meu negócio é casá! E porisso que sô vige té hoje cum muito ogulho!&lt;br /&gt;ROBINHO: Tu é deteminado mermo. Mar... eu num sei se sô vige...&lt;br /&gt;LELO: Ué?! Cumé que num sabe se é o não? Ou tu é ou não é, ora!&lt;br /&gt;ROBINHO: Num é tõ simples assim. Depor te conto!&lt;br /&gt;LELO: Ah, não! Pera lá! Cumeçô o assunto, termina, pô! Pa mim, sempre foi sê vige o não. Cumé que tu, que é home cumo eu, num sabe se é vige o não?&lt;br /&gt;ROBINHO: A história é meio longa, sabe? Num sei nem se tu vai gostá, mar posso te contá depois, na iscola. Seu cumeçá, vô tê quinterrompê puque minha tia vai me chamá.&lt;br /&gt;LELO: Tudo bem, mar num isquece, tá?&lt;br /&gt;    Ao sinal afirmativo, Robinho se foi e deixou Lelo trabalhando. Este, por sua vez, ficou encucado com as palavras de Robinho sobre sua dúvida sobre virgindade. Afinal, na sua cabeça, ou se era virgem ou não se era. Como alguém poderia ter dúvidas sobre isso?&lt;br /&gt;    Suas reflexões eram interrompidas apenas pelos poucos fregueses que compravam algum jornal. E o dia seguiu mais tranqüilo até o final do primeiro dia de expediente.&lt;br /&gt;    Ao chegar Lilico para substitui-lo, a pergunta do patrão foi se dava para encarar o serviço na boa depois do primeiro dia.LELO (entusiasmado): Que venha os próximo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-5850269349965906774?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/5850269349965906774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=5850269349965906774' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/5850269349965906774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/5850269349965906774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/10/captulo-9-amanheceu.html' title='CAPÍTULO 9: Amanheceu'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-7151987225963278194</id><published>2007-10-18T00:05:00.000-02:00</published><updated>2007-10-18T00:13:59.701-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 8: Quebra-molas</title><content type='html'>DUDA: Lelo?&lt;br /&gt;    Ao acordarem, Lelo procurava esquivar-se do amigo, especialmente da frente de seu corpo.&lt;br /&gt;DUDA: Algum problema?&lt;br /&gt;LELO: Não! Nada demais! Cuntece de vez im quano..&lt;br /&gt;DUDA: Não! Num vai me dizê que...&lt;br /&gt;LELO: Morro de vegonha disso, mar cuntece...&lt;br /&gt;DUDA: Pára com isso, cara! Isso é super-normal!&lt;br /&gt;LELO: Pô, pode sê pa tu, mar pa mim... Tu tinha que vê o sonho queu tive... Cordei gorinha há poco... Aí, tavassim... todo molhado... Que horrô! Tenho té vegonha de lembrá do sonho...&lt;br /&gt;DUDA: Relaxa, cara! Isso é super-normal. Mas, sonhos eróticos podem indicá muita vontade de fazê sexo. Há quanto cê não faz?&lt;br /&gt;LELO: Nunca fiz. Sô vige. Só vô fazê cum minha isposa, depor de me casá.&lt;br /&gt;DUDA: Cê é um cara determinado. Admiro muito isso numa pessoa. Mas tu num bate nem uma bronha de vez em quando?&lt;br /&gt;LELO: O que?!&lt;br /&gt;DUDA: Se masturbar...&lt;br /&gt;LELO: Que isso! É pecado! Deus condena...&lt;br /&gt;DUDA: Mas será que esses sonhos eróticos não podem sê um recado te mostrando que você precisa resolvê essa quesão sexual? O sexo faz parte da vida. Eu mesmo tinha esses sonhos e amanhecia todo molhado como você, mas parei quando comecei a bater de vez em quando. E, depois, passei a fazer sexo com minha namorada e...&lt;br /&gt;LELO: Duda, isso pode sê muito natural pa tu, mar pa mim num é. Sô cristão, e num posso me deixá levá pelas tentaçõ.&lt;br /&gt;DUDA: Mas é muito comum você amanhecer molhado?&lt;br /&gt;LELO: Quase sempre. Me sinto derrotado pelo diabo quano isso cuntece.&lt;br /&gt;DUDA: Ah, não! Que isso, Lelo!&lt;br /&gt;    Duda tentou abraçá-lo, mas Lelo fugiu para o banheiro.&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, cê num pode ficá assim. Foi apenas uma luta, mas a guerra não foi vencida. Vai, toma um banho e, depois, conversamos.&lt;br /&gt;    Lelo ainda estava triste, mas obedeceu ao pedido do amigo. Sexo perturba Lelo de uma forma quase incompreensível. Sempre procurava desviar-se de pensar no assunto, mesmo em ocasiões mais respeitosas, como em sala de aula. Pensava que Deus o vigiava o tempo todo, e deveria estar sempre pensando em coisas santas integralmente. Infelizmente, outras obrigações corporais e sociais o impediam de realizá-lo. Por isso, tomou um banho longo, entoando um hino religioso considerado poderoso contra o diabo. Assim, sentiu-se renovado ao sair do box.&lt;br /&gt;    Ao sair do banheiro, encontrou uma mesa de café-da-manhã que mais parecia um banquete: pão com queijo e presunto, café e leite quentes e dois copos de suco de laranja.&lt;br /&gt;LELO: Nossa, Duda! Po que tudo isso?&lt;br /&gt;DUDA: Um anjo precisa estar bem alimentado para salvar as pessoas de cometerem coisas erradas, num é mesmo?&lt;br /&gt;LELO (rindo): Lá vem tu de novo cum esse papo de anjo!&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, cê é um caso raro! Cê não é só uma pessoa boa, como também é a pessoa mais pura que já conheci. Por isso, merece ser meu anjo favorito! E merece um café de anjo, não é mesmo?&lt;br /&gt;LELO: Fico té sem jeito cum isso! Nunca vi tanta cumida na minha vida. Meu café é, no máximo, um pão e um café puro com açúcar!&lt;br /&gt;DUDA: Se dependê de mim, cê nunca mais vai passá por isso! Quero te mostrá que o mundo é muito mais do que essas paredes, essa vila, esse bairro, essa cidade, esse estado, esse país. Lelo, Deus criou o universo para nós! E nós temos que explorá ele da melhor maneira possível!&lt;br /&gt;LELO (rindo): Mar Deus num me deu asas!&lt;br /&gt;DUDA: Deu sim! Fecha os olhos!&lt;br /&gt;    Lelo obedeceu de pronto.&lt;br /&gt;DUDA: Imagine que Deus tá na tua frente! Ele pega na tua mão e diz: "Vem comigo!"&lt;br /&gt;    Duda pega na mão de Lelo e o leva até a porta.&lt;br /&gt;DUDA: E Deus te leva a uma porta e diz: "Veja o que preparei para você!"&lt;br /&gt;    Duda abre a porta da casa.&lt;br /&gt;DUDA: Não abra os olhos, Lelo! Apenas me diga: o que Deus tá te mostrando?&lt;br /&gt;    Lelo hesitou um pouco. No início, sentiu-se confuso; contudo, decidiu se concentrar e ver o que Deus lhe mostrava nessa visão de olhos fechados.&lt;br /&gt;LELO: Eu vejo um céu azul. Eu vejo tamém pássaros no horizonte, voano e cantano. Um sol lindo! Umas montanha verde...&lt;br /&gt;DUDA: Cê consegue vê o chão?&lt;br /&gt;LELO: Claro! As montanha...&lt;br /&gt;DUDA: Não, Lelo! O chão onde cê tá pisano...&lt;br /&gt;LELO: Não! Po que?&lt;br /&gt;DUDA: Cumé que cê acha que tá vendo tudo isso?&lt;br /&gt;LELO: Do alto, claro! Deus num tá sigurano na minha mão?&lt;br /&gt;DUDA: Cê tá sentindo a mão dele?&lt;br /&gt;    A essa altura, Duda, já tinha desvencilhado as próprias mãos das do amigo.&lt;br /&gt;    Lelo calou-se por um tempo. Apenas mexia a cabeça, parecendo querer ver melhor alguma coisa.&lt;br /&gt;LELO: Tô voano...&lt;br /&gt;DUDA: E como cê sabe que tá voando?&lt;br /&gt;LELO: Num sei... Tô leve...&lt;br /&gt;    Duda pegou levemente as mãos do amigo e o levou para o sofá. Fechou a porta vagarosamente para não fazer barulho. Em seguida, abraçou-o e pediu para ele acordar.&lt;br /&gt;DUDA: Lelo, cumé que cê acha que voou?&lt;br /&gt;LELO: Num sei?! Milagre de Deus?&lt;br /&gt;DUDA: Deus te deu as asas. Cê tem condição de ir muito além das fronteiras que cê acha que tem.&lt;br /&gt;    Lelo estava tão emocionado que sentia que Deus estivera com ele naqueles rápidos instantes de visão imaginária.&lt;br /&gt;LELO: Duda... Às vez tu diz umas coisa que me impressiona tanto que... num sei... prifiro num dizê... Parece que tu qué me levá pa otro mundo...&lt;br /&gt;DUDA: Querer eu quero, mas não é pra Marte, eu te garanto!&lt;br /&gt;    Risos generalizados. Ambos se abraçaram e se perderam num entreolhar curioso, como se um tentasse descobrir o pensamento do outro.&lt;br /&gt;DUDA: Vamos tomá café, anjo Lelo?&lt;br /&gt;LELO: Sim, anjo Duda!&lt;br /&gt;    E o dia seguiu assim até o início da tarde, quando Lelo decidiu que iria trabalhar; a rigor, não precisaria porque domingo era dia de folga. Duda prontamente ofereceu uma carona ao amigo, imediatamente aceita.&lt;br /&gt;    Ao passarem pela vila, Tilinha parou ambos e os convidou para o culto naquela noite na igreja do pastor Hilário, com a presença do próprio; ambos declinaram, especialmente Lelo, pois iria trabalhar até tarde provavelmente.&lt;br /&gt;    O olhar de Tilinha acompanhou Lelo até o portão. Estava feliz por tê-lo novamente à vista e na vila. E mais feliz ainda por ele parecer corresponder as suas expectativas de possível pretendente. Eles saindo pelo portão, Tilinha retornou ao lar, para se arrumar para a grande noite.&lt;br /&gt;    Enquanto isso, lojas fechadas. Apenas as nuvens no céu por testemunha. Duda foi pegar o carro; Lelo esperava pelo amigo em frente à vila.&lt;br /&gt;    De repente, uma moto passa rapidamente joga uma pedra próxima a Lelo, quase o atingindo. Ao olhar para a pedra, notou que nela estava amarrado um bilhete. Curioso, pegou o bilhete.&lt;br /&gt;    "minha vitoria e sua tamei. farta pocu. to cudano de tu des u dia du trupelamentu. cudadu cum us cara qui  tao du seu ladu. so eu sei quei tu e i u qui tu que. u restu e tudu farsidadi.&lt;br /&gt;    Wayni"&lt;br /&gt;    Diante daquela assintura, Lelo, nervoso, imediatamente rasgou o bilhete. Em seguida, Duda apareceu com o carro.&lt;br /&gt;    Notando o nervosismo do amigo, Duda perguntou o que tinha acontecido.&lt;br /&gt;LELO: Nada não! Só um chato que passô por aqui.&lt;br /&gt;    A mentira não o convenceu, mas preferiu não insistir no assunto.&lt;br /&gt;DUDA: Em breve, seremos vizinhos. Dentro de alguns dias me mudo para a vila. Aí, cê vai vê como tudo vai ficá diferente.&lt;br /&gt;    Lelo não falava. Apenas respirava, tentando relaxar.&lt;br /&gt;LELO: A lan é no próximo quebra-mola.&lt;br /&gt;    Duda parou e viu a lan. Abraçaram-se.&lt;br /&gt;DUDA: Fica bem, viu, anjo Lelo? Em breve, vô tá contigo de novo? Não se esqueça de mim, tá bom?&lt;br /&gt;LELO: Pode deixá, anjo Duda! Os anjo num isquece ninguém!&lt;br /&gt;    Lelo saltou do carro, e Duda partiu. Em seguida, Lelo entrou na lan e se espantou ao dar com Juninho lá dentro, trabalhando em seu lugar.&lt;br /&gt;LELO: Pô, legal tu tê ficado no meu lugá inquanto eu tava no hospital.&lt;br /&gt;JUNINHO: Pô, Lelo,tô té sem jeito de te dizê... Tu sabe que cunsidero tu pa caramba, já té cunsidero tu cumo meu cunhdo... mar... o Josué mandô tu imbora...&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é? Tu tá brincano cumigo, não?&lt;br /&gt;JUNINHO: Pô, cara, cumo eu quiria, cumo eu quiria...&lt;br /&gt;LELO: Cumé que ele me manda imborassim, cara! E agora?! Cumé que vô vivê? Cabei de saí do hospital, tô sem grana...&lt;br /&gt;JUNINHO: Fala cum ele. Ele tá lá no isritório.&lt;br /&gt;    Lelo nem pediu licença. Foi direto ao escritório de Josué, que, futuramente, seriam as instalações do Cyber Café. Diferentemente das outras vezes, Josué recebeu o ex-empregado friamente.&lt;br /&gt;JOSUÉ: Vejo que cê tá recuperado! Isso é muito bom!&lt;br /&gt;LELO: Sim, é vedade! Mar... o sinhô tá diferente...&lt;br /&gt;JOSUÉ: É... Digamos que sim. Tive alguns aborrecimentos com alguns empregados, sabe... Descobri que alguns deles estavam me traindo...&lt;br /&gt;LELO:  Traindo o sinhô?! Logo o sinhô, que é uma pessoa tõ boa...&lt;br /&gt;JOSUÉ: Pois é, Marco Aurélio, e o pior é que alguns têm a cara de pau tão grande que, mesmo com as provas na mão, mentiram pra mim na minha frente. Acredita?&lt;br /&gt;LELO: Claro que credito! As pessoa é muito falsa. Por isso queu sempre digo a vedade po sinhô e pa quaqué um! Sô de Cristo acima de tudo!&lt;br /&gt;JOSUÉ: Pois é, Marco Aurélio, a gente tenta sê justo com os nossos irmãos, mas tem irmãos que não valorizam Cristo, que nos uniu em fé. Cê sabe o que foi que encontrei num de meus computadores? Veja!&lt;br /&gt;    E Josué mostrou fotos da mais pura pornografia, mais precisamente de transas entre dois homens, desde fotos de nu e beijos obscenos a cenas indescritíveis de prazer e êxtase. Lelo ficava chocado a cada cena. Josué apresentava cada foto impassível, além de um filminho de masturbação e uma coleção de outros com cenas tórridas de sexo explícito, especialmente entre homens muito jovens, com corpos bem juvenis.&lt;br /&gt;LELO: Que abisurdo! Sangue de Jesus tem pudê! Quem será que teve a capacidade de baxá umas barbaridade dessa?!&lt;br /&gt;    Josué respirou fundo e ficou mais sério ainda. Virou novamente a tela de seu computador.&lt;br /&gt;JOSUÉ: Pornografia é proibida nas minhas empresas; além disso, pornografia infantil é crime. Esses jovens, andei investigando, ainda são menores de idade. Portanto, quem baixou isso, cometeu crIme federal!&lt;br /&gt;LELO: Cum ceteza! Merece i pa cadeia!&lt;br /&gt;JOSUÉ: Pois é, Marco Aurélio! E... o que o senhor tem a dizer sobre esses arquivos todos?&lt;br /&gt;LELO: Eu?! Isso é uma devassidão, uma poca vegonha! Isso é pecado, Deus condena, Cristo condena, é contra a lei...&lt;br /&gt;JOSUÉ (nervoso): Por que insiste nessa máscara de bom moço, Marco Aurélio? Esses arquivos foram todos encontrados na sua conta, no computador que só você usava! Você, Marco Aurélio, com esse seu discurso de irmão, de ser cristão, me apunhalou pelas costas! Além de ser um sodomita, ainda fica vendo essas crianças cometendo pecado mortal!&lt;br /&gt;    Lelo não conseguia falar. Apenas escutava o discurso moralista do ex-patrão. Aquilo doeu mais do que a pedrada que não o acertou.&lt;br /&gt;LELO (tentando articular): Mas... mas... mas... num fui eu... num pode sê... eu só ficava cunvesano cum o pessoal da igreja, fazeno oraçõ... num pode sê... alguém deve tê cessado minha conta e...&lt;br /&gt;JOSUÉ: Marco Aurélio, não adianta insistir! Eu só mantive esses arquivos aqui no meu computador porque eu precisava justificar a sua demissão...&lt;br /&gt;LELO: Mas eu juro...&lt;br /&gt;JOSUÉ: Vai jurar pelo diabo que te carregue... Cê é um perdido, um devasso, um desviado... Esse tipo de gente não quero trabalhando comigo... Só trabalha comigo quem é de Cristo... E você finge ser de Cristo... Volta pra Deus, meu filho! Isso não é vida!&lt;br /&gt;LELO: Mas eu num sô isso aí! Eu sô vige, vô me casá...&lt;br /&gt;JOSUÉ (gritando): Chega de fingimento! Você me traiu! Quebrou minha confiança! Usurpou de suas funções aqui dentro!&lt;br /&gt;LELO: Mas eu posso prová...&lt;br /&gt;JOSUÉ: A sua conta aqui dentro foi apagada. Fiz questão de apagar tudo na frente do Rique. Se quiser saber mais detalhes, pode perguntar pra ele. Com você, não quero nem mais qualquer tipo de conversa. Aliás, nem sei por que ainda estou conversando com você! Volte para o seu mundo de devassidão! Só volte quando realmente você for de Cristo! Vá embora, Judas!&lt;br /&gt;    Diante de um Josué transfigurado, Lelo decidiu deixar o recinto. Estava tão chocado que não conseguia nem chorar. Juninho até tentou falar com ele, mas não foi atendido.&lt;br /&gt;    Lelo começou a vagar pelas calçadas, olhando para baixo para não tropeçar. Às vezes, olhava para o céu para ver como estava o dia. O dia ainda estava claro, porém as nuvens já começavam a tomar o espaço do celeste azul. Aos poucos, as imagens começaram a ficar turvas e as lágrimas involuntariamente começaram a descer. Mesmo assim, Lelo continuou caminhando. Ao menos, poderia refugiar-se em sua própria casa e chorar sem perturbações familiares.&lt;br /&gt;    Ao passar do portão da rua para dentro, não viu nem quem estava pela vizinhança. Ouviu até alguém chamá-lo; todavia, cerrou a porta e pôs-se a chorar no sofá.&lt;br /&gt;    Toc! Toc! Toc! Toc! Toc!&lt;br /&gt;ELISA: Lelo! Abre a porta! Sô eu, Elisa! Que que foi que cunteceu?&lt;br /&gt;LELO: Me dexa, po favô! Depois eu conto!&lt;br /&gt;ELISA: Lelo! É sobre o trabalho? O Rique me falô alguma coisa!&lt;br /&gt;    Lelo levantou-se e abriu a porta, sendo imediatamente abraçado por Elisa.&lt;br /&gt;ELISA: Ah, Lelo, num fica assim! Tudo vai dá certo! Tu vai cunsegui otro imprego, e muito melhó do que esse da lan house!&lt;br /&gt;LELO: Num é isso que me deixô mal! Pô, alguém botô pornografia na minha conta lá! Num fui eu! Eu num vejo pornografia! Sô de Cristo! Sô vige! Eu num sô pecadô! Num sô traidô! Ele me chamô de traidô, Elisa, traidô! Eu num sô Judas não!&lt;br /&gt;ELISA: Calma, Lelo, num tô intendeno nada!&lt;br /&gt;LELO: Num fiz isso, num enganei ninguém! Eu...&lt;br /&gt;    As explicações de Lelo foram interrompidas por um beijo de Elisa, um beijo tão forte que cessaram a cascata que descia de seus olhos.&lt;br /&gt;    Em seguida, Lelo olhou para Elisa, que abaixou os olhos.&lt;br /&gt;ELISA: Me discupe... Achei que só assim tu parava de chorá... e... des que vi tu, tinha vontade de beijá, mar ficava cum vegonha do Rique. Mi discupe.. num vai cuntecê de novo...&lt;br /&gt;    Lelo sentou-se e respirou fundo, enquanto Elisa foi para a cozinha preparar um copo de água com açúcar.&lt;br /&gt;LELO: Foi a primera vez que uma mulhé me bejô.&lt;br /&gt;    Elisa preferiu não falar nada a princípio. Apenas pediu para escutar o que tinha acontecido na lan e concordou que algo errado devia ter acontecido, uma implantação de provas.&lt;br /&gt;ELISA: Lelo, agora não dá pa gente ficá lamentano. Voltá pa lá é se humilhá inda mar pa quem nõ merece! Tu é uma pessoa tõ boa que logo logo vai parecê otro imprego pocê. Aliás, acho que o Lilico tava precisano de um ajudante lá na banca! Vamo falá cum ele!&lt;br /&gt;    Antes de saírem, porém, Elisa fechou a porta.&lt;br /&gt;ELISA: Lelo, vô fazê tudo po tu, mar, pelo amô de Deus, num conta pa ninguém que bejei tu. Té poque o que sinto po tu é diferente do que sinto pelo Rique.&lt;br /&gt;LELO: Cumé que é isso?&lt;br /&gt;RIQUE: Cum Rique rola um lance mar sério.... Cum tu é tesão, sabe? Vontade de fazê sexo... Mar eu respeito tu, e vô dá todo apoio pa tu casá e bem...&lt;br /&gt;LELO: Mar... Num tô intendeno... Cumé que tu tem tesão neu?&lt;br /&gt;ELISA: Simples: tu é vige!&lt;br /&gt;    A conversa se encerrou por ali. Lelo preferiu não escutar mais nada. Assim, seguiram-se à casa de Lilico. Quem abriu a porta foi Zezé, esposa de Lilico e irmã de Uirapuru, que trabalha como empregada doméstica.&lt;br /&gt;ZEZÉ: Cês me discupe que cabei de chegá do serviço e tava mansano a fera!&lt;br /&gt;    Lilico apareceu em seguida. Elisa foi direto ao ponto, e Lilico imediatamente concordou em contratar Lelo como empregado.&lt;br /&gt;LILICO: Pa eu vai sê uma sastifação tê tu lá na banca. Tu é um bom garoto, muleque!&lt;br /&gt;    E todos se abraçaram!&lt;br /&gt;LELO: Gente, num tem nem cumo gradecê todos vocês po tudo isso! Pensei que o mundo tinha cabado gora poco lá na lan house.&lt;br /&gt;    E agradeceu muito ainda, muito. Todavia, Lelo deveria estar bem cedo no dia seguinte na banca para ajudar Lilico a receber e arrumar os jornais e a banca.&lt;br /&gt;    E saíram Elisa e Lelo felizes.&lt;br /&gt;ELISA: Lelo, vô pa minha casa. João Paulo tá sozinho! Quaqué coisa, pode batê lá, tá?&lt;br /&gt;LELO: Num se procupe, Elisa! Tu é uma boa miga. Já me judô muito por hoje. Num sei nem cumo gradecê!&lt;br /&gt;ELISA: Depois te digo..&lt;br /&gt;LELO: Hã?!&lt;br /&gt;ELISA (rindo): Dexa pa lá! Tô brincano!&lt;br /&gt;    Abraçaram-se e se despediram.&lt;br /&gt;    Lelo ainda ficou encucado com as últimas palavras de Elisa. A felicidade tornara-se dúvida diante da dedicação da namorada do amigo. Pelo visto, muitas coisas ainda iriam acontecer naquela vila, e ele esperava resistir às tentações. A começar pelas revistas da banca de Lilico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-7151987225963278194?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/7151987225963278194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=7151987225963278194' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/7151987225963278194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/7151987225963278194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/10/captulo-8-quebra-molas.html' title='CAPÍTULO 8: Quebra-molas'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-8089452881700561746</id><published>2007-10-11T01:19:00.000-03:00</published><updated>2007-10-11T01:24:08.269-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 7: Retorno breve e esperado</title><content type='html'>O dia do retorno de Lelo à Vila Potira foi motivo de festa entre seus moradores. Duda silenciou sobre o fato o tempo todo. A única coisa que ele havia mencionado é que o levaria e nada mais.&lt;br /&gt;    No caminho, Lelo observava o céu azul, a arquitetura dos prédios, as pessoas caminhando e o caos controlado do trânsito. Tudo  estava meio difuso, pois seus óculos perderam-se no atropelamento. E, como não tinha dinheiro para comprar novos, teria de se acostumar por um tempo com a visão sem seus parceiros de visão. Contudo, com as palavras de força e coragem de Duda, a ausência das lentes convertia-se em mero detalhe.&lt;br /&gt;    Antes de chegar à vila, Lelo fez questão de passar novamente no local do atropelamento. É claro que, durante o dia, e sem óculos, tudo pareceria diferente. No entanto, seria o bastante para recuperar em sua mente alguns cacos de memória perdidos nesses três dias de sono profundo.&lt;br /&gt;    Ao chegar, Lelo desceu do carro, que parara exatamente no local do acidente. Duda aparentava um certo mal-estar com toda aquela situação. Lelo estava um pouco apreensivo: ao mesmo tempo que queria entender o que se passara durante esse vácuo cerebral, tinha medo de decifrar segredos que lhe fariam mal. Não sabia ao certo o que poderia ser; só intuía que  algo de errado ou de muito ruim estava escondido sob o véu do não visto.&lt;br /&gt;DUDA: Vamo lá, Lelo? Seus amigos devem está te esperando.&lt;br /&gt;    Lelo ainda contemplou um pouco mais aquele cenário. Dali a alguns dias, retornaria para  escola, que ficava muito próxima. Certamente não passaria nunca mais por aquela rua - ou, talvez, passaria muitas. Contudo, aquele olhar jamais se repetiria: o olhar de quem acorda do esquecimento e que tenta contar uma história que nenhuma memória pode lhe narrar. Ou não quer lhe narrar.&lt;br /&gt;    Satisfeita a mórbida curiosidade, seguiram Duda e Lelo para a Vila Potira. Lelo guiou o amigo sem muita dificuldade. Além disso, a conversa transformava qualquer passeio numa viagem inesquecível.&lt;br /&gt;    A chegada à vila foi um tanto incomum: todos os estabelecimentos dos moradores estavam fechados. Se estivesse nas imediações do Morro da Ressurreição, a razão de tal recesso certamente seria um toque de recolher; como na vila não existia tal tipo de comércio, provavelmente deveria haver alguma outra razão, como o final antecipado de expediente. Ou, poderia ter acontecido algum falecimento.&lt;br /&gt;     Parado o carro, Duda e Lelo desembarcaram. Lelo comentou seu estranhamento. O que poderia ter acontecido para tal silêncio?&lt;br /&gt;    Lelo abriu o portão.&lt;br /&gt;    Uma imensa salva de palmas acompanhada de gritos e abraços surpreenderam os recém-chegados. Ao fundo, iniciou-se um pagode com o hino religioso preferido de Lelo. Este, veio às lágrimas com tal demonstração de carinho, ainda mais sendo ele um vizinho que mal conhecia diversos daqueles moradores, especialmente o grupo de pagode.&lt;br /&gt;    O grupo era comandado por Uirapuru, nome artístico de Domingos, um nortista, moreno, baixinho, sorridente, simpático, ostentando bigodes e uma voz que encantava toda a vila. Ele fez questão de se apresentar ao novo morador, além de proceder da mesma forma com os outros componentes, que eram quatro irmãos, que compunham a chamada Família Carlos: Juca (Joaquim Carlos), marceneiro; Joca (João Carlos), serralheiro; Zeca (José Carlos), bombeiro hidráulico; e Maneco (Manoel Carlos), garçom. Juca, Joca e Zeca eram mais semelhantes na aparência: altura mediana, morenos, um pouco fortes, com barba por fazer, além de simpáticos; já Maneco tinha altura mediana e moreno, mas procurava manter uma aparência impecável, exceto por uma barriguinha, que destoava dos irmãos. Os quatro dividiam uma casa da vila e alguns hábitos bem deles, como as visitas de Bebê e Samanta durante altas madrugadas, bem como a divisão dos instrumentos para o pagode: cavaquinho, chocalho, tambor e cuíca.&lt;br /&gt;LELO: Muito brigado, gente! Num sei nem cumo gradecê vocês po essa menage!&lt;br /&gt;DOMINGOS: Ora, que isso?! Seje bem-vindo na nossa Vila Potira!&lt;br /&gt;    E o pagode seguiu seu ritmo normal após as apresentações. Lelo acabou sendo arrastado por Tilinha, que queria apresentar seu pai, Severino.&lt;br /&gt;    Enquanto isso, Preá, Bebê, Samanta e Elisa requebravam para o povo todo admirar. Preá, como sempre, procurava algum homem para passar a noite, enquanto Anderson cuidava de João Paulo na casa de Elisa. Bebê e Samanta trocavam olhares com os membros da Família Carlos. Elisa apenas curtia o som.&lt;br /&gt;    Guilha assistia ao pagode ao longe. Os sons mexiam forte com seu íntimo, mas a presença de seus familiares inspirava um comportamento seguro para uma boa convivência no evento. De vez em quando olhava para o programa da TV, que monologava um xou de calouros.&lt;br /&gt;    Duda, a essa altura, conversava amigavelmente com Zeli sobre a possibilidade de passar a residir também naquela festiva vila.&lt;br /&gt;ZELI: Mas, menino, este aqui não é um lugar pra você. Se você vir qualquer uma dessas casas, você vai ver o quanto elas são desconfortáveis para quem vem da Barra do Adeus. Pensa bem!&lt;br /&gt;DUDA: Tudo bem, vou dá uma olhada na casa do Lelo antes, mas tô muito certo de ficá aqui mesmo. Além de barato, o povo daqui me parece animado e cordial.&lt;br /&gt;ZELI: E é, mas você é universitário, tem outra cabeça, outras preocupações... Aqui só tem trabalhador, pai de família, criança... Você realmente acha que é um lugar legal para você?&lt;br /&gt;DUDA: D. Zeli, a minha liberdade tá acima de tudo. Aqui é próximo da minha faculdade, e me adapto com facilidade em qualqué lugá.&lt;br /&gt;    E a conversa entre os dois seguia ao longe dos beijos frios de Celi em Zé Félix, ainda com roupa de segurança, e por Terezão e Lúcia, que discretamente demonstravam seu amor permanecendo de mãos dadas.&lt;br /&gt;TEREZÃO: Esse caso tem algumas coisa que num tão se encaixano bem. Esse moleque foi pará naquela rua deserta sem um motivo muito convincente: vê um amigo de iscola que entrô num carro; esse otro, da Barra do Adeus, me aparece lá na hora do acontecido. Ele ligô pa pulícia, mar ele mermo num tava lá quano a pulícia chegô.&lt;br /&gt;LÚCIA: Mar ele pareceu depois, né?&lt;br /&gt;TEREZÃO: Sim, mar, mermo assim, tá istranho. Disse que tava de passage quano viu o atropelamento, mar passou dias e mais dias cum o Lelo no hospital sem nem sê da família, nem amigo dele. Algo me diz que esse garoto tá iscondeno algo.&lt;br /&gt;LÚCIA: Relaxa, amô! Vamo curti o pagode da vila, que hoje tá especial! Olha só cumo a Elisa requebra!&lt;br /&gt;TEREZÃO: É verdade! O Rique tirô a sorte grande, e eu tamém!&lt;br /&gt;    Ao longe, aproximava-se de Lelo Detinha com um rapaz a tiracolo: um mulato magro, altura mediana, vestido como motoboy. Era Bombom, apelido de Maurício, namorado de Detinha. Durante a conversa, Detinha comentou que Bombom passara pelas imediações da escolana noite do atropelamento.&lt;br /&gt;LELO: Ingraçado! Eu iscutei um barulho de moto. Mar num vi, num me lembro.&lt;br /&gt;    Bombom procurou falar pouco. Apenas comia um cachorro quente enquanto Detinha não o arrastava para outro lugar. Esta, por sua vez, ignorava os chamamentos de sua mãe, que insistia em chamar seu rebento rebelde pelo nome de batismo. Quando&lt;br /&gt;Clotilde se moveu ao encontro do grupo, Detinha arrastou Bombom imediatamente para longe dali.&lt;br /&gt;CLOTILDE: Ora essa! Vê se pode?! Vai vê quano chegá em casa!&lt;br /&gt;TILINHA (para Lelo): Ele num sabe o nome verdadeiro dela?&lt;br /&gt;LELO: Sério?! Cumo ela consegue, mermo cum toda essa vizinhança chamano ela...&lt;br /&gt;TILINHA: Só nossa mãe chama ela po  Detinha. Té eu vez em quano isqueço o nome verdadeiro dela...&lt;br /&gt;    E o pagode seguiu até a noite; e à noite seguiu até um certo horário preocupante para quem vai pegar estrada. Assim, Duda pediu para passar a noite na casa de Lelo. Como Rique só chegaria em alta madrugada, não haveria problema; além disso, o carro estava num estacionamento bem seguro.&lt;br /&gt;DUDA: Pode deixá que qualqué dia te convido pra durmi na minha casa aqui na vila também!&lt;br /&gt;LELO: Tá certo, migo! Mar num se procupe. A casa é muito simples. É de pobre, tá?&lt;br /&gt;DUDA: O que importa num é a casa, nem onde ela fica, nem como ela é por dentro, mas quem mora nela e o sentimento que nutro por ela.&lt;br /&gt;    O pagode terminou e cada um seguiu para as próprias casas. Robinho acompanhou Lelo e Duda até a casa do recém-chegado. O costumeiro taciturno estava mais falante do que nunca; todavia, acompanhara os dois a pedido de sua tia, que pedira para saber se estava tudo bem na casa de Lelo. Além disso, Aproveitou para levar a matéria que Lelo perdera na escola.&lt;br /&gt;    Despedidas à parte, Duda e Lelo cerraram a porta e encerraram a noite a sós naquele lar.&lt;br /&gt;LELO: Parece brincadera, mar é minha primeira noite na minha própia casa.&lt;br /&gt;DUDA: É verdade! Mas, será que o Rique num vai implicá comigo aqui não?&lt;br /&gt;LELO: Que nada! Qualqué coisa, digo que te truxe aqui e pronto! Mar, o que que é isso?&lt;br /&gt;    Um bilhete de Lelo. Dizia que tinha feito uma rápida viagem para a casa da família no norte do estado, e que estaria de volta em poucos dias.&lt;br /&gt;LELO: Nossa! Que que será que cunteceu?&lt;br /&gt;DUDA: Num sei. Ele num deixou recado com ninguém?&lt;br /&gt;LELO: Se deixô, num me avisaro.&lt;br /&gt;    Lelo resolveu arrumar os colchonetes para ambos enquanto Duda tomava um banho. Tarefa feita e banho terminado, foi a vez de Lelo banhar-se. Na saída do banho, escutou uma conversa de Duda ao telefone.&lt;br /&gt;DUDA: ... não, mãe! Num tô sofrendo ameaça!... Eu tô aqui porque quero... Se você não acredita, não posso fazê mais nada! Tô cansado de falá a mesma coisa pra você!... Tá bom!... Te ligo!... Beijos!... Tchau!&lt;br /&gt;    Duda ficou vermelho ao perceber que Lelo estava por perto  que, possivelmente, teria escutado algum trecho da conversa. Lelo, por sua vez, fingiu não ter escutado nada; apenas o chamou para se deitarem.&lt;br /&gt;    Já deitados, Lelo e Duda ainda conversaram bastante.&lt;br /&gt;DUDA: Sabe, Lelo, tô muito feliz de tá aqui com você.&lt;br /&gt;LELO: Sério?! Po quê?&lt;br /&gt;DUDA: Não sei. Num sei explicá. Só sei que me sinto muito feliz a seu lado. Você me transmite uma paz e uma energia muito boa, que poucas pessoas têm, sabia?&lt;br /&gt;LELO (rindo): Ingraçado! Sinti ixatamente a merma coisa po tu. Tu é o cara mar manero que cunheci té hoje. Acho que, se num fosse tu, tuas palavra lá no hospital, acho que num taria aqui gora não. Inda taria lá, morto ainda, talvez.&lt;br /&gt;DUDA: Cê num tava morto não! Tava era trabalhando com os anjos, tirando uma folguinha daqui da terra.&lt;br /&gt;LELO (risos): Quem dera cantá cum os anjo pa Deus! Mar acho que, se Deus quis que eu durmia três dia, Ele deve tê lá seus mutivo, né mermo?&lt;br /&gt;DUDA: Também acho, Anjo Lelo!&lt;br /&gt;LELO (rindo): Pára, Anjo Duda!&lt;br /&gt;    E foi nessa brincadeirinha que os anjos adormeceram. Os colchonetes estavam tão próximos que os anjos quase ficaram abraçados. Tanta angelitude abençoou a vila naquela noite e uniu esses dois anjos numa noite de paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-8089452881700561746?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/8089452881700561746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=8089452881700561746' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/8089452881700561746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/8089452881700561746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/10/captulo-7-retorno-breve-e-esperado.html' title='CAPÍTULO 7: Retorno breve e esperado'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-2235805333118500975</id><published>2007-10-04T07:56:00.000-03:00</published><updated>2007-10-04T08:02:36.644-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 6: Novos rumos</title><content type='html'>LELO: O que que cunteceu nesses três dia?&lt;br /&gt;    Duda olhou para Lelo com carinho e, ao mesmo tempo, com preocupação. Um silêncio e um profundo respirar seguiu-se à indagação do convalescente.&lt;br /&gt;DUDA: Cê qué mesmo sabê?&lt;br /&gt;LELO: Claro, ora! É minha vida que tá perdida nesses três dia! Po que tanto mistério?&lt;br /&gt;DUDA (rindo): Num é mistério. Simplesmente o que houve foi uma confusão: todos os seus amigos e familiares estiveram aqui atrás de você.&lt;br /&gt;LELO: E tu ficô aí do meu lado o tempo todo?&lt;br /&gt;DUDA: Sim!... É claro que durmi por algumas horas, mas procurei ficá do teu lado o tempo todo.&lt;br /&gt;LELO: Istranho... Tu num me cunhece? Po que que tu ficô aqui esse tempo todo, teno que istudá, trabalhá... e ficádo lado de um discunhecido...&lt;br /&gt;DUDA: Você pode não acreditar, mas fiquei aqui porque fiquei muito preocupado com você. Achei que ninguém pudesse ficá com você aqui do teu lado... Um ou outro se ofereceu pra ficá no meu lugá, mas, conversando, acabei ficando. Mas, posso te garanti que boa parte dos teus amigos veio aqui te visitá.&lt;br /&gt;LELO: Inteno... Mermo assim, acho que tu pudia tê ido pa facudade e, dipois, tê voltado pa cá, né memo?&lt;br /&gt;DUDA: É, mas eu tava mais preocupado com sua saúde. Por mais que haja gente capacitada e qualificada em hospital, costuma faltar aqui o calor humano. Já reparou que só a Lúcia foi realmente simpática?&lt;br /&gt;LELO: É verdade! Eu nunca que tinha ficado intenado, sabia?&lt;br /&gt;DUDA: Sério? Eu também nunca finha ficado direto acompanhando alguém.&lt;br /&gt;LELO: E cumo tá seno a experiência?&lt;br /&gt;DUDA (rindo): Maravilhoso!... Qué dizê, tá sendo surpreendente, pois conheci você, conheci a Lúcia, o Rique, a Clotilde, o Dênis e a Vagna, a Zeli...&lt;br /&gt;LELO: Caramba! Tu já cunheceu quase a vila toda já!&lt;br /&gt;DUDA: E isso tudo me fez pensá numa coisa.&lt;br /&gt;LELO: E o que que é?&lt;br /&gt;DUDA: Tava pensando em procurá um lugá pra morá. Já tem um tempo que tô pensando em morá sozinho e, de repente, como já conheço um pouco esse pessoal, a Vila Potira podia sê um lugá interessante...&lt;br /&gt;LELO: Duda, olha pocê! Agora, olha pa eu! Agora, pensa nesse povo todo que tu falô! Tu acha que vai cumbiná tu lá?&lt;br /&gt;DUDA: Eu sô o cara mais camaleônico que você conhece. Eu me adapto legal a qualqué lugá. Já vivi na na roça, já durmi na rua, já fiz tanta bosta... Agora que tô mais centrado. Quero dá um novo rumo à minha vida.&lt;br /&gt;LELO: E tu acha que num curtiço tu vai incontrá um novo rumo?&lt;br /&gt;DUDA: Quem sabe? Quem sabe a vida num tá me reservando uma surpresa lá? Aquela rua já me trouxe você e o pessoal da vila. Tudo pode acontecer, não acha?&lt;br /&gt;LELO: Tu realmente é muito diferente...&lt;br /&gt;DUDA: Por quê? Tenho dois olhos, um nariz, uma boca, dois braços, duas pernas...&lt;br /&gt;LELO (rindo): Num é isso, seu bobo! Cumé que tu vai saí da Barra do Adeus, lugá de gente grã-fina, e pará no meio de pobre? Tu tem que vê cumé que é as casa lá...&lt;br /&gt;DUDA: E vô vê sim! Vô vê no dia que fô te levá lá!&lt;br /&gt;LELO: Peraí! Isso já tá ino longe dimais! Me levá na minha casa?&lt;br /&gt;DUDA: Era pra sê uma surpresa! Já combinei tudo com o pessoal da vila.&lt;br /&gt;LELO: E tu disse que num cunteceu nada nesses três dia!&lt;br /&gt;DUDA: Mas num aconteceu! Vai acontecê quando cê voltá pra lá!&lt;br /&gt;    Risos generalizados.&lt;br /&gt;LELO: Tu é um cara muito ispecial!&lt;br /&gt;DUDA: Que isso! Sô isso não! Sô apenas um cara tentando ajudá outro.&lt;br /&gt;LELO: É sim, muito ispecial! Tô veno no seu jeito olhá, no seu jeito de agi. Só fico pensano como vai sê quano eu voltá pa minha vida... Será que vai demorá muito?&lt;br /&gt;DUDA: Sabe de uma coisa? Quando estamos dentro de um local como esses, geralmente nos sentimos angustiados porque a vida tá toda lá fora e a gente tá aqui dentro. Mas, depois que estamos lá fora, a gente fica pensando: por que tudo tem que andá tão depressa? A gente tem uma mania de querê vivê o que num tá ao nosso alcance. Eu pudia tá lá fora, estudando, queimando a mufa com um bando de trabalhos, de aulas chatas, com discussões inúteis, e outras paradas da minha rotina. Mas, não: eu resolvi pará, dá um tempo, porque tinha alguém precisando de mim. E você? Você podia tá aturando um bando de pirralho te enchendo o saco naquela Lan House, vendo umas aulas chatas na escola, ouvindo música insuportável dos vizinhos, ou mesmo tá olhando pro teto pensando: Deus, o que foi que eu fiz pra merecê isso?! No entanto, estamos aqui. Simplesmente. Estamos aqui, vivos, respirando, conversando, vivendo.&lt;br /&gt;LELO: Teu jeito de falá té me dá vuntade de falá coisas bunita tamém! Queria tê esse seu jeito de falá, sabia? É muito bom! Gosto de deixá as pessoa sentino bem...&lt;br /&gt;DUDA: Desculpa! Às vezes eu me empolgo...&lt;br /&gt;LELO: Sem culpa! Quero mais é te ouvi falá! É sempre bom cunvesá, cunhecê as pessoa...&lt;br /&gt;    E as conversas continuaram durante todo o tempo de internação. Lelo estava impressionado com a forma como Duda falava e se preocupava com ele. Jamais alguém tinha demonstrado tanta preocupação e tanta dedicação. Nem amigos, nem parentes, nem ninguém com quem convivera. De qualquer forma, tanta dedicação o continuava deixando intrigado; todavia, era inútil insistir com Duda: quanto mais se perguntava algo a mais sobre ele, mais ele divagava e falava coisas bonitas.&lt;br /&gt;DUDA (justificando): Quero que você saia daqui com mais vida do que entrou. Quero que você abrace a vida, pois ela te deu uma nova oportunidade. Novos rumos te aguardam, Lelo! Pode contá qe o mundo vai sê só sorrisos, mas depende só de você enxergá-los.&lt;br /&gt;    E Duda seguia inspirando o melhor que podia para ver Lelo sorrindo.&lt;br /&gt;    Seja lá se foi por isso ou pelos medicamentos, o fato é que Lelo logo se recuperou. As visitas dos amigos da vila ajudaram, além de sua irmã, sua avó e do pastor. Sua mãe nem pensou em lagar o serviço: preferia dedicar-se a seus ofícios a olhar o filho acidentado. Tirando esse ponto negativo, Lelo sentia uma felicidade que não cabia em si. Já nem sentia mais dores. Já estava se movimentando e falando como ninguém. E, a cada dia que passava, não se esquecia de agradecer a Deus pelo fato de estar vivo e de ter recebido a graça da continuidade da vida.LELO: E que vida!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-2235805333118500975?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/2235805333118500975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=2235805333118500975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/2235805333118500975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/2235805333118500975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/10/captulo-6-novos-rumos.html' title='CAPÍTULO 6: Novos rumos'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-7202014377156372607</id><published>2007-09-29T00:09:00.000-03:00</published><updated>2007-09-29T00:14:17.613-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 5: Abra os olhos</title><content type='html'>DUDA: Que bom! Ele abriu os olhos!                              &lt;br /&gt;    Lelo estava tonto e não conseguia entender o que estava acontecendo. Aos poucos, percebeu que estava deitado. Sentia dores nas costelas e na cabeça. Sem óculos, não conseguia enxergar direito. Apenas vislumbrava um rosto masculino delicado e belo: um rapaz branco, cabelos louros escuros, olhos verdes e transmitindo uma felicidade imensa.&lt;br /&gt;LELO: Hã!.. O que... Que que tá cunteceno?...&lt;br /&gt;DUDA: Cara,que bom que tu acordou! (abraçando-o) Graças a Deus tu acordou!&lt;br /&gt;LÚCIA: Num se anima muito não poque ele num deve tê nem noção! Deixe ele quietinho aí!&lt;br /&gt;LELO: O que tá cunteceno... Aonde eu tô?...&lt;br /&gt;LÚCIA: Olá, amiguinho! Aliás, vizinho! Meu nome é Lúcia e sô enfermera deste hospital. Você foi atropelado e foi trazido pa este hospital. Você ficô desacordado po três dias.&lt;br /&gt;LELO: Três dias?!&lt;br /&gt;LÚCIA: E fui eu que ficô cuidando de você! Tá tudo bem com você? Tá sentindo alguma coisa?&lt;br /&gt;LELO: Hã?! Ah, tô sentino minha cabeça e minhas costela.&lt;br /&gt;LÚCIA: Você quebrou duas costelas e bateu com a cabeça, mas, graças a Deus, não sofreu nada mais.&lt;br /&gt;DUDA: A gente tava mesmo preocupado porque você dormia o tempo todo. Você acabou entrando em coma e...&lt;br /&gt;LELO: Quem é você?&lt;br /&gt;DUDA: Desculpa, nem me apresentei! Meu nome é Carlos Eduardo, mas cê pode me chamá de Duda. Fui eu que vi tudo o que aconteceu.&lt;br /&gt;LELO: Ah! Nossa! Eu tô té sem jeito...&lt;br /&gt;DUDA: Cumé que cê foi pará ali naquela rua? Eu só vi que cê foi atropelado. O carro que te artropelou foi embora e te deixou. Graças a Deus, eu tava ali perto e liguei pra este hospital. Graças a Deus, tudo ficava perto.&lt;br /&gt;LELO: Poxa, num tem nem cumo te gradecê!&lt;br /&gt;DUDA: Não precisa! Só em te ver acordado eu fico satisfeito.&lt;br /&gt;LÚCIA: Agora é a minha vez de me apresentar: meu nome é Lúcia e sou sua vizinha na Vila Potira. Moro lá cum minha cumpanhera, a Tereza. Todo mundo lá na vila chama ela de Terezão, poque ela é muito brava! Ela tá cuidando pessoalmente do teu caso, porque é um absurdo o que fizero com você. Ninguém pode atropelá os outros e deixá no meio da rua. É um crime muito forte! Quem fez isso tem que i pa cadeia.&lt;br /&gt;DUDA: É isso mesmo! Não pode deixá barato não! E vô ajudá em tudo que pudé!&lt;br /&gt;LELO (emocionado): Poxa, brigado, gente! Eu durmino aqui e todo mundo lutano po mim! Fico té cum vegonha...&lt;br /&gt;LÚCIA: Pára de graça! E num vai se emocioná agora poque tenho que falá cum o médico que você acordô.&lt;br /&gt;    Lúcia deixou a sala e pediu para Duda observar Lelo momentaneamente.&lt;br /&gt;DUDA: Pô, cara, que susto, hein?&lt;br /&gt;LELO: Pô! Num vi nada! Só lembro que ouvi um ronco de um motô, me virei e vi um carro. Nada mais!&lt;br /&gt;DUDA: E você lembra como era esse carro?&lt;br /&gt;LELO: Não, não, num lembro de nada. Só lembro mermo de um barulho de uma moto.&lt;br /&gt;DUDA: Moto?!&lt;br /&gt;LELO: É! Uma moto... Mar num cheguei nem a vê. Só sei que tô aqui cum tu e a Lúcia. Nossa! O povo lá da Vila deve tá todo procupado cumigo... E o meu trabalho! Meu chefe deve tá me procurano...&lt;br /&gt;DUDA: Não se preocupe, Marco Aurélio! Todos já estão cientes da tua situação. O teu amigo, o...&lt;br /&gt;LELO: Rique?!&lt;br /&gt;DUDA: Esse mesmo, Henrique. Ele todo dia vem aqui sabê como você tá! Todo dia mesmo. Ele deve gostá muito de você, né?&lt;br /&gt;LELO: O Rique é meu melhó amigo. A gente tá morano junto lá na vila. A gente se mudô nesse mermo dia que eu fui tropelado.&lt;br /&gt;DUDA: Nossa, que azar! Ser atropelado no dia em que você tá começando uma nova vida! Caramba, Marco Aurélio!&lt;br /&gt;LELO: Tu pode me chamá de Lelo se quisé! Todo muno me chama assim.&lt;br /&gt;DUDA: Tá certo, Lelo! Mas você é um cara de muita sorte, viu?&lt;br /&gt;LELO: Po quê?&lt;br /&gt;DUDA: Porque você tem amigos, tem um lugar pra morá, e é querido de tanta gente!&lt;br /&gt;LELO: Sério?! Eu sempre achei que felicidade era ficá bem de vida, tê liberdade, tê dinhero pa fazê o que quisé... Tê amigos tamém, mar tê condição de ajudá eles é muito melhó.&lt;br /&gt;DUDA: É verdade, mas, sabe, Lelo, com o tempo a gente aprende a ver que dinheiro e liberdade não é tudo na vida. Nas horas em que a gente se sente mal ou sente que o mundo tá caindo é que a gente percebe melhor as coisas. E os amigos verdadeiros. E eu tô sentindo que a gente vai se dá muito, sabia?&lt;br /&gt;LELO: É verdade! Eu simpatizei muito cum tu, sabia?&lt;br /&gt;DUDA: E eu com tu!&lt;br /&gt;    Lelo e Duda eram somente sorrisos naqueles instantes. Minutos depois, o médico passou pelo quarto e passou mais alguns exames para confirmar a saúde de Lelo. Aparentemente, o menino estava bem de saúde; no entanto, seu estado de saúde inspirava uma observação maior antes da alta.&lt;br /&gt;    O médico desejou-lhe melhoras e lhe pediu paciência para até o restabelecimento adequado para o retorno às atividades cotidanas.&lt;br /&gt;    Assim que o médico saiu, entrou uma mulher alta e gorda, com cabelos grisalhos e um cheiro de cigarro que preecheu o ambiente.&lt;br /&gt;TEREZÃO: Como vai, vizinho?&lt;br /&gt;LELO: Hã?! A senhora é a...&lt;br /&gt;TEREZÃO: Tereza, a policial que tá cudano do teu caso. Tem alguns detalhe que só mermo o sinhô pode fornecê. Hoje passei somente pa vê cumo o sinhô tava. Vejo que tá muito bem. Acordô. Tá conversano. Em breve, vai pudê saí daí e voltá po trabalho e pa iscola. Agora, nada de ficá andano no meio da rua, tá? Tu pode num tê a merma sorte da próxima vez!&lt;br /&gt;LELO: Tá certo, Tereza! Brigado pelo toque! Num vai cuntecê de novo.&lt;br /&gt;TEREZÃO: Num é toque, rapá! Tu foi atropelado numa rua deserta. A tua sorte é que esse rapaz aí tava lá e ligô po socorro. Se num fosse por ele, pode contá que tu já tava dibaixo da terra, tá me entendeno?&lt;br /&gt;LELO (sério): Tô sim! Brigado, Tereza! Vô pocurá me cuidá mais.&lt;br /&gt;    Terezão saiu e deixou Duda e Lelo a sós no quarto.&lt;br /&gt;DUDA: Ela me parece sê muito séria. Acho que essa pose de brava tem muito a vê cum o fato dela sê sapatona.&lt;br /&gt;LELO: Ingraçado que a Lúcia num parece; ela é tõ feminina!&lt;br /&gt;DUDA: É! O que os olhos vêem podem enganá muito. Somente  com a convivência e a experiência podemos sabê exatamente com quem e com o que estamos lidando.&lt;br /&gt;LELO: Às vez, nem assim...&lt;br /&gt;DUDA: Por que você diz isso?&lt;br /&gt;LELO: Não... Nada não... Tem muito a vê cum as última coisa que cunteceu cumigo.&lt;br /&gt;DUDA: É mesmo?! E o que foi?&lt;br /&gt;LELO: Saí de casa... Minha mãe me ixpusô... Isso num isperava...&lt;br /&gt;DUDA: Nossa, Lelo, isso realmente é muito ruim!&lt;br /&gt;LELO: É! Mar o que mar tá me incucano é que fui pará no meio de um bando de gente istranha... Crente isquisito, travesti, vizinha doida... Mar tem gente muito legal no meio disso tudo... Tudo bem que foi tudo num dia só, mar foi muita coisa... Vô tê que me custumá na marra.&lt;br /&gt;DUDA: Tô começando a ficá interessado nessa tal Vila Potira. Parece ser um local muito interessante.&lt;br /&gt;LELO: Depende! Bom, sei lá, né? Eu sô dum morro cheio de bandido... Saí de lá é cumo entrá no paraíso... E tu?&lt;br /&gt;DUDA: Bom, sô de otro estado. Vim do sul. Tô morando na Barra do Adeus, mas tô querendo morá mais perto da faculdade.&lt;br /&gt;LELO: Pô, que bacana! Tu já imprimiu trabalho na Play Games Lan House?&lt;br /&gt;DUDA: O que?!&lt;br /&gt;LELO: É aonde trabalho! Tem um monte de istudante de facudade que vai fazê pisquisa e imprimi trabalho lá. Num fico lá o dia todo, mar o Rique trabalha lá tamém.&lt;br /&gt;DUDA: Ah, sim! Alguns colegas meus já me falaram desse lugá, mas  nunca fui lá não. Geralmente imprimo em casa mesmo.&lt;br /&gt;LELO: Pô, legal, cara! Legal mermo! Tu faz o que na facudade?&lt;br /&gt;DUDA: Economia. E você?&lt;br /&gt;LELO: Eu?! Quem dera! Tô no seguno ano inda. Quero fazê facudade, mar num sei do que ainda.&lt;br /&gt;DUDA: Ainda tem tempo. Se você quisé, posso te ajudá nessa escolha. Num é difícil não. Você primeiro tem de sabê o que gosta de fazê e pro que tem talento. A conciliação dos dois e teu curso universitário.&lt;br /&gt;LELO: Poxa! Eu gosto de tanta coisa...&lt;br /&gt;DUDA: Quantos anos você tem?&lt;br /&gt;LELO: Vinte. E tu?&lt;br /&gt;DUDA: Caraca! Você tem a mesma idade que eu! Tenho vinte também!&lt;br /&gt;LELO: Coincidência! E a gente foi se isbarrá naquela bendita rua, né? Tanto lugá...&lt;br /&gt;DUDA: É verdade! Tem coisas que a razão não consegue explicá.&lt;br /&gt;LELO: Mar Deus consegue. Deus sabe tudo que passa cum a gente.&lt;br /&gt;DUDA: É mesmo! Pena que não nos resta mais do que abrir os olhos para ver as mensagens que Ele nos transmite todos os dias.&lt;br /&gt;LELO: Como assim?&lt;br /&gt;DUDA: Você, por exemplo. Acabou de acordar depois de três dias de sono, a gente aqui maluco, rezando pra você acordá... Os dias passando, as horas correndo, médicos entrando e saindo... Eu num te conhecia... Mas tava aqui do teu lado pra ajudá no que desse e viesse... E, de repente, você acorda... Tá um dia maravilhoso lá fora... O sol tá brilhando... Tem uma brisa leve aliviando o calô de quem passa na rua... Seria um dia absolutamente comum, se não fosse você despertá do teu sono profundo... E você acordô cumigo aquii do teu lado... Isso é ô num é uma mensagem de Deus? Cara, você tá vivo! Você foi atropelado por... sabe Deus quem, passô três dias dormindo e... Agora, tá aqui, falando comigo, como se nada tivesse acontecido! Isso é simplesmente fantástico!&lt;br /&gt;    Duda estava com os olhos cheios d'água ao terminar esse discurso. Lelo ficara encantado com aquelas palavras, mais bonitas do que qualquer declaração de amor que já recebera. A vida transmitida encheu seus olhos de lágrimas também, que explodiram num abraço e num choro duplo. Nem Duda nem Lelo conseguiam explicar o que levou àquela emoção toda; porém, ambos permaneceram abraçados por um longo tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8127054857058466171-7202014377156372607?l=usinaelmond.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://usinaelmond.blogspot.com/feeds/7202014377156372607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8127054857058466171&amp;postID=7202014377156372607' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/7202014377156372607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8127054857058466171/posts/default/7202014377156372607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://usinaelmond.blogspot.com/2007/09/captulo-5-abra-os-olhos.html' title='CAPÍTULO 5: Abra os olhos'/><author><name>Pliuno Elmond</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06776663609071112818</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8127054857058466171.post-8349109272767578211</id><published>2007-09-20T00:35:00.000-03:00</published><updated>2007-09-20T00:36:24.530-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VILA POTIRA'/><title type='text'>CAPÍTULO 4: Rotinas renovadas</title><content type='html'>Lelo chegou à Lan House abrindo a loja e ligando os computadores. Ele era sempre o primeiro a chegar. Todavia, à porta já esperavam alguns adolescentes sedentos dos jogos fascinantes que lhes aguardavam na internet. Além deles, alguns universitários precisavam realizar pesquisas para seus trabalhos; outros desejavam imprimir urgentemente alguns arquivos. Ou seja, a Lan proporcionava a Lelo muitas atividades desde os primeiros instantes.&lt;br /&gt;    Dessa forma, ele procurava passar o tempo realizando essas tarefas. Quando não fazia nada, curtia a leitura da bíblia virtual e o papo com alguns amigos de igreja pelo MSN. Além da rotina das igrejas, Lelo procurava também se aprofundar nos ass
