sábado, 7 de agosto de 2010

Debate presidencial: momento democrático?

Saluton!

Nesta semana, na noite de quinta-feira, 05/08/2010, foi realizado o primeiro debate entre os presidenciáveis na rede Bandeirantes de televisão.

Não é de hoje que se propaga que o debate é o momento mais democrático porque há o confronto de propostas. Além disso, os presidenciáveis podem questionar posicionamentos e opiniões, além de fomentar polêmicas. Nesse último caso, coube ao candidato Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) desempenhar o papel de polemista, mesmo sabendo que suas chances de vitória são mínimas - talvez, por isso mesmo, estivesse mais à vontade para falar o que quisesse.

Quem fala tem de estar seguro sobre o que vai falar. Antes de falarmos, precisamos pensar muito. Não basta abrir a boca e deixar que nossas palavras fluam como as águas de uma cachoeira. Às vezes, é preferível ficar calado sobre um assunto quando não se está seguro quanto ao conhecimento do mesmo. Ou seja, se não se conhece o assunto, é preferível nada falar sobre ele, com o risco de cair em achismos e ideias pré-concebidas equivocadas.

Nesse ponto, o ritmo da televisão é bastante prejudicial. O candidato tem de sintetizar assuntos que, geralmente, são fruto de vidas inteiras de trabalho em 3, 2 ou mesmo 1 minuto. Isso requer não somente um raciocínio absurdamente rápido e organizado, mas também uma perspicácia fora do comum. Assim, o candidato tem de ser praticamente um super-homem (ou uma super-mulher).

Na dinâmica, os candidatos fazem perguntas entre si. Até que ponto temos confronto de opiniões efetivamente? Será que perguntas feitas a todos os candidatos não seria mais saudável? Afinal, se queremos comparar os candidatos, essa modalidade permitiria construir, na cabeça do eleitor interessado, um quado comparativo. A partir desse quadro comparativo, sim, poder-se-ia haver um questionamento entre os candidatos sobre um ou outro aspecto.

O que se viu - e o que se verá nos seguintes - foi praticamente uma troca de questinamentos entre Dilma Roussef (PT) e José Serra(PSDB). Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) pareciam meros coadjuvantes, como se eles não fossem também candidatos ao mesmo cargo, com propostas e ideias que poderiam mostrar ao eleitor outras possibilidades de governo.

Por fim, não se pode deixar de lado uma outra informação: o que pensam e o que propõem os outros candidatos que não têm representação parlamentar. Alguém dará ouvido a eles na televisão? Mesmo que a audiência seja baixa, a democracia deve prevalecer, permitindo que todos apareçam e mostrem suas propostas, suas ideias, seus pensamentos, mesmo que não sejam as mais populares ou que sejam as mais equivocadas e malucas. O importante é o eleitor conhecer todos e não ficar preso a um pequeno grupo.

Quanto à audiência, não seria mais interessante um debate que envolva várias emissoras? Afinal, é o futuro do país em jogo e é importante mobilizar a população para esse fato. Está na hora de as emissoras de televisão e rádio deixarem de lado o ponteiro da audiência e pensar TAMBÉM no patriotismo. Não adianta ficar tentando induzindo as pessoas a votarem nesse ou naquele candidato por meio de manipulações de notícias. É hora de levar a sério o exercício da profissão jornalísta.

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